Prenúncio de Amor

7 Estou pronta para te amar por completo.


Notas iniciais
Oie gente, finalmente !!! Boa leitura, leiam as notas finais!

ANOS ATRÁS;

Era verão, Julieta aproveitava os últimos raios de sol daquela tarde. Tinha um livro aberto sobre as pernas cruzadas, naquele minúsculo lugar no jardim onde estava sentada. As folhas e o lugar estratégico a camuflava por completo. Era seu esconderijo predileto. Ela lia pela milésima vez Romeu e Julieta.

Ela amava tanto aquele livro, não importava o fim trágico daquela história de amor.

Suspirando pesadamente ela fechou o livro, lembrou-se que tinha várias obrigações, ela não podia mais se esconder de sua mãe que gritava seu nome desesperadamente. Ela se levantou a contra gosto e já estava contornando o corredor adjacente ao pequeno jardim quando esbarrou no homem. Ele era um estranho, parecia ser mais velho que seu pai. Se vestia com elegância. Ele a olhou de cima abaixo com interesse, ela retribuiu olhar e o desviou logo em seguida com timidez. Ela se desculpou e deu alguns passos atrás. Mas o homem a segurou pelo braço, lhe sorriu, era um sorriso gentil aparentemente.

—Você deve ser a Julieta. Seu pai falou muito sobre você. És mais linda do que eu pensei. Ele olha para ela de cima a baixo, com olhar malicioso. Ela fica rígida de medo, pois mesmo com pouca idade já conhecia aqueles olhares que os homens a dirigiam. Sabia que era bonita, e seu corpo começava a se transformar. Suas curvas agora era de uma mulher. Recebia muitos olhares onde quer que fosse, aquilo a incomodava por demasiado. Mas ela não se deixaria intimidar tão facilmente, ela levantou o rosto orgulhosamente e o encarou de volta. O olhar dele que antes foi de simpático agora se transformou em um olhar repleto de escuridão e lascívia, mesmo tendo olhos tão lindos, claros, pareciam dois poços fundos, e ali a luz era inexistente.

— Me desculpe. Com licença, minha mãe me chama. — Falou ela saindo apressadamente quase correndo. Não conseguindo resistir a curiosidade, ela se virou uma última vez e ele ainda olhava para ela com um sorriso cínico nos lábios. Ela sentiu uma brisa gélida passar e seu corpo gelou na hora, parecia um mal presságio. Que se confirmou vários dias depois.

Presente.

—Porque você está fazendo isso comigo, isso não tem graça. Eu não posso está grávida, não, não posso.. —Calma, não se estresse, por favor. Você precisa de tranquilidade. Porque essa reação exagerada. Ter um filho meu é tão ruim assim? É porque não tenho mais dinheiro? Ou medo do que os outros dirão? Se for medo, não se preocupe, eu vou estar ao seu lado. Erguendo a cabeça devagar, ela o encarou.

— Você não entende. Eu... não posso ter filhos.. eu nunca pude.

—Isso quer dizer que... —disse ele, com voz arrastada —... Camilo não é seu filho? —completou.

Aquelas palavras desabaram sobre ela como uma tempestade. Ela tinha prometido que nunca mais falaria sobre aquilo em voz alta. Fazia tanto tempo que não pensava naquela verdade, que já havia se acostumado com aquela mentira. Julieta olhou para aquele homem que afirmava-lhe que ela estava grávida, gerando seu filho. Um filho deles. Ela sentiu por alguns segundos, incapaz de raciocinar. Como poderia estar grávida?

—Não posso estar grávida —Julieta repetiu.

—Sim, você está. É melhor aceitar de uma vez por todas —retrucou Aurélio rispidamente.

—Não, você está mentindo. Julieta que tinha saído da cama tentou afastar-se, mas ele a segurou pelos ombros, obrigando-a a encará-lo. O simples contato dele a acalmou, olhou para ele, tentava achar alguma indicação de que o que ele estava falando fosse brincadeira. Mas Aurélio não faria isso, jamais.

Ele continuou a segurá-la, impassível. Se Julieta tivesse demonstrado o menor sinal de felicidade pela noticia, ele a teria beijado, selando aquele amor, aquela união. Julieta, que não sabia lidar muito bem com palavras, com emoções levou as mãos tremulas ao ventre, teria tentado falar da imensa felicidade que apossara-se dela, que saber que estava esperando um filho dele a emocionava. Mas Julieta estava assustada, e o coração dele se apertou porque achou que ela renegaria aquela criança, ele custava a crer que ela faria isso, não sua Julieta.

—Julieta essa criança, ela não tem culpa de nada — A voz de Aurélio tremeu.

—Julieta...

Ela fez um gesto para ele se calar, e tentou reorganizar os pensamentos, ela sabia que não poderia mais fugir daquela inevitável situação. Ela tinha que revelar a verdade.

—Eu não sou a verdadeira mãe do Camilo. Eu nunca pude gerar uma vida, o médico me garantiu que seria impossível. Ela olhou para um ponto distante no espaço, como se estivesse fixando o passado. Aurélio, sem mesmo perceber o que fazia, estendeu a mão e tocou a dela, de leve, num gesto consolador.

