Pretty Man
8 O7. Mistake
Miyavi POVs
No dia seguinte acordei com os raios de sol eu meu rosto e com Kai me chamando. A preguiça era tanta que não me dei ao trabalho nem de abrir os olhos, apenas me virei ao lado contrario da cama e ouvi sua risada gostosa. Ele acariciou minhas costas e senti um arrepio na espinha. Senti o colchão afundar e o carinho passar das costas para meu braço. Cara! Não consegui não ronronar com aquilo.
- Hora das compras Miyavi. – o ouvi dizer sem parar de acariciar meus braços. Arrisquei a abrir os olhos, olhando o por cima dos ombros. Ele parou as caricias, tiro a carteira do bolso e ao invés de dinheiro como da outra vez, tirou um cartão de credito. Minha reação? Arregalei os olhos intercalando o olhar de Kai, que sorria de canto para o cartão que cantava meu nome. – Qualquer problema com o cartão manda ligarem para cá.
Aceitei o cartão e fiquei a olhar para o mesmo, impressionado. Será que tem algum limite? Por que se não tiver o que eu vou comprar é um carro ao invés de roupas.
- Achei que iria comprar Tóquio toda com o dinheiro que te dei ontem. – ele disse virando-se de costas para mim, passando a calçar os sapatos.
- Não foi tão divertido quanto eu pensei que fosse. – comentei e ele me olhou interrogativo. – Alguns vendedores foram mesquinhos comigo.
- O que? – ele perguntou e não parecia nada feliz com o que ouviu. Ora por que ele ficou bravo? Não foi com ele, foi comigo.
Bom... O resto da manhã foi simplesmente intenso. Ele me levou em uma loja da Coco Chanel e fez com que todos os vendedores e o gerente me paparicassem por toda a manhã. À tarde, eu já estava me achando o rei da cocada preta. Kai comprou quase toda a loja e eu estava parecendo um mauricinho roqueiro. Estávamos voltando para o hotel quando passamos em frente à loja da D&G. Olhei pela vitrine e lá estavam àquelas malditas que me fez me sentir mal.
- Miyavi? – Kai se colocou ao meu lado à frente da vitrine. – Gostou do cachecol? Se quiser compramos para você.
- Kai, você pode esperar um pouco? – Entreguei as sacolas que estavam em minhas mãos para Kai e já fui entrando na loja.
- Posso ajudá-lo senhor? – A garota disse olhando para mim, com um sorriso falso. Infeliz, foi ela mesma que me falou aquelas asneiras.
- Lembra de mim? – sorri de canto enquanto rodava em sua volta.
- Creio que não. – Ela olhava para mim como se tentasse se lembrar.
- Eu estive aqui ontem... – me aproximei mais dela, olhando-a nos olhos, levei minha mão direita a seus cabelos passando a brincar com eles. – E não quis me vender nada. – ela estremece.
Não fazem idéia de como é bom esnobar alguém depois que passa por uma humilhação. E ver de perto esse desespero dela era mais do que gratificante. Soltei o cabelo dela e apontei para a vitrine, vendo Kai olhar para nos.
- Está vendo aquele gatinho ali? – ela permanecia a olhar para Kai. – Se eu pedir, ele ferra com sua vida todinha, então se não quiser passar o resto da vida catando latinha na rua para sobreviver, passe a não julgar as pessoas pelo que elas vestem.
E sem esperar uma resposta sai da loja sobre o olhar desesperado da garota. Fui até Kai com um sorriso de ponta a ponta e ele continuava a olhar para mim interrogativo.
- Foi ela que foi mesquinha comigo. – ele logo fechou a cara e olhou de novo para dentro da loja, e a garota ao perceber o olhar bravo de Kai, estremeceu.
- Teve que entrar lá e mostrar a comissão que ela perdeu, não é? – Kai olhou para mim e sorriu sapeca, mas não mais do que eu.
- Se eu não fizesse isso não seria eu. Uruha, com toda certeza, diria que você era um alien e me abduziu. – comentei e ele riu gostosamente.
- Vamos para o hotel. – ele disse ainda entre risos.
