Prenúncio de Amor

4 Não suporto mais ficar longe de você.


Notas iniciais
Hey minhas aurietinhas! td bem? espero que sim! Hoje teremos muitos momentos fofos e hots. Eu ousei nesse capítulo e isso esta levando a historia para um rumo diferente, eu só segui o fluxo. Espero que gostem. bjs ♥

Semanas depois:

Já era quase noite no vale, o carro dirigia por uma estrada estreita, chacoalhava sem parar, o caminho era bastante íngreme naquele trecho, ela estava muito consciente do outro ocupante ao seu lado, quando o carro dava uma inclinada podia sentir o ombro dele tocando o seu. Ela tentava se concentrar em outra coisa. Acomodou-se melhor, endireitando os ombros e respirando fundo. Percebeu que Aurélio a observava atento.

Ele permanecia calado, ela tentava permanecer neutra mas saber que ele estava sentado ao seu lado ao alcance das suas mãos era demasiado tentador e a fazia respirar com dificuldade. Desde que começou aquela campanha para ajudá-la contra as investidas de Xavier, essa era a primeira vez que ficavam sozinhos.

Fazia semanas desde aquele encontro no estábulo, desde aquele ultimato que fizera ele não se aproximou, o que era bom, pois assim ela podia manter a cabeça no lugar e pensar com objetividade. Mas também a deixava triste, carente? Ela o via quase todos os dias, naquelas reuniões em sua casa, e não poder tocá-lo, beijá-lo era uma tortura.

Eles pareciam ter entrado numa trégua, ela se sentia diferente em relação a eles, tinham se tornado amigos, se aquilo fosse realmente amizade. Para dizer a verdade, a atitude neutra e cavalheiresca dele estava começando a irritá-la.

Ela se voltou para ele. Surpreendeu-se com a calma de seu olhar. Ele parecia querer torturá-la, queria que pedisse ou implorasse por atenção?

Ele lhe sorriu intencionalmente provocador, parecia que sabia em que ela pensava. Ela sentiu-se orgulhosa por não corar mais do que o suficiente.

Julieta desviou o olhar e reclinou a cabeça no estofado do carro, sentia uma leve dor de cabeça, estava confusa, cansada de esperar uma atitude dele. Ele parecia ter desistido do seu cortejo barato e isso por incrível que parecia a deixava triste.

Ele mudou desde aquele dia, o dia do casamento desastroso da Ema, quando ela lhe ofereceu um emprego, estaria ele com o orgulho ferido? se sentia humilhado? ela pensava analisando e relembrando aquele dia.

Flashback on:

Julieta batia na porta do quarto insistentemente, sem obter resposta. Sem nenhum pudor girou a maçaneta e entrou, o quarto estava na penumbra do fim de tarde. Olhou ao redor procurando o dono e se assustou com a imagem que viu.

Aurélio estava sentado no chão, ao lado da cama, tinha uma garrafa de conhaque na mão e um copo na outra. Estava de olhos fechados e reclinado contra a parede. Aquela imagem fez Julieta se recordar de um período tortuoso da sua vida. E antes que pudesse pensar direito se aproximou dele.

Ela se abaixou e tentou acordá-lo, sua mão tocou gentilmente no rosto dele, ele tinha a barba por fazer, tinha o rosto visivelmente cansado, devia estar bêbado pela quantidade que havia sobrado na garrafa. Ela tirou a garrafa e o copo das mãos dele.

— Aurélio? acorde!

— Hum...

— Acorde homem! Você tem que acordar, não é hora pra ficar bêbado. — Julieta já estava sem paciência, dava pequenas tapas no rosto dele, que acordou do torpor da bebida confuso e mais lindo ainda pensou ela, quando ele lhe sorriu de forma boba e fofa.

— Como você está aqui? Você saiu dos meus sonhos? tão linda.. Minha Julieta.