—Eu era apenas uma criança quando meu pai olhou para mim e disse que eu seria a salvação da família. Estávamos falidos.

passado.

Julieta estava sonhando acordada enquanto escolhia o vestido para o dia. Ela pegou seu predileto, era da cor vinho, era uma cor viva, lembrava as pétalas das suas rosas vermelhas que havia plantado a anos, o tecido era de veludo, igualmente a textura das mesmas. Colocou rente ao corpo e rodopiou uns passos de valsa. Era seu aniversário!

Estava muito ansiosa para saber o que ganharia de aniversário do seu pai. Mas se entristeceu ao lembrar que não teria presente esse ano. Sua família mal tinha para comer.

Ela foi tirada do devaneio pelo barulho vindo do quarto dos pais. Seu querido pai estava se excedendo na bebida, ele que nunca levantara a voz agora vivia agredindo verbalmente sua querida e doce mãe.

Seu quarto era próximo ao deles e não resistindo ela foi até o corredor e ali ficou. Ela queria entender o que estava acontecendo. Ela gelou quando ouviu seu nome sendo mencionado.

—Eu não acredito que você fez isso! A minha filhinha! — Gritou sua mãe.

—Acalmem-se mulher! Você não pode se alterar.

—Como posso ficar tranquila sabendo o que você fez? Como teve coragem!

—Você acha que eu quero isso? não temos escolhas, você precisa dos seus remédios. Poderemos ir atrás daquele tratamento que o médico falou.

—Eu prefiro... —sua mãe tem uma aceso de tosse —morrer a vê-la passar por isso.

—Você acha que eu gosto de vivermos assim? de vê-la definhar em cima dessa cama?

—Ela é so uma criança! Você não tinha o direito!

—Esse dia ia chegar de qualquer forma. Ele é o homem mais rico da região, vai nos salvar da ruína, ele ficou encantado com ela quando a viu no jardim!

—Eu não vou permitir senhor meu marido! Ele tem idade para ser o pai dela, ou melhor, avô.

Julieta começou a entender a conversa e sentiu suas pernas falharem. Não podia ser!

presente.

Julieta para de falar e olha para Aurélio que a ouvia sem dizer nada, ele ainda segurava sua mão, ela estava quente e acolhedora.

—Então você se casou contra a sua vontade? —Finalmente ele falou. Ela olhava para ele com aquele olhar perdido e frágil.

Ele estava penalizado.

—Não. Foi escolha minha. —Disse ela com um sorriso triste. —Eu cavei a minha própria cova Aurélio.

passado.

Julieta que estava ainda no corredor absorvendo aquela conversa íntima dos seus pais se assustou quando ouviu o estardalhaço de uma garrafa sendo jogada contra a parede.

—O que quer que eu faça? É dó Osório Bittencourt que estamos falando. Ele é bom homem, casou jovem demais e sua primeira esposa o deixou cedo demais. Ela vai se acostumar, melhor que seja com ele, assim ela pode manter uma vida confortável. E ela nos ajudará, tenho certeza.

—Como pode impor um destino desses a nossa única filha? Minha filhinha... —Sua mãe foi acometida por uma crise de tosse que quase a fez entrar em pânico. Sua mãe estava com a saúde frágil, muito debilitada. Fazia meses que não saia da cama. Julieta chorava por dentro, sua vida estava acabada. Ela olhou pela janela e contemplou aquele dia que brilhava lá fora alheio a sua dor.

Lágrimas grossas e quentes desciam por seu rosto. Ela respirou fundo e as enxugou com as costas das mãos e abriu a porta do quarto dos pais.

—Eu me casarei.

presente.

Julieta percebeu que ia relaxando à medida que falava. Retornou, em lembrança, àquela velha casa, com seu jardim e seus cheiros de rosas, ela podia sentia fragrância se fechasse os olhos. Mas o barulho do corpo do Aurélio se movendo para perto dela a fez abrir os olhos e voltar aquele quarto de hospital. Ele abraçou seus ombros e ela deitou a cabeça em seu peito.

—Você não precisa falar se não quiser, você precisar descansar. —Aurélio fala enquanto acariciar o rosto da mulher amada.

—Eu preciso falar, sinto que vou explodir se não terminar a minha história. Eu quero falar.

Depois que afirmei que era minha vontade e jurei para minha mãe que estava tudo bem. Que eu não teria outra chance como aquela ela finalmente me deu sua benção. Mas no fundo ela nunca acreditou em mim, até no último instante, enquanto me vestia para o meu casamento ela me implorou para pegar um coche e ir embora para bem longe, ela me deu suas últimas economias e exigiu que eu partisse enquanto era tempo. Que ela já tinha falado em segredo com sua única irmã e que ela havia aceitado me acolher. Minha mãe estava naquela cama, definhando a cada dia que passava, mal podíamos nos alimentar. Meu pai nunca havia trabalhado, tinha muitas dívidas, agiotas batiam na nossa porta todos os dias. Nossa casa, tão amada propriedade estava hipotecada. Não tínhamos nada, eu não podia virar as costas para minha mãe, foi por ela que aceitei aquele destino. Eu tinha que fazer algo. E assim casei. Me casei por dinheiro e ele também tinha seus motivos ocultos que vim a descobrir com o tempo.