E voltamos. Ele me acompanhou até o quarto e ficou a me observar a organizar as roupas. Eu sentia o olhar e não entendia o porquê te tanta observação. Logo ele se aproximou mais de mim, acariciou meu ombro e sorriu gentil.
- Vou ter que sair agora. Volto à noite. – disse e sorriu. Sorri de volta, concordando. Sentei-me na beirada da cama, começando a tirar o tênis enquanto ele pegava sua maleta. – Se sentir fome ou simplesmente quiser alguma coisa, é só pedir para o serviço de quarto e colocar na conta do quarto.
- Tá. – respondi me jogando na cama. Ele se aproximou rindo do meu jeito espontâneo. – Eu falei que não vai querer que eu vá embora.
- Estou começando a acreditar em você. – sorriu e saiu.
Almocei sozinho, desci um pouco para infernizar o Gackt, ele me enxotou de lá aos risos, mesmo que estivesse corado. Passei o resto do dia dentro daquele quarto, comendo chocolate e assistindo televisão. Era engraçado ver Gackt ficar vermelho, ele nunca descia o nível, me comia com os olhos, mas me respeitava e até que era engraçado. Voltei para o quarto e fiquei lá. Quando notei que estava anoitecendo, sabia que Kai voltaria logo para o hotel. Pedi algumas velas e as acendi pelo quarto. Coloquei uma musica romântica em volume baixo para dar um ar mais sedutor e... O toque final. Peguei uma gravata de Kai, coloquei no pescoço. E sim... Era o único tecido que tinha no meu corpo.
Sentei-me na cama, e a porta se abriu. Kai entrou compenetrado, olhando para alguns papeis em suas mãos, fechou as portas com os pés e colocou a maleta em cima da mesinha que tinha perto da porta. Tudo sem desgrudar os olhos dos papéis, ao ataque Miyavi.
- Boa noite, senhor empresário. – disse sorrindo de canto e ele finalmente lembrou-se de mim.
Olhou para mim impressionado. De cima a baixo, seus olhos me percorreram. Sorriu de canto e jogou os papeis em suas mãos para o ar. Virou-se completamente para mim com um sorriso tentadoramente sedutor.
- Bela gravata. – Sorri ainda malicioso e o chamei com o dedo.
O sorriso malicioso dele aumentou e veio até mim. Resultado: Sexo selvagem com direito as suas mãos presas na cabeceira da cama pela gravata. Ah, eu falei que ele foi o uke da vez? Pois é, depois que eu fui o uke ontem, ele propôs que revezássemos. Uma vez eu, depois ele. Eu concordei, ainda estava dolorido, ele era grande pra cassete, mais eu me vinguei e fui bem fundo nele. O problema é que eu sabia que ele iria se vingar.
No dia seguinte ele me inventa de acordar cedo com uma idéia infeliz de fazer piquenique. Quem em sã consciência faz piquenique às sete da manhã? Digam-me! Não sabem, eu respondo, o infeliz chamado Uke Yutaka, vulgo Kai. Pois é, não adiantou virar a bunda para ele, dizer que deixava ele me comer, contanto que eu pudesse dormir o resto do dia, ele não desistiu de me tirar daquela cama. Só sossegou quando me levou para a banheira.
- Você é um chato quando quer acordar alguém, sabia? – disse me recostando nele e sento abraçado.
- Eu sei... – e ele ainda ri. Desgraça. – Não seja bobo, Miyavi. Temos um piquenique para ir.
- Não quero ir. To com sono. – falei manhoso acariciando seu ombro maliciosamente.
- Não adianta me seduzir, Miyavi. Se quiser transar, transamos, mas mesmo assim vamos a esse piquenique. Porém estará com a bunda dolorida, pois me lembro muito bem de que é minha vez de ser o seme. – Me afastei bruscamente o olhando intrigado e ele riu. – Vamos. O banho acabou.
