Pressura
4 Névoa
Notas iniciais

Todas as manhãs, Jason acordava e observava os pássaros da janela do seu quarto. Adorava, em especial, os corvos. Os dias cinzentos na ilha eram bem decorados com os pássaros negros e suas sombras negras, a cantar, docilmente.
Uma semana havia se passado. Jason ajudava Liz com tarefas domésticas, limpava, lavava, passava roupas e até cozinhava de vez em quando. Pedia pizza na maior parte das vezes, pois sua anfitriã não passava muito tempo em casa. Liz lhe pegara fumando na janela um dia e, desde então, lhe trazia cigarros quando voltava do trabalho. Naquela noite, ele não ficaria em casa.
Pegou o maço de cigarro sobre o criado-mudo. Escreveu um bilhete no móvel vitoriano de Liz e o depositou com as dobras para frente, de modo que ficasse bem visível. No bilhete, a caligrafia infantil de Jason dizia:
Volto no dia seguinte. A casa está em ordem.
Jason
Pegou um papel amassado na terceira gaveta do móvel e telefonou para o número que estava digitado ali.
– Oi, Andrew falando. – Jason reconheceria aquela voz jovial para sempre.
– Oi, Andrew. É o Jason.
– Quem é vivo sempre aparece, hein?! – Andrew fez uma pausa para tragar o cigarro. – E aí, vai arrumar o quê esta noite?
– Estou te ligando para isso. – Disse Jason, sem paciência para ladainhas.
– Tudo bem, tudo bem. Hoje à noite vai rolar uma festa na Rua 448, às 8 da noite. É numa casa branca, muito antiga, você não terá problemas em encontrá-la. Provavelmente acabará cedo, é uma festa de debutante caseira da irmã de uma conhecida minha. Mas te prometo que valerá a pena!
– Disso eu não tenho dúvidas. – Riu Jason, timidamente.
– Então te espero lá! Meu benzinho está me chamando. – Ouvia-se uma risada feminina ao fundo, aguda e perversa.
– Tudo bem, até mais. – Jason desligou.
Mordeu os lábios. Seus instintos lhe diziam que essa noite ele conseguiria.
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