Pretty Man
3 O2. Approach.
Yutaka POVS
O vi se afastar parecia decepcionado. Bom, eu no lugar dele estaria! Acabou de levar o fora mais sutil de sua vida. Mais se eu estava à procura de uma companhia, mesmo que fosse por uma noite, por que é que eu fui dar um fora no coitado. Tá que ele é um tanto exótico e espontâneo, mas mesmo assim, se ele foi capaz de ser uma boa companhia até me levar ao Hotel, por que não seria uma boa companhia durante a noite? Então... Primeiro passo Yutaka.
– Não vai de táxi? – perguntei e ele me olhou pelos ombros.
– Ainda ai! – ele comentou me olhando de cima a baixo enquanto eu me aproximava a passos receosos. – Não... Prefiro ônibus.
Aproximei-me mais dele, parando ao seu lado enquanto que segurava meu casaco em meus braços à frente de meu corpo.
– Eu estive pensando, você disse 1000,00 ienes por hora? – perguntei mais para confirmar e ele confirmou com um movimento da cabeça. – Bom... Se não tiver nenhum compromisso eu gostaria de saber se não pode me fazer companhia.
– Tá legal! – ele me lançou um sorriso de orelha a orelha, se levantou do banco do ponto de ônibus e passou a me acompanhar até a entrada do Hotel. – E então? Qual seu nome?
– Yutaka. – respondi enquanto caminhávamos. – Mas prefiro que me chamem de Kai.
– Então tá, Kai! Chame-me de Miyavi! Não gosto de ser chamado pelo meu nome. – se apresentou e entramos no hotel.
E foi então que eu quase me arrependi de ter feito isso. Ele quase deu um grito com a arquitetura interna da recepção. Bom, até eu teria dado, mas eu era mais contido por estar acostumado com esse tipo de coisa. Pedi para ele se conter e parar de rebolar. Ah, não me venham dizer nada, ok? Eu tenho que zelar pelo que é meu, mesmo que seja por pouco tempo. Caminhei até a recepção sendo recebido por um sorriso pela recepcionista.
– Alguma mensagem para mim? – perguntei e ela entregou-me algumas mensagens.
– Muitos recados, senhor. A maioria deles era de Miwa-sama! – ela comentou e eu ri minimamente.
– Era de se esperar. – olhei de canto para Miyavi que estava recostado a parede ao lado da recepção. E um tanto constrangido, voltei meu olhar para a garota e sorri enquanto sentia minhas bochechas corarem. – Er... Pode... Pode providenciar Champanhe e chocolates e levar até meu quarto, por favor.
– Sim, Uke-san. – ela disse já pegando o telefone.
Fomos até os elevadores e o manobrista do mesmo nos levou até o andar do qual eu estava hospedado. Cobertura. Ta pensando o que? Eu gosto de mordomias, nunca reclamei, o único problema era meu medo de altura, mais como eu passava mais tempo na cama do que na varanda, era de se esperar que eu não me importasse muito com isso. Ao chegarmos ao andar fomos direta para a porta, esta que abri com um pouco de dificuldade por serem aquelas portas que abrem com cartão e não com chave. Cara como adoro chaves nessas horas.
Quando finalmente abri a porta, entramos no quarto enorme e luxuoso, ele entrou logo depois a mim e ficara a observar tudo impressionado. Abajures que na verdade era relíquias, uma cama redonda de água – adoro essas camas, agora não me peçam para dizer o porquê, pois é meio óbvia a resposta – cortinas impecáveis de limpas e na cor vermelha. Miyavi observava tudo de boca aberta, largou o próprio casaco sobre a cadeira que tinha próximo a cama e foi para o terraço.
– Wow! Que vista! Aposto que dá para ver o castelo do imperador daqui. – ele comentou de lá e nem me ousei pisar naquele lugar para acompanhá-lo, só de saber que estávamos no andar mais alto do prédio já me dava náuseas, então eu fingia que estávamos no primeiro para poder voltar ao meu estado normal.
– Deve ser! Nunca fui ai. – comentei sorrindo enquanto colocava os recados de Masashi sobre a mesa e retirava meu palito para colocá-lo sobre a cadeira.
– Como é? Não acredito! – ele apareceu pela porta que ligava o quarto com o terraço. – Por quê?
