Pretty Woman.

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Acho que já posso ouvir um "amém", depois de postar esse capítulo. Tem surpresinha pra vocês, e eu espero que gostem. ♥

POV Regina.

— Me fala de novo, por que é que estamos aqui, Emms? – Perguntei a Emma pela milésima vez. Estávamos em um lugar aberto, bonito. Cheio de pessoas elegantes e bem vestidas. Havia pequenos grupos de pessoas conversando e sorrindo, mas eu tinha cem por cento de certeza de que nenhum daqueles sorrisos era verdadeiro.

— Estamos aqui a negócios, Regi. – Emma podia sentir meu incômodo por estarmos ali, então apertou sua mão na minha e continuamos caminhando.

— Ok, mas por que há tanto cavalo? Achei que você fosse compradora de empresas, e não de cavalos. – Ela riu, fazendo-me relaxar um pouco. Olhei ao redor, aquele lugar parecia um enorme parque com gramado verdinho. Algumas cadeiras brancas estavam espalhadas ao redor de um campo, onde alguns cavalos estavam posicionados. Fiquei animada com a ideia de Emma comprar um, sempre quis ter um cavalo.

— É só um jogo de polo, Regi. A diferença é que aqui tem muitas pessoas importantes, muitos patrocinadores. Não se preocupe, será divertido e logo voltaremos para o hotel, e poderemos continuar de onde paramos. – Ela piscou para mim, antes de beijar minha bochecha, me fazendo corar. Notei quando Emma desviou sua atenção para o outro lado do campo, de onde um cara forte e baixinho acenava e a chamava.

— Emma, Emma? Estamos aqui!

— Sim, Robin, estou vendo! — Ela me pegou pela mão

Nos aproximamos de onde o homem baixinho estava com mais algumas pessoas, mas minha atenção ainda estava focada nos cavalos. Eram tão lindos!

— Swan, o evento está sendo um sucesso até agora, e parece que teremos apoio até do Banco Central de LA, para que Gold desista e nos venda de uma vez sua rede de latas velhas! – O tal do Robin disse todo animado, mas Emma pareceu não se importar tanto com aquilo.

— Sim, estou ciente disso, Robin, estive no telefone com o presidente do branco, e ele está interessado em alguns imóveis.

— Swan, eu já disse o quanto tenho orgulho de ser seu advogado? – Voltou a falar o baixinho, fazendo Emma revirar os olhos. – E quem é a senhorita? Não vai apresenta-la? – Apontou para mim.

— Oh sim, claro. Esta é Regina, uma amiga. – Ainda segurando em minha mão, fez um gesto para Robin. – E este é meu advogado, Robin Hood.

— Acredito que a senhorita deva ser a causa da distração de Swan nesses últimos dias, não? – Me deu uma piscadinha e se aproximou de Emma, como se eu não pudesse ouvir o que dizia.- Com essas pernas, até eu, Swan!

— Cale a boca, Robin! – Emma lhe deu um empurrão, fazendo-o rir. Mas confesso que fiquei completamente desconfortável naquele momento. Ela me olhou com seu lindo sorriso, mas não fora o suficiente para cessar meu mal estar. Por alguma razão, não gostei de Robin. Por sorte, alguém chamou por ele, que finalmente nos deixou a sós.

— Já te falei alguma vez, que você é encantadora? – Ela perguntou com a voz baixa, me puxando para mais perto.

— Não, mas eu adoraria que você dissesse de novo! – Ela sorriu e acariciou meu rosto. Quando pensei em fazer alguma coisa, um sinal soou e Emma disse que tinha algo a fazer, e que logo voltaria. Fiquei ali parada sozinha, sem saber o que fazer.

— Hum, então quer dizer que você é a bola da vez? – Ouvi uma voz feminina atrás de mim e me virei.

— Bola da vez? Terá algum jogo de futebol aqui? – Perguntei confusa, olhando para as três mulheres que haviam surgido do nada, me olhando de forma estranha.

— Me refiro à Emma, querida. – A mulher que estava no meio respondeu. – Você é a bola da vez na vida de Emma, tome cuidado para ela não te usar e jogar fora. – Senti meu estômago se embrulhar com o tom de voz que a mulher usava.

