Primavera Tempestuosa

4 O sabor das palavras


Notas iniciais
Oi, tentei vir o mais depressa possível, e cá estou com o novo capítulo. Em três capítulos (agora o quarto) recebi duas recomendações maravilhosas. Primrose: Prometo fazer de tudo para não te deixar na mão, essa é a ultima coisa que quero fazer com todas as leitoras, deixá-las na mão. E tenha certeza que isso me estimulou muito, eu fiquei mega contente em receber uma recomendação no terceiro capítulo, não pensei que renderia tudo isso, e fico feliz em estar te agradando, continuarei assim. Agradeço do fundo do coração. Kah Elisia: Obrigada moça, sabe o quão me deixou feliz saber que está tudo ao seu agrado? Fiquei, realmente, muito contente em saber que está tudo lhe agradando, continuarei assim. Capítulo totalmente dedicado a Primrose e Kah Elisia, e não poderia deixar de dedicá-lo a todas as leitoras que estão acompanhando e comentando. Boa leitura.

O Sabor das palavras.

As nuvens davam espaço para o Sol, o vento amena, aconchegando-se e levando o frio para longe. No alvorecer, a metade da tribo estava de pé, mais de cem homens conversavam entre si. Os assuntos eram variados, desde a caça do dia, ao homem quase morto do dia anterior.

Mas dentre duzentos homens e mulheres, estava o principal, o mais imponente homem da tribo, Sasuke Uchiha já encontrava-se de pé. Estava lendo alguns pergaminhos importantes, vindos das terras baixas, enquanto bebericava seu vinho e agarrava o pão. Não havia hora melhor para se beber um pouco de vinho.

Seus olhos analisavam o papel, mas estava concentrado no corpo ao seu lado da cama.

Com os cabelos esparramados e o rosto sereno, a garota de cabelos róseos permanecia em um sono agradável. Tinha o corpo encolhido e coberto por um fino lençol. Havia esse problema, de se surpreender com belezas extraordinárias, e confessava aos seus mais íntimos instintos, que Sakura era uma das mulheres mais lindas que já vira, desde a primeira vez que bateu os olhos na garota, há muitos anos.

— Príncipe Uchiha — direcionou-se a entrada do aposento, onde um de seus mensageiros estava.

— Kiba. — cumprimentou-o com um olhar. Ao contrário dos reinos, a tribo não aderia a regras e tradições, tais como ajoelhar-se diante do príncipe, ou reverenciá-lo. Ate hoje não havia descoberto quem havia lhe dado o mero título de príncipe, era mais do que isso, mas não era como se o interessasse.

— Tenho notícias dos Reinos — informou ele. Kiba era alto, corpulento e tinha olhos castanhos escuros, tanto quanto seus cabelos. Sempre prestou seus serviços adequadamente desde que se conhecia no mundo.

— Diga-me — avistou Kiba retirar algumas cartas com os selos dos Reinos, enquanto servia-lhe de vinho.

Entregou as cartas ao Uchiha ao mesmo tempo que agarrava com exatidão o copo de vinho. Há tempos não bebia algo tão gracioso como vinho, há tempos não alimentava-se. As terras baixas eram pobres, e Kiba havia gastado todo o dinheiro que haviam lhe dado, visitando vários prostíbulos. Mas isso somente ele e seu cão fiel sabiam.



Sasuke lia atentamente as cartas lhe enviadas. Seu olhar variava das cartas para Kiba, o mesmo observava o corpo sonolento na cama, e servia-se de vinho.

— Eu e Akamaru escutamos rumores na vila Oculta da Areia, parece que Gaara deseja atacar a Vila da Folha, e com isso, nós estamos incluídos. — Kiba mordeu o lábio, desejava expressar o que pensava, mas tinha medo que sua cabeça parasse longe do corpo.

— Continue, Kiba — ordenou o príncipe ainda atento aos papéis em sua mão.

