Notas iniciais
Olá, demorei eu sei. Por mais que o mangá esteja inspirador, eu não consegui chegar mais cedo, desculpe. A minha imaginação está horrível, principalmente com títulos de capítulos, então eles podem receber alterações quando minha imaginação voltar para casa. Agradeço do fundo do coração pela recomendação da Mariny, obrigada moça, obrigada de verdade

Medos

Caminhava apressada, o medo fazia parte de sua corrida, suas mãos tremiam levemente e as imagens de ser pega ou de ser uma armadilha passavam em sua mente em diversas maneiras, todas resultavam em morte.

Não estava gostando de onde aquilo levaria, ao menos conhecia aquele garoto que a levava para algum lugar. Andava entre os becos escuros até chegar onde havia luz e apenas morros, logo depois avistou casas sendo construídas e outras destruídas.

O garoto falava consigo, mas ela mal escutava. Ele lhe dissera que os moradores antigos haviam voltado para a Vila da Folha quando foram usados como escravos na Vila da Areia, isso fora tudo que ouvira. Encontrava-se perdida e principalmente com medo.

As palavras de Sasuke ainda habituavam em sua mente “Não ande por aí sozinha, não converse com quem não conhece e principalmente não confie em ninguém. Está grávida de um herdeiro, um Uchiha e se essa informação cai em mãos erradas…” Não podia imaginar o que aconteceria caso algo acontecesse com aquele bebê.

Aquelas palavras poderiam lhe passar pela cabeça muitas vezes, entretanto, suas pernas continuavam o que começou.

— Quero lhe mostrar algo, princesa. Quando vi o príncipe Uchiha falando tais coisas nós nos sentimos confiantes e tranquilos, pois agora temos alguém para lutar conosco e por nós, por mais que meus pais me contem histórias ruins sobre o príncipe, ao contrário de alguns cidadãos, eu confio no príncipe. — o garoto parecia ter treze ou quatorze anos, mas aparentava ser mais velho.

— O que é exatamente? — não lembrava-se o motivo de segui-lo, porém parecia confiar nele quando o mesmo fez de tudo para conversar consigo no castelo.

Ele não parecia nem um pouco violento ou perigoso, e caso fosse ela saberia se cuidar.

— Aqui, estamos chegando — lhe mostrou uma casa bonita, era pequena, mas parecia aconchegante. Teve receio de adentrar o local, mas o olhar límpido do rapaz fez com que a coragem reaparecesse.

A casa era fria, e ao contrário do que pensara, não parecia aconchegante e algo lhe dizia que não era bem-vinda.

— Venha — a mão estendida lhe convidava para conhecer o resto da casa.

Caminhou até o aposento, havia uma cama e nela jazia uma pessoa. Um homem corpulento, parecia doente e exausto, aparentava ter uma idade avançada. Ao seu lado uma mulher estava sentada na beirada da cama, tinha uma das mãos na testa do homem, a outra mão jazia em cima de seu peito e seu semblante era entristecido.

— Mãe, eu a trouxe — disse o rapaz.

A mulher então levou seus olhos para a garota parada na porta, estava confusa, mas um semblante triste foi preenchido por um de alívio e felicidade.

— É ela? — perguntou a mais velha segurando as mãos do filho.

— É sim, mãe. É a Sakura, a princesa Uchiha — era assim que muitos dos cidadãos lhe chamavam agora, pois Sasuke anunciou o possível casamento assim que a guerra terminasse, mas não era preciso um casamento para saber que ambos estavam juntos.

— Oh, não posso acreditar — a mulher aproximou-se de Sakura e a mesma recuou, algo lhe dizia que conhecia a mulher, mas não sentia-se confiante para ficar perto dela.

— Quem é você? E por que estou aqui? — a pergunta não lhe fora respondida, sentiu braços finos lhe aconchegarem, tentou afastar-se no mesmo momento, mas ela a abraçou forte e nada poderia tirá-la dos braços daquela mulher.

A mulher cheirava a morte e desconfiança, não gostou nem um pouco disso.

— Mãe, está a assustando — o garoto puxou-a levemente fazendo com que a mulher se afastasse de uma Sakura assustada.

— Desculpe, querida. Eu não quero te assustar, mas estou tão contente por te ver. Está tão linda e crescida — a mulher passou seus olhos pelo corpo da menina lobo, seu sorriso aumentou quando parou no rosto confuso de Sakura, ela era linda. Tinha traços delicados da mãe, mas olhos e cabelos do pai.

— Quem é você? — perguntou uma segunda vez, já cogitava a ideia de correr daquele lugar, ao menos lembrava-se do motivo de estar ali.

— Não lembra-se de mim, querida? — Sakura negou enquanto dava pequenos passos para trás — Não deve se lembrar, era tão pequena quando te tiraram de meus braços — ainda não entendia nada, seu olhar vacilava para a mulher e então para o homem familiar que encontrava-se indisposto na cama, inconsciente e debilitado.

— É melhor eu voltar, sinto muito, mas não lembro-me de você. Eu realmente preciso voltar, sinto muito — caminhou para fora da casa rapidamente, seu coração parecia querer sair e tomar vida fora de seu corpo, sua boca estava seca e suas mãos trêmulas. E ao menos sabia o verdadeiro motivo para tudo isso.

A única coisa que tinha certeza, era do nervosismo que sentira ao ficar perto daquela mulher. A família parecia ser conhecida para ela — mesmo que nunca os tivesse visto—, os cabelos do homem, os olhos da mulher e aquele garoto desajeitado, mas corajoso. Nem havia perguntado o nome dele!

