Pretty Woman.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Uma Linda Mulher é o meu filme favorito, de todos os tempos. E eu li uma adaptação do filme para uma fic do casal Brittana, que gosto muito. Amei e decidi adaptar para SQ também, espero que vocês gostem. ♥
POV Emma.
Era mais uma daquelas festas chatas, onde pessoas que eu não conheço sorriam e conversavam comigo, como se fossemos amigos de infância. Claro que eu sabia que era tudo falsidade, já que definitivamente todos ali estavam unicamente interessados em meu dinheiro e em minha fama, afinal, eu mais uma vez tinha conquistado uma luta judicial em cima de uma empresa falida. E cá estou eu agora, cercada de pessoas em uma festa que eu mesma não sabia quem tinha planejado, a única coisa que eu sabia era que eu queria sair daqui e logo.
Enquanto andava pelo grande salão, em busca da saída mais próxima, fui abordada por minha ex-mulher.
- Emma? — Me chamou, fazendo-me parar. — Como você está? Meus parabéns pela vitoria! — Sorriu, da forma sutil e elegante que só ela sabia como fazer.
- Oi Zelena! — Sorri em resposta. — Obrigada! E você está linda, como sempre vejo! — Dei-lhe uma piscadinha, vendo-a corar.
- E você como sempre, muito galanteadora!
- Nem tanto, afinal, não consegui fazer com que você continuasse casada comigo. — Brinquei, fazendo-a rir.
- Você é casada com o seu trabalho, Emma! Eu tinha que marcar hora com sua secretária para te ver! — De fato, ela não estava mentindo. Eu praticamente vivia para o meu trabalho, mas, pelo retorno que eu tinha, não me preocupava muito com isso. Havia feito uma enorme fortuna com meus esforços.
- Hum, minha secretária também me abandonou, falando nisso! — Ela gargalhou.
- Sua secretaria está de licença matrimonial, Emma! Ela se casou comigo, lembra-se? Inclusive ela está presente aqui hoje!
- O que? Você se casou com Belle? — Confesso que fiquei confusa e surpresa com essa parte. Eu realmente estava tão desligada assim?
- Sim, todos esses anos falando com ela pra tentar chegar a você, meio que nos uniu! — Franzi o cenho, ela realmente não estava fazendo nenhuma piada? Havia se casado com a minha secretária?
- Oh Zelena, fico feliz! — Menti. Aquilo pouco me importava. — Você merece toda a felicidade do mundo! Mas eu preciso ir agora, se você não se importar.
- Obrigada Emms, um dia você vai encontrar a sua felicidade também! — Eu já a encontrei, querida. E ela está bem ministrada em minha conta bancária.
Tenho a impressão que Zelena me falou mais alguma coisa após me despedir, mas eu estava ficando meio sufocada de continuar naquela festa. Ao chegar na porta, logo avistei Graham, meu motorista particular, e andei em direção a ele pra podermos logo dar o fora dali. Mas ao me aproximar, percebi que a minha limusine estava presa entre vários outros carros, sendo impossível de sair do local, e Graham me fez um aceno de desculpas. Revirei os olhos e olhei em todas as direções, pensando em como eu poderia ir embora daquele lugar, ate que ouvi meu advogado Robin gritar meu nome, me fazendo amaldiçoar em pensamento.
- Hey Emma, aonde você pensa que está indo?
- Não é da sua conta, Robin. Você é meu advogado, não minha mãe! – Robin revirou os olhos, aproximando-se de mim com mais rapidez.
- Ah, vamos lá, Emma! Eu preparei toda essa festa pra você e pela nossa vitoria, e você simplesmente está indo embora? – Ele fez um bico engraçado, que me faria rir, se eu não estivesse tão irritada. — E outra, adivinha quem está lá dentro? Zelena sua ex-mulher, que tenho certeza que ainda te ama!
- Não, ela não me ama, Robin. Ela se casou com a minha secretária, pois parece que ela era a única que dava atenção na minha ausência. – Ironizei, pegando uma taça de champanhe de um garçom que passara ao nosso lado.
- Zelena se casou com a esquisita da Belle? – Ele franziu as sobrancelhas, parecendo tão surpreso quanto eu.