— Senhor, acredito que se a Vila da Folha for atacada, nós também seremos. A Vila da Folha não gosta de nós, eles não disponibilizariam homens para nos ajudar nessa guerra. Seria nós contra a Vila da Areia, e não teríamos chance contra tantos homens — gesticulou e expressou Kiba, sua mão fazia cafuné em seu cão, Akamaru. Grande com a pelagem branca, e tão rápido quanto um dos lobos da região, Akamaru era um parceiro inseparável de Kiba.



— E o que sugere, Kiba? — dificilmente pedia conselhos aos seus homens. A única pessoa que escutava era Naruto, por mais que o achasse um garoto pueril.

— Devia falar com Tsunade, negociar com ela. Creio que se, talvez, nós dividirmos nossas terras férteis, em troca de alimento e de mais segurança, venceríamos essa guerra. Temos muitas crianças, príncipe Uchiha, perderíamos não só elas como muitas mulheres e homens para a Vila da Areia. — Sasuke fez um sinal para que o homem saísse, este tremeu por pensar que havia dito algo errado, mas sem questionar, logo não estava mais no aposento.

— Levante-se, sei que está acordada. Temos uma caça para hoje — anunciou Sasuke, de costas para cama, este conduzia as cartas para as gavetas de sua mesa, mais tarde leria novamente e depois as queimaria.

Espreguiçando-se, a bela levantava-se com o lençol envolto ao corpo. Tinha o corpo cansado, e os olhos exaustos, mas não perdia a luminosidade.

As roupas lhe esperavam em cima de uma cadeira de madeira.

— Hoje é dia de colheita — disse Sakura na intuição de escapar das mãos do príncipe, estava envergonhada pela noite que tivera.

— Há muitas pessoas para ajudarem na colheita, você vai caçar comigo, a menos que não queira. — e realmente era uma das últimas coisas que queria, mas não podia negar o pedido de um líder.

Assentiu vestindo a túnica verde e os Borzeguins negros.

Encobria-se rapidamente, a timidez encontrava-se em seus olhos, tão tímidos quanto as bochechas avermelhadas denunciavam.

Mesmo que o príncipe já tivesse visualizado seu corpo uma segunda, enquanto banhava-se no início da manhã.

O príncipe, ainda de costas para si, tinha sua túnica negra e uma blusa vermelha, com roupas simples era tão bonito quanto qualquer outro, e tão simples quanto alguns camponeses.

— Podemos ir? — assentiu ligeiramente, mas ainda não tinha os cabelos presos.

Seguiu o príncipe para fora da tenda, o Sol brincou com seus olhos. As crianças corriam de um lado para o outro, com cestas nas mãos, ajudavam os pais com a colheita dos legumes. Alguns homens, um grupo pequeno, saía para caçar, Sakura reparou que Naruto não estava dentre eles como de costume, gostaria de notícias do amigo.

— Nós vamos com eles? — indagou, incerta.

Sasuke não lhe respondeu. Continuou o seguindo até os cavalos presos nos troncos das árvores.

Retirou as cordas sujas que os prendiam, dois cavalos puros e negros os aguardavam.

— Fique aqui, volto logo — pronunciou o príncipe, Sakura assentiu procurando alguma pessoa mais próxima pela tribo.

Avistou o príncipe longe de si, adentrando a tenda, provavelmente havia esquecido algo. Aproveitou para acenar para uma de suas amigas.

— Tenten! — os olhos caramelados foram lhe dirigidos, Tenten correu assim que a enxergou.

— Sakura! Conte-me tudo. Como foi com o Príncipe? Ele foi rude? Doera muito? — Tenten era curiosa, ainda tinha seus quatorze anos, e não demoraria para ser a próxima a ter um banquete.

— Não seja curiosa, Tenten. Quero saber do Naruto, apresenta alguma melhora? — aflita, ansiava por uma resposta boa.

— Oh, sim, Naruto. Bem, ele acordou assim que o Sol nasceu, mas dormiu novamente. Aya disse que os ferimentos dele estão melhorando, e que ele ficará bem — sorriu abraçando a garota dos coques.