Quando o mesmo conseguiu conversar com Sakura, a menina lobo já se encontrava curiosa com a tal coisa que o garoto havia afirmado e pedido para lhe mostrar. No início não aceitou ir a lugar algum com um desconhecido, mas ele persuasivo e algo no olhar dele trazia confiança.

Era estranho.

Seguiu para o lugar que não deveria ter saído, olhava para trás mas ninguém lhe seguia. Ainda sentia-se nervosa. Sua visão começava a embaraçar, não sentia suas pernas, apenas o peso de seu corpo, ainda sim continuou correndo em direção a sua casa.

* * *

Só podia vê-lo caminhar de um lado para o outro, as sobrancelhas arqueadas e a linha reta em sua boca indicavam a irritação que o Uchiha sentia.

— Está me deixando nervosa — sussurrou sentando-se na cama.

Ele a olhou e a observou. Sakura sentiu seu olhar vacilar, e nada mais fez do que olhar para as próprias mãos, sentia-se culpada. Havia desmaiado no caminho de volta, felizmente um guarda passava pelo local e a reconheceu, acabou por contar a Sasuke tudo que lhe acontecera pela manhã e certamente não ficara contente ao saber.

— Percebe o tamanho do seu erro? — bufou, ele a irritava quando a tratava desse modo.

— Não fale comigo como se eu fosse uma criança, eu sei me cuidar. Caso não lembra-se você fez questão de fazer com que alguém me ensine a isso — Sasuke parecia esquecer que um dia fora líder de uma tribo, e que ainda era.

— Age como uma criança, o que eu posso fazer quanto a isso? — sua voz era calma, mas Sakura sentiu-o irritado.

Depois de algumas semanas, Sasuke havia ficado quase insuportável, estava sempre a observando e quando não o podia fazer — pois estava ocupado com a guerra — ele mandava alguém para lhe vigiar, alguma criada para fazer qualquer coisa a ela e cuidava até mesmo de sua alimentação, deixando Sakura irritada e nervosa.

Entretanto, Sasuke encontrava-se preocupado, era uma garota de quinze anos e grávida. Ele sabia que Sakura tinha a personalidade forte e que era teimosa, tinha medo por ela e por seu filho, ainda mais quando os rumores ficaram fortes, diziam que homens da Areia encontravam-se escondidos em suas terras. Quando imaginava Sakura terminando como uma de suas sete esposas, era desolador, ela ainda carregava uma criança em seu ventre, e isso fazia sua preocupação aumentar.

— Não estava agindo como uma criança, qual o mal de caminhar um pouco? — aquela não era a verdade e o Uchiha tinha conhecimento.

— Há algumas semanas discursei para todos da cidade, há algumas horas discutimos estratégias e questões da guerra. Guerra, Sakura. Esqueceu-se que é nisso em que estamos? Enquanto tentamos ter novos aliados, a Vila da Areia está se preparando e saqueando pequenas cidades, e quando chegar até nós, não haverá uma pessoa perdoada — Sakura sentiu a força das palavras, sorriu a Sasuke.

— O que é tão engraçado? — a garota aproximou-se e selou seus lábios nos de Sasuke, rapidamente se afastou e deixou sua cabeça descansar no ombro do homem, sentia-se exausta.

— É um bom líder, Sasuke. Tenho certeza de que tudo se sairá bem — ela realmente nunca presenciou uma guerra, pensou Sasuke. Entretanto, nem mesmo ele presenciara uma guerra ao longo de sua vida, já era um homem com quase trinta anos e tudo que vira foram pequenos ataques e confrontos com os próprios cidadãos.

— A guerra é algo devastador, Sakura. Se perdermos eles tomarão nossas terras, estuprarão nossas mulheres e queimarão nossas casas. Uma guerra custa dinheiro, homens e armas, é tudo que não temos — respondeu Sasuke.

— Pensei que havia reunido homens suficientes, além do mais, com a chegada dos antigos moradores… — foi interrompida pelo príncipe.

— Não podemos confiar neles, há dois dias encontravam-se embaixo dos braços de Gaara, agora estão nos nossos. Acha que pretendem o que? Entende agora por quê foi perigoso estar entre eles? Entende agora por quê estou sempre de olho em você? Sua teimosia é irritante, garota — nunca o presenciara falar tanto, era engraçado vê-lo tão irritado, por mais que compreendesse os motivos.

Uma gargalhada saiu de sua boca, Sasuke a observou estranhamente enquanto Sakura ainda sorria.

— Irritante — sussurrou levantando-se da cama.

— Sasuke, você está em seus aposentos comigo, deixe a guerra de lado e descanse. Há quantos dias não dorme? As pessoas precisam de você, mas para isso precisa estar revigorado — Sakura demonstrava-se mais preocupada com o homem que amava, a vergonha entre o casal já não existia e a cada dia tornavam-se mais íntimos.

Sasuke aproximou-se e sussurrou algo que Sakura não entendeu, mas algo como: irritante. Era assim que ele lhe chamava quando ela fazia questão de tentar cuidar dele e de se intrometer onde não podia.

Mas Sakura gostava do apelido, e Sasuke fazia questão de chamá-la assim. E por mais que o Uchiha não dissesse, ele amava o modo irritante em que Sakura fazia questão de ser.

Notas finais
Capítulo confuso como todos os outros, ficaram confusos? Se sim, que bom, pois essa era a intenção. Sei que eu deveria mais explicar do que confundir vocês, mas eu não resisto *u* Obrigada pelos acompanhamentos, recomendações e comentários, amo cada um deles, de verdade. Espero comentários! Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.