- Sim, Rob. Pois, segundo ela, eu não tenho tempo o suficiente para ter uma mulher, somente meu trabalho. – Imitei seu tom de voz, recebendo uma risada de meu advogado e amigo. — Por isso estou voltando para o Hotel, amanhã eu começarei a pressionar Mr. Gold pessoalmente.
- Gold! Ele não tem como manter aquela rede de carros sozinho, Emma! Nós já ganhamos essa causa também! Venha, vamos aproveitar a noite! – Me pegou pelo braço, enquanto eu tomava o último gole do líquido em minha taça.
- Esse carro é seu, Rob? – Perguntei, apontando para a BMW série 3 preta.
- Comprado com o excelente bônus que você me paga semanalmente? Sim, é meu! Por que? – Perguntou com o peito estufado, orgulhando-se do belo carro.
- Me empreste suas chaves? – Entreguei-lhe minha taça vazia, e lhe estendi a mão espalmada para cima.
- O que? – Seus olhos se arregalaram. — Não, não, não... Você não esta pensando em...
- Me dê as chaves, Robin. – Pedi outra vez, com meu tom de voz autoritário. — Não vou repetir!
- Mas Swan, este carro não é automático, você alguma vez já dirigiu um carro manual? – Soltei uma risada baixa.
- Obrigada, aproveite a festa, Rob!
Assim que peguei as chaves da mão de Robin, me arrependi profundamente. Eu não fazia ideia de como se dirigia um carro manual, há muitos anos não fazia aquilo. Mas não podia ficar naquela festa insuportável nem mais um minuto, então dei de ombros. Entrei no veículo, exageradamente bem cuidado, e me apossei do volante. Dei a partida e acelerei, fazendo as pessoas que estavam por perto pular assustadas com o barulho. Olhei pelo retrovisor e pude ver o olhar de choque de Robin, e Graham tentando esconder um sorriso ao assistir a cena.
Acelerei o máximo que pude para sair daquele lugar, mas o carro fazia mais barulho do que andava e me perguntei se eu teria que trocar alguma marcha para ele andar mais rápido. Quando cheguei na avenida principal, pela primeira vez percebi que eu não tinha noção nenhuma de onde estava, e em qual direção ficava o Hotel em que eu me hospedaria nesta cidade. Então arrisquei uma troca de marcha, que fez um alto barulho de ferro arranhando, me fazendo rir, e segui no sentido de uma placa que estava escrito avenida Brasil, mas não tive muita certeza, pois estava escuro e me perguntei onde era o botão que acendia os faróis daquele carro.
***
POV Regina.
- Let it go, let it go…
- Oh, saco! Só mais um pouquinho. – Resmunguei, afundando meu rosto no travesseiro.
- Let it go, let it go...
- Okay, já estou levantando.
Eu amava a trilha sonora do filme de Frozen, mas desde que a coloquei como toque do meu despertador, eu comecei a ficar com raiva. Abri os olhos com um pouco de dificuldade, pois eu ainda estava morrendo de sono. Meu turno no dia anterior tinha sido exaustivo, e parecia que eu não tinha dormido por séculos. Olhei o relógio e já era quase dez da noite, amaldiçoei em voz alta, mais uma vez iria me atrasar para o trabalho.
Levantei de minha cama e resolvi tomar um banho rápido, mas não sem antes passar pela pequena cozinha, e pegar um pedaço de pizza, que eu tinha certeza que já tinha uma semana que estava lá. Saindo do banho, separei a primeira roupa que vi pela frente, um shorts curto de couro preto e uma camisa cropped roxa, que estava meio desbotada, mas a noite eu acho que ninguém repararia. Calcei minhas botas pretas que iam até o início de minhas coxas grossas, mas na hora que puxei o zíper, ele enroscou e quebrou com a força que fiz tentando movê-lo.
- Merda! – Xinguei, revirando os olhos.
Olhei em volta do apartamento, procurando por algo útil, que pudesse prender a bota, e encontrei um pequeno alfinete, no estilo daqueles que se usa para prender fralda de neném. Por que diabos eu tinha aquilo em meu apartamento? Com certeza era coisa de Mary. Me olhei no espelho uma última vez, coloquei minha peruca ruiva e longa, passei um batom vermelho carmim e meu perfume, pronta para começar mais uma noite. Até ouvir batidas insistentes em minha porta, e voz do velho chato que eu já conhecia muito bem.
