Preço ou Prêmio
4 Capítulo 4
“Choque de realidade, Miss Swan? Bom, bem vinda à vida de mãe. É assim que é criar uma criança todos os dias. Você não pode fugir ou se esconder, Emma, ele precisa de você”
Ela o tinha mandado para seu quarto. O conselho de não olhar embaixo da cama (onde ela tinha escondido um de seus presentes) devia distraí-lo por alguns momentos.
Machucava o tanto que ela queria gritar, implorar para Emma não fazer o que- Regina entendia- era natural para ela; fugir. Machucava porque ela queria que Emma ficasse, não apenas por Henry mas também por si mesma, e ela sabia que isso era algo que ela nunca teria. Machucava que ela entendia as emoções dançando nos olhos da loira. Ela também tinha, quando Henry era pequeno, sentido o peso da responsabilidade em seus ombros? Não tinha ela também tremido e desejado fugir em algumas ocasiões, só para se odiar depois por sequer pensar nisso? Mas ela não queria entender a mulher que a estava causando tamanha dor. Ela não queria desejar uma pessoa que nunca iria querê-la.
Ela sabia que não tinha muita escolha...
E agora que seu filho tinha aberto seus olhos, ela realizou que eliminar a loira de sua vida, a evitar, fugir dela, não era uma opção. Não para si mesma e nem para a mulher parada em sua sala.
“Ele não precisa de mim, Regina. Ele precisa de VOCÊ. Você é a mãe dele”
“E você também...”
Ela não podia acreditar que estava de fato fazendo isso, mas ela tinha que lutar pela felicidade de seu filho. Ele poderia estar com raiva da sua mãe biológica, mas Regina não podia negar que ele a amava. E assim as palavras escaparam sua boca, as palavras que tanto lutou contra, que eram tudo que ela lutou contra mas que agora, eram tudo o que ela queria...
Eles eram uma familía.
Mas ao invés de acalmar a loira, ela viu uma fúria cuidadosa em seus olhos. Lágrimas ameaçando cair.
“Claro, tá bom. De acordo com quem, Regina? Quando Henry caiu mês passo e eu te liguei? Você se lembra? No momento que você entrou, Whale te contou tudo, te levou direto para ele. Ele te disse que estava tudo bem. Mas eu estava lá, lutando por qualquer notícia. Ele deixou bem claro o que eu era, Regina. E foi nada. Nada, nada. Nos olhos do sistema eu era um nada e nos olhos da lei, é isso que eu sou de novo. Um nada. E agora Henry viu a bagunça que eu faço das coisas, ele veio correndo pra você. Você tem todo o poder, Regina.”
Algo clicou com as palavras de Emma. Ela sorriu com a ironia. Ainda depois de tudo era a loira que fazia se sentir viva, assim como tinha feito desde do momento que pisou em storybrooke.
“Ele fugiu de você UMA vez, Miss Swan. UMA. Você se lembra quantas vezes ele fugiu de mim durante a maldição? Depois dela? Você está seriamente me dizendo que você está pronta para desistir na primeira dificuldade? Porque se sim, salvadora, você tem razão. Se sim, você não é digna de ser a mãe dele. Essa criança, meu filho, ele não merece ser abandonado...”
“Olha quem está falando não é Senhora Prefeita? Mandando o menino embora, bem antes do Natal? Tem algo sobre nós- crianças que estiveram no sistema- nós geralmente não gostamos de ser jogados para fora, mas não tem nada que possamos fazer sobre isso não é?”
A dor, pura e dura, não estava apenas em sua voz, mas em toda a linguagem corporal da Emma. Tão forte que Regina podia sentir sem mágica alguma. As palavras dela começaram a ser assimiladas, e seus significados. Ela podia ver agora, o rosto com lágrimas enquanto a loira corria para a cama de hospital onde Henry estava, o alívio e felicidade quando ela tinha perguntado se Emma queria ficar para uma bebida.