Ela parou de falar e respirou fundo. Suas mãos tremiam abrigadas dentro das grandes mãos dele.

—Eu não o amava e era certo que nunca chegaria a fazê-lo, mal conversávamos. A pior parte foi ter que dividir o leito conjugal. —Ela falou num fio de voz. —Ele não me forçou, mas não havia carinho, nenhum tipo de afeto naqueles momentos. Era uma tortura. Eu aguentei por meses seguidos. Ele havia me prometido que quando eu engravidasse eu não precisaria dividir a cama com ele, que ele só queria uma herdeiro de mim e mais nada, que ele gostava de mulheres de verdade, não de uma frígida.

Ele também me prometeu que se eu quisesse podia viver na casa de campo e que eu poderia levar minha mãe, que seria ótimo para ela se restabelecer. E foi isso que me fez aguentar aqueles terríveis momentos. Mas com o passar do tempo eu não engravidava e o tormento não tinha fim. Ele me questionou se havia alguma problema comigo, ele ficou fora de si quando chamou um médico e ele confirmou que eu era estéril, que nunca poderia gerar um filho.

Ele gritava ensandecido, dizia que meus pais havia o enganado, que tinha comprado uma mercadoria com defeito. Eu sugeri que anulássemos o casamento, ou que eu me mudasse para a casa do campo. Mas ele tinha outros planos para mim.

Julieta por um breve instante viu-se de volta à decadente casa onde viveu seus piores momentos. De olhos fechados, Julieta deixou-se levar pelas lembranças e continuou a falar.

—Quando acordei um dia, sua odiosa mãe me encarava com raiva, me culpavam por não poder ter um filho. Eu culpava Deus por me abandonar naquela vida infernal.

Passei a ficar praticamente trancada dentro de casa, ela não me deixava sair, nem visitar minha mãe. E foi quando descobri o motivo. Ela havia espalhado que eu estava grávida na vizinhança, mas como era uma gravidez de risco não podia sair. Eu não entendia o que eles planejavam ou porque estavam fazendo aquilo, até que um dia uma moça foi trazida para a nossa casa.

Ela era jovem como eu, ingênua e pobre. Havia sido enganada por Osório, ele havia prometido que casaria com ela. E quando minha sogra descobriu teve à ideia. O bebê seria meu, eles comprariam o bebê daquela jovem e me dariam e eu fui coagida a aceitar ou se não não poderia ter contato com meus pais. E isso seria o fim deles, porque eu era a única que podia ajudá-los. Eramos duas vitimas daqueles seres demonicos.

Nenhuma das duas tinha escolha, a outra menina também precisava proteger seus pais, eles também precisavam dela, ela daria o próprio filho pra salvar a família.

Mas um dia quando ele voltou da rua completamente bêbado eu descobri os motivos por trás daquele plano sórdido e maluco.

Ele entrou no nosso quarto e me puxou da cama, era madrugada, ele gritava sem parar, me chamava de vagabunda mentirosa, eu estava assustada. Ele era um homem de grande estatura, suas mãos eram como duas garras de urso. Me machucavam. Sua mãe tinha levantado da cama com o barulho, mas eu sabia que nem ela iria ser capaz de apaziguá-lo naquela noite.

Ela o questionou e ele por um breve momento me soltou e foi ao encontro da mãe e se virou para mim. Ele respondeu que foram enganados por aqueles pilantras, não havia propriedade, herança alguma. E foi ai que compreendi. Ele deveria ter descoberto sobre a cláusula no testamento que o meu avô tinha feito, onde dizia que a casa e toda a nossa propriedade passaria para mim só se eu tivesse um herdeiro.

Naquele momento tudo fez sentido, ele havia se casado pela minha herança. E eu ri, ri como uma louca e falei a verdade, a dura realidade que tanta escondemos antes do casamento. Que estávamos falidos e que a propriedade estava na hipoteca! Que não havia herança alguma. Eu queria feri-lo por todas as humilhações e por todo o sofrimento que ele me fez passar, então, eu debochei e ri dele. Eu falei tudo que estava entalado na garganta, eu o chamei de fraco, de inútil, de asqueroso. Eu feri até sua masculinidade, mas quando ele ficou irracional eu senti medo por minha vida, ele ficou furioso e me bateu, me bateu até que fiquei inconsciente.


Aurélio a apertou mais firme nos braços, pela primeira vez em sua vida, sentiu vontade de matar um ser humano... matar um homem sem rosto. Ele estava horrorizado. Uma raiva irracional o dominou. Onde o pai dela estava, enquanto Julieta era machucada física e emocional? Por que não impediu que isso acontecesse? Ele queria poder ter sido seu salvador.

Quando acordei descobri que ele havia deixado a casa, estava vivendo num bordel, sua mãe havia ido para casa de alguma amiga passar uma temporada, ao meu lado estava aquela menina, que com muita gentileza cuidou de mim. Me fez companhia.