— Ora... Levante-se homem! — Ela tentava ergue-lo mas era uma tarefa difícil, ele tinha um corpo sólido como pedra, mas com muito esforço conseguiu sentá-lo sobre a cama. Ela foi puxada por ele, ficou entre suas pernas, sendo abraçada, esmagada. Ele a abraçava tão forte que a estava sufocando, ele abriu os olhos e a fitou e pareceu se da conta de que aquilo era real. Tocou a face bonita dela e baixou a cabeça em seu ventre, ela afundou a mão livre em seus cabelos, ele parecia uma criança indefesa que se agarrava a mãe logo depois de um pesadelo. — Julieta... é tudo culpa minha. — Me desculpe.

Ele precisava despertar e logo! Ela o empurrou contra o colchão e escapou dele.

— Não... Julieta meu amor não vá...

Ela voltou da cozinha do Coronel com uma xícara de café extra forte. Com muito esforço conseguiu fazê-lo bebê-la. Um tempo depois ele começou a voltar a si.

— Eu não preciso perguntar o por que dessa sua atitude, mas você tem que fazer alguma coisa. A teimosa da sua filha está prestes a fazer a maior besteira da vida dela e você ao invés de estar lá, está aqui se martirizando.

— Eu já fiz tudo que podia ao meu alcance, ela simplesmente não me escuta, eu não vou me perdoar se ela estragar a felicidade dela, e me recuso a participar desse casamento — Falou ele se levantando e tentando arrumar a bagunça que havia feito. — Eu... me desculpe, fiz algo.. improprio?

— Não. Vamos! Não temos tempo a perder.

— Onde?

— Ora, sequestrar a noiva se for necessário. — Disse ela cruzando os braços decidida e ficou ali esperando ele colocar o paletó e segui-la.

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A Mansão do parque estava repleta de flores e mais flores, os convidados já estavam espalhados pelo jardim, Julieta passou por todos eles acompanhada do Aurélio, as pessoas cochichavam mas eles não pararam para ouvi-los e muito menos cumprimentá-los. Eles foram direto para o quarto onde Ema se preparava para o grande dia.

Dentro do quarto estava algumas das filhas da Ofélia, Elisabeta segurava as mãos da amiga.

— Ema, eu sei que já conversamos, mas eu preciso saber se é isso mesmo o que quer. Não posso deixá-la fazer essa besteira, você não o ama. Isso não é certo para você e nem para o Edmundo. — Dizia ela quando avistou Julieta e Aurélio na porta. Ema se virou e os viu. — Papai, você veio. — cobriu a boca tentando esconder um soluço.

— Ema, você está a coisa mais linda.. — ele se emocionou e se aproximou dela, pegou as mãos tremulas da filha entre as suas e as beijou. — Mas eu não terei coragem de encarar a sua mãe no dia que me for, se a deixar fazer essa loucura. — Aurélio estava visivelmente emocionado e abraçou a filha que começou a chorar.

Julieta pediu para que todos saíssem do quarto, para que pai e filha conversassem a sós, mas foi impedida por Aurélio.

— Julieta, por favor, fique.

Ela olhou para todos ao redor que a olhavam curiosas e contrariada não pode negar o pedido.

Eles conversaram por vários minutos, Julieta ficou um pouco afastada, ela tinha um sorriso no rosto, Aurélio e Ema tinha uma relação maravilhosa, e ela descaradamente o invejava. Ela pensou no filho e na relação deles. A magoa que ele lhe fez ainda a feria profundamente, e a culpa a coroia a cada dia que passava, ela sabia que um dia ele descobriria tudo que ela havia feito e talvez a odiasse mais ainda.

— Mas Papai, eu não posso simplesmente abandonar o meu noivo no altar. Eu não posso...

— Ema. — Falou Julieta se intrometendo entre eles, ela tirou um papel dentro da bolsa e entregou a ela.

— O que... — Ema levantou o olhar chocada.

— Você tem duas escolhas. Ou se casa agora e acaba com sua vida para sempre ou vai atrás do seu sonho. Jaques te espera como assistente pessoal em sua boutique na frança, o navio parte amanhã de manhã. A escolha é sua.

