Notas iniciais
Aqui está, obrigada a todo mundo que têm comentado e está acompanhando essa história, é essa a única razão de fazer isso.

Algo brilhou nos olhos claros, uma mistura de surpresa, desejo, vontade e desapontamento.

“Eu... Porra, Regina, o jantar, o natal, tudo está uma bagunça, quer dizer, eu não posso simplesmente... Eu tenho que...”

Mas ela quer...

Ah, diabos Regina, pare de fantasiar.

Pensamentos e emoções contrárias passaram por ela como flashes. É claro que Emma queria passar o natal com seu filho. Ela até estava disposta a passá-lo com a Rainha Má para que isso acontecesse. Teria ela, depois de tudo, aprendido nada? Ela tinha que ficar em Henry. Ele era tudo que importava.

“Não, eu acho que não fui clara. O que eu quis dizer, é que todos nós deveríamos pagar o preço nesse natal. O meu será a companhia dos idiotas dos seus pais e seus amigos.”

Emma virou a cabeça tão rápido que Regina se procupou que ela teria torcido o pescoço.

“Pera, o que? Você quer que eu convide Mary M.. minha ma... Snow e todo mundo para passar o natal AQUI?”

Talvez ela pudesse se divertir durante o jantar ao se lembrar de expressão de incredulidade e um pouco de – se atreveria a dizer – admiração no rosto de Emma. Pensando melhor, talvez evitar pensar na loira de qualquer maneira seria inteligente. Tentando colocar mais uma vez uma parede entre as duas ela deixou um comentário sarcástico sair de seus lábios.

“Aí está, talvez eu estivesse errada sobre a sua inteligencia, mas duvido.”

“Você está falando sério?”

“Querida, se você quer que eu mude de ideia sobre seu IQ você deve...”

“Não, Regina, nós duas sabemos que você sempre irá me ver como uma idiota. Eu estou falando do... Na verdade, isso é incrível, super incrível da sua parte. Você faria isso mesmo...?

Emma tinha dado um passo em sua direção, parando bem perto da morena, quando algo em seus olhos mudou. Algo vital e profundo. O entusiasmo que estava presente em seus olhos se esviou e tudo que se mostrava era dor.

“Ah pelo amor de Deus, Regina. Você está bêbada! Não acredito nisso. É claro que você não iria... Oh, cara. Você está bêbada com Henry em casa e você nem se importou em me ligar?”

“Miss Swan. Antes de mais nada, eu não estou intoxicada. Nem de longe. E por o...”

Antes que ela pudesse assegurar Emma que ela iria lhe ligar, a mulher tinha explodido, a dor em sua voz tão profunda que fez Regina realizar que isso não era apenas sobre a situação presente.

“Antes de tudo, REGINA, será que dá pra você falar uma linguagem que todo mundo entende? Pelo amor, você precisa mostrar sua superioridade em cada palavra? E segundo, você cheira a whiskey.”

“Eu... Emma,”

“Sim, sim, tenho certeza que você pode beber mais do que eu e Leroy juntos, mas isso não significa que você tem que.. Eu deveria saber que você nunca nos convidaria...”

“Oh, não se atreva, Miss Swan. Você não pode me dizer o que eu faria ou não faria. Você não tem o direito de achar que me conhece. De que você sabe o que eu faço... Sim, eu preparei uma bebida mas...”

Foi o jeito que a loira balançou a cabeça e a fitou com olhos desconfiado que fizeram que seu coração doesse novamente. Machucava ser julgada, mais uma vez, sem razão. Sempre desacreditada, nunca lhe deram o benefício da dúvida. Machucava, e não saber se era que isso que ela merece machucava ainda mais. O flash que teve, de uma vida feliz, com Henry e Emma a amando, a fez querer acreditar que merecia um final feliz. Mas ao invés de focar na tristeza que a dominava ela focou na pontada de raiva pela situação.

“Eu não tinha nenhuma responsabilidade, Miss Swan. Não sou mais a prefeita e parecia que eu não era mais uma mãe. Querida, vamos ser honestas, não sou mais nada. Então sim, eu preparei uma bebida, em uma tentativa patética de esquecer essa vida que era pra ser meu final feliz...”

Sua soava e tinha gosto de ressentimento, mas a resposta de Emma também.