E os meses se passaram, nos tornamos amigas, ela era uma pessoa doce, cheia de luz. Mas a gravidez estava a deixando debilitada e temíamos pelo pior. Ela já amava aquela criança, eu já amava ambos. Eu sabia que ela não teria coragem de dá-lo para mim. E eu prometi que ela não precisaria, ela podia continuar ao meu lado, seriamos a mãe dele, para a sociedade eu seria a mãe, mas na nossa casa ela teria a chance de vê-lo crescer. Ela estava mais tranquila, eu estava mais tranquila por tê-la como aliada. Seria perfeito.

Mas não foi.

Quando finalmente chegou o dia, aquele dia nunca esquecerei. Eu fiquei do seu lado em todo o momento e quando finalmente Camilo nasceu, depois de horas e horas de sofrimento ela não resistiu. Ela havia perdido muito sangue. Eu segurei sua mão enquanto ela olhava para aquele serzinho indefeso e me fez prometer que amaria ele como se fosse meu, eu prometi que não deixaria Osório machucá-lo. E ela me fez prometer que esconderia a historia da vida dele, que ele merecia mais do que ela pôde dar.

Ela sorriu uma última vez e se foi e me deixou com aquele pequeno ser que chorava por ela. E eu o amei, desde que o senti na barriga da sua mãe e quando ele estava nos meus braços eu prometi a mim mesma que ele nunca mais seria uma vítima como eu e sua mãe foi um dia. As vítimas precisam ser protegidas Aurélio, por isso mimei tanto o Camilo. E sinto que estou o perdendo pouco a pouco.

Um mês depois recebi a grande noticia, Osório havia morrido, eu não senti tristeza e nenhum tipo de sentimento esperado naquela situação, eu senti que estava livre. Que aquele demônio nunca mais seria capaz de me machucar ou ao Camilo. Com aquela noticia a mãe dele deixou o Brasil e embarcou num navio para algum lugar da Europa. Eu estava livre, finalmente. Eu fiz tantos planos, mas eles desapareceram naquele mesmo dia quando o advogado me disse que não havia restado nada. Eu era uma viúva falida, cheia de dividas e com um filho pequeno para criar.

E não demorou muito para os agiotas e os credores baterem na nossa porta. Eu me vi perdida dentro daquela casa que logo não seria mais minha, eu tinha Camilo nos meus braços. Naquele dia eu chorei, chorei todas as minhas lágrimas acumuladas.

Eu era inexperiente, não sabia o que fazer naquele mundo dominado pelos homens. Mas eu tinha uma força dentro de mim que foi alimentada pelo amor que sentia por aquela criança. Eu iria lutar com unhas e dentes para vê-lo feliz e assegurado na vida. E assim eu contruí esse império que todos veem hoje, com essas pequenas mãos. Mas ninguém sabe o que eu passei até aqui. Tive que desistir de ver Camilo crescer para isso, eu o mandei para um internato ainda muito jovem, mas não foi por falta de amor, eu precisava. Eu tinha que dá um futuro para meu filho. Ele era tudo que eu tinha, tudo que eu tenho.

Julieta parou de falar quando ouviu um movimento na porta.

—Camilo.

HORAS ANTES.

Jane havia obrigado Camilo a acompanhar a mãe mesmo que fosse a distância. Ele não queria fazê-lo, mas quando viu pela janela do quarto, sua mãe quase caindo na rua resolveu segui-la e se certificar que ela chegaria bem em casa.

Quando finalmente a viu entrar em casa, ele relaxou. Ele ficou ali observando a grande mansão, cogitando a possibilidade de finalmente perdoá-la, ela havia errado muito, mas não deixava de ser sua mãe. E também não queria que seu filho viesse ao mundo daquela forma. Ele teria que pensar em Jane e seu filho. Sua mãe havia dito que o cortiço não era lugar para uma criança e ele sabia que era verdade. Jane e seu filho merecia mais, ele não podia se dar ao luxo de ser orgulhoso e irracional. Aquilo tinha que parar. Ele deu passos em direção da casa e parou quando viu um homem parar na frente da porta. Ele parecia indeciso igual ele no momento, ele se perguntava quem poderia ser e aquela hora da noite, e quando finalmente abriram a porta e a luz cobriu a figura e ele o reconheceu de imediato.

Aurélio?

O que ele fazia ali.

Depois tudo aconteceu num piscar de olhos, Aurélio carregava sua mãe que parecia está passando mal, ele correu de encontro deles, mas quando já estava próximo o carro se afastou. Ele só pôde seguir um tempo depois ao achar um carro de aluguel. Só havia um hospital naquela região e ele seguiu para lá.

Julieta colocou as pernas para fora da cama, mas foi impedida por Aurélio e pela vertigem que a tomou. Camilo ainda estava parado em frente a porta, ele parecia em choque.

—Filho.

—Não, eu não sou seu filho. Tem mais alguma mentira pra ser dita? aproveita agora dona Julieta.

—Por favor, me escute.

—Eu já ouvi o suficiente, eu preciso de ar, eu preciso sair daqui. —falou Camilo saindo do quarto. Julieta estava aos prantos. Aurélio tentava acalmá-la e impedi-la de sair da cama.

—Espere aqui, eu vou falar com ele. —Prometeu Aurélio dando-lhe um beijo na testa e deixando ela sozinha.

Ele teve que correr pelos corredores para alcançar Camilo, que já estava quase chegando a porta da entrada. Aurélio o parou e ele se virou, ele chorava e tentou esconder envergonhado.