— Diga a Naruto que o verei em breve — Tenten assentiu, ainda curiosa queria perguntar-lhe como havia sido a noite, mas a presença do príncipe, pôs suas expectativas para longe.

— Conversamos depois, Sakura. Com sua licença, Príncipe Uchiha — Tenten afastou-se, mas com os olhos fixos nos amantes.

Sakura sorriu timidamente para Sasuke. Sentia-se feliz pela notícia recebida, e consequentemente a timidez logo fora embora, assim como o desespero de ver Naruto bem.

* * *

— Estique mais o braço — fez o que fora ordenado, mas sem sucesso, a flecha não ultrapassou a distância que pretendia.

— Quem te ensinou a lançar uma flecha? — Sasuke caminhou até ficar atrás de si.

— Ebisu. Ele não era muito paciente — respondeu tentando uma segunda vez.

Sasuke soltou algum resmungo e antes que pudesse dizer algo, foi surpreendida pelos braços fortes do Uchiha.

Ele segurou seu arco e o braço estendido. Puxou o braço que segurava a flecha, o flexionou até que ficasse no ponto certo.

Mirou em algum ponto e esperou. Depois de alguns minutos, Sakura estava pronta para lhe questionar o tempo em que ficariam assim, mas sentindo o hálito quente bater em seu rosto, e os braços rijos circundarem seu corpo, a única coisa que fez foi esperar.

— Solte — determinou. Os dois soltaram a flecha, ao mesmo tempo que esta atingia um coelho branco, que passava pelos arredores.

Sakura soltou um sorriso, havia pego algo no fim das contas.

— Venha. Há alguns cervos um pouco longe daqui. Podemos caçar um — seguiu o príncipe puxando as rédeas do cavalo negro.

— É verdade? O que o Kiba disse, pela manhã, seremos atacados? — interrogou vacilante. Seus olhos alternavam das árvores para o Uchiha, em sua pose irredutível, parecia não estar interessado em suas perguntas.

— Não creio que seja um assunto de seu interesse — antes que pudesse respondê-lo, o sinal de silêncio feito pela mão de Sasuke, fez uma careta surgir em seu rosto. Enxergou a frente um grupo de cervos.

— É um assunto de meu interesse. Trata-se da minha tribo — sussurrou a jovem com os olhos fixos aos cervos.

Sasuke não lhe dirigiu o olhar, um simples ruido e a flecha que estava a lançar, já estava presa a garganta do animal.

Sakura mal viu o movimento feito pelo Uchiha, mas quando percebeu, o animal já jazia no chão e os outros cervos haviam corrido, faria o mesmo, queria pegar um por conta própria, mas teve seu braço puxado fortemente.

Encurralou-a e a prensou no tronco da árvore, tinha seu rosto próximo ao de Sakura. Sentia a respiração ofegante da garota, tinha as bochechas vermelhas e os olhos arregalados.

— Lembre-se que está falando com seu líder. — não se afastou, ao contrário, aproximou seu rosto, selando os lábios vagarosamente nos vermelhos de Sakura.

Virou o rosto, determinada.

— És meu líder, mas não tenho que te beijar, o que tinha comigo era uma noite, já a teve. Agora eu decido se quero ou não algo vindo de qualquer um, inclusive do Príncipe — audaz, empurrou o corpo do Uchiha para o lado, caminhou até seu cavalo, caçaria o cervo e mostraria que sabia caçar.

Sasuke sorriu, audácia era uma das coisas que lhe irritavam, mas para quem há alguns minutos estava tão tímida, era um grande passo.

Seus pés o levaram para a sombra de Sakura, a garota estava atenta a procura de novos animais, seus olhos eram determinantes, não voltaria sem um cervo nas costas.

— Lá, criança — apontou para dois cervos que bebiam água do riacho, não haviam notado suas presenças.

— Não sou mais uma criança, desde a última noite — rebateu ela, e então, o Uchiha a encarou, pouco surpreso, pouco contente. Queria gargalhar da mudança repentina de humor, um tempo; tímida, no outro; feroz.

