Preferiria Não Saber
7 Jantar
Notas iniciais
Entramos. A porta dava numa sala com paredes azuis e brancas, enorme e cheia de aparelhos de observação estelar, livros e mais livros. A sala também tinha uma escada longa que dava voltas.
\n\n– Por aqui. A sala de jantar é logo á direita depois deste corredor, sigam por aí, vou pegar as taças que deixei no armário da cozinha.
\n\nUau, cada cômodo mais lindo que o outro. Espera, e os pais dele? Tudo bem que ele me disse que os pais não param muito em casa, mas manter essa casa, sozinho, sem trabalhar é meio impossível, pode ser que eles mandem dinheiro. Nesse tempo que estou aqui nunca os vi. Estranho. Será que... Ok, ok, já se meteu demais na vida dos outros por hoje, hora de parar, senhorita Eloise.
\n\n– Já se acomodaram, então, querem beber primeiro ou a comida e bebida de uma vez?
\n\n– Ah, sem querer parecer esfomeada Jim, mas estive trabalhando o dia todo, gostaria muito se já pudesse servir a comida. Realmente gostaria.
\n\nJim? Jim, sério?! Nem eu tenho essa intimidade! Vou acabar tendo que ter uma séria conversa com a minha mãe aqui mesmo se ela continuar assim. Não é possível!
\n\n– Por mim tudo bem senhora Payne. Aliás, nem deveria ter perguntado isso, é óbvio que a senhora está com fome. Desculpe minha insensatez.
\n\n– Imagina Jim. Só te peço uma coisa, senhora não, por favor, me chame de Mary.
\n\n– Ok, senhora... Quero dizer, Mary. Bem, eu preparei especialmente pra vocês duas, um prato especial, de família. Um chilli com carne, um molho delicioso, e secreto. Espero que gostem o do meu avô era magnífico, tentei plagiar. O vinho é muito bom também, um dos melhores.
\n\n– Huuuuuuuuum, que cheirinho ótimo! Parece estar delicioso!
\n\n– Que bom, espero que realmente esteja, bom apetite!
\n\nDepois de alguns minutos, o chilli havia acabado. Poxa vida, que delícia, esse homem tem mãos de ouro! Depois do chilli, ainda veio uma sobremesa diferente que nunca tinha comido antes.
\n\n– Aqui está a sobremesa, sorvete com torta de nozes pecan.
\n\n– Nossa! Vou sair daqui com uns dez quilos a mais, mas vai valer a pena! Excelente Jim!
\n\nMinutos e mais minutos se passavam e a mesma situação se repetia. Os dois no maior papo, com gentilezas a todo instante entre ambos, e eu aqui, parecendo que fui a um restaurante, só comendo. Até que enfim, ouvi James citar meu nome, até achei que tivesse ouvido errado, porque ninguém havia falado meu nome ou falado comigo desde o cumprimento à porta.
\n\n– Então Mary, gostaria de te dizer algo, que diz respeito à Eloise.
\n\n– Eloise? Tudo bem filho, fale... – Disse minha mãe se acabando no sorvete –
\n\nComo assim algo que diz respeito a mim?! Eles estão conversando como se eu não estivesse aqui?! Espera, o que o James vai dizer pra ela? Ai. Estou com medo.
\n\nAntes que continuasse a falar, James teve a audácia de colocar suas mãos nas minhas na frente de minha mãe, que no mesmo momento me olhou como se estivesse dizendo:
\n\n‘’ Ué, você não disse que era apenas gentileza?! Por que mentiu?! Exatamente como suspeitei. ’’
\n\nMas o pior ainda estava por vir.
\n\n– Então senhora Mary,
\n\n– Somente Mary.
\n\n– Ah, sim, claro. Desculpe-me. Então Mary, eu sei que conheço sua filha faz pouco tempo, mas sinto-me verdadeiramente apaixonado por ela. Queria pedi-la em namoro em sua frente, para que a senhora pudesse aprovar ou não a decisão dela, onde eu possa saber qual sua resposta.
\n\n– Ok, filho. Vá em frente.