—Vamos conversar. —Pediu Aurélio o puxando para um corredor meio vazio.

—Eu não sei o que você tem pra conversar comigo, e se for pra me convencer a perdoá-la está perdendo seu tempo.

—Você ouviu a história da sua mãe, ou boa parte dela, como pode ser tão insensível. Ela está sofrendo muito. Por favor, eu imploro se preciso for. Fale com ela.

—Porque se importa? Afinal o que você está fazendo aqui? —Camilo rebateu com as perguntas. —E porque está tão interessado na nossa vida? Que direito você acha que tem de me recriminar e querer me da conselhos?

—Eu tenho todo o direito. —Falou Aurélio calmamente. Respirou fundo e disse. —Sua mãe e eu teremos um filho.

—O que você disse? acho que o choque desta noite está me fazendo

ouvir coisas.

—É isso mesmo, sua mãe espera um filho meu. Ela precisa de cuidados e tranquilidade no momento.

—Eu não posso acreditar nisso. Isso deve ser um sonho. Eu preciso sair daqui.

—Camilo!

—Não, agora não. —falou Camilo saindo daquele lugar.

Aurélio voltou para o quarto de Julieta e a embalou em seus braços. Ela soluçava, ele queria poder tomar o sofrimento dela, trocaria de lugar se pudesse.

—Você precisa de algo, uma água?

—Não, eu só quero que fique aqui ao meu lado.

—Vai ficar tudo bem, meu amor, eu estarei ao seu lado. Sempre.

UM DIA DEPOIS.

Aurélio acordou com a claridade que entrava pelas grandes janelas. Ele se sentou e afastou as cobertas e foi se trocar. Finalmente convenceu Julieta a ir com ele para a fazenda, o ar e o sossego a faria muito bem. Ela ainda estava abalada com tudo que havia acontecido, Camilo ainda não havia vindo vê-la. Ela estava mais calma, aceitando a nova realidade, mas muito chateada por está sendo vigiada e paparicada o tempo inteiro por um pai e amante zeloso. Aurélio riu ao lembrar-se da discussão da noite anterior.

—Quem você acha que é para me da ultimatos, eu já lhe disse que não aceito e não acato ultimato de homem nenhum.

—Você fale por você, mas se esquece que eu sou o pai dessa criança e você vai fazer o que eu sugerir sim! Você precisa descansar e não tem discussão! —Falou ele se aproximando e tirando os papéis e cadernos de contabilidade da frente dela. Ela se levanta irritada com a petulância e ele se aproxima.

—Não se atreva!—Ordena ela quando percebe o que ele tem em mente. Mas ela não tem tempo de protestar. Ele a levanta do chão com facilidade e a carrega escada acima. Os empregados saiem da cozinha com a comoção.

Julieta estava xingando Aurélio com todos tipos de blasfêmias! Mas ele não ligava. Ele não ficaria parado vendo aquela mulher teimosa e obstinada colocar a vida dela e daquela criança em risco.

Ele colocou ela na cama e se aproximou. Ela o empurrou para longe irritada. Mas ele não desistiu e tentou quebrar aquela birra dela beijando sua mão.

—Eu te amo. —diz ele e coloca uma grande mão sobre seu ventre, ainda muito plana. —Eu estou muito feliz por você está aqui. —Ele fala para o filho ou filha e faz Julieta rolar os olhos. Mas depois ela ri da forma e entonação da voz dele ao falar com o bebê e coloca uma mão sobre a dele. Sim, eu também estou feliz. —Ela fala para seu filho em pensamento.

Aurélio a beija com carinho e sai para o quarto no andar superior, onde dorme com facilidade.

Ele desce as escadas esperando encontra-la na cozinha ou o escritório já que no quarto ela não estava. Na cozinha ele questiona sobre o paradeiro dela e fica furioso ao saber que ela saiu cedo e sem avisar para onde iria.

Ele pensa em Camilo e decide checar lá.

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— Padre eu pequei novamente. E agora carrego a consequência do meu ato. Estou grávida. Carrego um filho de uma noite de paixão. Carrego um filho do homem que jurei odiar por me fazer fraca. Por me fazer desejar enxergar as cores novamente.

—Minha filha, se essa criança foi concebida com amor não há pecado algum. Se Deus colocou esse homem na sua vida e te abençoou com essa dádiva dos céus. Era para a salvar

de si mesma. Vá, se liberte do seu passado, perdoe a si mesma, aproveite essa segunda chance e seja feliz. Você é merecedora.

—Obrigada padre. Eu acho que finalmente posso mudar, mudar para melhor.

—Vá em paz. Eu sempre estarei aqui.

Julieta se levantou, pegou as rosas vermelhas. O clic do salto da bota ecoava pelos corredores lúgubres, ela caminhava calmamente.

Ela parou diante daquele túmulo, lembrou-se das palavras do padre "perdoe a si mesma" perdão, uma palavra tão simples mas com um significado tão complexo.

—Eu não posso perdoa-lo Osório. Mas, hoje eu perdoo a mim mesma, eu peço perdão a Sophia, a menina que você também destruiu e agradeço pelo presente que ela me deu. Eu consegui, você viu como uma mulher tola foi mais capaz e melhor que você?