- Hoje ninguém entra e ninguém sai deste prédio, se não pagar o aluguel em dia! – Marco gritou.
Graças a Deus eu tinha feito hora extra, e conseguido o dinheiro para o aluguel deste mês. Assim, suspirei aliviada e caminhei até o meu esconderijo para pegar o dinheiro. Assim que afastei as falsas flores de plástico do vaso, que ficava no canto ao lado de minha cama, meu coração começou a bater em pânico. A caixinha de música estava vazia, nada de dinheiro! Quem havia pego?
- Te voy a matar, Mary! – Gritei, mas logo voltei a conter minha voz, lembrando-me de Marco do outro lado da porta.
Comecei a andar de um lado para o outro, completamente em pânico dentro da lata de sardinha que eu chamava de apartamento, pensando em como sairia dali sem que ele me visse. Cuspi meu chiclete na pia e caminhei até a janela, analisando a altura e as consequências que causaria se eu caísse. Cheguei a conclusão de que ser expulsa do meu apartamento, seria mais doloroso que cair e quebrar alguns ossos, então lá fui eu.
Pulei a janela com dificuldade, e comecei a andar pelo parapeito, passando para as escadas de incêndio e indo em direção ao muro do prédio ao lado, que por uma graça divina estava em reforma, e havia uma escada que dava acesso à rua. Agradeci mentalmente por ter feito aulas de dança na infância, e ter uma ótima flexibilidade, pois quase não tive dificuldade para me equilibrar pelo muro e chegar à escada. Assim que senti meus pés no chão, caminhei rapidamente em direção ao ponto de ônibus, já se passavam das dez.
- Olha quem resolveu dar o ar da graça! – Ouvi sua voz e tive que respirar fundo para não voar em seu pescoço.
- Mary? O que você fez com o dinheiro do aluguel? – Rosnei, vendo-a arregalar os olhos.
- Ah Regi, eu tive que pegar emprestado, mas eu juro que irei devolver! – Ela juntou as mãos em uma súplica.
- É isso ai ruivinha, ela vai devolver pra você, assim que ela pagar a divida com o tio David aqui! – Disse um cara que sabe-se Deus de onde, surgiu atrás de Mary.
- Tio David? Eu não sabia que você tinha um tio, Mary? – Perguntei, vendo-a revirar os olhos.
- Ele não é meu tio, Regi! – Respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Como eu poderia saber? — Ele é... Oh, vamos lá! Venha que já estamos atrasadas!
- Ruivinha, você pode pagar a dívida dela com o tio David aqui, se você quiser. – Ele falou mais alto para que eu ouvisse, enquanto Mary me puxava pelo braço. — Pegue meu número de telefone com Mary!
Eu não fazia ideia do que estava acontecendo, somente que eu estava sendo praticamente arrastada por Mary, para o ponto onde ficávamos todas as noites, enquanto ela deixava seu tio falando sozinho.
- Mary, o Marco disse que ninguém entra e ninguém sai de casa hoje, se não estiver com o aluguel em dia! – Contei, sabendo que ela pouco se importaria com aquilo.
- Relaxa, Regi! Aquele zelador não pode mandar ninguém fazer nada, se ele mesmo não paga as dividas dele. – Comentou, como eu já imaginava, com uma enorme tranquilidade na voz. — E outra, hoje eu estou sentindo que iremos encontrar um cliente perfeito, e teremos dinheiro suficiente pra rasgar na cara daquele nojento.
- Mas e quanto ao seu tio David, você deve pra ele? – Perguntei, ainda sendo guiada por minha amiga. — Mary, os clientes não andam aparecendo tanto, não podemos garantir pagar todas as dividas!
- Regi, não se preocupe, eu cuido de David, e você cuida do nosso aluguel. – Franzi o cenho, não achando tão justo aquele combinado, já que dividíamos o apartamento, mas concordei. — E por falar nisso, olha o carrão que está virando a esquina!
- Esse cara deve estar perdido, Mary. Ou o carro é roubado, ele nem ligou os faróis! – Neguei com a cabeça, vendo o olhar furtivo de minha amiga em direção a BMW que se aproximava.