Eu me recusei sair daquela banheira e o cara ainda ria. Achava que eu tava brincando. Fiz birra, fiz bico, segurei nas bordas da banheira, tudo para não sair dela. Mais a desgraça estava disposta a me tirar daquele quarto de hotel. Então usou o golpe mais baixo para me tirar de lá. Cócegas. Ele me fez cócegas, assim que percebeu que eu soltei as bordas enquanto gargalhava, me pegou no colo e saiu me carregando.
- Você é traiçoeiro, sabia? – disse ainda nos braços dele.
- Como acha que ganho a vida? – retrucou sorrindo sapeca, quando fui perceber fui jogado na cama.
Olhei para ele e ele se deitou em cima de mim. Não tinha mais o sorriso em seus lábios tentadores. Sua mão direita deslizou pela lateral de meu corpo até chegar e minha coxa, onde se alojou e apertou. A outra acariciava meu rosto enquanto me olhava nos olhos, sério. Ele se aproximava aos poucos, ele insistia em querer me beijar, mais eu já havia dito varias vezes que não. Apenas virei o rosto para não encontrar seus lábios. Porem, não era o que eu queria. Já me pequei olhando-o dormir depois que transavamos, e o ponto onde mais olhava? Os lábios. Eram lindos, ainda mais quando sorria.
Ele suspirou cansado, mas não saiu de cima de mim. Ele deu atenção ao meu pescoço, beijando-o, mordendo e eu só sabia gemer. O abracei, e acariciava suas costas molhadas enquanto ele abusava de minha carne.
- Hm... Kai... Não... Ah... Não temos um... Um piquenique para ir? – e ele se afastou sorrindo sapeca.
- Agora quer ir ao piquenique. – riu e saiu de cima de mim.
Arrumamos-nos e fomos para o piquenique.
Yutaka POVs
Eu ainda não entendia o porquê desta minha necessidade de beijar Miyavi. Talvez para tirar aquele sorriso safado de sua boca ou simplesmente por que era algo que ele havia proibido. Era a única coisa que eu não tinha dele, na verdade, eu sabia que ele estava ali comigo por dinheiro, então não poderia esperar que por ventura ele se apaixonasse por mim como eu acho que estou me apaixonando por ele.
Apesar de ser um tanto vulgar, era uma pessoa intrigante e de certa forma confiável. Divertida também, pois sempre que eu estava com ele eu acabava por rir de alguma de suas palhaçadas. Chegamos ao parque onde acontecia o piquenique e Masashi já estava lá com Hizaki. Loiro, eu já te disse que tenho pena de você?
- Yutaka. – ele acenou para nos do lençol xadrez que ele havia estendido na grama. Fiz menção a me aproximar, mas Miyavi me segurou.
- O que foi? – olhei para ele, e ele estava um tanto, assustado. O que me estranhou e muito. – Algum problema?
- Eu... Por... Por que não me disse que era um Piquenique de negócios? – perguntou em um sussurro enquanto olhava para as outras pessoas ali.
- Achei que já imaginasse. Não sou uma pessoa que sai muito para se divertir. – afirmei e ele não pareceu se confortar com isso.
- E se eu encontro algum ex-cliente aqui? – Ah, essa era a preocupação. Sorri gentil e ele continuava acanhado.
- Só esnoba e se joga em cima de mim. – ri e ele sorriu. Segurei sua mão e fui caminhando até onde Masashi e Hizaki estavam.
- Oh, acompanhado. – Masashi se levantou e ajudou o marido a se levar.
- Masashi. Este é Miyavi. Miyavi esse é meu sócio, Masashi e seu marido, Hizaki. – Apresentei e os três se reverenciaram.
- Então você é o namorado da vez? – Hizaki perguntou olhando para Miyavi e eu estava quase socando aquela carinha delicada.
- Pode-se dizer que sim. – Miyavi respondeu tranquilamente tirando o boné com estampa de caveira.
- Você não parece ser do tipo que comanda. – Hizaki? Está andando de mais com Masashi. Olhei para o dito cujo assustado e este apenas levantou as mãos como se quisesse se livrar da culpa.
- Assim como você não parece ser homem, Senhora Hizaki. – Miyavi devolveu cruzando os braços. – Juro que se Kai não tivesse falado nada, eu pensaria que eram um casal hetero.
