Pretty Man
1 Prólogo
Miyavi Point of view.
– Ah! Vai! Mais! Ahhh! – suplicava enquanto o sentia arremeter e jogar o quadril contra o meu, acertando o ponto em que me fez gritar e contrair minha entrada apertando seu membro.
– Ahhhhh! – ele gritou enquanto ejaculava sua essência dentro de mim.
Logo o homem saiu de cima e de dentro de mim, levantando-se da cama. Sentou na cama ao meu lado, enquanto que eu me sentava na cama, puxando o lençol para cobrir meu corpo exposto.
– Belezinha! Você é uma loucura! Pena que é muito caro! Do contrário seria comido todo dia! – falou ele de um jeito tão vulgar quanto o que havíamos acabado de fazer.
– Fazer o que? Impostos altos! – disse dando os ombros enquanto desviava seu olhar para logo me levantar da cama. – Sabe onde me achar quando tiver dinheiro para isso novamente.
Peguei minhas roupas e fui para o banheiro do hotel chinfrim que estávamos. Tomei um belo de um banho quente, e rápido enquanto que eu ainda sentia que o meu “cliente” me observava. Tenho certeza que queria que eu desse pra ele de novo, mais pode ter certeza de que vai ficar querendo! Só abro as pernas se eu tiver algo em troca, e me refiro a dinheiro, seu bando de mente poluída!
Terminei meu banho, me secando com a toalha que tinha ali, e nu mesmo, andei pelo quarto a busca de minhas roupas, vestindo cada pesa conforme iam sendo encontradas. Tá que minhas roupas não eram as mais comportadas, mas com o “serviço” que eu exercia era muito mais do que necessário.
Depois de pegar meu dinheiro, sai do hotel disposto a voltar para casa e dormir o dia todo. Tão pensando o que? Acha que dar a bunda é fácil? Não é não! ‘To acostumado a ser o seme, não o uke da relação! Mais o que eu posso fazer? O Cliente tem sempre a razão, e se alguém chega ao “Gostosão da faixa” e reclama do meu trabalho, quem leva bordoada no meio da fuça sou eu! Então, fazer a vontade deles é necessário.
Estava eu, lindo, maravilhoso – nem me acho né? – rebolando rua a fora, com minhas tatoos a mostra pela regata transparente enquanto ia pra casa a pé – já que o pé rapado que me comeu não tinha nem carro, pegava busão! Mais que decadência! –, com alguns já me chamando para um beco, eu sei que sou gostoso, mas aquele bando de merda não valeria nem um tostão furado e eu não fodo de graça. Até que chego ao meu lindo e grotesco apartamento, que por ganhar pouco eu tinha que dividir o apartamento com outra pessoa, o ruim é quando essa “pessoa” resolve levar trabalho pra casa! E vocês já viram como é meu serviço, só que ele é mais requisitado por causa das coxas fartas, mais em fim, não vou ficar me comparando com aquele ser, do contrário, me sentiria humilhado. Ao chegar à portaria, escuto a bela e doce voz do sindico, vulgo senhor beiço ou Aoi, como os amigos dele o chamam, cobrando o aluguel de todos os moradores.
– Você sabe como são as coisas! Ou me dá o dinheiro agora, ou rua! – o desgraçado falou com tanta naturalidade que deu até dó do coitado que ele estava cobrando.
Então – genialidade funciona nessas horas – como eu tinha acabado de ganhar meu dinheiro suado – literalmente – resolvi sentir o dinheiro mais um pouquinho, apesar de que o cheiro que tinha era péssimo. Ah, decadência! Meu rabo não ta valendo nada mesmo! Enfim, sai o mais rápido que eu pude pela porta da frente e dei a volta no prédio, chegando à escada de emergência. Sim... Eu ia fazer isso, não só ia como fiz, puxei a escada e passei a subir para o andar onde eu morava. A minha sorte é que eu morava no terceiro andar – isso por que o prédio só tem três andares, mas isso é relevante.
Entrei no “meu” apartamento – doce sonho – indo direto pro banheiro. Abri o armarinho de remédio e tirei um vidrinho de lá. Não, não sou um drogado viciado. Minha vida não é fácil, mais eu sei lidar com os problemas, só tomo remédio quando o rabo dói de mais ou quando realmente ‘to doente. Tenho cara de drogado mais não chega a esse ponto. Enfim... Abri o potinho e tal era minha surpresa que não tinha nada ali, mais era para ter.