— Ah, agradeço pela preocupação, mas não vamos jogar nada fora, nós só fazemos sexo! – Dei uma piscadinha para elas, que pareciam chocadas com a minha resposta. – Se me derem licença, eu pretendo encontra-la agora, para saber se já podemos voltar ao hotel e continuar nossa seção de sacanagem! – Eu queria gargalhar com a cara que elas estavam fazendo, mas me contive e sai em busca de Emma.

Andei um pouco em direção ao lugar onde havíamos entrado algum tempo atrás, olhei para os lados e nada de Emma. Até que ouvi sua voz soar no microfone, e a avistei em uma espécie de palanque, ao lado daquele grande campo verde, cheio de cavalos.

POV Emma.

— Boa tarde a todos! Eu sou Emma Swan, representante da ES Empreendimentos, e espero que todos se divirtam e apreciem o evento! — Desliguei o microfone e desci para procurar Regina. Eu odiava toda aquela atenção, todos aqueles holofotes em minha direção, mas aquilo era necessário para os negócios da empresa.

Quando desci, passei os olhos ao redor do lugar para encontrar Regina, mas por azar, dei de cara com Robin, que tinha um olhar intimidador e curioso.

— Swan? Ótimo discurso! – Disse, fazendo hora.

— Robin, se eu falei meia dúzia de palavras, foi muito! – Revirei os olhos.

— Mas foi ótimo, Emma. Você parecia muito feliz ao falar, acredito que toda essa felicidade se deva a linda morena que está te acompanhando hoje. Regina o nome dela, não é?

— Fala logo o que você tá querendo, Robin.

— Swan? Há quanto tempo nos conhecemos? – Perguntou, dando mais alguns passos em minha direção, e ficando em uma distância desconfortável. – Não lembro de você ter nenhuma amiga em Chicago. E de repente você anda ausente, distraída, cantarolando pelos corredores da empresa, se atrasando para as reuniões...

— Pare! O que é isso? Você virou minha babá? Vai ficar controlando tudo o que eu faço ou deixo de fazer, agora? Qual o seu problema? – Perguntei já sem nenhuma paciência para Robin. – O que você está supondo?

— Eu só queria saber de onde essa sua... – Fez uma pausa, fazendo sinal de aspas com os dedos. – Amiga surgiu, eu acho estranho alguém surgir assim de repente em sua vida, no momento em que você está prestes a se tornar dona da maior rede de imóveis que essa cidade já teve.

— Robin, você está insinuando que Regina é alguma aproveitadora? – Coloquei as mãos nos bolsos da calça, para não socar a cara de Robin. – Ou pior, que é uma espiã?

— Não estou supondo nada, Emma. Eu estou afirmando! Por qual outro motivo, sua companhia amiga morena quente, estaria conversando com o filho de Gold, nesse exato momento? – Virei meu olhar na direção em que Robin apontava, e logo avistei Regina sorrindo para algo que o idiota do Neal estava falando para ela. Não consegui explicar, mas algo dentro de meu peito se apertou, como se doesse, ao ver aquela cena.

— É melhor você abrir os olhos, Swan. Ela pode ser uma mandante de Gold, para saber quais suas estratégias e te desarmar no momento certo. Nós não podemos perder milhões de dólares por causa de uma mulher sexy e...

O sangue estava começando a subir para minha cabeça, enquanto Robin falava sobre Regina. Eu sabia que ele estava errado, Regina não era nenhuma espiã, o que me incomodava era o fato de vê-la aos risos e sorrisos com aquele idiota. Regina era minha!

— Robin, pela última vez, Regina não é uma espiã! Eles se conheceram no jantar noite passada, onde a levei como minha acompanhante!

— Isso não quer dizer nada, Emma. Eles podiam muito bem estar fingindo! Você está cega pelo corpo quente daquela morena, você não está vendo milhões de dólares sendo jogados ao lixo como eu. Ela veio de onde? Qual o nome completo? No que trabalha? Duvido que você saiba alguma destas coisas!

— Chega, Robin! Regina não é nenhuma espiã, ela é uma garota de programa, eu a peguei na rua! – E foi isso, eu havia explodido, no pior momento, no pior lugar, com a pior pessoa. Tive a prova disso, ao ver a cara chocada de Robin, e ao mesmo tempo, um sorriso sequenciado de uma gargalhada. – Do que você está rindo? – Revirei meus olhos, contendo-me novamente para não socar a cara daquele infeliz. – Se me dá licença, preciso de algo bem forte para beber.

