Notas iniciais
Esse foi o segundo capítulo, e já me deu trabalho. Como deu errado da primeira vez, devo ter mudado algumas coisas na segunda. Não está tão bom, mas espero que gostem.

De repente ouvi um barulho que me acordou, olhei no celular e vi que já era tarde, sete e meia da noite. Tinha uma mensagem de minha mãe no meu celular, avisando que não chegaria cedo porque havia pegado o turno da noite também. Ah, que legal. No meu primeiro dia nessa cidade, já estou ficando sozinha. Nessas horas meu pai podia estar aqui. Não falei de meu pai até agora porque ele não mora com a gente. Ele se separou de minha mãe há oito anos, isso foi difícil pra mim, mas principalmente pra ela. Acho que um pedaço dela se foi com ele. Mas enfim.

Não gosto de ficar sozinha. Preciso de alguém por perto, nem precisa conversar comigo, só estar ali já é suficiente. Então me levantei, e fui ao banheiro me olhar no espelho. Estava um lixo. Cabelo bagunçado, olhos vermelhos, hálito de dragão e pijama branco de bolinhas pretas. Sim, era segunda-feira, mas como não têm nada que eu me importe aqui, posso agir como num domingo todos os dias. Fui descendo para a cozinha, pois estava novamente com fome, foi quando ouvi a campainha tocar. E fiquei indignada.

Será que é só comigo que isso acontece?! Sempre que estou desarrumada, aparece alguém. Deve ser praga. Fui em direção à porta e puxei a cortina que a cobria lentamente, com a intenção de ver quem era antes que quem bateu me visse. Mas minha missão acabou falhando.

– Eloise? Olá! Vim te fazer uma visitinha surpresa.

Ah, tinha que ser o James. Claro, quem melhor pra me ver desarrumada se não ele?!

– Olá, James.

– Olá! Posso entrar?

– Entre, você já viu meu estado mesmo, agora não tenho mais o que esconder.

Ele me olhou e deu um riso bem de leve.

– E então, o que quer?

– Bom, eu vi que sua mãe não chegou, então pensei em te trazer algo pra comer.

Ah, nossa, acho que ele ouviu o ronco de minha barriga lá da casa dele.

– Ok, a cozinha é por aqui.

– Nossa nunca tinha reparado como essa casa é grande!

– Sim. Um pouco.

Fomos até a cozinha, e sentamos a mesa.

– Aqui. É uma torta de frango. Espero que goste.

Uau, ele havia acabado de adivinhar duas coisas, seguidamente, primeiro minha fome, segundo meu salgado favorito, torta de frango!

– Ah, obrigada. Realmente estava com fome.

Nossa! Estava incrivelmente boa! Tive que perguntar.

– É, Foi você quem fez?

– Sim. Meus pais não passam muito tempo em casa, então tive que aprender a me virar pra não morrer de fome.

Não quis erguer a bola dele, mas realmente tive vontade de comentar o quanto estava deliciosa aquela torta.

– Bom, já que já está satisfeito, obrigada. Já pode ir embora.

Ele me olhou com um olhar esquisito. Mas não questionou. Simplesmente se levantou e foi se retirando como eu havia pedido. O levei até a porta, e me despedi. Então fechei a porta e voltei à cozinha comer o resto que havia sobrado. Nunca tinha provado algo tão bom. Assim que terminei de comer, fui escovar os dentes, tomei banho e depois me deitei. Fiquei pensando na maneira como havia agido com James. Acho que exagerei, poderia ter deixado ficar mais, ah, sei lá. Tanto faz, já estava na hora dele ir mesmo. Fiquei pensando nisso por mais alguns minutos e então adormeci.

Acordei assustada com batidas na porta de meu quarto. Era minha mãe.

– Eloise! Depressa, levante! Vai se atrasar pro seu segundo dia de aula!

– Já vou mãe!

Estava com muito sono, me levantei antes mesmo de estar totalmente acordada. Com muita preguiça coloquei o uniforme, escovei os dentes rapidamente, penteei o cabelo, peguei minha bolsa, e então me dirigi até a sala. Quando cheguei lá, minha mãe já estava no carro e buzinando. Odeio pressa, gosto de fazer as coisas com calma, mas como meu sono tinha sido maior que o correto, eu tive que aceitar e aderir à correria.

Entrei no carro e olhei as horas no meu celular. Não acreditei quando vi.

– Mãe, ainda é cinco e meia! Caso não saiba, minha aula começa às sete.

– Eu não tenho culpa, tenho que chegar mais cedo hoje, novamente.

– Mas você já fez isso ontem!

– Filha, eu estou na minha primeira semana, tenho que aceitar todos os horários que me colocam!

– Não sei por que faz isso, sabe que odeio esperar.

De repente um cara bateu na janela do carro, do lado onde minha mãe estava.

– Senhora Payne?

– Sim, sou eu, quem é você?

– James William. Moro aqui do lado.

– Ah, o vizinho. O que quer rapaz?

– É que eu ouvi vocês meio que discutindo por estar indo para o colégio nesse horário, se quiser, eu levo sua filha mais tarde, no horário certo, pra que ela não precise esperar.

– Ah, olha que rapaz gentil, o que acha filha?

Nossa. Ali estava ele novamente. Mas por quê? Ontem eu o tratei tão mal, mas mesmo assim estava ali, oferecendo carona.

– Não sei mãe...

– Vá com ele! Você reclama de ter que esperar, aproveite a oportunidade. Por mim tudo bem.

E então, abri a porta do carro e desci. Minha mãe se despediu, e então foi embora. Pois é, ali estávamos nós sozinhos, na frente de minha casa, e eu não sabia o que dizer, por isso, baixei minha cabeça, e fiquei olhando para o chão.

–Ei, Tudo bem com você?

– É... Não...

– O que foi?

– Estive pensando em como agi contigo ontem, me senti mal por aquilo. Por favor, me desculpe.

– Ah, não foi nada. Tudo bem.

Olhei para ele e ele estava sorrindo.

– Bom, enquanto isso, vamos entrar? Prometo que hoje não vou te mandar embora.

– Ah, claro.

E então caminhamos pra dentro, ele entrou e logo em seguida eu.

– Sente-se.

– Obrigado.

– Quer algo?

– Não, obrigado. Estou bem assim.

Sentei ao seu lado, no sofá em frente à televisão, e ficamos ali, sentados assistindo.

– E então, que e3scola estuda? (Perguntei eu, tentando ser agradável.)

– Na mesma que você.

– Hum... Não vi você ontem lá. Em que sala? Na mesma que eu?

– Não. Na do lado. 3º ano A.

– Ah, entendo... A sala dos nerds...

– Nem é. Ei, já está na hora. Vamos?

– Vamos.

E então nos levantamos, eu desliguei a televisão, e fui em direção à porta. Ele abriu-a primeiro e saiu. Em seguida eu saí e a fechei. Ele foi até sua casa pegar o carro. Entrou na garagem, e tirou-o, levou até a rua, e ficou esperando que eu chegasse e entrasse. O carro era muito bonito. Não sei o nome, mas era preto, e tinha rodas que brilhavam... E também era bem espaçoso. Enfim entrei.

– Coloque o cinto, por favor.

– Tá bem.

Ele ligou o carro, e saímos... Foi então, que o silêncio tomou conta do automóvel.

Notas finais
É isso ae... Até o próximo. Obrigada por lerem.