– Medo de Altura. – respondi simplista e ele entrou no quarto se sentando na cama.
– Sério? – Perguntou incrédulo e eu apenas respondi com um movimento de cabeça. – Então por que escolheu a cobertura?
– Por que ele simplesmente é o melhor quarto do hotel. – respondi e ele se deitou na cama.
– Agora que estou aqui! O que quer de mim? – perguntou se apoiando, desajeitadamente, em seus cotovelos, me encarando.
– Deveria ser um tanto que óbvio, mas não planejei nada. – confessei.
– Você planeja tudo? – perguntou enquanto se estirava de novo na cama.
– Sempre. – Respondi com se fosse a coisa mais obvia do mundo enquanto o via tão à vontade.
E um silêncio filho da mãe se instalou. Ele olhando para o teto assoviando enquanto eu olhava para ele com os recados de Masashi em minhas mãos. Ele então apenas olhou para mim, deu um sorriso meio sem jeito.
– Sabe... Você podia me pagar... Assim quebraríamos o gelo. — ele comentou se sentando na cama.
– Ah, sim... Desculpe. – Mais por que raios to me desculpando? Peguei a carteira do bolso lembrando que eu não tinha cheque nem cartão de credito naquela carteira. E também não adiantaria porque eu duvido que, com toda aquela magreza, ele esconda uma maquininha da Cielo para passar o cartão. – Olha, vou pagar em dinheiro.
– Tudo bem! Sem problemas, Honey! – ele disse se levantou e veio caminhando até mim. Tirei o valor que ele cobrava por hora e já estendia para ele.
Miyavi apenas pegou o dinheiro, conferiu e guardou no bolso da calça. Eu estava sem jeito com aquela situação. Há horas atrás eu estava na festa de Masashi e Hizaki, agora estou em meu quarto de hotel com um... Com um... Er... Como se classifica um homem que trabalha como uma prostituta? Não sei dizer... Deve ser Gigolo! Acho que é... Sei lá. Levantei-me meio sem jeito e senti suas mãos já se direcionando ao meu casaco... Epa... Rápido de mais.
– Não! Não! Não! Por que a gente não conversa um pouco? – senti meu rosto esquentar e ele parecia um tanto estranho com a situação.
– Conversar... – ele repetiu desviando o olhar enquanto eu retirava meu palitô.
Miyavi Povs
Conversar? Mais que raios ele queria? Onde já se viu? Ele me trouxe até ali para conversar? E eu pensando que ia ter minha foda mais bem paga... Enfim... Já que o cliente tem sempre razão resolvei entrar no jogo.
– Tá... Tá... Er... Então... Está em Tokyo há quanto tempo? – perguntei como que para puxar assunto, já que ele queria conversar.
– Diria a trabalho. – começou e passou a caminhar para a cama, se sentando na mesma. Mais especificamente no cantinho onde eu tinha me deitado.
– Diria a trabalho. – repeti enquanto via o que ele fazia. Caralho, to me sentindo um papagaio de pirata. – Então eu já sei... – Me aproximei dele, passando minhas pernas para cada lado seu, me sentando em seu colo. Há, quero o ver escapar agora. – Só pode ser advogado.
– Advogado... – Tá legal... Agora o papagaio de pirata é ele! Qualé? Tem como termos uma conversa decente já que é assim? – Por que acha que sou advogado?
– Por que você parece se achar muito esperto! – Respondi, sei que sou sarcástico e adoro essa minha qualidade. Ou seria defeito? Enfim... Se vocês não riram, ele sim, minimamente, mais riu.
– Deve conhecer muitos advogados. – comentou e continuava a me observar.
– Conheço um pouco de tudo. – Comentei de volta sorrindo de canto.
Foi então que ouvi a campainha do quarto. Levantei-me assustado. Puta que pariu, só falta o filho da puta ser casado e eu to aqui com ele. Ah se for orgia eu cobro mais. Ele levantou logo em seguida a mim ficando bem próximo a mim, eu sentia a respiração próxima.
– O que é? – perguntei meio que em um sussurro, para depois virar meu rosto para ele.
– O champanhe. – ele respondeu também em um sussurro para depois sorrir de canto. Maldito ricaço sexy. Espero que sorria assim quando eu tiver metendo bem fundo em ti.
