Primavera Cativa
4 04. Parte I: Perseguição
Corria. Não sabia de quem, nem o porque, somente corria. Mesmo que quisesse parar, chorar em um canto sobre a sua desgraça, que nem sabia qual era, não podia. Se parasse, seria encontrada, e se fosse encontrada, não sabia o que ia acontecer consigo. Não tinha tempo para pensar no motivo de estar sendo perseguida, somente sabia e sentia que estava e que seria perigoso e mortal ser pega. Olhando sempre para trás, passava por lojas, casas, pessoas, sem realmente parar e pensar um pouco sobre o que estava acontecendo.
Resolveu se esconder. Precisava descobrir quem a perseguia, quem a queria tanto que estava atrás de si. Não era a primeira vez que isso acontecia, assim como não era a primeira vez que somente corria e tentava se esconder. Algumas vezes, era pega, não se lembrando do que acontecia depois, só de que, de alguma maneira, conseguia fugir, correndo em seguida, sem nunca ver o rosto de seus perseguidores ou entender como são, quem são.
Entrou em um restaurante e se escondeu em um dos banheiros. Pensou que não era muito inteligente de sua parte fazer uma coisa dessas, estava em um lugar sem saída ou visibilidade do que vinha de fora. Olhou para a janela do banheiro. Precisava sair e, como era pequena e magra, passava tranquilamente. Era preciso aproveitar, pois, em sua cabeça, alguma vantagem haveria de ter por ter entrado naquele lugar, podendo seguir por caminhos diferentes sem problemas.
Continuou a correr, devagar, começou a ficar cansada. Não sabia de onde vinha, só sabia que precisava continuar a correr. Chegou em um lugar vazio e se sentiu paralisada, acuada, observada de todos os lados. Não sabia como, eles estavam ali. Lutou desesperada, não queria ser pega/levada para onde quer que fosse, porque ela não sabia ou não se lembrava. Encontrou um grupo deles. Pensava que havia os distraídos, estava errada. Um deles ficou de pé em sua frente, quase em cima de si. Não tinha rosto, não tinha forma especifica, só era aquilo: turvo, negro, intenso, doloroso. E quando viu aquela coisa afiada em sua direção, só pode gritar. Não conseguiu ouvir sua voz na hora, mas, sabia que gritava, e assim, tudo se apagou.
Acordou ofegante, já que Ela tinha morrido, ou será que tinha sido eu? Não sabia, só respirava fundo enfim, pois tinha sido apenas um pesadelo, só mais um, dos milhares de pesadelos que tinha.
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