Vou explicar melhor. Era para ter dinheiro ali. Era meu esconderijo de dinheiro para economizar e poder pagar o aluguel sem ter que abrir as pernas para o senhor beiço. O único que sabia que o dinheiro estava ali era o meu colega de quarto e se o bendito do dinheiro não estava ali era por que o maldito daquele coxudo delicia tinha pegado o dinheiro e gastado. Puta desgraçada que adora dar! Ele me paga, se não for com dinheiro, é da maneira que vocês estão pensando mesmo.
Yutaka Point Of View
Não, não tinha como minha vida piorar. Estresse... É sempre o que alego quando quero ficar trancado no meu escritório sem que minha secretaria fique me atazanando com ligações ou com meu sócio me pedindo favores atrás de favores. Bom, hoje o dia não seria como os outros. Iríamos fechar um negócio com uma empresa importante de Sapporo, o presidente e seu “marido” iram vir para Tokyo só para isso e breve eu, Uke Yutaka e o infeliz do meu sócio, Miwa Masashi, ficaríamos mais ricos do que o imaginado. Casado, Masashi nunca pensou que seu companheiro fosse ajudar tanto em uma festa para negócios na casa dos dois. Pois eu sabia, por que eu já o namorei e sabia que Hizaki era tão bom para essas coisas quanto eu era bom para fechar negócios sem ter muitos argumentos. Agora não me perguntem por que eu não estou com ele ainda. A resposta não agrada muito.
– Yutaka! – Ouvi a voz do moreno por de trás da porta. – Posso entrar?
– Não sei por que ainda não fez isso? – perguntei reclinando um pouco a cadeira giratória para trás e apoiando meus pés sobre a mesa.
A porta se abriu e a figura imponente e um tanto receosa de Masashi entrou por ela, trajando aquele terno fino, que eu sei que foi o Hizaki que escolheu e... Nossa como ele esta lindo. Ah, se não fosse casado e não fosse meu sócio! Já teria o agarrado aqui mesmo na minha sala. O moreno de olhos avermelhados fechou a porta, se aproximou e ficou a me observar por alguns instantes. O que é pow? To parecendo um cão ladrando por um acaso? Não responda.
– Entrou aqui pra ficar olhando pra minha cara, ou quer me contar alguma coisa? – perguntei tirando os pés de cima da mesa, os colocando sob a mesma enquanto cruzava os braços.
– Ah, sim... Er... – ele se aproximou mais, abrindo um sorriso lindo naquela cara malditamente perfeita, puxou a cadeira a frente da minha mesa e se sentou. – Hizaki já terminou de organizar a festa, está tudo impecável. Falta apenas confirmar a presença dos convidados.
– Certo.
A festa era à noite, como já haviam me confirmado, era uma ocasião que eu me dava bem por que eu conhecia o tipo de gente com que eu estava lidando e também sabia contornar pra meu beneficio. Ai fica fácil. Comprei um terno bonito e fui para o local onde Hizaki e Masashi haviam organizado a festa na minha limusine. O que? Eu posso curtir com meu dinheiro da maneira que eu quiser não posso? Porem, eu sabia que estava faltando uma coisa. Companhia. Veria Masashi com Hizaki, os convidados com seus respectivos companheiros ou companheiras e só eu ali chupando o dedo, que lindo. Mais como estava no meio do caminho, não tinha como parar, pegar a primeira pessoa na rua, dar um banho de shopping e levar para a festa. Além de eu gastar uma fortuna, eu nem conheceria a pessoa e pagaria o maior mico na festa, então, deixe como está, recorrerei ao meu caderninho quando chegar lá.
Ao chegar lá, tudo impecável! Os enfeites, as flores – eu sabia que o moreno não iria segurar as rédeas de Hizaki quanto a isso, mas tudo bem –, tudo perfeito. Bonito, elegante e sofisticado. Um encarregado contratado – claro – ocupou-se em pedir meu casaco e guardá-lo enquanto eu observava o ambiente. Os dois já estavam lá, Masashi com aquela sua costumeira cara de tacho sorridente, vinha até mim. Mais como ele era falso! Só podia ser! E eu era mais ainda por que correspondia o sorriso a ponto de exibir minhas malditas covinhas. Mamãe! Por que teve que me dar uma cara de fofo! Já estou até vendo o que vai...
– Kawaii! – acontecer... Bom, esse “Kawaii” foi Hizaki quem disse enquanto massacrava minhas bochechas. Grunhi de dor, como a criatura era forte e tinha ainda aquelas unhas grandes apertando minha bochecha, não tinha como não reclamar. E o maldito do Masashi ainda ria. – Bem vindo, Yutaka-kun! Nee... Eu sei que não queria flores, mas não teve quem me segurasse.
– É eu sei que não teve. – lancei um breve olhar mortal para a figura morena a minha frente que se acanhou. – Mas não faz mal, ficou bonito. Obrigado pela ajuda Hizaki.