– Ah! ‘Tá... Então... Eu cuido disso e... Você fica sentadinho ai. – O fiz se sentar na cama para depois ir até a porta com aquela maldita campainha tocando de novo.
Corri meio desajeitado até a porta e a abri, vendo um ser todo engomado com um carrinho a sua frente. Dei mais espaço e ele entrou com o carrinho sem tirar os olhos de mim... Hehehe! O mundo gay está dominando o Japão.
– Er... Onde... Onde eu deixo? – perguntou acanhado.
– Onde ele deixa? – perguntei também olhando para Kai e ele apenas permaneceu sério.
– Pode deixar ai mesmo. – Respondeu simplesmente.
O rapaz deixou o carrinho onde estava e olhou para Kai um tanto sem jeito, olhou para mim e depois abaixou um pouco a cabeça.
– Er... Colocaremos na conta do quarto senhor. – o rapaz disse e senti o olhar dele caindo sobre mim pelo canto do olho. É fogo ser gostoso.
– O que está olhando? – perguntei e ele deu um pulo. Há. Eu me divirto com isso.
– Calma Miyavi! – Yutaka se aproximou dando uma nota da qual eu não consegui identificar o valor, não sou banqueiro pra saber essas coisas, e o rapaz saiu.
– Ah! Era gorjeta! Dei mancada! – Encenação é foda! Até parece que eu vou dar do meu dinheiro pra ele.
– Não preocupe. – Yutaka disse já pegando a garrafa do balde de gelo.
– Se importa se eu tirar minhas botas? – perguntei já me sentando no chão abaixando o zíper da bota.
– Não. – ele sorriu de canto entregando-me uma taça de champanhe. Ui. Acho que vou escolher um nível maior de clientes; ser tratado assim é muito bom.
– Valeu. – peguei a taça depois de tirar minhas botas.
Tomei uma boa golada. Não é todo dia que eu tomo champanhe. Ele se sentou do meu lado com uma taça de champanhe e uma taça enorme com chocolate. Chocolate. Meu maior vício, e ele estava me tentando com aquilo, só não entendi o porquê disso. Então o olhei com uma sobrancelha arqueada e ele sorriu largo mostrando aquelas malditas covinhas.
– Chocolate dá um toque mais doce ao champanhe. – ele colocou a taça com chocolate entre nós no chão e comeu um também, tomando um gole de seu champanhe logo em seguida. Fazendo uma expressão de puro deleite com o sabor que sentia.
Humm... Carinha mais linda. O impulso de me aproximar mais aumentava, mais só mordi meu lábio inferior retesando minhas vontades. Controle-se Miyavi. Então fiz o mesmo que ele, eu peguei um pedaço do chocolate e tomando o restinho do champanhe, sentindo um gosto diferente. O champanhe era meio azedo, amargo... E com o chocolate me dava um êxtase melhor do que qualquer coisa que senti. Estranho, mais gostei. Uma combinação boa.
– Casado? Namora? – perguntei sem nem me importar muito. Não íamos conversar? Então vamos conversar.
– As duas coisas. – ele respondeu depois de tomar mais um gole de seu champanhe quase acabando.
– E onde estão? Fazendo compras juntos em Hokkaido? – sarcasmo on again. Hehehe.
– Minha ex-mulher Aimi está em Tokushima com meu ex-cachorro. Nos divorciamos depois que percebi que gostava mais de homens do que de mulheres. – ele respondeu colocando a taça de champanhe ao lado e comia um pedaço de chocolate. – E meu ex-namorado, Takanori, está saindo de meu apartamento em Kanagawa nesse exato momento enquanto conversamos.
Ele olhou pra mim com um olhar calmo, senti-me seduzido, mais ele tinha cabedal para isso. Tinha mesmo. Sorri de canto. Sem vergonha. Ele comeu mais um pedaço do chocolate e depois olhou para mim lambendo os lábios. Ah tentação.
– Quanto cobra por noite? – perguntou e eu apenas o observei. Desviei seu olhar um tanto pensativo. A noite toda? Será que ele agüenta tanto? Não que ele seja velho! Ele deve ter o que? 22 ou 23 anos. Mais a noite toda quem não agüenta sou eu! Já pensou se eu sou o Uke! To ferrado.
– A noite toda? – Sorri de canto o olhando novamente. – Não poderia pagar.