Dei as costas a Robin, que continuava a rir como um imbecil, e caminhei em direção ao bar. Antes, dei uma última olhada em direção a Regina e a forma como ela parecia feliz e confortável na companhia de Neal. Senti um aperto agora na beira do estômago, pois não me lembrava de vê-la feliz daquela forma comigo.

POV Regina.

— Nossa, eu não fazia ideia de que cavalos precisavam de todo esse cuidado com os pelos, Neal! – Eu estava impressionada com todas as coisas que Neal havia me contado e explicado sobre seus cavalos. Mas eu queria Emma! E ela simplesmente havia sumido. Respirei fundo, dando mais uma olhada ao redor, antes de me despedir de Neal.

— Neal, adorei saber tudo isso, mas Emma deve estar procurando por mim, preciso ir.

— Oh, claro, Regina! Fiquei muito feliz em vê-la novamente, espero que em breve possamos por em prática as aulas de hipismo que você quer!

— Com certeza, Neal. Até breve! – Sorri e apertei sua mão, que Neal havia estendido em minha direção. Ele era sempre muito educado, e uma das poucas pessoas que me deixavam à vontade nesses lugares que Emma me fazia ir.

Quando me afastei, andei em direção ao lugar em que havia visto Emma pela última vez, e encontrei Robin me olhando com uma cara engraçada. Por alguma razão, eu já não gostava dele. Mas precisava ir até ele para saber onde Emma havia se enfiado. Hesitante, caminhei até o homem forte e baixinho, que continuava me olhando com um sorriso muito suspeito.

— Ei Robin, você sabe onde Emma está?

— Regina, amor! Não, eu não sei, mas eu posso te acompanhar e ajudá-la a procurar. – Amor? Por que diabos Robin estava me chamando de amor?

— Agradeço, Robin, mas eu posso ir sozinha. – Dei um meio sorriso a contra gosto e caminhei o mais rápido que pude para longe daquele homem esquisito.

— Ei bebê, por que tanta pressa? – Ele deu uma risadinha que me irritou. – Tenho certeza que Emma não iria gostar de te ver andando sozinha por ai, hein? – Parei e me virei para ele outra vez. – Posso ir com você, e quem sabe, não podemos nos conhecer melhor? – Me deu uma piscadinha ridícula.

— Espera aí! Você está flertando comigo? – Neguei com a cabeça, indignada com aquilo. – Você sabe que estou com Emma, não sabe?

— Sim, é claro que eu sei. – Soltou mais uma de suas risadinhas que me embrulhavam o estômago. – Mas Emma não vai estar aqui para sempre, por isso eu tenho certeza que ela não se importaria se você e eu pudéssemos ser amigos, assim como vocês duas. Se é que me entende... Emma me falou sobre você.

— Ah, a Emma falou? – Arqueei uma de minhas sobrancelhas.

— Sim, bebê, falou tudo. E eu tenho certeza que vou adorar saber tudo o que você tem a me oferecer, o que acha? – Sua expressão era asquerosa. Céus, se eu tivesse uma arma, atiraria na cara dele agora!

— Certo, mas eu preciso encontrar Emma agora! – Respirei fundo e sai dali, dando-lhe as costas e caminhando o mais rápido que pude. Eu estava lutando para segurar as lágrimas que quase saltavam de meus olhos. Como Emma pode fazer aquilo comigo? Como se atreveu a contar nossas intimidades, enquanto eu fazia aquele papel ridículo de boa moça? Acho que nunca havia me sentido tão humilhada em toda a minha vida.

Eu ainda andava rapidamente, quando avistei Emma em um dos bares, em uma conversa distraída com um senhor de idade. Respirei fundo quando seu olhar cruzou com o meu e ela sorriu, acenando. Será que também estava contando a ele, onde havia “me achado”? Umedeci meus lábios e desviei meu olhar, não queria, não podia, e não iria chorar ali. Emma falou mais alguma coisa para o senhor, e então se despediu e caminhou em minha direção, com aquele sorriso filho da puta no rosto, como se tudo estivesse maravilhosamente bem.

