Primavera Tempestuosa
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
O sol já se escondia, dando espaço para o céu purpura e as estrelas brilhantes. A primavera havia chegado e com ela o tempo ameno.
A leve brisa batia nos traços fortes e cansados do jovem Haruno. Enquanto sua mão direita limpava o suor de sua testa, a sua outra mão segurava as cestas com legumes recém colhidos.
A semana estava produtiva, e consideravelmente, seu humor melhorava. E também sua filha, de apenas três anos, crescia saudável, e a cada dia parecia mais bonita. Com os olhos verdes, tão verdes quanto as folhas das copas mais altas das árvores, com os cabelos mais esbeltos do reino, róseos. Com a delicadeza de uma boneca de porcelana, e com a pele branca e tão macia quanto o tecido mais bonito feito pelas mãos habilidosas dos artesões. Sua filha fora um presente dos deuses.
A caminhada entre as terras férteis e a relva densa, logo chegou ao fim. Avistou sua pequena casa, escondida dentre as árvores.
A baixa luz das velas fazia companhia com o luar, Kizashi pode avistar sua mulher cuidando de sua pequena criança. Deixou-se sorrir pela cena diária.
Mas seu sorriso logo foi substituído pelo pavor eminente. Sua mão largou as cestas e seus pés correram em direção a casa. Não esperou, abriu a porta com a força do desespero. No chão havia sua mulher, com os olhos arregalados e a mão na boca, contendo o grito preso em sua garganta.
Kizashi logo ouviu gritos, ao longe, no feudo, as pessoas gritavam e as chamas dançavam sobre as terras férteis e casas de palha.
Percebeu que se tratava de uma das rebeliões dos rebeldes. A segunda do mês.
— Solte-a! — com os olhos determinados, as mãos cálidas agarraram o pescoço do homem que faria mal a sua família. O choro e gritos de sua mulher transpareceram o medo em que a mesma sentia.
Quando deu-se conta da situação em que estava, Mebuki levantou-se do chão, agarrando a garotinha que tinha seus olhos fixos a briga do pai com o rebelde.
Agarrou-a e com a mão livre, segurou seu vestido correndo porta a dentro. Escondeu-se atrás da cama, com sua filha em seu colo, não entendendo o que acontecia.
Aos arredores, era possível ouvir os gritos de medo, e agonia. O fogo se alastrava, logo chegaria a sua casa, por mais longe que fosse do resto do feudo.
Mebuki pedia para que sua filha ficasse a salvo, enquanto Kizashi lutava por isso.
Os pontapés e golpes que aprendera, já não era suficientes, deveria lutar e se esquivar dos punhais que o rebelde segurava, reconheceu os punhais. O cabo de madeira era negro, com um simbolo desenhado com o fogo, o símbolo dos Uchihas.
Sua distração foi o suficiente para um golpe em seu braço, seu gemido de dor foi escutado por sua mulher e filha, as quais estavam encolhidas, protegendo-se do medo.
Kizashi estava pronto para contra-atacar o rebelde, mas seu abdômen latejou.
Sentiu então seu corpo formigar, e o sangue escorrer por cima dos tecidos sujos e leves. A mão instantaneamente, parou no local em que queimava, havia uma espada encravada em seu abdômen. Logo a espada foi retirada, fazendo assim, sua dor aumentar e latejar.
Percebeu a presença atrás de si, e quando seus olhos conseguiram focá-lo percebeu que se tratava do sangue puro, Sasuke Uchiha, um garoto de quatorze anos.
O que era tão importante para que Sasuke Uchiha estivesse ali?
Não era exatamente essa pergunta que se fazia. Sabia que a tribo Uchiha tinha poder e conhecimento, eles eram fortes e possuíam terras que os reinos desejavam, eram chamados de rebeldes, por conta dos roubos e mortes feitos por eles.
Kizashi sabia que eles podiam apenas querer diversão.
Finalmente, caiu de joelhos no chão, que agora, parecia tão frio quanto o inverno passado.
Filetes de sangue escorriam de sua boca, e uma grande parte da madeira, era pintada de vermelho, o vermelho de seu sangue.
— Uma mulher e uma garotinha — disse o rebelde que o atacara, o príncipe Sasuke, como era conhecido em suas terras, caminhou lentamente até o corpo encolhido da mulher e da garotinha.
Agachou-se e seus olhos se chocaram com os verdes, um verde tão vivo, como ele jamais havia visto. Ela não parecia temer o homem, mas seus olhinhos enchiam-se de lágrimas quando capitaram a imagem do pai tossindo e segurando seu estômago, como se pudesse parar o sangramento.
— Devemos matá-las? — indagou cruelmente o rebelde, baixo de olhos castanhos escuro, este tinha seus olhos fixos na mulher a baixo de si, jogada ao chão, Mebuki tremia e temia.
— Não. Deixe-os, levaremos a criança — ordenou ele.
Kizashi queria protestar, se levantar e bater no homem que admirava quando mais novo. Mas sua garganta estava seca, e sua voz falha. Não conseguia sentir nada, exceto seu corpo formigando e seu abdômen latejando. Era descomunal, dor que jamais sentira.
Mebuki entendia que poderia protestar, mas se o fizesse seria morta, e sua filha seria levada de seus braços, e agora só podia chorar e cuidar de seu amado, que está ferido e nos braços da morte.
— Não a machuque, por favor. Sakura é uma boa menina, é obediente, não a machuque — pediu, piedosa, com as mãos agarradas as pernas do Uchiha.
— Ela aprenderá a ser uma de nós. E quem sabe, um dia governará todas essas terras. — a voz cortante causou-lhe arrepios constantes. Com os olhos arregalados e as lágrimas que escorriam de seus olhos, ela viu sua filha partir nos braços do homem.
A pequena Sakura encolhia-se nos braços do homem, pondo suas pequenas mãozinhas envolta do pescoço do príncipe Uchiha. Não parecia assustada, não parecia triste e nem feliz, era apenas inocente demais para entender a vida nova que teria.
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