– Por que não tenta? – me olhou enigmático. Maldito ser sexy.
– 3000,00 Ienes. – Respondi e ele sorriu. Maldito ricaço tesudo.
– Feito. – ele pegou as taças ao seu lado, se levantou colocando-as sobre o carrinho virou-se para mim e estendeu sua mão em minha direção. Pra que me seduzir? Já to aqui pra ele me levar pra cama! A única coisa que eu estava fazendo, diferente de um namorado era por que ele estava pagando por eu estar ali.
Segurei sua mão e ele me puxou para me levantar. Sorri de canto e me aproximei, levei minhas mãos em direção ao primeiro botão de sua camisa para desabotoá-la, mas ele segurou meus pulsos sem desviar meu olhar. Sério, mas com as bochechas vermelhas. Tinha cena mais fofa? Acho que não.
– Er... Antes eu... Preciso resolver algumas coisas, Ok? – ele disse e eu apenas afirmei com um movimento de cabeça afastando minhas mãos dele.
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Já eram quase onze horas da noite e a única coisa que eu fiz foi assistir a um programa de comédia comendo chocolate enquanto ele estava no telefone com tal de Masashi e seu assistente – do qual eu não sei o nome – em conferencia. Não me importava muito. Ele não estava fazendo nada comigo e eu ainda sairia daqui com meu dinheiro garantido para pagar o aluguel e ainda poder comprar várias coisas para a casa. Uruha iria surtar, poderia gastar o dinheiro dele com o que ele queria ou pagar uma divida que eu sabia que ele tinha com Reita.
Enfim, percebi que ele terminava a conversa e me virei para ele. Lambi os lábios sentindo um pequeno vestígio do chocolate. O olhei e sorri meio sem jeito e ele fez o mesmo.
– Er... Não se importa de eu estar me servindo do serviço de quarto não é? – perguntei acanhado.
– Não se preocupe! Se quiser mais é só falar que peço. – disse fazendo mais anotações e desviando meu olhar.
Então tá, nee. Desviei meu olhar para a televisão. Aquela noite estava especialmente quente, não sei se era por estar com ele, se era ar-condicionado, ou se era fogo mesmo. A reação que tive foi de tirei a camisa. Coloquei-a de canto e me estirei no chão enquanto voltava a assistir televisão; rindo do humor negro que passava no programa de comédia. Senti seu olhar pesado sobre mim, o que me fez parar de rir e o olhar de canto. E o descarado olhava minhas costas ou será que era outra coisa?
– Gostou? – sorri e engatinhei felinamente até ele mantendo o contato visual.
– Onde as fez? – perguntou sem desviar o olhar. É... Era para as tatuagens que ele estava olhando.
– Em Nishikujo... – acariciei lentamente o grande UNDO que tinha tatuado em meu colo sorrindo de canto, o vendo suspirar forte e se ajeitar na poltrona. – As outras foram aqui. – Disse sensualmente acariciando a trilha de tatuagens e que tinham em meu tórax até chegar a ao cós da calça que ainda tinha.
Ele soltou outro suspiro e acabou por ceder mais a minha tentativa de sedução. Ajoelhou-se a minha frente, levando suas mãos a minha tatuagem. Acariciou desde o UNDO passando para as outras tatuagens até o cós da minha calça, sua respiração já estava levemente descompassada e seus lábios estavam tão próximos de mim que me davam vontade de...
“Lembre-se sempre disso, Miyavi! Nunca! Ouviu bem! Nunca beije seu cliente! Ou você vai acabar se apaixonando e pondo o seu coração e seu trabalho no lixo!”
Relembrei do primeiro conselho de Uruha de quando entrei no ramo e meio que de imediato, antes que aqueles lábios tentadores se aproximassem mais virei meu rosto antes que ele conseguisse. Ele se afastou confuso, me olhando interrogativo. Levei minha mão direita ao seu rosto apoiando o indicador aos seus lábios acariciando aquela região, enquanto ele ainda sustentava o olhar curioso.
– Sem beijo. – Sorri de canto e ele seguiu no ato.
– Então faça o que sabe fazer de melhor. – sorriu sacana e largo. É... Encontrei alguém a minha altura.
Notas finais
Nee... espero que estejam gostando... proximo... Lemon MxK
Obrigada por ler e por quem comenta....
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