Eu espero que você esteja ardendo no inferno.

Lembra quando você me bateu e disse que eu erra uma inútil, que não servia para nada? E que eu era uma mercadoria com defeito? Bom, o problema era você, sempre foi você.

Hoje eu trouxe flores. Mas não são pra você, são para quem as merece.

Que você tenha um longo e solitário descanso eterno. —Fala Julieta pegando as rosas e se dirigindo a outra extremidade do cemitério.

Fazia anos que não vinha ali.

Ela não teve nenhuma dificuldade em achar o lápide.

Sophia

filha muito amada.

Julieta sentiu as lágrimas descerem sobre sua face, se apoiou no túmulo e colocou as flores no vaso, as arrumou com esmero.

—Desculpe minha querida por demorar tanto.

Depois que Julieta conseguiu se erguer da ruína que ficou sua vida após a morte do marido, trazer Sophia para aquele lugar foi sua prioridade.

—Me desculpe, eu acho que errei muito com nosso filho. Eu não fui uma boa mãe afinal. Eu sentia sua falta todos os dias.

—Mãe!

—Julieta!

Os dois falam ao mesmo tempo assustando Julieta, Camilo se aproxima, eles estão ofegantes e suados.

—O que aconteceu? —Você saiu sem dizer pra onde, você quase nos mata de preocupação. —Dispara Aurélio refreando o impulso de abraça-lá.

Ela olha para os dois transtornados e não fala nada.

Camilo olha ao redor se dando conta que não é o túmulo do pai. Seu olhar cai no nome na lápide. Ele engole em seco. levanta o olhar e faz a pergunta silenciosa com o olhar. Ela balança a cabeça confirmando, ele se aproxima e ela abre os braços, ele a abraça forte. A essa altura já estão chorando. Camilo pede perdão e Julieta também o faz. Aurélio se afasta para da privacidade aos dois.

Julieta solta o filho e seca as lágrimas dele, ela sorri em meio às próprias lágrimas, aquele dia, aquela felicidade só perdia para o dia em que Camilo havia nascido.

Ele desvia o olhar para a túmulo, os dois ficam lado a lado em silêncio, suas mãos unidas.

Julieta se vira e respira fundo. Tinha mais uma coisa que ele precisava saber.

—Camilo.

—Hum.

—Tenho outra coisa que escondi de você a vida inteira, mas não foi decisão minha, quero que saiba disso.

Ele se vira e espera em silêncio. Realmente sua vida era uma verdadeira mentira, o que seria dessa vez? Ele vinha de marte? seria uma alienígena? Nada mais o chocaria naquela altura do campeonato.

—Vo... Você tem uma vó, tem uma família numerosa na verdade. E é a Nana.

—O que? Nana é minha avó. Mãe...

—Escuta, foi escolha dela. Ela nunca me deixou revelar a verdade. Depois que seu pai faleceu e eu consegui levantar esse império, procura-la foi a primeira coisa que fiz. Ela tinha acabado de perder seu avô e a convidei para morar conosco, mas ela só aceitou sob as condições dela. Iria ser sua baba apenas, estaria ao seu lado, mas não queria que soubesse da verdade. E não aceitou ficar como minha hóspede. Ela quis cuidar da casa e de você em troca ao meus cuidados. E então o tempo passou e ela achou que seria melhor manter a mentira. Nunca concordei com ela, em hipótese alguma. Mas a Nana é muito mais teimosa do que nos dois juntos.

—Eu não acredito que vivi chamando ela de Nana em quanto podia chama-lá de vovó. O engraçado é que sempre a considerei como uma avó, sempre a amei, sempre existiu uma ligação forte.

—Sim, meu filho. Você é a razão da vida dela.

—Mãe pelo amor de Deus me fala que não há mais segredos.

—Não, acabou. Quer dizer.. há algo que você precisa saber sobre mim e o Aurélio.

—Eu já sei.

Ela olhou para Aurélio que estava longe e não podia ouvir a conversa.

—Sim, tivemos uma conversa de homem para homem, enquanto enlouquecíamos a sua procura. Eu estou feliz por você mãe. Se quer a minha benção eu a dou. Nunca vi um homem tão desesperado como ele hoje, ele a ama de verdade, você precisa ser feliz e há esse bebê. — Diz ele olhando para a barriga da mãe. — Meu deus, eu vou ter um irmão ou irmã e um filho ao mesmo tempo.

—Oh tem razão filho, meu deus, eles vão ter quase a mesma idade. —Falou ela sendo abraçada e confortada. Malditos hormônios. Ela xingou mentalmente.

Depois eles se despediram de Sophia e foram ao encontro de Aurélio.

Julieta aceitou a mão dele e a apertou em agradecimento. Graças a ele Camilo fora capaz de perdoa-lá.

—Você está linda nesse vestido vinho. Nunca vi uma cor acentuar tão bem em alguém. —Falou ele num sussurro ao pé do ouvido dela. Ela riu achando que ele não havia notado.

—Obrigada. Agradeça a Ema. Recebi hoje pela manhã quando acordei, parecia um sinal, um sinal de que tudo ficaria bem.

