Primavera Cativa
3 03. Parte I: Toda Noite
Toda noite era a mesma coisa. Em algum momento se via naquela festa, dançando desesperadamente. Era como se sua vida dependesse disso. Pessoas de todos os tipos passavam por aquele lugar. Na realidade parecia uma grande festa na rua onde se divertir até cair era o ponto principal.
E era ali que se vivia. Encontrava várias pessoas diferentes, conversava sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo. Sabia que mesmo que fosse ali todas as noites nunca deixava de ser divertir. Toda aquela música, aquele clima, as pessoas, tudo a deixava extremamente agitada e eufórica, como se nenhum tempo fosse suficiente para aquele lugar.
As horas ali passavam voando, nem sabia o porquê. Era algo premeditado, como se a vida esperasse por isso. A cada hora gasta, uma enorme diversão.
Nunca soube como de fato foi parar naquele lugar, só sabia que em algum momento, entre o dormir e o acordar, aparecia naquele mesmo espaço. E todas as noites eram uma verdadeira festa. Era sempre esse ciclo: chegar, conversar, beber e dançar. Não nessa ordem, mas, sempre assim. E a cada momento em que isso era maravilhoso também era um verdadeiro inferno.
Mesmo se estivesse cansada, ela não parava. Queria se sentar só que continuava ali, perto dos outros. E aquilo era uma espécie de ciclo. Em todos os momentos aquilo não parava. Por mais que tentasse, não conseguia parar. E com a frustração de não conseguir parar, se entregava de vez a sensação libertadora que aquele lugar lhe dava.
E ia pra pista de dança se soltar. Era uma coisa libertadora, vários corpos juntos se tocando ao mesmo tempo que não, juntos e separados, desconhecidos e conhecidos, velhos amigos e velhos inimigos, tudo ou nada. Aqueles que estavam ali não tinham muito o que perder na noite, pelo menos era isso que ela achava.
E no meio daquilo tudo, da irrealidade de que aquilo estava acontecendo com ela mesma, que seu corpo pingava de suor e exalava cansaço, quando ela sabia que seu corpo não ia aguentar mais nada, ela apagou.
“Ei, é hora de levantar.” Ela a sacode gentilmente, assim como todas as manhãs.
E era assim todos os dias. T O D O S O S D I A S.
Acordava se sentindo apenas um lixo, a epítome do cansaço. Parecia que tinha sido atropelada por um caminhão quando acordava.
E mesmo assim, todas as noites voltava àquele lugar. Sem descanso, sempre com pressa, sempre eufórica junto daquelas pessoas.
E mesmo que odiasse aqueles momentos por conta de como acordava, amava esses momentos e ansiava por eles.
E assim como todas as noites, todas as manhãs eram regadas a xícaras de café e a presença Dela em sua vida para animar suas péssimas manhãs.
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