Preço ou Prêmio
6 Capítulo 6
Regina ficou feliz por seu espelho estar embaçado assim, quando saiu de seu banho e colocou um roupão, não precisou olhar seu reflexo. Ela teve trabalho em convencer Henry a ir com Emma convidar a ‘gang’, como Emma os tinha chamado, para passar o natal na manssão. Algumas tradições foram trazidas da floresta encantada, já que desde que a maldição quebrou, eles não tiveram chances de celebrar sua versão. Uma versão que, Regina admitia, não a interessa nem pouco, devido as memórias que ela tinha dessa epóca.
Mas quando os olhos de Henry brilharam quando ele a contou sobre as tradições de meia noite ela se deixou esquecer do período tenso que era o natal. Ela levemente se lembrou do convite de Snow para um jantar, dito em um momento em que ela não pode evitar a mulher como vinha fazendo. Um convite que ela tinha, obviamente, negado sem pensar duas vezes, dizendo a si mesma ela só não queria uma reprise do que aconteceu na última vez que ela fora a uma festa dos Charmings. Estranhamente, os olhos de Snow brilharam em compreensão, e ela se perguntou como ela poderia saber dos tormentos que o período natalino traziam para si.
Agora, entretanto, ela tinha se colocado em uma posição em que ela não apenas seria obrigada a não apenas passar o natal com os Charmings, mas também lidar com suas memórias e dores do passado sem que ninguém notasse. Se vestindo, ela tentou se distrair, pensando nas tarefas que Henry lhe dera. Felizmente, as influências desse mundo no natal fizeram com que várias tradições fossem esquecidas, o que faria com que ela pudesse passá-lo sem ter um ataque de pânico.
Ela sorriu, lembrando do entusiasmo de Henry, assegurando-a de que ela poderia ‘usar magia’ para as preparações – e para consertar a janela que ele havia quebrado, mas essa parte foi dita em sussurro – porque Blue e Rumple tinham dito a ele que hoje, especificamente, não teria um preço, o que ela duvidava, mas isso não a impediu de fazer mesmo assim.
Porque agora ela iria salvar o natal, por ele.
Penteando seu cabelo, ela andou até o armário, tentando decidir o que usar. Regina sentiu sua mente indo para a pessoa que não queria pensar, mas quem era ela para controlar seus pensamentos. Porque, Emma também, parecia relutando de ir embora, seus olhos abertos e vulneráveis, a proximidade das duas também a afetou. As desculpas em seus olhos, brilhando com uma necessidade por perdão e uma chance. Uma chance? Era isso que ela queria? O que ela tinha desistido de falar quando Regina os mandou fazer suas tarefas? Pois algo parecia ter se quebrado na loira enquanto saia de sua varanda com ombros baixos. Regina não conseguia descobrir o que era.
Por sorte Henry pareceu ter entendido o que ela quis dizer. Ela pareceu entender a explicação de Emma, e talvez a sua própria também. Tanto que ele se permitiu ser abraçado pelas duas mulheres, uma situação que lembrava as duas de todas as vezes que elas o salvaram. A conexão entre os três tão forte que dava pra sentir no ar. Emma parecia encantada que Regina tinha entendido suas ações, que tinha entendido como acalmá-la. Mas antes que ela pudesse falar alguma coisa, Regina os tinha mandado embora.
Porque por mais que tivesse sido fávil para ela ver além, na discussão sobre a bebida, as palavras que ela ouviu no restaurante a marcaram profundamente. Não tinha nenhuma possibilidade que Regina não as tinha entendido direito.
Enquanto tirava o vestido do cabide, ela desejou pela primeira vez em um bom tempo, um de seus vestidos de quando era Rainha. Eles partem de um papel, de uma máscara que ela desejava estar usando agora.
Ela se vestiu em piloto automático, cuidadosa para não olhos em seus prórpios olhos no espelho, algo que estava acostumada a evitar a fazer. Ela até pensou em usar mágica para se vestir como Rainha mas ao pensar na reação, tanto das pessoas quanto de seu filho, ela não o fez. O vestido preto básico que marcava todas suas curvas teria de servir. E com a confiança de, mesmo inspirando medo, ela ainda viraria algumas cabeças devido à seu corpo ela desceu as escadas.
'Snow…'
Seus olhos a fitavam enquanto cumprimentava a mulher na sua frente, um sorriso gentil no rosto que Regina associava mais a Mary Margaret do que a princesa que tinha arruinado sua vida. E talvez isso a fizera dar um passo para trás, fazendo passagem para as pessoas na sua porta, mesmo com mãos trêmulas.