— E isso lhe agrada? — questionou-a, o rápido olhar que ela lhe lançara, não foi o suficiente para desvendar o que significava.

— Não muda nada — arqueou o corpo para melhor visão. O casal de cervos distanciava-se lentamente do riacho.

— Não foi isso que indaguei — protestou o príncipe, atento aos movimentos da jovem, percebia o quanto ela estava cuidadosa com sua presa, talvez, tivera a subestimado.

— Responderei sua pergunta, se responder a minha — uma troca, talvez não tão justa, pensou Sasuke.

Fez um sinal para que prosseguisse, observou o modo único que Sakura tinha de ajeitar o corpo para atacar o animal.

— Sim, me agrada. Não só saber que não sou uma criança, como também a noite que tive — deixou por soltar um riso abafado, podia estar emburrada por dizer tal frase, mas suas bochechas ainda a denunciavam.

— Tens sete esposas, mas nenhum herdeiro. — comentou, de repente. Sasuke pareceu enrijecer, não conversava sobre tal assunto, mas ele já predominava em sua mente por longas noites.

— E qual é sua pergunta em relação a isso? — troca era troca, e por mais que não se sentisse satisfeito em entrar nesses detalhes, ele devia uma resposta a pergunta da jovem.



— É por isso que tem sete esposas? — Sakura soltou um grunhido, os dois animais haviam escapado devido ao seu tom de voz.

— Tenho sete esposas, pois me agrada deitar com diferentes belezas — pôs-se de joelhou diante do riacho, molhou suas mãos sujas e levantou-se, voltando para o cervo abatido que deixara no mesmo lugar.

— Agrada-te mentir também? — frustrada, percorreu o mesmo caminho de seu líder, voltaria de mãos vazias, e apenas voltaria pois já estava anoitecendo.

Na primavera o tempo voava, a noite era tão longa quanto o dia, e o dia parecia durar minutos, agradava a muitos uma noite mais longa, já outros tinham a frustração de sentir o sol por pouco tempo.

— Não é uma completa mentira, mas creio que uma jovem inteligente como tu, saibas o motivo — compartilhava os sentimentos com as mulheres.

Achava que as mulheres eram as coisas mais belas feitas, um tocar com as mãos macias em um tempo de luta, era o suficiente para a razão da vitória. Um cálido beijo era o suficiente para levar um homem aos seus desejos mais profundos e inexplorados, como também, levá-lo para a escuridão mais profunda, onde reinam os pesadelos e as lágrimas.

— Não pode ter filhos. Dizem que o homem que não gera filhos é aquele que explorou outro homem — um sorriso bobo surgiu em seus lábios carmesim, vez ou outra irritava Naruto com suas falsas acusações, tais como esta.

— Creio que não acredite nisso. O corpo de uma mulher é um presente dos deuses, não desperdiçaria um presente.

Suas bochechas avermelharam-se com o olhar profundo que lhe fora lançado. Via uma semelhança entre o amigo, Naruto, e o líder, Sasuke. Mas entre tantas semelhanças, haviam enormes diferenças. Sasuke tinha uma alma jovial, tanto quanto seu corpo, mas possuía feridas, erros que cometera, e talvez não se arrependia, mas tornavam-se dolorosas feridas. Sasuke era mais intelecto e dirigente, punha sua alma no corpo de uma mulher, como no corpo de uma espada. Talvez, um erro fatal, mas não podia dizer que sentir o calor de uma guerra e de uma mulher, era algo ruim.

Sasuke era apenas inocente, pois ao contrário do que pensava, nunca havia provado o sabor da guerra.

Notas finais
Espero que tenham entendido o capítulo, a importância dele. Qualquer duvida pergunte. Obrigada as meninas mais uma vez. Quero perguntar algo a vocês. Está ruim todos os capítulos com mais de 1000 palavras? Creio que pode se tornar cansativo a leitura, ou está bom assim? Queria apenas saber isso, é que quando eu começo a escrever o capítulo, as coisas fluem tanto que quando vejo já tem mais de 2000 palavras... Aguardo comentários.