Pressura
10 Devaneio

Ela escolheu o dia perfeito para um chá quente no parque. Embora ainda muito forte, o vento diminuíra: algo raro de acontecer naquele pedaço de terra esquecido. Água quente, sachê de lichia com hortelã, três cubos de açúcar e voilà! Para melhorar, só faltava um cigarro. Apalpou os bolsos do vestido, esperando encontrar um cigarro-reserva.

O chá já havia esfriado o suficiente para que ela pudesse se servir sem queimar a boca. Por sorte, havia metade de um cigarro abandonada no gramado. Ela limpou seu meio-cigarro na aba do vestido, contou os palitos de fósforo, tirou um da caixa e acendeu.
Tragou. Como era boa a sensação! Gostaria de poder ficar ali, assim, a vida toda; de cabelos soltos, fumando, pés descalços na terra...
“Ah, não... Lá vem a retardada!”, pensou com desânimo ao avistar a garota descendo em sua direção vagarosamente.
– Eu vou contar para os dois que você está fumando! – Ouviu a voz irritante da garota, que oscilava entre um tom rouco e agudo de maneira irregular. Os cabelos dela estavam mais desgrenhados do que nunca.
– Se abrir a boca, eu espalho pela vizinhança que você anda defecando nas próprias roupas. – Ela anunciou. Soprou fumaça na cara da “Desgrenhada” com apatia, fazendo com que a mesma chorasse aos berros.
– Cala a boca, imbecil. Eles podem escutar. – Ordenou ela, olhando para os lados e prendendo o cabelo, já aflita. “Desgrenhada” obedeceu, engolindo os soluços grotescamente. Ficaram em silêncio por uns minutos, se assustando com qualquer barulhinho de folhas caindo ou pássaros piando. Passos surdos (e inevitáveis) vinham se aproximando.
Ele andava em círculos, cercando as duas, sem a menor pressa. Hoje estava usando o novo terno marrom. O cabelo meio calvo penteado para o lado direito, fios finíssimos emplastados de gel. Também não poderia esquecer o livro velho debaixo do braço, que ele carregava para cima e para baixo, como uma espécie de bíblia.
– Foi ela que começou! – “Desgrenhada” gritou e apontou para ela, soluçando de novo. Ela lhe lançou um olhar de ódio, o que fez com que a garota chorasse ainda mais.
– Muito bem. – Ele se aproximou dela, o cheiro insuportável de gel a enojava. Olhou para baixo, evitando respirar. Ele aguçou as narinas, aparentemente sentindo o cheiro forte de cigarro a dedurá-la.
Seguiu-se um momento de tensão. Ela mal piscava. Seria a terceira vez naquela semana...
– Você vem comigo. – Puxou-a para o braço. Ela resmungou de dor, mas não agiu com relutância: sabia que seria bem pior, ah, seria... Ela não faria como a “Desgrenhada”, que lutou contra ele por meia hora e voltou para casa se arrastando, sem conseguir andar. Não voltaria assim nem que a pagassem.

Ele a empurrou. Amarrou suas mãos para trás e lacrou sua boca com um pano. Ela olhava para baixo, desejando que ele terminasse seu serviço logo, pois ela não queria perder a novela das seis de novo. O capítulo daquela noite era imperdível, afinal, o tão esperado beijo do casal protagonista finalmente ia acontecer!
– Hmm. – Grunhiu ele, pensativo. Levantou seu vestido e puxou suas calças, desceu-lhe a vara de marmelo nos glúteos. Ela respirava fundo e mordia o pano para não gritar, qualquer gemido e a sessão de tortura duraria mais. Depois de minutos a fio levando surra, ele largou a vara de marmelo. Passou as mãos nas duas nádegas marcadas, tirou algumas farpas e continuou a massagear. Então tirou o cinto, abaixou a cueca e passou o pênis pela sua boceta e pelo ânus. Ela reprimiu um suspiro, era a primeira vez que era tocada “naquele lugar”. Ele começou pela bunda, como sempre, e depois penetrou sua vagina molhada. Pressionava seu corpo contra a árvore durante cada estocada, ia e vinha até se afastar abruptamente para gozar no chão. Subiu as calças, pôs a mão na sua cintura e subiu para a casa. Sabia que tinha de esperar uns trinta minutos para, então, voltar para a casa. “É para não parecer suspeito, entende?”, ele a dissera certa vez.
Sua respiração estava ofegante. Ela passou a mão no órgão genital, estava úmido. Subiu as calças por baixo do vestido com uma mão enquanto se tocava com a outra. Ela havia sentido prazer.
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