Pretty Woman.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
POV Emma.
Tentei dizer alguma coisa para a ruiva sentada ao meu lado, mas pelos poucos minutos que eu a conhecia, alguma coisa já me dizia que seria difícil contrariá-la. Então apenas relaxei, e novamente tentei dirigir aquele carro horrível, observando-a discretamente pelo canto dos olhos, me segurando para não rir de todo o seu entusiasmo e encanto pelo carro.
— Hey, você sabia que a sua caixa de cambio caiu, e acabou de fazer o carro de trás quase sofrer um acidente? – Ela disse com um tom de voz divertido, talvez para tentar me distrair, já que dirigir aquela BMW estava me deixando tensa. Agradeci mentalmente por seu esforço, mas não estava funcionando.
— Desculpe, eu não estou acostumada a dirigir carro manual, e meus saltos estão me matando. – Fui sincera, por alguma razão, não via motivos para criar um muro entre nós duas, como eu sempre fazia com todos. Até mesmo com minha ex mulher.
— Você tem que pisar na embreagem antes de trocar a marcha. – Ela riu, apoiando uma de suas mãos em minha coxa nua. Senti um calafrio percorrer meu corpo, mas desviei o olhar.
— Você parece entender bem de carros! – Dei continuidade ao assunto, ignorando aquela mão pequena e tão macia tocando a minha pele.
— E você parece não entender nada! – Ela riu outra vez. O som de sua risada era tão gostoso, tão leve. Acho que eu estava começando a gostar demais da companhia daquela estranha. — Esse carro é seu?
— Não, não é meu! — Respondi irritada, em mais uma tentativa errada de trocar a marcha e pisar na embreagem. Aquilo não era tão fácil quanto parecia!
— Ele é roubado! Eu sabia! – Ela bateu uma mão na outra, dando um grito entusiasmado. Qual o problema daquela garota?
— O que? Não, claro que não é roubado! Por que você acha que eu roubaria um carro? – Neguei com a cabeça, virando-me para olhá-la de frente. Ela tinha uma expressão divertida. Os cabelos ruivos bagunçados pelo vento, já que ela havia feito questão de abrir sua janela. Um sorriso largo, lábios carnudos e convidativos. O par de olhos chocolates mais lindos que já vi. Céus, como eu conseguiria dirigir com aquele pedaço de mau caminho ao meu lado?
— Ah, eu não sei! Você está dizendo que ele não é seu, e você mal consegue dirigir. Logo pensei que pudesse ser roubado... – Disse, com a maior naturalidade do mundo. Tive que rir.
— É que na verdade, meu primeiro carro foi uma limusine, com o meu próprio motorista. – Dei de ombros. – Por isso não sei dirigir. – Por que diabos eu estava me explicando para ela? Eu não dava explicações nem para os meus pais, quando tinha dezoito anos.
— Ah, você é uma advogada, eu sabia! – Bateu as mãos outra vez, como se a cada palpite certo, ela ganhasse pontos.
— Como é o seu nome? – Perguntei, surpreendendo a mim mesma. De repente, desejei ter muito mais tempo para conhecer aquela maluca sentada ao meu lado.
— Como você quer me chamar? – Ela arqueou uma sobrancelha, e de repente seu ar divertido sumiu, dando espaço a uma insinuação, um tanto quanto sexy.
— Você está brincando comigo, não é? – Ri, tentando amenizar aquele clima estranho que surgiu. Eu havia me esquecido completamente que aquele era o seu trabalho, ela estava se oferecendo para mim.
— Regina, meu nome é Regina! – Ela respondeu rapidamente. Não sabia se aquele realmente era seu nome, ou se ela gostava de usá-lo com seus clientes, mas seus olhos pareciam sinceros, então apenas dei de ombros.
— Regina, hein? Nome bonito. – Sorri discretamente. Droga, eu estava flertando com uma prostituta e sentindo-me tímida por isso. — Então Regina, você já dirigiu uma BMW antes?
— Não, nunca. – Ela riu, como se fosse óbvio. – Por que? – Freei bruscamente o carro, fazendo-a me olhar assustada. Céus, ela também ficava linda com aquela carinha de surpresa. Droga!
— Então acho que essa será a sua primeira vez. – Ri, fazendo-a arregalar ainda mais os olhos, com a boca entreaberta.
O que havia de errado comigo? Oferecendo o carro do meu advogado para uma estranha dirigir, Robin me mataria se descobrisse. Mas pouco me importava com aquilo, naquele momento. Desci do carro e dei a volta, abrindo a porta do passageiro para que Regina saísse e trocasse de lugar comigo. Mas quando abri a porta, notei que ela já havia saltado para o banco do motorista, e estava sorridente e confiante atrás do volante. Tão pequena, tão aparentemente frágil, mas tão esperta! Neguei com a cabeça e ri, entrando no carro.
— Se prepare, mi amor! Te llevaré a la mejor viaje de tu vida. – Ela me deu uma piscadinha, que não consegui definir se achava mais fofa ou sexy. Ela conseguia ser as duas coisas ao mesmo tempo. Falando aquelas coisas que eu não fazia ideia do que significavam, num sotaque que eu julgava ser espanhol ou coisa do tipo, só colaborava para o meu fim. Que mulher era aquela?