— Ei, Regi, está tudo bem? – Ela continuava sorrindo, quando parou ao meu lado e apoiou a mão na base de minhas costas.

— Eu só quero ir embora, será que podemos? – Perguntei com a voz baixa, desviando meu olhar para o chão. Não queria encarar Emma naquele momento.

— Tudo bem, eu só preciso acertar mais algumas coisas e podemos ir, está bem? Espere um pouco. – Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Emma se afastou novamente de mim. Bufei de raiva. Eu a observei caminhar até algumas pessoas e dar mais algumas risadas, que me faziam revirar os olhos. Aquilo tudo era tão ridículo! Eu tinha certeza que Emma não gostava de nenhuma daquelas pessoas.

Depois de alguns minutos ali, em pé, plantada feito uma idiota a sua espera, Emma voltou. Me segurou pela mão e caminhamos em direção a limusine, onde Graham nos esperava. O semblante de Emma estava diferente, mais sério. Ela não disse uma palavra até que nos sentássemos no carro e o motorista partisse de volta ao hotel.

— Regina, estou começando a ficar irritada com todo o seu silêncio. Quer me contar o que está havendo? Eu te fiz alguma coisa? — Ela pousou a mão em minha coxa e me olhou. Fitei seus dedos que começavam a cariciar minha pele, e depois sua expressão de “não tenho paciência para isso”, e bufei.

— Você nasceu, Swan, foi isso que você fez! – Tenho certeza que minha resposta a deixou ainda mais irritada, pois no mesmo instante Emma retirou sua mão de minha perna.

Por mais estranho que possa parecer, ela não disse mais uma única palavra, até que chegássemos no hotel. Subimos para o apartamento completamente mudas. Ela tinha uma expressão dura no rosto, e eu continuava lutando para controlar minhas lágrimas, que começarem a escorrer, assim que entramos no apartamento e eu corri em direção ao quarto para tirar aquelas roupas que não me pertenciam.

— O que você está fazendo, Regina? – Emma alterou sua voz ao notar que eu vestia minhas roupas velhas e “vulgares”, pois pretendia dar o fora dali o mais rápido possível.

— Estou devolvendo todas as suas coisas e indo embora, não está vendo? – Enxuguei minhas lágrimas, enquanto tentava calçar minhas antigas botas, esquecendo-me do zíper estragado.

— Por Deus, o que diabos aconteceu naquele evento, pra você querer ir embora assim? Por que está chorando? – Ela se aproximou e me segurou pelos braços, obrigando-me a encara-la nos olhos.

— Me solta, Emma! Por que você me fez ir na droga daquele evento? Pra que me vestir como uma mulher rica e sofisticada que não sou? – Minhas voz agora saia em gritos, enquanto Emma me prendia entre suas mãos.

— Por que você era a minha companhia? Por que a roupa era apropriada para a ocasião? – Parecia que tínhamos entrado em uma competição de gritos, e Emma me superava.

— Pra que, Emma? Pra que me fazer passar por algo que não sou, se ia espalhar pra todo mundo que sou uma garota de programa? Pra vocês poderem rir e se divertir as minhas custas? É isso?

— Oh-oh! Espere aí! Eu não espalhei para todo mundo, eu só... – Ela respirou fundo, soltando meus braços e dando alguns passos para trás. – Robin, e-ele achava que você era uma espiã e que iria me prejudicar, Regi! Eu tive que contar a verdade a ele. – Ela voltou a se aproximar, e eu me esquivei de seus braços. — E bom, você é uma garota de programa.

— Eu não quero saber! Se pelo menos eu estivesse vestindo as minhas roupas de garota de programa, eu poderia lidar como pessoas como Robin! – Eu não sabia o porque, mas aquelas palavras vindas de Emma haviam me machucado tanto. Eu queria sair dali o mais rápido possível. – Agora eu quero o meu dinheiro. Você pode me pagar, por favor?

— Regi, eu...

— Meu dinheiro, Emma! – Não dei tempo para que ela me desse mais alguma de suas desculpas, eu não queria ouvir.

— Regina, por favor, me descul...

— Meu dinheiro! – Falei com o tom de voz mais alto, sentindo meu coração se apertar.