— O que... Meu Deus, Jaques, o famoso Jaques. Como? Como conseguiu?

— Ele me devia alguns favores.

— Espera! — Falou Aurélio se levantando. — O que isso significa? Por que Ema iria para a frança?

— Sua filha tem um talento nato para a moda e pouco me admira que você não o saiba. — Falou a rainha do café.

— O que? Eu nunca.. Ema? Por que nunca me contou? Eu teria te apoiado, eu...

— Sim papai, eu sei, e por isso não contei. Sabia que me faria abandoná-los, mas eu não podia deixar você e o vovô sozinhos. Eu não seria capaz. E eu não posso desfazer um casamento assim em cima da hora...

Ema olhou para o bilhete em suas mãos, e olhou para o pai e para aquela mulher que tinha entrado como um furacão nas vidas deles, mas que também veio para juntar o que sobrou daquela família, Ema sabia que eles estavam apaixonados, e ela os apoiava de todo o coração. Ela riu sabendo que o pai ficaria bem e seu avô se acostumaria com a Julieta eventualmente. E ela lembrou do que Elisabeta sempre falava, sobre encontrar o seu lugar no mundo. Sobre se jogar sem medo. E aquele desejo, aquele sonho ainda vivia dentro dela, foi anos e anos tentando silenciá-lo, mas no fim ainda pulsava como um segundo coração. — Eu preciso falar com Edmundo.— Ela se levantou, tirou o véu e pegou a calda do vestido e correu para a porta, mas parou e voltou para seu pai e lhe beijou a bochecha e em seguida fez o mesmo com a rainha do café enquanto agradecia sem parar, Julieta ria sem pudor enquanto via Ema correndo ao encontro da felicidade, a sua felicidade pessoal, o seu lugar no mundo.

Ela se virou e encontrou Aurélio cabisbaixo.

— Sei o quanto é triste nos separamos dos nossos filhos, mas você precisa deixá-la voar. — Falou ela colocando sua mão sobre a dele.

— Eu sei, e agradeço. O que você fez, eu não sei como agradecer. — Falou ele olhando para ela. — Mas a frança não é igual a São Paulo Julieta. É outro país!

— Você não terá tempo pra pensar nisso, sei que pediu demissão do seu emprego temporário na fazenda violeta e que está a procura de outro. Arrumei um emprego para você. — Disse ela se levantando e olhando para o vale através da janela do quarto. Ele também se levantou.

— Como sabe que estou procurando emprego?

— Ora, aqui no vale não existe segredos, lembra? Eu soube que se formou em botânica e por acaso estou precisando de um.

— Eu, trabalhar para você?

— Por que não? Qual o espanto?

— Julieta... você sabe que temos uma relação..

— Não se preocupe, a fazenda fica á caminho de São Paulo, duas horas daqui. E não é minha. É do Camilo. Mas como seus bens estão bloqueados, meu advogado é quem resolve, você vai reportar e tratar dos negócios com ele. A fazenda está abandonada, precisa produzir e claro, será uma sociedade. E não se preocupe, eu não estarei relacionada se esse é o problema, até o barão não precisa ficar sabendo, se assim preferir.

— Eu não posso aceitar.

— Por que não?

— Você já fez demais com a minha filha e eu não tenho experiencia de todo o modo. Eu não posso aceitar... E eu não poderia ter ver.

— Eu tenho uma fazenda, que fica ao lado da de Camilo, são fazendas vizinhas. — Falou ela e ele sorriu.

— Você a visita com frequência? — Perguntou ele sem esconder a nota de esperança na voz.

— Sim. Tenho um apreço muito grande pela propriedade, foi uma herança de família.

— Compreendo. Então aceitarei a oferta. Prometo que farei o meu melhor.

— Assim espero. — Falou ela retribuindo o sorriso dele.

