As ruas estavam vazias. Por onde quer que o rapaz loiro passasse, em todos os cruzamentos de ruas, não se deparava com nada a não ser alguns carros antigos rodando. Tinha a sensação de estar numa cidade cinematográfica.

Apagou seu cigarro quando avistou a casa descrita por Andrew na rua 448. A casa branca. Jason entrou devagar, sorrindo por dentro.

– Ei! – Exclamou Andrew, passando por um grupo de meninas risonhas. – Toma aí, meu chapa! Melhor cerveja que está tendo por aqui.

O loiro bebericou, sem muito interesse. Com os olhos semicerrados, procurava por ela.

– A música tá muito boa! – Andrew dançava uma espécie de twist de um modo grotesco ao som de B.B. King. Com certeza já estava bêbado.

Uma mulher passou servindo doses de whisky. Jason se serviu de uma, a tomou vagarosamente enquanto garotinhas dançavam na frente do toca-discos, sorrindo, e Andrew fodia sua namorada no banheiro ininterruptamente. Lá pela quinta vez, Jason bateu à porta do banheirinho apertado.

– Ei, irmão. – Andrew a penetrava com força, um cigarro pendendo da boca. Talvez sua namorada se sentisse enjoada com a fumaça misturada ao bafo de whisky e ao cheiro de suor, visto que estavam num ambiente tão minúsculo, se não estivesse tão bêbada quanto ele.

– O que você quer? – Disse entre tragadas ou gemidos, era difícil identificar.

Jason entregou-lhe mais uma dose antes de perguntar.

– Tem como me passar a chave do carro esta noite?

Andrew pegou a dose, tomou em duas goladas e acenou. Depois, tomou fôlego e continuou a fazer seu trabalho.

– Estão em cima da mesa de cabeceira.

– Obrigado. – Jason fechou a porta. Já com a chave em mãos, localizou-a dentre o grupo de garotas. Trocara alguns olhares indiscretos com ela e alguns sorrisos enquanto esperou Andrew estar suficientemente bêbado e excitado para emprestar as chaves de sua benz.

Loira, estatura mediana. Branca como a parede. Olhos claros e azuis, sorriso largo e cínico. Ele ria, ria e não se cansava.

Abordou-a de leve, de modo infalível. Ela sempre caía nessa.

– Olá, você é muito linda. – Jason ria enquanto ela soltava risadinhas fingidas. – Olha, eu estive te namorando a festa inteira. Gostaria de ir para um outro lugar? É que sou muito tímido.

Obviamente ela assentiu. A loira estava encantada com a beleza, a sutileza e a educação de Jason. Achava uma gracinha seus sorrisos tímidos e a maneira como falava, dócil e acanhado. Os dois entraram em silêncio na benz, e Jason dirigiu até uma de suas casas prediletas. Não tão isolada, não tão visível.

O estado de limpeza era questionável. Fazia muito tempo que Jason não ia ali, havia uma espessa camada de poeira sobre os móveis. Era um lugarzinho velho e malcuidado, mas arejado. Perfeito.

– Fique a vontade. – Jason abriu a porta da casa para a madame, também fingindo sorrir, e ele era tão bom nisso quanto ela, acredite. Entrou no banheiro, lavou as mãos e sorrateiramente preparou uma solução de água com entorpecentes e a entregou.

– Obrigada. – Ela, sentada na beirada da cama, riu e bebeu. Estava com sede, sempre estava.

Jason a observou cair na cama devagar, perdendo os movimentos do corpo, as vistas escurecendo. Admirou-a por uns instantes, pensando no quanto seria agradável vê-la assim para sempre. Rasgou suas roupas, atou nós em todo o seu corpo (já com a corda em mãos) e riu com a mesma risada maníaca que lhe perseguia.

A adrenalina. Jason observava a moça tentando gritar e se desvencilhar dos nós e ria ainda mais. Suas risadas retumbavam em todas as paredes, direto para o cérebro da mulher, ecoando sem parar.

– Você pensou que podia se ver livre de mim, não é? – O brilho nos olhos de Jason aumentava conforme ele batia, espancava a mulher loira ali deitada naquela cama suja.

Ele não se cansava. Deixou hematomas por todo o corpo dela antes de começar seu trabalho, gritando como uma fera palavras ininteligíveis.

Ela chorava, o pânico em seu semblante só fazia com que o pau de Jason ficasse ainda mais duro. Observando todos os hematomas na pele branca da loira, sentia-o duro como uma pedra.

Então começou. Fodia-a enquanto apertava ininterruptamente seu corpo, com força, com violência. Ele se lembrava da sensação e isso o deixava ainda mais louco de vontade de fodê-la até os ouvidos. Virou-a para cima e enfiou a língua na sua boca paralisada por tanto tempo que esteve lacrada. Sua boca horrorizada. Aquilo o excitava tanto!

Gozou três vezes e decidiu que tinha acabado seu serviço.

– Adeus, para sempre. – Ele pegou um taco de baseball que pendia no canto da cama e a acertou a pauladas, com força, até que seu crânio estivesse rachado ao meio com todos os miolos de fora, expostos. Pegou a .38 carregada na gaveta e atirou no corpo maculado da mulher.

– Está acabado. – Repetiu baixo para si enquanto limpava a sujeira que fizera na casa. Trocara os lençóis, colocara o corpo morto num saco preto de lixo, eliminara qualquer evidência possível. Já havia feito o procedimento várias vezes, sabia como fazê-lo de cor e salteado.

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Já era manhã quando Jason dirigiu até a garagem de Andrew. Passou a chave por debaixo da porta. Estava tudo acabado – de novo.