Mary Margareth e eu ainda estávamos observando o carro preto, quando ele passou por nós e deu uma freada brusca, quase em frente ao local que estávamos paradas. Eu me perguntei qual era o problema do cara que estava dirigindo, pois tinha certeza que se ele ficasse mudando as marchas daquele jeito, a lataria do carro em breve iria desabar ficando somente nas rodas.
- Vai lá garota, esse é o seu homem de sorte! – Mary me deu tapinhas na bunda, me empurrando em direção a onde o carro havia parado.
- Eu ainda acho que ele está perdido! – Me virei para ela, enquanto dava alguns passos de costas, em direção ao motorista louco.
- Escuta Regi, quando você chegou aqui e nos encontramos naquele bar, você estava cheia de sonhos e vontades, e aqui, agora, naquele carro, é que eles irão se realizar, então agarre! – Disse com expectativa, como se aquilo realmente fosse acontecer. Soltei uma risada baixa e concordei com a cabeça.
- Certo, como estou? – Perguntei, ajustando o decote e conferindo se minha bota não havia se soltado com o alfinete.
- Linda, como sempre! – Minha amiga me encorajou.
Respirei fundo, cuspi meu chiclete e caminhei em direção a BMW, não tendo certeza se o meu destino estaria ali, mas pelo menos uma parte do meu aluguel eu poderia conseguir em uma noite. Ao me aproximar do carro, notei que o cara ainda lutava com as marchas, e ao me abaixar e olhar pelo vidro do passageiro, notei que era uma mulher no volante. Sorri ao ouvi-la praguejar o carro, eles definitivamente não se davam bem. A mulher ainda não tinha percebido a minha presença, então resolvi dar o primeiro passo.
- Posso fazer algo por você, linda? – Perguntei, recebendo sua atenção. Ela demorou um pouco a me responder, e tenho certeza que estava chocada com meu generoso decote, já que seus olhos demoraram tempo demais ali.
- Você sabe onde fica o Hotel Renaissance? — Não sei de onde essa mulher tinha surgido, mas abracei aquela oportunidade de ganhar um dinheiro fácil.
- Sim, eu sei onde fica. – Abri um sorriso no canto dos lábios. — Mas essa informação te custará cinquenta dólares. — Imediatamente me senti mal por cobrar por uma informação, mas eu precisava voltar a juntar dinheiro, e aquela loira parecia ter dinheiro de sobra, o que seriam cinquenta dólares?
- O que? Cinquenta dólares por uma informação, ruiva? Você está louca?
- Sim, eu estou louca, mas eu não estou perdida, então... – E outra vez meu sorriso se fez presente, mostrando minha autoconfiança, ou melhor dizendo... Mau caráter.
- Não, muito obrigada, tenho certeza que irei achar meu caminho! – Falou determinada, mas nem se moveu. Seus olhos não saíam de mim.
- Tudo bem, então. Boa sorte! – Soltei uma risada baixa, e me afastei do carro lentamente, tirando outro chiclete do bolso e abrindo-o.
- Ei, baixinha! Tudo bem, eu aceito a informação. – Ouvi sua voz, e sem me virar para ela, sorri amplamente. Bingo! Os cinquenta dólares mais fáceis da minha vida.
Me virei e caminhei de volta em direção ao carro. Ela me olhava com uma expressão divertida, como se quisesse rir, mas não me importei.
- E então, onde fica? – Perguntou, mirando sua atenção para o volante.
- Primeiro o meu dinheiro! – Fui firme, fazendo-a revirar os olhos e enfiar as mãos nos bolsos, em busca da carteira.
- Você tem troco para cem? – Perguntou, tirando uma nota verdinha de dentro da carteira de couro, que eu julgava ser mais cara que o apartamento em que eu vivia, e mal conseguia pagar o aluguel.
- Não, mas por cem, eu mesma te levo lá! – Puxei a nota de sua mão, e sem esperar ou deixá-la protestar, dei a volta, batendo na porta do passageiro. Ela destravou as portas e eu entrei, rapidamente me familiarizando com o carro, pousando um de meus pés sob o painel. Ela me olhou um tanto quanto chocada, mas pouco me importei. – E então? Sabe dar a partida neste carro ou não? – Ri, virando-me para a frente e sentindo os olhos extremamente azuis da mulher queimarem em mim.
Fale com o autor