Primavera Tempestuosa
10 Liderança
Notas iniciais
Liderança
— Em alguma hora você precisará confiar em alguém, Sasuke. Sei que tem seus motivos e acredite, eu também, mas nós precisamos deles tanto quanto eles precisam de nós — Naruto sentou-se ao lado do Uchiha, compartilhou a camada de terra com ele.
Avistou Sasuke brincar com a terra, os dedos a acariciavam e ele entendia, era a sua terra, ou ao menos fora uma vez. Não era possível que um dia tudo estivesse perdido, Naruto tinha certeza de que não perderiam tudo tão facilmente. Afinal, as terras não podiam ficar sem trabalho, já descansaram o bastante. O homem precisa da natureza, mas a natureza também necessita do homem.
— Não poderei arriscar uma terceira vez, Naruto. Arriscarei a segunda e se perdermos… — é o fim, quis completar.
Sentia-se confiante, depois de uma noite de sonhos bons e inexplicáveis, ele acordara mais disposto do que se lembrava. Sua primeira ideia foi discutir com o príncipe as possíveis chances de contornar a situação. Sasuke explicou seu plano, o homem mais velho também tinha uma confiança inexplicável aos olhos do menino raposa.
— Um bom líder comete erros, e tu cometeste os teus. No entanto, agora é a hora para reconsiderar as possibilidades do perdão, Sasuke. Perdoar-se, é disso que falo. Perdoe-se e deixe que os outros te perdoem, conquistará o povo por inteiro! — Sasuke averiguou a animação do garoto, animação que jamais teve quando jovem, pois encontrava-se ocupado demais com sua pose imbatível de Uchiha, era assim que tinha de ser, mas percebera que era inútil continuar negando o que sentia e como sentia. Então, por fim, sorriu. Um sorriso pequeno, mas ainda sim um sorriso.
— Idiota — sussurrou, levantando-se. Conhecia Naruto desde que o levara para a tribo, o treinara e o viu crescer, era um garoto forte e determinado, mas jamais diria isso a ele.
* * *
— Meus erros para com o povo foram gigantescos, eu admito isso. Não os respeitei, não respeitei seus lares, suas famílias e seus costumes. Os desprezei e pisei em cima de sonhos e objetivos, tudo para conseguir o meu próprio objetivo — se é que tinha algum, pensou. Sua garganta doía e mal havia dito algumas palavras, suas palavras alcançavam as paredes e além delas, os que ali estavam observavam o príncipe arrepender-se de seus pecados anteriores, que ressaltava; eram muitos.
— Palavras são fáceis de serem ditas, garoto. Porém a confiança em um homem como tu é impossível — ouviu a voz de um homem logo atrás, era velho e não aguentava-se em pé.
Talvez eu tenha tirado a vida da mulher dele, ou talvez de seus filhos, pensou consigo.
Encontrava-se arrependido, mas talvez por que precisava daqueles homens. No fim nas contas, era um Uchiha, e Uchihas não sentem remorso pelo que fazem.
“Não te arrependeras do que tem feito, pois tudo aquilo que faz definirá teu caráter” as palavras de sua mãe ecoavam em sua cabeça enquanto dizia palavras bobas aos seus olhos. Tirara vidas sim, tirara sonhos sim, mas jamais arrepender-se-ia ao nível de realmente pedir perdão.
— Tens razão, mas digo-lhe que o menino que eu era foi deixado para trás. Vocês precisam de mim, assim como eu preciso de vocês. Nossas terras estão sendo ameaçadas, nossos homens estão sendo mortos, tudo feito pela Vila da Areia. O que querem? Ver suas mulheres serem estupradas? Seus filhos mortos? Suas casas saqueadas? Ou ouvir as palavras de um homem que lhes pede perdão? — e então foi o final de suas palavras, não sentia-se humilhado, pois as consequências dos erros sempre apareciam, talvez cedo ou talvez tarde, mas a verdade era que apareciam e Sasuke não seria covarde o suficiente para fugir delas.
O silêncio foi longo, cochichos ouviam-se pela extremidade do local, as pessoas que encontravam-se ali — alguns curiosos, outros fiéis ao seu Reino — perguntavam-se o certo, mesmo sabendo da resposta. Escutavam seus corações, mas o medo era mais forte. O medo de ser traído novamente, o povo já havia sido traído tantas vezes que Sasuke admiraria não sentir o medo que emanavam.
Tudo que o povo precisava era de um líder, que pudesse governar e amar seu povo, que soubesse chorar e sorrir quando precisassem, que pudesse lutar por almas que precisavam de defesa. Sasuke tinha consciência disso, mas não enxergava ninguém forte o suficiente para tal responsabilidade, além do mais, Tsunade encontrava-se no poder, era ela quem lutava pelo povo, o problema era que ninguém a apoiava.
O preconceito quanto a mulher no poder era tão grande que alguns se surpreendiam por Tsunade encontrar-se tão firme, mas todos a subestimavam, ela era uma mulher forte, no fim das contas. O marido, Jiraya, morreu no combate, a fim de proteger suas terras. Tsunade ficara no lugar, tendo que arcar com o peso em suas costas.
— Quem está comigo? — o Uchiha gritou suas últimas palavras. O tempo passava-se e precisava de ajuda, pois se não a tivesse, temeria por todas as vidas.
Ninguém ousou levantar a mão ou dizer algo a favor ou contra, continuaram olhando-se. Tsunade estava temerosa, mas não ousou dizer nada. A guerra era dela, tinha plena consciência, mas se suas pessoas não queria lutá-la quem seria ela para o fazer? No fim, ela própria não entendia o poder que tinha em suas mãos e principalmente não entendia o que era para aquelas pessoas.
— Eu estou contigo, príncipe. Darei meu sangue se preciso! — a voz da garota eclodiu no espaço apertado, todos os olhos voltaram-se para garota com roupas largas e coques, era Tenten.
Sakura, que observava afastada, sorriu com a petulância da garota, era tão corajosa quanto ela e gostava muito das atitudes de Tenten.
— Faço as palavras da garota as minhas — Sor Neji surgiu, com a determinação fixa em seus olhos e o corpo feito para luta, o sorriso irritado de Tenten fez com que o Sor sorrisse também.
— Metido — ainda sussurrou, a fim que Neji escutasse.
— Lutarei se for preciso — foi a vez de Sakura pronunciar-se, sorriu assim como Tenten e seus pés a levaram a frente do príncipe, Tenten e Neji a acompanharam.
Sakura, contrariando seus próprios costumes, ajoelhou-se diante do príncipe, sabia que para ele e para sua tribo, aquilo nada significava, porém para as pessoas do Reino, a atitude era sinal de respeito.
Neji e Tenten fizeram o mesmo, abaixando suas cabeças com o corpo baixo e o olhar fixo nos pés. Não foram os únicos, lá estava Naruto ajoelhando-se diante do seu líder.
Logo, homens e mulheres faziam o mesmo, reverenciando o príncipe e sorrindo, mesmo que ninguém estivesse vendo. Tsunade jamais vira o povo tão unido quanto agora, e então soube que Sasuke era o garoto que foi feito para liderança. Oúltimo Uchiha, o príncipe da tribo Uchiha, o temido e agora; o líder.
Entretanto, a guerra ainda não estava ganha.
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