As lágrimas caiam copiosamente por meu rosto, enquanto eu tentava enxuga-las e já não fazia questão de esconder o quanto aquilo havia me magoado. Quando Emma se afastou e foi em direção a sua bolsa, algo forte fez com que meu coração doesse ainda mais. Eu queria ir embora, não queria mais olhar para sua cara. Mas ao mesmo tempo, queria que Emma me abraçasse e me impedisse de ir, que me pedisse pra ficar. Que me dissesse que sentia por mim, o mesmo que eu sentia por ela.

— Aqui está. – Ela colocou o dinheiro sobre a cama, sem voltar a me olhar e se afastou, caminhando para fora do quarto, para longe de mim, do meu coração, da minha vida.

Terminei de juntar minhas coisas, olhei para o dinheiro que Emma havia me dado e senti uma tristeza tão grande, que simplesmente o larguei onde ela havia deixado e sai do quarto, com lágrimas ainda enfeitando meu rosto. Respirei fundo e olhei para ela uma última vez antes de sair pela porta do apartamento. Apertei o botão do elevador umas três vezes, esperando que ele subisse logo.

— Regina! – Ouvi a voz de Emma atrás de mim e meu coração se apertou ainda mais. – Eu não quero que você vá. – Sua voz estava vacilante, mas eu sabia que era isso que ela realmente queria. Que eu ficasse. Emma queria que eu ficasse.

Olhei para Emma e, no mesmo instante o elevador se abriu. Ficamos paralisadas por alguns instantes. Eu não tinha certeza do que deveria saber. Emma olhava para mim e para o elevador, apreensiva, e eu olhava de volta para ela e para o rapaz dentro do elevador, esperando que eu entrasse para descer logo. Fechei meus olhos e respirei fundo. O rapaz sorriu e me perguntou se eu não iria entrar.

— Não, obrigada. – Disse com um olhar de quem pedia desculpas por tê-lo feito perder seu tempo comigo. E a porta do elevador se fechou novamente. – Acho que vou ficar até domingo.

Segurei firme em minha bolsa e entrei novamente em seu quarto, caminhando até a outra porta e me sentando na beira da cama. Não demorou muito para que eu ouvisse a porta se fechando e Emma entrasse logo atrás de mim. Nossos olhares se cruzaram mais uma vez, ela parecia estar mais calma, aliviada... Ou era eu. Não consigo explicar o que me deu, mas eu simplesmente não podia deixar Emma. Eu tentei, mas foi como se meus pés estivessem colados no chão. Não conseguiria me mover para longe dela.

Havia me perdido naquela pequena confusão de pensamentos, quando notei que Emma se abaixava entre minhas pernas, ajoelhando-se ali e me puxando pela cintura. Não havia praticamente nenhum espaço entre nós. Senti meu coração bater tão forte, que eu achei que ele fosse capaz de saltar para fora de meu peito e explodir em mil pedacinhos. O que estava acontecendo ali? O que Emma estava fazendo?

— Emms, eu...

POV Regina off.

A voz de Regina foi engolida pelo ar, mas as duas continuaram presas nos olhos uma da outra. O tempo parecia se mover de maneira diferente naquela bolha. De repente, Regina se sentiu muito consciente de tudo ao seu redor. O barulho dos carros que passavam do lado de fora do hotel, os raios de sol que invadiam o quarto pela janela e refletia nos olhos cor-de-mar que a fitavam, a respiração lenta e compassada de Emma e o calor da pele dela contra sua cintura. Era como se ela estivesse sendo engolida por uma onda de lava, se derretendo e se moldando em uma nova forma. Mas ali o fogo não queimava. Ele apenas aquecia. Aquecia o corpo, a alma, e o coração que parecia dançar em seu peito de tanta felicidade. Em um minuto estavam brigando, aos gritos, e Regina pretendia ir embora e nunca mais voltar. Agora estavam ali, tão próximas, tão entregues, que a mais baixa não teve forças e nem coragem para se afastar.

As sinapses de Emma também trabalhavam com violência, tentando absorver cada detalhe do rosto tão próximo ao seu. O brilho âmbar nos olhos negros, que pareciam eternamente vidrados, como se quisessem enxergar dentro da alma de Emma. As maçãs do rosto delineadas e salientes. Os lábios grossos entreabertos. O tom da pele levemente bronzeada e sensível. Sem tomar consciência do próprio corpo, a loira ergueu uma de suas mãos até o rosto de Regina e o tocou.