“Porra, Regina, e você pensou que alcool fosse resolver alguma coisa? Vai à merda, e se Henry tivesse te encontrado, desmaiada em seu próprio vômito, Regina? Ou pior?”

Tinha algo em sua voz, culpa misturado com dor, uma dor tão profunda que não poderia ser explicada. Era a dor de um passado, de uma memória, de preocupação com a morena.

“Emma...”

“Não! Você não sabe como é, tentar fazer com que eles parassem de fazer e falar coisas pra você, tentar adicionar água na bebida para diminuir os efeitos. Os fazer ficar apresentáveis para quando a visita de inspeção chegasse...”

A raiva na voz de Emma diminuiu e Regina sentiu seu coração saltar do peito, sabendo que estava certa sobre isso ser mais que essa situação, ela tentou se aproximar mas um grito cortou o ar.

“PARA. Pare de gritar com a minha mãe. Eu pensei que você disse que estava arrependida. Eu pensei que você estava...”

“Henry...”

Ele tentou alcançá-la mas Emma o puxou para longe dela. Estranhamente, o movimento não a deixou com raiva mas sim aquecida, a pureza da proteção de Emma e o amor que ela sentia por ela a fez sorrir amargamente.

“Emma, eu não estou bêbada.”

“Ah não? O copo quebrado no chão, o corte na sua mão e o cheiro em você dizem uma outra história.”

Ela nem ao menos havia notado o pequeno corte em sua mão. Mas isso não era importante agora. Instintivamente ela sabia, que o que Emma estava fazendo não era contra ela, não era nem sobre ela. Isso era sobre feridas do passado. Então ela se aproximou lentamente. Ela não se segurou e deu um pqueno sorriso ao lembrar de Emma falando que não era uma mãe mas suas ações nesse momento diziam o contrário, ela segura Henry atrás dela como uma leoa.

Com um gesto lento, ela levantou sua mãos em um gesto de rendição, e abriu sua jaqueta, revelando a mancha que a bebida tinha causado em sua blusa, agora grudada em seu corpo.

“Eu derramei, Emma. Eu pensei em beber sim, mas antes mesmo que pudesse, eu... algo... Eu, na verdade, eu derramei. Eu prometo à você que eu nunca faria nada que colocaria nosso filho em perigo.”

De algum jeito ela sabia que Emma precisaria de provas, e estranhamente isso não a afetava de maneira alguma. Ela sentia outra coisa completamente. Amor. Amor pela mulher que agora soltava o menino lentamente, o menino que Regina sempre amara e amaria como seu, o permitindo que ele desse a volta e a encontrasse.

Segurando o rosto delicado de Emma em suas mãos, ela puxou a mulher para perto, trazendo suas bocas bem próximas umas das outras, separando seus lábios. Ela , porém, não tentou beijá-la como havia sonhado diversas vezes, agora depois de tudo, ela só queria que a loira cheirasse seu hálito.

“Eu não bebi.” Ela disse firmemente.

Seus dedos tremeram quando ela soltou seu rosto, a proximidade das duas tendo um efeito que ela não tinha antecipado. Ela segurou seu filho para lhe dar estabilidade, se sentindo culpada por usá-lo desta maneira, mas ele segurou sua mão tão delicadamente que quase a fez chorar.

“Oh... Merda, Regina, me desculpe... Droga, eu realmente estou agindo como uma filha da...”

“Linguagem, Miss Swan. Eu juro por Deus, as vezes parece que eu tenho duas crianças ao invés de uma.”

Henry riu e o som de sua risada ressoou em seu estômago, aquecendo-a do por dentro enquanto ela bagunçava seu cabelo.

“É.. Ok, deixa eu ver se consigo fazer isso certo. Eu peço mil desculpas, Regina Mills, por assumir coisas que eu não deveria.”

O tom de brincadeira de seu voz deveria diminuir a seriedade de suas palavras mas não o fez. Nos olhos claros da loira ela só viu sinceridade e arrependimento. E Regina sabia que essas desculpas contavam para mais do que um simples desentendimento sobre bebidas.

Ela tentou responder ao sorriso de Emma, mas sueus lábios não responderam a sua vontade. Pois mesmo sabendo o fato de que a loira estava realmente arrependida, uma coisa não tinha mudado.

Emma ainda não a queria.

E Regina ainda queria nada mais do que Emma.

Notas finais
Desculpem qualquer erro, e não esqueçam de me dizer o que acharam.