—Eu vou agradecer e vou sugerir que ela faça e mande outros, não quero mais ver você usando preto.

Ela sorriu encantada e envergonhada, aceitaria os conselhos, dele e do padre Grégorio. Deus havia mandando Aurélio para a salvar de si mesma, do seu passado, da sua dor. Ele trouxe alegria, cor e amor naquele solo infértil e seco. Ela estava pronta pra cultivar aqueles sentimentos, ao lado dele. E aquele filho os uniriam ainda mais. Ela iria com ele para a fazenda. Estou pronta para te amar por completo.

NAQUELA NOITE;

Julieta acordou sobressaltada. Ainda era muito tarde da noite, a janela da sacada estava aberta e o vento fazia com que batesse contra a parede. Ela se deu conta que despertou por causa do barulho. O calor da noite despertou-a de vez. Ela sentia sede e sua água de cabeceira havia acabado. Julieta saiu da cama, vestiu o penhoar em cima da camisola e saiu para o terraço, a noite estava quente e ventava muito, ela precisava se refrescar. Com as mãos no parapeito, ela se deixou ficar, respirando fundo.

No dia seguinte, bem cedo, ela teria muito o que fazer, Jane e Camilo finalmente resolveram se mudar para a mansão, e ficou decidido que na mesma tarde iria para fazenda com Aurélio.

Uma cortina branca esvoaçante, no andar de cima, chamou-lhe a atenção. Era o quarto que Aurélio ocupava. Julieta suspirou. Preferia não ter visto a cortina. De repente, queria que ele estivesse ali, com ela e não ficando separados, mas havia sido escolha dele. Ela ouviu o som cristalino trazido pelo vento, ela demorou para perceber que Aurélio estava realmente no terraço do andar superior. —Psiu... —ela o chamou. Sentada no parapeito, Julieta olhava-o com ar de travessura. Ele ficou tenso. vendo a naquela borda.

Então, notando como o luar iluminava-lhe as pernas esguias, e como os cabelos estavam desgrenhados, presumiu que ela acabara de sair da cama, sua camisola fina esvoaçava abrindo e revelando suas pernas perfeitas. Rapidamente, tratou de afastar tais pensamentos. Afinal, Julieta precisava de repouso.

—Está tudo errado —ele disse, moderando o tom de voz.

—O que está errado? —Julieta perguntou, desconfiada.

—Que eu saiba, é Julieta quem deve ficar na sacada superior e Romeu, embaixo, olhando para ela. A voz suave foi levada suavemente pelo ar. Julieta só ficou olhando, embevecida.

—Vamos trocar então? — Julieta o olhava com a cabeça ligeiramente inclinada.

—Não... Você precisa descansar, e o dia já vai amanhecer. Agora, volte para a cama, senão perderá a hora. Rindo, ela entrou no quarto. Aurélio ainda ficou por um longo tempo olhando para a janela.

O dia amanheceu lindamente e passou muito rápido, Julieta se despedia de seus dois filhos com lágrimas nos olhos. Jane a abraçou demoradamente, estavam super empolgadas e intimas.

Aurélio esperava-a no pátio, ao lado do carro, ele acenou para Jane e Camilo e a ajudou entrar no veículo. Saíram de São paulo e seguiram pela estrada rumo ao interior.

Julieta estava calada, irritada e Aurélio olhou-a de soslaio.— Está enjoada? Algumas pessoas passam mal com a estrada íngreme e cheia de curvas.

—Eu estou bem! —Disse ela ríspida.

As ruas foram ficando para atrás, as árvores iam substituindo o panorama, dando lugar às fazendas. Mais alguns quilômetros, e Julieta avistou uma fazenda magnifica. Ela encantou-se com a arquitetura, já havia passado tantas vezes por ali, mas nunca havia reparado.

Os minutos se transformaram-se em horas, e lá estava ela calada, magoada com Aurélio, ela estava muito sensível, achava que estava ficando paranoica, imaginando coisas, mas era fato. Desde que ele descobriu sobre a gravidez estava se mantendo distante dela, e isso a estava enlouquecendo.

Desolada, ela lembrou-se de um artigo que havia lido anos atras. Que os homens quando descobrem sobre a gravidez das companheiras meio que perdem o interesse por elas e tudo muda.

—Julieta. — Ela se virou e encontrou o olhar dele.

—O que a perturba? Você estava tão feliz essa manha?

—Eu estou ótima!

—Pelo seu tom eu sei que há alguma coisa errada, até parece que eu fiz alguma coisa imperdoável, diga-me o que eu fiz para deixá-la irritada.

—Desde que descobriu sobre o bebê você meio que tem me evitado.

—Eu não...

—Sim, você o fez. —Julieta começava a perder a calma. —Você diz que me ama, mas já até perdeu o interesse em mim. Não me toca, me trata como se estivesse lidando com uma criança. E só para você ficar sabendo eu sei me cuidar.

—Não diga isso. Não é isso, eu só quero que você se recupere, eu não quero vê-la deitada numa cama de hospital novamente.

—Mas você...

Lançando-lhe um último olhar irritado, Julieta virou o rosto e descansou a cabeça no encosto, não queria mais falar com ele. O balanço do carro e a noite mal dormida fizeram com que ela entrasse rapidamente no mundo dos sonhos.

