A Lenda do Falkiner Verde

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Um rapaz de cabelos vermelhos e aparentemente sem expressões visiveis seguia solitário por um caminho árido enquanto murmurava algumas palavras de baixo calão.

– #%$#%$!! Vamos as ruínas do deserto de Firewall, eles disseram.



Ele caminhou durante toda a tarde debaixo de um sol escaldante até que encontrou uma taverna em um oásis. O rapaz estava exausto e tudo o que queria naquele momento era um copo de suco de laranja selvagem bem gelado, uma especialidade da região; ele chutou a porta com dobradiças e adentrou o estabelecimento com receio.


E se isso for uma miragem? Ou pior ainda, uma cilada? Ele andava cauteloso e ao mesmo tempo pensativo enquanto olhava os sujeitos mal encarados e cruzava o salão até alcançar o balcão.

– Um copo de suco de laranja selvagem, pode dobrar no álcool.

Mas o sujeito atrás do balcão parecia não conseguir ouvir o rapaz.

– Eu disse suco de laranja, seu filho de uma meretriz sem costume!


Ao exclamar e não ver resultado, o ruivo retirou um pequeno bloco de Moleskine do bolso de sua jaqueta e começou a fazer algumas anotações. Em seguida se levantou e começaou a andar em direção a saída até que notou algo de diferente. Aquela porta com dobradiças agora era uma porta de vidro e em sua frente, havia um sujeito grande e mal cheiroso.


A surpresa foi ainda maior quando o ruivo não se sentiu intimidado e tentou passar pela tal figura, no momento exato em que seria atingido por um suco em seu rosto. Tudo em sua volta começou a perder sua forma e desaparecer.

Seria o fim do mundo? E pior, seria daquele jeito? O ruivo carregava tantos sonhos consigo, nunca fora a um show de sua nova banda favorita, não terminara de ler um livro interessante e nem sequer frequentou a faculdade. Além disso tudo, haviam outros sonhos e desejos peculiares que é melhor não descrevermos aqui pela integridade deste conto, que afinal é para toda família.

Agora sua visão estava escurecendo aos poucos, era como sentir a morte ao seu lado, seu último suspiro de vida fosse retirado de seu corpo a força.

A visão do rapaz já havia retornado e agora tudo o que ele conseguia ver era a familiar interface de seu computador pessoal. Havia algumas mensagens recentes e ele logo tratou de conferir.

Gemada [saintcleric@altimit.jp]
Falkiner [magrosso@furacao.net]
Assunto: Que a foda, homem?

Falk? Encontrou algum bug no deserto? Por aqui o clima pesou quando perdemos seu sinal, envie uma mensagem de volta em no máximo uma hora ou você irá receber uma visita não muito amigável em casa.

–--


Falkiner não estava muito a fim de conversa, mas também não queria preocupar ainda mais seus amigos. Tratou logo de enviar uma mensagem dizendo que estava bem e agradecendo por terem notado sua ausência repentina.


Por um momento, ele fitou seu navegador de internet e hesitou em se jogar para enviar um relatório de bug que havia feito anteriormente. Mas depois de uns instantes abandonou a ideia pro completo e retirou seu visualizador. Ele aproveitou que já estava deitado em sua cama e decidiu virar a cabeça para olhar janela a fora e pode notar que estava chovendo bastante.

– Ah, devo ter perdido a conexão...

Com esta frase seguida de um leve suspiro, Falkiner adormeceu.