— Não entendi nada do que você disse, mas tudo bem, vamos lá! – Passei o cinto de segurança pelo corpo, ouvindo outra vez sua risada gostosa preencher o carro. – Só tenha cuidado, pois o carro não é me...
Tentei avisá-la, mas antes que eu pudesse terminar minha frase, Regina já acelerava a toda velocidade pelas ruas da cidade, sem nenhuma dificuldade. Confesso que fiquei de boca aberta, e ao mesmo tempo senti todo o meu corpo começar a se aquecer, vendo-a agir com tamanha facilidade, dominando aquelas marchas, volante, acelerador e embreagem. Como ela conseguia fazer tudo ao mesmo tempo? Rapidamente minha mente se preencheu com inúmeras coisas que ela poderia fazer, com toda aquela habilidade. Droga, Swan! Balancei a cabeça, afastando aqueles pensamentos.
— Eu sei o que eu estou fazendo, cariño! Relaxa. – Ela abriu um sorriso contido, levando outra vez sua mão até minha coxa, e acariciando-me de forma sugestiva. Droga, droga, droga!
— E então, Regina? Onde você aprendeu tanto sobre carros? — Tentei me concentrar em algo que não fosse a mão de Regina me tocando daquela forma, ao mesmo tempo em que eu pedia mentalmente para que ela subisse um pouco mais. Céus, por que eu não conseguia parar de repetir seu nome em minha cabeça? Regina, Regina, doce e divertida Regina. Gostosa Regina. Caliente Regina. Droga, se eu não me controlasse, o membro entre minhas pernas logo revelaria à ela exatamente como eu estava me sentindo.
— Oras, isso é óbvio. – E sua mão me abandonou. – Eu transei com a turma toda do colégio, os garotos riquinhos adoravam exibir seus carrões. – Meu estômago se embrulhou com aquela resposta, e estranhamente fechei a cara. Não sabia o porque de me preocupar com aquilo, mas senti-me completamente incomodada. — Estou brincando, relaxa! – E gargalhou outra vez. — Meu avô tinha uma oficina mecânica, então ele me deixava ajudar e me ensinava a dirigir os carros dos clientes. – Sorriu amplamente, e senti meu rosto suavizar.
— Acredito que os clientes não sabiam que você usava os carros de cobaia! Mas tenho certeza que eles não achariam tão ruim! — Me pergunto se colocaram alguma coisa em minha bebida naquela maldita festa, porque eu não estava em meu estado normal. Primeiro eu sou legal com uma estranha, depois deixo a estranha dirigir o carro do meu advogado, depois fico brava sem motivos por imaginar a estranha transando com todos os garotos de sua turma do colégio, e ali estava eu sendo legal com a estranha outra vez.
— Bem, bem, bem, aqui estamos! Hotel Renaissance. – Sorriu, instantaneamente parecendo decepcionada por termos chegado. Eu também estava.
— Muito obrigada, Regina. – Agradeci, soltando-me do cinto de segurança. Ela rapidamente fez o mesmo e abriu a porta. Senti um frio estranho percorrer meu interior, um vazio. Abri a porta e dei a volta, parando na calçada, de frente para ela.
— Então! – Ela disse, enfiando as mãos nos bolsos de trás de seu micro short. Um silêncio estranho predominou entre nós duas. Eu não sabia o que dizer, não queria deixá-la ir embora, mas sabia que precisava. – Acho melhor eu voltar ao trabalho.
— Ok, você quer que eu peça a Graham para te levar de volta? — Que merda eu estava fazendo? Oferecendo meu motorista para levá-la de volta? Acorda, Swan.
— Oh não, não precisa! Obrigada, mas eu pego um táxi. – Ela parecia um pouco chateada com minha proposta, e no mesmo instante senti aquele vazio outra vez. Que diabos estava acontecendo ali?
— Tudo bem, então. – Dei de ombros, oferecendo-lhe um sorriso.
— Tudo bem! – Ela retribuiu meu sorriso.
— Tchau! – Acenei com a mão.
—Tchau! – Ela repetiu meu gesto.
Senti um pequeno impulso, uma vontade esquisita de pegá-la pelas mãos e de pedir para que ficasse. Mas ela já havia se virado e caminhava para longe de mim, em direção a um ponto de ônibus. Então eu suspirei e caminhei em direção à entrada do hotel, me deparando com o olhar de Graham, que balançava a cabeça negativamente, como se me dizendo para fazer o que eu sentia que deveria fazer.
Afinal, que problema teria em passar uma noite com uma garota de programa? Eu era solteira, tinha dinheiro para gastar como bem quisesse, e sabia que ela estaria a minha disposição. Olhei mais uma vez para Graham, para o hotel e para a garota que havia se sentado no ponto de ônibus.
— Você não ia de táxi? – Quando notei, já estava sentada ao seu lado. Droga de impulso.
— Prefiro andar de ônibus! – Apesar da amenidade em sua voz, senti meu coração se aquecer outra vez, com o par de olhos chocolates que me olharam surpresos, como um bichinho acuado.