Regina queria se aproximar, queria segurar seu rosto em suas mãos, acalmá-la como ela tinha feito com Henry. Mas isso era loucura, e ela deixou seu braço que já tinha se levantando automaticamente, cair. O passo que deu em direção à Emma, entretanto, foi mais difícil de esconder.
“Eu.. Emma...”
“Ah, não venha com ‘Emma’ agora, Regina, pelo amor de Deus. Eu pensei que pelo menos uma de nós duas poderia ter, eu não sei, antecendentes limpos nessa coisa de abandono. Não me olhe assim. Isso não é sobre mim, isso é sobre Henry. Como você pode fazer ele pensar que você não o queria mais? Como pode me colocar a prova sabendo que eu ia falhar? Eu entendo que você estava brava comigo, mas nunca achei que você usaria a menino para...”
Colocá-la à prova? Usar Henry?
Ela sentiu o fogo dentro de si acender mais uma vez, sua paixão, seja na guerra ou no amor. Ela não tinha certeza se deveria por a mulher pra fora, atirar seus vasos em sua direção ou jogá-la na parede e beijá-la até ela parar de dizer coisas idiotas.
“Miss Swan! Eu nunca faria tal coisa. E, se você deve saber, eu já discuti isso com ele. Eu estava sobre a impressão de que estava fazendo algo certo...”
Ela estava tentando fazer algo certo. Que ironia... Ela tinha machucado aqueles que ela tentou agradar. Aqueles que ela mais amava. Mas não era essa a história da sua vida?
“Bom, talvez você não tenha pensando as coisas com calma.”
Ela sorriu amargamente. Será que ela tinha alguma vez na vida pensado as coisas com calma? Ela sempre agira por impulso, sendo guiada por seus sentimentos. Até atualmente, nesses últimos meses, ela tinha desejado ser amada, tanto que ela se convenceu que estava vendo coisas onde não existia nada.
“Não, talvez eu não pensei.”
“Mas não como se fosse admitir isso tão ce... Oh, Que?”
“Sempre tão eloquente, Miss Swan. Eu estava dizendo que talvez eu não tenha mesmo pensado antes de agir. Você esta certa.”
Quando se virou e viu a expressão de Emma, e talvez porque se sentiu tão vulnerável em admitir, ela adicinou um comentário sarcástico.
“Talvez você queira informar o jornal desse evento raro?”
Mas suas palavras só fizeram chamar a expressão de ‘hahaha’ da loira, que a lembrou das interações das duas nas últimas semanas. Era tão adorável que a levou alguna segundos para encontrar novamente sua voz.
“Eu ouvi dizer que vocês tiveram alguns problemas com os preparativos para o natal?”
“O que diabos isso tem a ver com qualquer coisa?”
“Modos, Miss Swan. Eu estava apenas me referindo ao fato de que talvez seja bom revisar nossos planos para o natal. Você estava certa, eu agi por impulso porque estava... Bom. Foi mais difícil do que eu pensava ficar sem ele hoje. Talvez todos nós devemos pagar o preço, por ELE, para fazer seu natal ser especial... Eu, eu posso ver que minhas ações foram egoístas, eu peço desculpas...”
“Eu... Não. Eu é que deveria estar pedindo desculp...”
Ela cortou a loira imaediatamente, sabendo ao que ela iria se referir. Ela não queria pensar no que ouviu. As palavras que ecoaram no silêncio que estava apenas há alguns minutos. As palavras que a lembravam do que sempre fora. Indesejada, desprezada, ou talvez até pior, meremente tolerada. A rainha má, e antes disso, a filha que desapontava, a esposa indesejada. O preço a ser pago... Sempre.
“Não! Nós não vamos discutir isso, Miss Swan. Não hoje, não amanhã, NUNCA.”
Sua voz era tão fria que ela mesma se surpreendeu, e ela viu a loira, cuja postura estava totalmente mudada, hesitar. Toda a raiva de antes tinha se extinguido e apenas tristeza reinava na mulher, uma triste aceitação que Regina conhecia muito bem.
“E então, qual seu plano?”
Regina sentiu que ela tinha de olhar para longe do olhar da loira.
“Eu proponho, novamente, que você passe o natal aqui.”
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