Hizaki fuzilava Miyavi com os olhos. Mas o tatuado tinha certa razão. Quem não os conhecia diria que eram um casal hetero. Hizaki se vestia e agia como uma mulher, Masashi também achou que ele era uma mulher quando o conheceu, mas se interessou mesmo assim quando descobriu que ele não era ela.
- Hizaki. – Masashi chamou pelo marido acariciando-lhe os ombros para que este se acalmar.
- Vou beber alguma coisa. – Hizaki disse empinando o nariz e saiu.
- Não quer comer alguma coisa Miyavi? – perguntei e ele simplesmente saiu sem falar nada indo até o quiosque de espetinhos, deixando a mim e a Masashi sozinhos.
- Quem é ele? – perguntou, sinceramente, já disse que não demiti esse cara por ter uma carinha bonita? Já? Há tá, só pra saber.
- Um amigo.
- Sei... Amigos não andam de mãos dadas. – disse irônico.
- Tem razão, andam agarrados. – retruquei e ele revirou os olhos. Cretino idiota.
- Do que ele trabalha? – Respire fundo Yutaka. Não seja grosseiro. Responda, é só curiosidade.
- Ele é vendedor. – do próprio corpo. Pensei, já que não iria expor o tatuado.
- Vendedor... – é... Do próprio corpo. Masashi não pareceu ter acreditado, foi só então que eu percebi que ele olhava para trás de mim, ao invés de mim.
Olhei para trás e Miyavi estava conversando com Teru. Quando foi que o grisalho chegou ali? Não o havia visto ali. Estavam rindo e conversando, só que o branquelo azedo do Teru estava muito próximo, diga-se de passagem. Se Ishikawa vê isso, ferrou com toda certeza.
- Tem certeza que ele não é um aliado do Ishikawa?
- O que?
- Isso que você ouviu Kai! Ele pode ser um espião do Ishikawa. – Como é? Desde quando eu autorizei a ele me chamar de Kai? Nunca, só por que deixo o Miyavi e o Hizaki me chamarem assim não quer dizer que eu vá deixar ele também. E como assim Miyavi é um espião? Não tem como. Não mesmo.
- Primeiro, eu já falei que para você é Yutaka. Segundo, ele não é espião.
- Como tem tanta certeza? Não venha insistir que ele é vendedor, por que ele não tem cara disso. – Ele é vendedor, só que o que ele vende é o próprio corpo.
Bufei cansado. Sentei-me no lençol e ele continuava insistindo que Miyavi era um espião de Ishikawa. Sinceramente, Masashi estava me cansando com aquela idéia descabida e ver Miyavi tão amiguinho de Teru realmente não ajudava muito.
- Está bem, Miwa. Ele não é vendedor, ele é um Gigolo. – disse nervoso.
- Gigolo?
- É... – e o filho de uma puta, desculpe senhora Miwa, riu. – E eu o peguei com o seu carro. – Ele parou de rir. Há, achei o ponto fraco.
- Você o que?
- Vou comer alguma coisa. Não deveria ter te contado. – me levantei e fui ao quiosque de doces.
Com toda certeza eu deveria ter ouvido Miyavi e ficado no Hotel. Lá eu não teria me estressado com Masashi e também não estaria me mordendo de ciúmes. Comi muito doce, e um espeto de carne para não ter uma hipoglicemia. Procurei por Miyavi, iria sair logo dali, mais ele não estava mais com aquele sorriso contagiante. Estava serio, diria que mais do que furioso, mas tentava conter. Pedi para que fossemos embora e ele apenas caminhou para a limusine que nos esperava, entrou e só dizia que estava bem quando eu lhe perguntava. Chegamos ao hotel, fomos direto para o elevador, entramos no quarto, e ele continuou com aquela cara fechada.
- Miyavi, você está bem mesmo? – perguntei enquanto fechava a porta.
- Estou bem. – respondeu tirando o boné.
- Só sabe falar isso? – entrei mais no quarto, tirando o palitô.