– Não há de que! Disponha! – Ele disse sorridente enquanto segurava a mão de Masashi.
– Er... Eu preciso fazer uma ligação! Poderia-me dizer onde tem um telefone por aqui ou terei de usar meu celular? – Perguntei esbanjando a educação que mamãe Uke me deu.
– Ah! Tem um no andar superior! Primeira porta a direita. – Hizaki indicou enquanto que eu sentia o olhar intrigado de Masashi. Cara, ou ele me ama e quer me levar para o quarto ou quer meu dinheiro, por que não é possível! O quanto que esse cara me olha não é brincadeira.
Agradeci e fui para onde Hizaki havia me coordenado. Subi as escadas que davam acesso ao andar superior e abri a primeira porta do corredor do lado direito e o que me deparo? Um escritório. Sai de um para entrar em outro! É uma maravilha. Em fim, entrei no escritório, fechado a porta atrás de mim, caminhei até a escrivaninha já vendo o telefone preto a minha espera. Depois de digitar os números mais do que conhecidos, me sentei na cadeira atrás da mesa enquanto aguardava a ligação ser atendida.
– Moshi, moshi! – aquela voz aveludada e rouca... Lembranças e lembranças. Bom... Er... Isso fica para depois.
– Takanori? – Perguntei mesmo sabendo que era ele.
– Yutaka? O que quer? – perguntou rude, a gracinha, se eu estivesse ai eu queria ver se estaria assim tão rabugento. – Já não basta ter me deixado plantado o dia todo, tem ainda a pachorra de me ligar.
– Peço desculpas por isso, Taka-chan! – Tentei ser manhoso, isso ajudava. Mais parece que naquele caso não iria ser bem assim.
– Não me chame de Taka-chan! Para você agora é só Matsumoto-san! – É... Ele estava bravo mesmo. Mais o que eu posso fazer? Esqueci nosso encontro, triste, mais era por causa dessa bendita festa.
– Não fique assim! Er... Hoje estará tendo uma festa de negócios, minha secretaria ficou de te ligar e arranjar tudo. Ela não te ligou? Não quer vir a uma festa para compensar? – perguntei como se nada tivesse acontecido. Cara de pau como eu não existe. Acredite.
– Ligou sim! Mais falo mais com Sayumi-chan do que com você! – ele disse nervoso e pude ouvir o estralar de um isqueiro. É ele voltou a fumar.
– Entenda Taka-chan! Esta semana é decisiva para mim! Eu preciso de você aqui. – Fazer charme e a maior cara de pau para tentar convencer, mas acho que estou perdendo o meu charme.
– Você nunca me dá noticias! Acha que estou o tempo toda a sua disposição? – Enfureci a criaturinha. Mais que coisa. Daria tudo para ver a cara enfurecida, deve ser um tesão.
– Não eu não acho que deve ficar a minha disposição. – comentei suspirando. Já estava cansado de tudo aquilo.
– É isso que está entendendo, Yutaka! Deveríamos dar um tempo. – Comentou para depois soltar um suspiro cansado também. Era obvio que aquela “conversa” estava desgastando aos dois.
– Se prefere assim, Matsumoto. – me ajeitei melhor na cadeira apoiando o cotovelo sobre a mesa e a cabeça na mão.
– Tudo bem! Quando voltar para Kanagawa, nós conversamos! – ele pareceu mais calmo, mas eu não estava satisfeito, eu precisava dele ali comigo. Imagina que lindo, Yutaka, o executivo galanteador sozinho em uma festa. Faça-me o favor!
– Não tem como esperar, Eu quero resolver agora! – disse, achando rude de mais o meu tom de voz, mas já era tarde para concertar.
– Por mim tudo bem! Adeus! – ele se enfureceu e logo desligou na minha cara.
Nanico sem vergonha. Respirei fundo dizendo um “Adeus, Takanori” antes de colocar o telefone no gancho. O que eu iria fazer? Ficar sozinho naquele lugar não era legal. Todos acompanhados e o bonitinho aqui de vela. Não é assim que a banda toca, não ficarei aqui. Masashi. Tenho que falar com Masashi.
Levantei-me apressado e sai do escritório rapidamente, pouco me importando em fechar ou não a porta. Desci as escadas, olhando para todos os lados ao chegar ao fim desta em busca do moreno. E o achei, quase engolindo o marido em um canto mais afastado. A minha vontade era de fazê-lo pagar o maior mico naquela hora, mais palhaçadas para depois, ainda tenho que resolver meus problemas. Vi um dos empregados contratados por Hizaki para recepcionar os convidados e logo pedi que trouxesse meu casaco. Assim que o pego de volta, sinto alguém tocar em meu ombro e chamar meu nome.