Eles se olharam por vários segundos até que envergonhada Julieta desviou o olhar. Alguém bateu na porta os assustando. Era Elisabeta que olhou para eles desconfiada, notando o constrangimento e o rubor nas faces da Julieta. Ela entrou no quarto e agradeceu a Julieta por ter feito Ema voltar a si antes que fosse tarde demais. Eles saíram do quarto e foi anunciado que não haveria casamento. Julieta estava feliz e frustada por ter que se separar do Aurélio.

Flashback off

Julieta ainda pensava em tudo que aconteceu depois daquele dia quando se sobressaltou ao sentir a mão quente de Aurélio envolver a sua.

Voltou ligeiramente a cabeça, mostrando a elegante linha de seu pescoço. Aurélio nunca se cansava de admirá-la, fazia dias, semanas que não chegava perto o bastante. Sabia que não resistiria, ficar ao lado dela naquelas reuniões tinha sido uma tortura, e vê-la cercada por aqueles homens bajuladores, a despindo com os olhos naquelas negociações estava o enlouquecendo. Não sabia por quanto tempo conseguiria representar o nobre cavalheiro que havia sido nos últimos dias. A única coisa em que pensava era levá-la imediatamente para algum lugar, e fazer amor até não aguentar mais. Ele a fitou, reparando nas faces coradas, os olhos dilatados, a boca trêmula.

— Está nervosa? — Perguntou ele e ela o olhou confusa.

— Sobre o baile de hoje a noite. — Ele explicou.

— Sim, um pouco. Ainda não acredito que deixei vocês organizarem esse plano maluco, eles não virão e se depender da Ofélia esse evento vai ser um circo.

— Ela tem aquele agito todo, mas tem um bom coração e boas intenções. Ela quando tomou consciência do que estavam fazendo com você, foi pessoalmente falar com as esposas dos fazendeiros. — Julieta o olhou surpresa com essa informação. — Aliais a ideia partiu dela, sobre o baile, e acho que é uma boa ideia afinal. As pessoas já a vê de outra maneira e esse baile só vai reafirmar as certezas que tenho. Eles vão finalmente vê-la como eu a vejo.

— E como você me vê?

— Uma mulher de fibra, linda, justa e muito admirável. Eu já tinha dito anteriormente que a admirava, e essa admiração só cresce a cada dia que passa. Nenhum homem seria ou será capaz de chegar aos seus pés no campo profissional, você tem um tino, uma inteligência, como diz o barão meu pai. você merece o título que ganhou minha rainha do café. — Falou ele fazendo um gracejo no final da frase.

Naquele momento, ela apertou a mão dele que ainda pousava na dela, ela não conseguia desviar o olhar dos olhos dele. Quando conseguiu, finalmente, ela fitou-lhe os lábios. Aquela boca beijara a sua, a tanto tempo atrás. Parecia séculos. Seus instintos mais básicos estavam em alerta. Molhou os lábios com a ponta da língua e Aurélio seguiu o movimento com seus olhos. Imediatamente, Julieta se encontrou recordando. Olharam-se nos olhos e ela sentiu como a tensão subia entre eles em instantes. Sentiu o olhar dele no pescoço, sentiu-o deslizar-se por seu decote até postar-se em seus seios.

Os olhos dos dois foram instintivamente para o motorista.

Aurélio a puxou contra o peito. Julieta sentiu o calor invadi-la.

Ela sentiu à mão dele subir por seu corpo, e sua respiração acelerou. Estava perdida. Ela não acreditava que ele tentaria seduzi-la naquela situação, se o motorista tirasse os olhos da estrada ele os veriam tão próximos que estavam, e ela não podia falar para ele se afastar, porque poderia chamar atenção. Ela conteve a respiração quando ele aproximou os lábios do seu ouvido e sussurrou.

— Quero você. Não suporto mais ficar longe de você.

Ela o encarou piscando, o coração aos saltos, a mente em confusão.