Quando um dedo comprido e pálido roçou o canto de sua boca, a respiração de Regina falhou. A mão de Emma estava gelada por todo o nervosismo daquele dia, mas ainda assim queimava a pele morena. A sensação era tão nova que Regina se permitiu fechar os olhos e relaxar na mão de Emma. Ter o toque da loira em seu rosto era como voltar para casa depois de uma longa viagem.

Lentamente, Regina abriu os olhos novamente e encontrou Emma a admirando, os olhos esverdeados enevoados e brilhantes com um sentimento novo que a mais baixa não conseguia identificar. Ela podia perceber que a outra se aproximava, mas, ao invés de obedecer as próprias regras, que há anos havia criado, Regina se via refém. Ela tinha se encontrado na órbita de Emma e agora não existia alternativa a não ser se chocar contra a superfície daquele misto de sentimentos que palpitavam em seu coração. Ela não podia, ela sabia que não podia. Mas cada pedacinho de seu corpo gritava por aquilo.

Com os poucos milímetros que ainda as separavam, elas pararam por mais um momento, estudando uma última vez o rosto que viam. Respiravam o mesmo ar e o calor que trocavam incendiava seus corpos por inteiro. Com um movimento sutil dos dedos, Emma fechou o espaço entre elas, tocando os lábios de Regina com os seus. Era um toque leve, suave, quase inexistente, mas o suficiente para garantir a Emma de que não havia coisa mais certa para ela no mundo. E o mesmo acontecia dentro de Regina.

Mas, como a morena permanecia imóvel, a empresária achou que o sentimento não fosse recíproco e começou a se afastar. Ela se odiava naquele momento por ter desrespeitado as regras de Regina, que na verdade, era só uma. Uma única regra que Emma fora incapaz de seguir. Ela podia ter tudo o que quisesse da mulher a sua frente, mas não podia beijá-la. No entanto, estava ali, com os lábios cobrindo os de Regina, e a pior parte, era sentir seu coração de repente voltar a bater como seu adolescente coração, há muito deixado para trás, que fora substituído pelo órgão que apenas exercia a função de bombear sangue para o restante de seu corpo e mantê-la em vida. O que diabos estava acontecendo? Por que se sentia de tal forma? Por que não fora capaz de respeitar a morena? Principalmente depois de Regina ter confiado tanto na loira.

Mas quando tentou se afastar, o movimento pareceu despertar Regina, que escorregou a mão até a nuca de Emma, trazendo-a de volta para o beijo. Ela também queria. Ela também sentia. Ela também não se importava com a maldita regra. E o que começou leve e delicado, não mais do que o roçar das asas de uma borboleta, logo ganhou vida. E fome. Emma se refez daquele susto rapidamente e, agora sem nenhum receio, apertou o braço livre ao redor da cintura da morena, puxando-a para mais perto com tanta força e tanta animação, que o peso de Regina caindo sobre o seu, fez com que as duas fossem parar no tapete do quarto, às gargalhadas.

Mas elas não se demoraram muito ali. Logo Regina estava sobre seu corpo outra vez, e elas não sabiam quem tinha tido a iniciativa, mas suas línguas dançavam juntas e era possível sentir o sabor fraco do vinho que haviam compartilhado no clube. Um gemido baixo satisfeito escapou da garganta de Regina quando ela sentiu dentes puxando seu lábio inferior. Emma sorriu entre beijo. O som, alto no silêncio do quarto, era a prova de que a morena estava entregue e de que ela queria aquilo tanto quanto a outra. Não existiam mais barreiras entre elas. Pelo menos naquele instante, enquanto se amavam e se deliciavam com as maravilhas que uma podia causar na outra, não se importavam com quem eram, com as consequências que aquilo poderia trazer-lhes. Elas simplesmente se beijavam, como se daquilo dependesse suas vidas. Conhecendo e aprovando o que tanto queriam, desde a primeira vez que se viram.

Notas finais
Ahhhhhh, finalmente o beijo! HAHAHAHA E ai, o que acharam? Valeu a pena esperar? Beijos de luz, e até o próximo. ♥