PrettyGirl II
17 Ele me afeta tanto...
Notas iniciais
Estudava tranquilamente ao lado de Víctor, esparramados nos jardins.
– E a Amortentia?- Ele pergunta.
– Tem um cheiro diferente para cada um. Causa uma “paixonite” ou obsessão muito forte.- Respondo melancolicamente.
– O que foi Anna? Aconteceu alguma coisa?
– Não sei...
Ele me beija e ri.
– O que foi? – Pergunto, prendendo uma mecha de cabelo atrás da orelha.
– Eu não acredito que estou namorando uma...
Congelo.
– Uma o quê?
– Uma garota de dezesseis anos.
Eu rio também.
– E eu não acredito que estou namorando um garoto de quinze!- Brinco.
Me levanto e guardo meus livros.
– Aonde você vai?
Faço um gesto de silêncio com o dedo na frente dos lábios.
– É segredo.
Ele ri. Por Merlim! Ele precisa parar de rir desse jeito!
Começo à caminhar até a entrada de Hogwarts, mas Lupin ( aquele lobo desgraçado ) entra na minha frente.
– Com licença?- Digo.
– Eu não vou sair.
– Vá para o inferno! E não esquece de levar a Amber “loira de farmácia” com você.
Dou um sorrisinho e empurro ele.
Mas... Adianta alguma coisa, empurrar um lobo de quinze anos, muito mais forte que você? Não. Não adianta.
Ele não se move um centímetro sequer.
– Lupin, sai da minha frente!
– Não. – Ele cruza os braços. Pego minha varinha. Mas antes, meus dedos percorrem as três varinhas ( minha, da Lia e do Leight ) antes de encontrar a minha.
– Expulso! – Eu disse. Lupin é jogado para um canto.
Ferrou. O resto dos Marotos se levantam. Ferrou mais ainda. Mas eu não ligo. Saio correndo antes que Potter e os outros me alcancem.
Subo as escadas correndo. Entro em Hogwarts. Correndo ainda. Meus cabelos loiros esvoaçando atrás de mim. Chego ao corredor que me leva à cozinha. Paro para recuperar o fôlego. Faço cócegas na pera do quadro e a porta se abre. Como sei disso? Segui os Marotos. Eles são tão... Burros. Segui-os de perto e não perceberam!
Entro, e logo, os vários Elfos Domésticos me trazem frutas e várias outras coisas.
– A senhora quer mais alguma coisa?
– Não, obrigado. Só isso está bom.
Eles fazem uma breve reverência e eu saio.
[...]
Chego na masmorra. Lia está terminando uma canção. De novo não. Isso de novo não. Qualquer coisa... Mas uma nova fuga?
Entro e lá está Lia de amizade e “conversinha” novamente com Caleb.
Entrego as frutas à Lia. Ela precisa comer. Deixo lá também um pouco de água.
– Você não vai dar comida à ele?- Sussura ele.
– Não. Lia, você precisa mais que ele.
– Mas...
– Confie em mim.
Ela assente com a cabeça.
– Então, Suzanna. Tem tido... Pesadelos? Sabe... Pesadelos comuns.
Ele está deitado em um monte de feno, com um sorriso diabólico no rosto.
– Leight... Você é um...
– Maníaco? Cínico? Não tanto quanto você, Stwart.
Esqueço, por um minuto, a presença de Lia e do vidro que me separa dele. Avanço para ele. Batendo no vidro e gritando. Quero matar ele.
Lia me puxa. Lentamente me acalmo.
Enquanto saio e refaço silenciosamente os feitiços de proteção, Caleb sussurra algo. Algo parecido com...
“Eu sou o equilíbrio, lembra-se?”
Minha vontade de mata-lo só cresce mais e mais. Me contenho.
“Ainda não Suzanna. Ainda não. Você terá muitas outas chances...” penso comigo mesma.
Saio da Torre Oeste, minha raiva se esvaindo à cada passo que dou para longe daquele pequeno inferno, se assim posso chamar.
[...]
Fui até a Torre de Astronomia. Não dava para ver as estrelas ainda, mas o céu era lindo mesmo assim, à tarde, com sua coloração rosa e laranja...
Então, minha cabeça começa a latejar. Com a cabeça explodindo, volto ao Salão Comunal, um pouco tonta, mas pelo menos consigo andar.
– Você está bem?- Pergunta MacLaggen.
– Não enche!
Vou até o dormitório e me jogo na cama. Ali, começo a ter convulsões, me contorcer e gritar. Como se fosse um Cruciattus. Mas não pode ser.
Algum tempo depois, as pessoas começam a chegar. Uma à uma. Desde os novatos do primeiro ano até os setimanistas.
E depois de uma verdadeira eternidade, tudo para e o dormitório gira.
– Saiam da frente! Saiam da frente! – Gritou McGonnagall.
– Professora...
– Não faça esforços, senhorita Stwart. Vou leva-la até Madame Pomfrey.
Ela me ajuda a levantar. Mas minhas pernas estão bambas. Eu caio no chão. Algumas garotas setimanistas me ajudam.
Ao descer, Minerva pede a ajuda dos garotos ao invés das garotas.
E é só isso que lembro.
[...]
– Anna?- A voz chega até mim como um sussurro.
Lentamente abro os olhos. Víctor. Ele ri mais uma vez. Uma doce, linda e forte risada.
– Oi.
– Não fale. Você não pode fazer esforços.- Sorrio. Ele se preocupa realmente comigo.
Lentamente, minhas pálpebras voltam à pesar. Eu as fecho e durmo imediatamente.
[...]
Alguns dias se passaram e finalmente fui liberada da Ala Hospitalar. Minerva me disse que havia um pequeno artefato na minha cama. Um pequeno anel, de ouro e uma pedra central, meio verde, meio cinza. Carregado de magia negra.
Dumbledore tinha ficado com o anel, mas na manhã seguinte, ele não o achava. Mas é claro que não. Ele é um velho gagá!
Fui avisada de que os NOM’s começariam na próxima semana.
Após um grande conflito com minha mente, digamos, perturbada, cheguei à uma conclusão:
Soltar Lia e Caleb para fazer os NOM’s. Afinal, a memória da Lia não vai voltar tão cedo. Eu acho.
Ela precisava passar de ano. O Caleb nem tanto... Mas o que posso fazer?
No meio da noite, sem fazer barulho, fui até a Torre Oeste.
Lia dormia e Caleb... Sei lá o que ele fazia. Estava sentado, abraçando as pernas, olhos fechados.
– Lia?- Eu disse. Ela acordou na hora. Como ela tinha sono leve! Caleb ergueu os olhos. – Vou soltar vocês.
– Mas... – Questiona Lia.
– Você precisa fazer os NOM’s. Quer dizer. Vocês.
– Para uma maníaca, você até que está mais “generosa”.
Estremeço ao ouvir essa palavra. Generosa? Ele bateu a cabeça?
– Finite Incantatem. – Eu disse.
A parede de proteção cedeu. O vidro se quebrou.
Os dois se levantaram e saíram.
– Se você contar à alguém, eu juro que mato você, Leight. – Sussurro para ele.
Ele sorri diabolicamente.
– Pode deixar, Suzanna Stwart.
[...]
Caleb voltou às masmorras da Sonserina e eu e Lia, para a Grifinória.
No dia seguinte, Lia contou que havia batido a cabeça e ficado desacordada e eu concordei, dizendo apenas que tinha encontrado ela.
Afinal, uma mentirinha não dói, não é mesmo?
Mas... Ele... O Leight... Ele me afeta tanto...
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