Granny e sua neta, um sorriso juvenil em seu rosto, carregando uma quantidade enorme de comidas e decorações.
“O mínimo que podemos fazer é ajudar nas preparações.”
A mulher mais velha a olhou enquanto balançava os ombros, com uma gentileza em seus olhos que a lembravam de quando a maldição ainda estava intacta e ela não era nada mais do que uma mãe com um recém nascido. Quando ela entrou, deu espaço para a visão que quase fizeram Regina dar uma risada cheia e alta.
Emma usava, apesar de protestos ela tinha certeza, uma touca de natal tradicional e seu filho usava um arco com bolinhas nas pontas que balaçavam todo vez que ele se mexia. Seus olhos a traíram e demonstraram sua risada pois Emma começou a rir antes de revirar seus olhos e murmurar algo sobre matar sua mãe.
“Essa é a minha fala, Miss Swan” Regina brincou.
Seu coração deu um pulo quando os olhos de Emma finalmente fizeram contato com os seus. Depois, não tão discretamente, desceram por seu corpo, acompanhando cada curva enquanto os dois entravam. Regina segurou a porta com tanto força que seus dedos ficaram brancos pela força.
Era tão fácil cair na mesma situação que elas estavam antes. Reverter para brincadeiras e provocações, e toda vez que fazia, seu coração gritava, a lembrando de que tudo era uma mentira. Ela sentiu a alegria sair de seus olhos e o sentimento de sufoco tomou conta de si, engolindo seco ela se virou com a intenção de se juntar aos outros na cozinha, mas uma mão em seu pulso a fez parar.
‘Hey Henry, vai ajudar a sua vó, você sabe onde fica tudo, certo?’
Ele sorriu abertamente, sua raiva com sua mão claramente esquecida pela alegria da situação. E se seus olhos fitaram o lugar onde a mão da loira a tocava ele não disse nada. Então ela forçou um sorriso no rosto, usando sua mão livre para acariciar seu ombro enquanto ela passava por ela. No momento que ele estava fora de vista, entretanto, ela puxou sua mão da deliciosa prisão em que estava.
'Regina…'
A voz de Emma, cheia do que parecia ser desejo, chegou em seus ouvidos.
‘Regina, por favor, me deixa explicar... Por favor...”
“Eu pensei que tivesse sido bem clara, Miss Swan, quando disse que não queria discutir isso.”
A mão, que a momentos atrás segurava seu pulso, agora tentou ser levada nas mechas loiras num gesto claro de ansiedade, mas não conseguiram devido a touca que Emma usava.
“Eu não quis dizer daquele jeito, diabos, Rubes tava só... Bom, ela tava importunando...”
“Miss Swan, será que eu não falo a sua língua? Ou será que é você que não me entende? Porque eu acredito que disse que não queria falar disso, e mesmo assim, aqui está você, não apenas desrespeitando meu desejos, o que não me surpreende devido sua genética, mas também colocando a culpa na sua melhor amiga. Egoísmo e covardia, duas coisas que eu detesto. Agora, se você me der licença...”
'I didn't mean it, Rubes was just… Hell, she was just bothering…'
Ela estava tremendo quando chegou na cozinha e conseguiu por um milagre evitar os olhos de Henry, ele estava entusiasmante explicando para Miss Lucas como um dos utensílios funcionava. Se apoiando contra a pia, ela viu quem não conseguiu evitar.
“Você está bem?”
A pergunta, num tom gentil e doce, a fez sentir quente por dentro, o que a deixou nervosa pois essa pessoa nunca poderia a fazer sentir isso.
“Claro que estou, Snow. Porque não estaria?”
Ela tentou usar um tom neutro mas falhou. Ela viu Snow trocando olhares com alguém atras dela mas a morena não se importou em checar quem era. O mundo parecia que estava se fechando ao seu redor, preto tomou sua visão enquanto ela se apoiava mais ainda no mármore.
“Henry, querido, porque você e Red não vão levar a Granny para buscar as cerejas. Eu as esqueci no apartamento.”
Os barulhos ao seu redor não faziam sentido.
“Regina?”
“Não.”
Ela disse quando por um milagre sua a mão se aproximar, mas não foi o bastante, e seu corpo lutou em um instinto de defesa, dando um passo para trás. Ela rezou para ter dado tempo de Henry sair e não ter que presenciar sua fraqueza. Ela escorregou pela parede, suas costas arranhando o mármore enquanto sua visão escureceu e os flashbacks tomaram conta de sua mente.
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