– Yutaka? – olhei para traz ao ouvir a voz rouca e suave ao mesmo tempo.
Ao encontrar aquela figura não pude deixar de me surpreender. Era Jasmine, um de meus ex-namorados. Ele estava fabuloso naquele terno simples, mesmo que suas feições afeminadas combinem mais com um vestido assim como à Hizaki.
– Oi, Jasmine! – Sorri me aproximando e dando-lhe um beijo em seu rosto.
– Sinto muito sobre seu pai! – ele disse me dando um beijo na bochecha. Sempre cordial e elegante como sempre foi.
Agora vocês se perguntam... Se eu o admirava, porque não estávamos juntos? E eu respondo, por que não nos amávamos apenas nos admirávamos. Isso não era o suficiente. Agora... Quanto ao meu pai. Bom... Uke-sama era um homem quase como eu — digo quase por que o velho não era gay — um homem muito bem educado e um dos melhores em seu ramo. Deixou todo o seu legado para mim assim que se aposentou e me esforço muito para ser tão bom quanto ele. Porem o destino resolveu tirá-lo de mim devido uma parada cardiorrespiratória e... Bom... Isso não é bom de recordar.
– Ah, sim obrigado! – sorri minimamente. – Soube que se casou em Londres. – tratei logo de mudar de assunto, aquele não me agradava nada e Jasmine entendia muito bem o porquê disto.
– Ah! É... Não pude esperar por você! – ele sorriu e riu minimamente enquanto me mostrava à aliança dourada em seu anelar esquerdo sendo acompanhado por mim.
– Jasmine, me diga uma coisa... – comecei receoso. – Quando namorávamos você falava mais com minha secretária do que comigo? – é claro que eu sabia a resposta, mais o que Takanori me falou ao telefone ainda estava entrevado em minha mente.
– Ela foi minha dama de honra. – ele respondeu e... Maldição, Takanori tem razão. A culpa está vindo, mas não vou voltar atrás agora, não tem muito o que ser feito.
Como eu já tinha que ir, sorri tentando ao máximo não exibir minhas malditas covinhas recebendo um sorriso igual de Jasmine. Aproximei-me mais, o abraçando minimamente e deixando um beijo em suas bochechas.
– Seu marido é um homem de sorte. Tchau! – sussurrei antes de sair.
– Obrigado. Tchau.
Sai do local indo até onde meu motorista havia estacionado o carro. Porcaria, por que tanto carro em um lugar só. Agora não tinha como James sair com a limusine.
Estava observando o carro de Masashi, um Maseratti Quattroporte Sport GT S, livre, quase que suplicando para que eu o dirigisse, ou era coisa da minha imaginação, quando escuto a voz de Masashi me chamando.
– Yutaka. – A voz rouca de Masashi ecoou e me virei para ele. – Aonde vai?
– Está com as chaves? – Direto ao ponto, como ele mais detesta. Eu sei, adoro provocar, sou sacana. Mas isso me faz uma pessoa ruim?
– Por quê? O que houve com a limusine?
– A Limusine está presa... James não tem como sair. – disse apontando para James conversando com outro motorista que também estava ilhado. – Por favor, me dê às chaves.
– Eu acho que não deveria dirigir... – disse me entregando as chaves do carro um tanto contrariado. – Não está em condições, espere um pouco, eu vou resolver! – ele correu para os manobristas coreanos tentando falar alguma coisa com eles. O que só o frustrou mais, por que os garotos não entendiam bulhufas do que ele falava. Nisso eu já estava entrando no carro.
– Yutaka! Er... Está acostumado com marcha manual?
– Sim! – respondi já irritado com a chatice daquele cara. Ele pensa que eu sou o que? Só por que ando de limusine para lá e para cá não quer dizer que eu não saiba dirigir.
– Tenha calma, por favor! Ele acabou de chegar da Itália.
– Ah, ‘tá! — arranquei com o carro sem dar ouvidos ao que ele gritava para mim.
E... Wow... Que carro é esse! O motor rugia como um leão furioso era mais veloz que um leopardo e lindo. Sim... To babando para o carro, mas entendam... Nisso Masashi tinha razão, um carro como esse ser espatifado contra um poste seria a mesma coisa que dizer que queria uma prisão perpetua, sem falar que um Maseratti é um dos carros mais caros e raros do planeta, produzidos com tal perfeição que faz os olhos de qualquer fanático por carro brilhar.
Enfim... Eu não iria ficar sozinho por muito tempo hoje. Já que Matsumoto Takanori não queria mais nada comigo, eu mesmo encontraria alguém para mim e seria hoje.
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