— Gosta de andar de ônibus? Pensei que gostasse de comandar as BMW’s. – Brinquei, e ela deu uma risadinha sem graça. Certo, aquela era a minha deixa para sair logo dali e deixá-la ir embora! – Regina, eu pensei, assim... Quem sabe você não gostaria de ficar mais um pouco, e subir comigo... – Droga droga droga, Swan! Pelo sorriso que ela abriu, entendi qual seria a resposta, e logo um alívio percorreu meu corpo. — Quanto você cobraria pra ficar mais um pouco? – Perguntei, sem me esquecer que aquilo era só o seu trabalho.
— Duzentos dólares por hora. – Ela respondeu com a voz vacilante, como se não estivesse gostando do que dizia.
— Como é que é? Duzentos dólares a hora? – Eu não achava aquilo caro. Na verdade, Regina era uma garota linda, que qualquer um pagaria muito mais para estar ao seu lado. Mas eu havia gostado de vê-la fazer aquele biquinho de indignação.
— Você acha que é barato manter isso aqui, mi amor? – Ela disse, abaixando o olhar para o próprio corpo. Tive vontade de rir, mas não o fiz. – É pegar ou largar. – Até a forma que ela mastigava o chiclete era sexy.
— Bom, se você cobra duzentos dólares pela hora, por que não compra uma bota nota, ao invés de prender a sua com um alfinete? – Cutuquei ainda mais, vendo o par de olhos lindos se estreitarem em minha direção. Okay, eu não aguentaria segurar minha risada por muito mais tempo.
— Está esfriando, vamos entrar, vai! – Decidi acabar com aquela brincadeira, vendo que ela estava realmente começando a ficar brava. — Mas antes, vista isso aqui, pois eu acredito que neste hotel as pessoas não usam roupas tão curtas! – Soltei a risada que estava prendendo há tempos, jogando meu sobretudo preto por cima dos ombros de Regina. Eu pouco me importava com a opinião de outras pessoas. Eu era uma mulher rica, bem sucedida, de trinta e seis anos, completamente dona do meu nariz. Mas, o que realmente me incomodava, era imaginar os olhares que Regina receberia se entrasse daquela forma.
— Só pra você saber, eu frequento muito este hotel, ok? As pessoas já estão acostumadas com a forma que me visto. – Uhum, claro. Disse mentalmente, negando com a cabeça e rindo, enquanto apoiava minha mão na base de suas costas, guiando-a pela entrada do hotel. – Como é seu nome?
— Emma, você pode me chamar de Emma. E pare de rebolar assim!
Definitivamente, Regina seria a minha morte. Caminhamos pela recepção e dei um pequeno aceno de cabeça a Graham, que tinha um enorme sorriso no rosto, como se estivesse orgulhoso da minha atitude. E como pensei, ao caminhar em direção ao elevador, Regina tinha atraído todas as atenções para ela, fazendo com que eu revirasse os olhos. Estranhamente, não queria ninguém com os olhos no que era meu. Bom, pelo menos por aquela noite, seria meu, não seria?
Encontramos com um casal de senhores a espera do elevador, qual o homem não conseguia tirar os olhos das pernas da minha Regina.
— Ei vovô, por trezentos, eu faço serviço completo, e sua mulher ainda pode assistir! – Céus, minha cara queimou de vergonha naquele momento. Eu não estava esperando por essa. Peguei Regina pelo braço e a puxei para dentro do elevador, assim que a porta se abriu. Por sorte, a senhora parecia completamente enciumada, e impediu que seu marido entrasse atrás de nós.
— Cobertura, por favor! — Ordenei ao rapaz japonês, chinês ou sei lá de que país ele era. – Regina, você está ficando maluca? Não precisava fazer aquilo!
— Sinto muito, Emms! – Ela disse, fazendo aquele biquinho irresistível. Espera, do que ela tinha me chamado? Emms? Ninguém nunca me chamou de Emms, ninguém se atrevia a me dar algum tipo de apelido se não quisesse morrer.
— Do que você me... – Ah, deixa pra lá, vai. Se bem que saindo da boca de Regina, aquilo era completamente adorável. Havia me perdido em meus pensamentos, mal notando quando chegamos a cobertura e a ruiva saltou para fora do elevador.
Ela rodopiava pelo hall de entrada, fazendo um tipo de dancinha ou coisa parecida, que me fez rir. Ela havia jogado meu sobretudo no chão, e seu corpo estava novamente exposto, atraindo a atenção do asiático esquisito. Dei-lhe meu pior olhar mortal, e ele rapidamente fechou as portas do elevador. Revirei meus olhos e caminhei em direção a garota, recolhendo meu sobretudo do chão e enfiando o cartão para liberar nossa passagem para minha suíte.
— Esses com certeza serão os melhores duzentos dólares de todos! – Ela disse animada, assim que a porta se abriu e seus olhos exploraram o enorme apartamento. Ri outra vez, pegando-a pela cintura e levando-a para dentro. Obrigada, Deus. Era só o que eu tinha a dizer.
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