- Sei falar imbecil e desgraçado também. – disse e foi para o banheiro. Masashi filho de uma puta! Ele tinha que ir falar com o Miyavi, tinha que falar.
- Acho que preferia o “Estou bem”. – murmurei para mim mesmo colocando o palitô no encosto de uma cadeira.
- Espera ai! – o ouvi dizer, a porta do banheiro se abriu e ele saiu de lá emputecido, com os olhos faiscando raiva. – Se iria contar para todos que sou um Gigolo, por que não deixou que eu fosse com minha roupa. Assim, como um ser nojento quanto Masashi fosse falar comigo eu já estaria preparado.
- Desculpe, não gostei do que Miwa fez. – Me sentei na cama e tirei meus sapatos enquanto ele foi tentar abrir uma garrafa de 600 ml de coca, mais a raiva dele era tanta que ele nem isso conseguiu. – Ele é meu sócio, foi meu colega de faculdade e achou que fosse um espião do Ishikawa. Ele é paranóico.
Miyavi POVs
- Paranóico? Paranóico é você que pensa que vai me controlar como um brinquedo! – esbravejei jogando aquela porcaria de garrafa longe e tentei ir para o banheiro de novo.
- Miyavi! Para com isso! Está exagerando! – ele me segurou pelo ombro, balbuciei a região virando para ele. – É difícil a verdade? Você é mesmo um Gigolo.
Com quem ele pensa que está falando? Por mais que eu esteja gostando dele não pude deixar que minha raiva se controlasse e dei logo um bofetão na cara dele.
- O corpo é meu. Eu digo quem, eu digo onde, eu digo quando. – disse entre dentes e ele me olhou nervoso.
- Eu disse que lamentava. – ele também disse entre dentes. – É serio.
- Eu que lamento ter conhecido você. – disse sentindo um nó na minha garganta.
Fui logo para o banheiro. Não queira ficar mais nem um minuto naquele lugar com ele. Eu aqui nutrindo um sentimento infeliz por ele e ele me faz ser humilhado dessa maneira. Nem com aquelas vendedoras eu me senti tão sujo.
– Lamento ter me apaixonado pro você. – Murmurei me vendo sozinho no banheiro.
- Como se tivesse opções melhores. – ouvi sua voz irônica.
- Nunca, ninguém me fez sentir tão baixo como você fez hoje. – disse em alto tom enquanto recolhia o que era meu naquele banheiro. Por mais que ele tenha pagado, ele deu para mim, então era meu.
- Difícil de acreditar. – a voz era ainda mais irônica.
Era de uma frieza que me machucava, só queria sair logo dali, abraçar Uruha, chorar e pedir que ele me ajudasse a esquecer esse maldito. Assim que terminei, peguei meu casaco, minha bolsa e ele se colocou atrás de mim.
- Aonde vai? – sua voz parecia mais branda, se só agora percebeu o quanto me humilho, pode ter certeza que é tarde. Infeliz.
- Acha que vou ficar aqui depois do que fez? Quero meu dinheiro, vou embora. – disse nervoso, abraçando as roupas em meus braços.
Tentei ao máximo não olhá-lo, orgulho ferido, coração partido. Droga, tudo isso por dinheiro, tudo por um maldito aluguel. Bem feito Miyavi, é para aprender a não se envolver. Ele colocou o dinheiro na cama e se afastou. Tudo por dinheiro. Egoísmo do caralho. Eu não vou ficar mais nem um instante aqui. Que se foda ele, seu dinheiro e sua ganância. Eu me viro para conseguir pagar o aluguel depois, nem que eu tenha que passar várias noites com Aoi para conseguir isso.
Passei por ele e sai daquele quarto sem pegar o dinheiro, batendo a porta. Apertava freneticamente o botão do elevador mais o desgraçado subia devagar. Ouvi a porta do quarto dele se abrir, olhei de canto e ele estava me olhando. Ele caminhou até mim, sem parar de me olhar. Desviei o olhar olhando para a porta do elevador que insistia em ficar fechada.