Ela o empurrou e se soltou dos braços dele e o olhou furiosa. E agradeceu aos céus por estar quase no jardim de sua casa, ela saiu do carro com a ajuda dele e mandou o seu motorista levá-lo em casa.

— Não se atrase para o baile. — Pediu ela.

— Não perderia por nada. — Disse ele beijando sua mão de uma forma carinhosa e com um sorriso malicioso.

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O baile estava sendo um sucesso, barulhento e por incrível que parecesse a rainha do café estava se divertindo. A duas hora seguintes decorreu surpreendentemente bem para ela, apesar de frequentar a sociedade, e aparentar uma certa confiança, Julieta se sentia pequena ali sendo o centro das atenções, rodeada daquelas pessoas, não fazia muito tempo atrás, eles estavam a ameaçando. Ela estremeceu com a lembrança, mas aquilo tudo era passado. Só precisava dissimular sua falta de traquejo social, o que a deixava nervosa. E, também, sua agitação sexual. Para o primeiro problema, Aurélio tentou ajudar, servindo-lhe uma bebida. Mas, quanto ao segundo, ele não pode ajudá-la. Manteve-se a seu lado, sem afastar-se por um momento sequer, apoiando as mãos, ora em suas costas ora num dos seus braços, quando ele a levava para cumprimentar um conhecido. Ele estava certo num ponto. Os maradores daquele lugar eram muito simpáticos e hospitaleiros. Em nada lembravam o esnobismo ou a afetação de muitas pessoas ricas que conhecia nos grandes bailes dados em São Paulo ou na Inglaterra.

Um tempo depois foram separados, ela o procurou com o olhar, ele a olhava de longe. Tinha uma taça de vinho nas mãos e conversavam animadamente com uma mulher, que ria com afetação. Julieta estava radiante, usava um vestido preto todo trabalhado no brilho, ele tinha um decote acentuado e deixava o colo alvo dela evidente, tinha luvas longas e rendadas nos braços. Escolhera um penteado mais moderno ao invés do seu costumeiro, ela estava linda e se sentia bonita. Ela encontrou o olhar de Ofélia que ria e fez um brinde no ar, ela não pode deixar de retribuir o gesto, estava tocada com a gentileza e carinho que recebia daquela mulher, apesar de espalhafatosa tinha realmente um bom coração.

Olhou de relance para Aurélio novamente, se perguntava quem era aquela mulher que não saia de perto dele e ele de lá encarava o fazendeiro que não tirava os olhos do decote dela. Ele arrumou uma desculpa, pegou outra taça de vinho e saiu de perto da mulher e foi de encontro a Julieta. Que se surpreendeu ao vê-lo chegar.

— Boa noite senhor Claudio, acho que sua esposa estava lhe procurando.

— Boa noite Aurélio, obrigado, vou procurá-la. — Disse o homem se afastando a contra gosto.

Julieta sorriu e aceitou a outra taça de vinho, já estava ficando alta aquela altura.

— O que é engraçado?

— Nada, só estou feliz que você veio, estava a ponto de mandar aquele senhor a puta que o pariu.

Aurélio quase engasgou com o vinho e a olhou.

— O que? Meu comportamento inadequado o choca senhor Aurélio?

— Não mesmo, minha admiração por você cresce a cada dia.

Eles riram e juntaram as taças no ar.

— Ao meu ultimo dia no vale. — Disse ele, lembrando-a que amanhã ele não seria mais seu guarda costas e nobre gentil cavalheiro.

— Ao meu divertido e barulhento baile. — Falou ela.

Ele a olhou admirado, ela estava se soltando, não só com ele, mas com todos dali. Ele desejava que um dia ela o olhasse com a mesma admiração que ele a via, sabia que não a merecia, mas que ele iria lutar para poder ficar lado a lado com ela, ele iria.

— O que foi? — Ela perguntou.

— Nada, só não consigo tirar os olhos de você, está mais linda do que o normal hoje. E estava pensando, desejando na verdade, que você me visse com a mesma admiração que a vejo.