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Aurélio aceitou a bandeja com uma canja que a Nana havia preparado para julieta e voltou rapidamente ao quarto. Julieta estava tão cansada que nem tinha acordado quando ele a trouxe para dentro da casa, a noite já havia chegado.

Ele esqueceu de todo o resto quando entrou no quarto e se aproximou da cama e viu o rosto dela. Nunca a vira assim. Relaxada e despreocupada, como uma criança. Seu coração encheu-se de ternura. Queria abraçá-la, e prometer que faria todas as suas vontades, absolutamente tudo que a deixasse feliz. Movendo-se devagar, deitou-se, e começou a afagar os cabelos dela. Julieta remexeu-se, mas não acordou. Ela dormia profundamente.

Julieta quase não se mexeu na quase meia hora seguinte, e parte da noite. Decidiu ficar ali aquela noite, queria ter certeza que ela estava bem ou quem sabe, eles podiam terminar aquela conversa de antes.

Tarde da noite, -depois do banho, Aurélio entrou no quarto e, com cuidado, se aproximou e sentou-se no lado vago da cama. Julieta abriu os olhos lentamente e o viu ao seu lado, ele acariciava-lhe o rosto.

—Desculpe-me por tudo o que eu disse —ela pediu. —Fui muito infantil.

Ele abriu os braços, e Julieta se refugiou neles.

Ela segurou o rosto dele, e o puxou pela nuca o beijando timidamente. Mas tudo que dizia respeito a eles era fogo, calor e logo o beijo singelo se transformou em um beijo intenso impediu-a de pensar com clareza. Com mãos ávidas, ele afastou o robe que ela vestia, pelos ombros, as mãos dele acariciava o ombro e a curva do pescoço dela. E ali ele depositou beijos demorados e molhados.

Aurélio a beijava em todas as partes. Os lábios ardentes pareciam queimar a pele macia do pescoço, dos ombros, chegando aos seios, rígidos e intumescidos pelo desejo.

Ela deixou escapar um gemido de prazer, ao sentir a língua dele circulando um dos mamilos, depois o outro, mordiscando, sugando. Julieta se agarrou nos cabelos dele, gemendo arqueando o corpo. Mas ele parou e se afastou um pouco.

—Você deveria descansar, talvez não seja uma boa ideia... hum você está grávida, pode ser prejudicial ao bebê —ele murmurou, contemplando-a com os olhos embaçados. Ela riu da inocência dele.

— Eu preciso de você e não de descanso, já descansei o suficiente. — Falou ela montando nele e o prendendo a cama. Seu Robe estava parcialmente aberto de forma sedutora, ela baixou a cabeça e começou a beija-lo do jeito que ele fazia com ela instantes antes. Mas ele rapidamente inverteu as posições e se levantou e deu alguns passos, ele temia não resistir aquela tentação chamada Julieta Sampaio que logo mais e se deus e ela o permitisse acrescentaria Cavalcante no final. Ele deu alguns passos para porta.

— Aurélio Cavalcante não se atreva a deixar esse quarto! — Gritou ela ficando em pé sobre a cama.

Ele parou e se virou. Aquela visão, Julieta tinha as mãos na cintura, cabelos desalinhados, lábios inchados e rubros dos beijos, o robe era transparente deixando suas curvas a mostra. Ela estava o seduzindo, e por deus ele queria muito ser seduzido.

Aurélio voltou para ela, ela desceu da cama e foi ao encontro dele, as bocas se uniram, ele a provocava com movimentos sensuais da boca e das mãos.

—Oh, Aurélio... sim... Julieta enterrou as unhas nos músculos dos braços dele, gemendo de prazer, enquanto as mãos dele continuavam a explorar sua pele macia e ardente. Quase gritou quando os dedos dele tocaram o centro de sua feminilidade.

—Por favor, Aurélio, por favor...Ele abafou as palavras dela com um beijo, profundo, até ouvi-la gemer de novo. Eles caíram na grande cama, Aurélio se posicionou sobre ela, a força de sua rigidez quase a enlouqueceu. Ele pressionou o corpo sobre o dela e Julieta abriu-se para recebê-lo, ansiosa para senti-lo dentro dela. Numa explosão de paixão, eles se tornaram um só.

Um tempo depois exaustos, esgotados pelos momentos vividos, eles ficaram abraçados, lado a lado. Aurélio beijou-a mais uma vez, com muita ternura.

—Você tirou minha roupa? —Ele a olhou confuso. — Eu estava vestindo um robe, apenas. —Explicou Julieta se virando e ficando de bruços sobre a cama.

Ele riu finalmente entendendo.

—Infelizmente não fui eu. Nana o fez.

Julieta sorriu. Se sentia tão completa e realizada. Ele a chamou e ela foi para seus braços, ele puxou as cobertas e ela se aninhou mais ainda contra o corpo dele. Aurélio era seu destino e estava pronta para aceitá-lo.

Notas finais
Então gente, muita loucura não é mesmo? Me digam o que acharam. Acho que perceberam, sim, o fim se aproxima. Até o próximo e talvez o the end. bjssssss