\n\n– Obrigado.
\n\nAssim que agradeceu, James continuou com suas mãos nas minhas, as quais estavam trêmulas e suando. Ele afastou a cadeira em que estava sentado, se abaixou e se ajoelhou no chão. Nesse momento eu quase surtei, meu coração foi a mil, e não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Sim, era o rapaz o qual conhecia á pouco tempo, era o rapaz o qual mexeu comigo mesmo nesse pouco tempo, era quem me encantava a cada ação e era o qual eu fazia de tudo pra fingir não entender que o que havia entre nós, era amor.
\n\n– Eloise, nesse pouco tempo que estive contigo, conheci o que realmente é amor. Antes só havia lido em livros, visto em filmes, mas agora estou vivendo, e isso é graças a você. Por você. Sei que não é muito conveniente, mas quero que aceite meus sinceros sentimentos por ti. Aceita namorar comigo?
\n\nQuando fez o pedido, mostrou um lindo buquê que estava em sua outra mão. Um buquê de tamanho médio que continha rosas brancas e vermelhas. Ela havia acabado de adivinhar quais eram minhas flores e cores preferidas. Bom, eu tinha que voltar a realidade e dar a resposta á ele que estava ajoelhado ao chão esperando. Tudo tão confuso, tudo muito perfeito, tudo muito rápido...
\n\n– Sim, eu aceito!
\n\nEspera! O que eu acabo de fazer?! Alguém deveria ter calado minha boca,
\n\nAssim que dei a resposta, James não esperou nem que eu terminasse meu pensamento, apenas deu um sorriso que ia de orelha a orelha, se levantou e me deu um beijo.
\n\nQuando disse que alguém podia ter me calado não tinha pensado desse modo, mas até que não foi nada mal. Seu beijo era doce como mel, suave, escaldante e ao mesmo tempo inacabável. Foi meu primeiro beijo. Sim, uma garota de dezessete anos que não havia beijado ninguém além de seus bichos de pelúcia que ficam em minha cama. Mas o fato era que foi algo tão saliente, que acho que nunca conseguirei esquecer.
\n\n– É... Tudo bem, vocês estão acertados... – Interrompemos o beijo, e ficamos acanhados pela presença de minha mãe – Se queria saber, eu aprovo sim o namoro de vocês, Jim. Obrigada pelo jantar. Estava ótimo. Só acho que está meio tarde agora, precisamos ir embora, Eloise... Se despeça de seu namorado, e venha.
\n\nAo dizer isso, minha mãe se levantou da cadeira, e foi se dirigindo à porta pela qual havíamos entrado.
\n\nDepois que minha mãe se retirou não sabia o que dizer ao James. Ficamos sozinhos, e ele estava muito fofo me olhando com os lábios borrados com meu batom que havia saído durante o beijo.
\n\n– Sua boca está suja.
\n\n– Pois é... Você acabou me emprestando seu batom sem que eu pedisse... – Disse ele rindo – Bom, vamos, sua mãe está esperando lá fora.
\n\nSaímos dali de mãos dadas, e nos dirigimos á porta. Nem estava acreditando no que estava acontecendo.
\n\n– Bem, boa noite Mary.
\n\n– Boa noite, Jim. – Disse minha mãe já caminhando em direção a nossa casa. –
\n\n– Boa noite, meu amor.
\n\n‘’Meu amor’’ Sim, ele estava me fazendo ficar derretida e ao mesmo tempo constrangida.
\n\n– Boa noite.
\n\nBeijamo-nos mais uma vez, mas agora um beijo menos demorado e mais sutil, afinal minha mãe já estava quase chegando em nossa casa, e eu ainda estava ali.
\n\n– Sonhe com os anjos. – Disse ele com um sorriso sedutor –
\n\n– Sim. Sonharei contigo. – Disse eu com um sorriso que mesmo de costas poderia mostrar meu derretimento –
\n\nDepois de me despedir, fui caminhando calmamente para casa. Estava boba de paixão, e meus pensamentos giravam em torno dos beijos que havia dado momentos antes. Algo surpreendentemente inexplicável.
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