Julieta olhou para ele e sorriu, se ele soubesse o que ela sentia e guardava no peito.

— Eu já o admiro, como homem, pai, filho, amigo e... — Amante. — disse esse ultimo num sussurro. — Sobre o seu trabalho, você vai ter que me provar que não estou errada.

— Errada?

— Sim, eu acredito que o senhor se erguerá e será admirável de ver.

— Eu quero beijá-la. — ele sussurrou. — Agora mesmo sinto o impulso maluco de beijá-la. — ele prosseguiu, segurando as mãos dela.

— Ora.. fale baixo, podem escutá-lo! Seu petulante.

— Se não posso beijá-la, dance comigo.

— Não sei dançar, na verdade odeio dançar.

— Eu a conduzo, não se preocupe.

— Não. — Ela tentou resistir, mas ele pegou sua taça e depositou na mesa e enlaçou seu braço no dele e a levou para o meio da sala onde outros casais valsavam.

Julieta colocou uma mão no ombro dele e a outra ele elevou junto com a sua, ela vibrou quando sentiu a mão dela na cintura. Ela mentiu dizendo que não sabia dançar, na verdade nunca havia dançado por vontade própria, ou praticado o bastante. Está ali com ele era umas das inúmeras 'primeira vez' que ele lhe proporcionalizava.

Ele a conduzia com perfeição. Ela ria contagiada pela alegria dele e de todos os outros casais, os olhos dele nunca abandonaram os dela, ele a olhava com cumplicidade e carinho. Ele a fazia rodopiar sem parar, até que ficaram afastados dos outros casais e ela o olhou já sabendo o que ele tramava. Do lado da sala tinha uma varanda e estava coberta por longas e pesadas cortinas. parecia um esconderijo perfeito e foi para lá que ele a levou, descaradamente e sem demora a beijou, longa e profundamente.

A beijou com tanta urgência que Julieta não teve tempo nem de protestar. Sem pensá-lo, abriu a boca e lhe devolveu o beijo com a mesma paixão, enquanto lhe acariciava o cabelo. O beijo, selvagem e acalorado, era o beijo de um homem desesperado e Julieta se apertou contra ele procurando satisfazer seus desejos. Não sabia o quanto tinha sentido falta dele. Eles era como física, e química. Julieta sentiu que Aurélio estremecia. Então, de repente, Aurélio a soltou, amaldiçoou e se separou dela com tanta rapidez que Julieta teve que agarrar-se a parede as suas costas para não cair. Ao princípio, foi incapaz de compreender por que ele tinha quebrado um momento tão perfeito, mas, quando ouviu as vozes próximas tentou se recompor.

— Julietinha, minha querida. Aqui está você. Aurélio? — Indagou Ofélia surpresa. — O que aconteceu, você parece febril, está se sentindo mal?

— Não, eu acho que bebi demais e fazia tempo que não dançava tanto. Fiquei um pouco tonta e o Senhor Aurélio me acompanhou até aqui para tomar uma ar. — Explicou Julieta quase num fôlego.

— Oh querida. Lídia vá pegar um copo de água, corra.

— Sim senhora, mamacita. Já volto.

— Eu vim me despedir, o meu marido dorme com as galinhas e já está ansioso para ir embora. Espero que tenha se divertido. As pessoas amaram, elas me disseram.

— Eu quero aproveitar e agradecer. Por tudo. — Falou Julieta deixando aquela mulher que nunca ficava em silêncio desconcertada.

— Ora essa, somos família, família serve para isso. Não é Aurélinho?

— Sim, com certeza. — Falou Aurélio. — Julieta só pode concordar com um sorriso artificial, se eles soubessem. Eles iram me odiar, pensou ela, estava realmente arrependida, se enganara com Jane e teria que confessar seu erro logo, logo.

— Ora, essa menina se perdeu, espere aqui, volto logo com a sua água. — Pediu Ofélia se afastando.

Julieta se virou para Aurélio, ela o fitou, o coração se apertando, não queria se separar dele.