- Desculpe. Não estava preparado para falar sobre nós. – ele disse cabisbaixa com voz mansa. – Não foi intencional, mas fui estúpido e cruel com você.
- É! Foi cruel mesmo. Não faz idéia do quanto. – disse entre dentes.
- Fica comigo o resto da semana. – pediu e eu senti seu olhar intenso.
- Por quê? – só então voltei meu olhar a ele.
- Eu... Eu te vi com Teru. E não gostei. — Como é? Isso tudo só por que eu estava conversando com Teru? Inacreditável.
- Só estávamos conversando. – Me virei para ele. – Esqueceu da farsa que criamos no restaurante? – ele afirmou. – Pois então, ele estava perguntando qual país pensávamos em ir para casar.
Ele sorriu sem jeito desviando o olhar. E só agora, quando não precisa mais, o elevador chega, com Aiji olhando para nos dois.
- Desce? – o garoto perguntou e eu neguei com um movimento de cabeça, ele então apertou o botão do térreo e a porta do elevador fechou. Suspirei cansado, e o olhei vencido. E ele conseguiu que eu não fosse.
- Se fizer isso de novo, juro que te dou um chute na sua bunda e vai ficar dias sem conseguir sentar.
Ele apenas confirmou em um movimento de cabeça. Pegou as roupas em minhas mãos com uma delas e com a outra me guiou para dentro do quarto novamente. Toda aquela confusão me fez pensar em tudo o que eu passei até aquele dia. Foi difícil para mim, não é nada legal passar por um preconceito em casa, onde só uma pessoa te entendia, não achava a pessoa certa para mim, tendo de trabalhar assim, para poder viver.
Bom, acabamos na cama de novo. Mas eu tinha certeza de que era só por que ele tinha me pago. Porem, dessa vez ele não dormiu logo em seguida, como das outras vezes, ele se virou de frente para mim, e parecia querer me conhecer mais. Oh, maldito coração. Já estou apaixonado e ele faz isso. Mais já que ele queria saber de mim, não há nada de mais nisso, há?
- Quando eu descobri minha verdadeira opção sexual, minha mãe foi à única que me apoiou. Ela queria que eu continuasse em casa, mas eu não agüentava os olhares maldosos do meu pai e dos meus avôs. Fui para a casa de um conhecido dela em Kanagawa e foi lá que conheci Uruha. Ele estava visitando a família e ia voltar logo para cá. – disse relembrando tudo o que eu contava. Ele escutava tudo, acariciando meu rosto, me olhando nos olhos. – Vim com ele para cá, tentei trabalhar de garçom ou de caixa, mas logo perdia o emprego quando o chefe descobria que eu gosto de garotos.
- Ridículo. – ele comentou sorrindo, sem cessar as caricias e eu não consegui não ronronar.
- Uruha me convidou a trabalhar com ele. – comentei sorrindo a me ver tão entregue as caricias. – Ele é tão incrível que fez a coisa parecer legal.
- E por isso entrou nessa vida. – comentou e eu concordei com um movimento de cabeça.
- O primeiro cliente foi um masoquista, ele gostava de bater. Chorava mais por ele estar me invadindo do que por ele me bater. – suspirei pesado sem desviar seu olhar. – Eu consegui clientes, mas não era essa vida que eu queria para mim. Na verdade, essa não é a vida que ninguém quer para si, mas o que se pode fazer nesse mundo preconceituoso?
- Verdade. – Ele se ajeitou melhor na cama, ficando um pouco mais próximo, de mim, apoiando a cabeça no travesseiro ao invés do próprio braço. – Você poderia ser melhor.
- As pessoas te menosprezam e você dá valor a elas. – comentei e ele suspirou levando suas mãos ao meu braço, acariciando-o.
- Você é extrovertido e espontâneo. Esperto e divertido. Você é muito especial Miyavi. Só não deixou que as pessoas vissem isso.
- É mais fácil acreditar nas criticas. – e era verdade, na maioria das vezes, quando éramos criticados, sempre acreditávamos, ainda mais quando nos magoava. Eu só queria não ter que chorar mais por me magoar tanto.
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