— Me espere na estufa. — Pediu ela antes que perdesse a coragem.

— Estufa? não sabia que tinha uma estufa aqui.

— Sim, seguindo o caminho do lago, a direita.

— Vamos! precisamos acabar com esse baile agora mesmo. — ele sorriu malicioso.

O baile finalmente acabou, todos começaram a se despedir, Julieta agradeceu genuinamente a presença de cada um. Aurélio veio se despedir com um largo sorriso, ele beijou-lhe a mão enluvada dela e se despediu dos outros, eles pareciam dois jovens prestes a cometer a maior loucura da vida deles. Julieta já estava ficando impaciente, ordenou que os empregados fossem todos descansar, que arrumassem tudo na manhã seguinte. Fingiu uma indisposição e foi para o quarto. Onde se trocou, vestiu uma camisola longa e fina, colocando uma capa escura por cima, parecia uma criminosa se esgueirando pelos corredores mal iluminados da sua própria casa.

Seu coração batia acelerado, parecia que estava cometendo o maior dos seus pecados e era uma sensação excitante.

Aurélio estava de costas olhando para as suas rosas, a lua estava magnifica no céu, eles não precisariam de mais nada naquela noite, só o amor um do outro. Aquele sonho ia finalmente se realizar, seria dele naquele lugar, naquele mundo particular.

Ela se aproximou e o abraçou pelas costas.

Ele se virou e estendeu uma rosa vermelha, ela a pegou e levou ao nariz fechando os olhos como sempre fazia. Ele acariciou seu rosto, ela abriu seus olhos e os dedos dele pousaram em seus lábios, que ainda estavam inchados do beijo no varanda.

Julieta tentou molhar os lábios e, ao fazê-lo, sua língua entrou em contato com o polegar de Aurélio e ficaram olhando-se aos olhos durante intermináveis segundos. Ambos se jogaram um sobre o outro. Julieta o beijou com desespero enquanto lhe passava os braços pelo pescoço, esse desespero era resultado daquelas semanas de negação. Aurélio a levantou do chão e envolveu suas pernas na sua cintura, caminhou até aquele banco de jardim, ele sentou com ela em seu colo, suas bocas ainda unidas naquele beijo desenfreado. Ele subiu as mãos impacientes por toda extensão do seu corpo e parou em suas coxas e para sua surpresa, descobriu que ela não vestia mais nada por baixo e estava pronta, muito pronta pra ele. Ela gemeu quando ele a tocou intimamente e ela se afastou para libertá-lo da calça, ela abriu o zíper e pegou sua masculinidade com firmeza, afastou as pernas e se posicionou sobre ele em um único movimento.

Julieta arqueou as costas para lhe facilitar o acesso. Aquilo era sexo em seu estado mais primitivo, foi rápido e selvagem, Julieta ofegava de agonia e prazer com cada investida.

— Olhe para mim — ordenou ele ao ver que ela tinha os olhos fechados. Julieta obedeceu deixando que ele a possuísse por completo enquanto os dois alcançavam o orgasmo juntos.

— Meu deus — Ela se deixou cair para a frente, o rosto enterrado no ombro dele, o peito ainda ofegante. O palpitar acelerado do coração de ambos demorou uma eternidade para diminuir. O mais puro contentamento a invadiu. Aurélio a abraçou, segurando-a mais perto. Não queria falar. Falar estragaria o momento. Aurélio se deitou e a puxou sobre o peito, eles ficaram espremidos naquele minusculo banco, olhando para o luar e as estrelas. Julieta conseguiu esboçar um sorriso, lembrava-se do sonho, aquele sonho não se comparava a nada com a realidade que acabara de experimentar.

— Espero que não demore a visitar meu trabalho, digo, sua fazenda. — Falou Aurélio beijando o rosto dela.

— Não demorarei, preciso visitar um amigo, digo, vistoriar minha fazenda.

Notas finais
Eu e a formatação fizemos as pazes ;3