Preferiria Não Saber
8 Namorando
Notas iniciais
Assim que cheguei à porta de casa, vi minha mãe que estava sentada à mesa, lendo um livro. Fiquei por alguns instantes, parada em frente à porta olhando ela, e pensando no que dizer. Depois de uns dois minutos parada ali, escutei sua voz a falar comigo.
– O que está fazendo aí? Não vai entrar não? O James já deve ter ido se deitar, não vai mais vê-lo por hoje. Entre logo. Está frio aí fora, vai ficar doente.
Entrei, e sem dizer nada fui me dirigindo às escadas.
– Eloise, não tem nada a me dizer?
– Desculpe-me. — Continuei a andar em direção à elas -
– Desculpá-la? Por que? Pelo que?
– Mãe. — Parei, mas ainda estava virada — Você sabe, eu disse que não era assim, e realmente não sou, mas eu me senti pressionada, senti a emoção do momento, senti meu coração dizendo pra eu fazer mil coisas, e acabei aceitando o pedido, mas saiba, não foi nada planejado, eu realmente já sabia do sentimento dele, mas fui pega de surpresa com esse pedido. — Virei para ela, mas abaixei minha cabeça. –
– Filha você sabe que eu a amo, não sabe?
– Sei mãe.
– Então filha, eu achei sim tudo isso meio estranho e rápido, mas se você acha que vai ser feliz filha, saiba que eu sempre vou estar ao seu lado apoiando suas escolhas. Eu só quero seu bem, quero somente que seja feliz. Feliz como eu não pude ser.
– Ah mãe, eu te amo!
Assim que disse isso corri em direção a ela — que estava sentada á mesa, mas havia deixado seu livro de lado, e estava me olhando — e abracei-a bem forte, enquanto desabava em lágrimas.
– Não chore minha filha. Está tudo bem, não estou brava por ter aceitado o pedido de James, só te digo uma coisa. Se ele te fizer algum mal, estará perdido.
Continuei a chorar e abraçá-la fortemente. Passamos alguns minutos ali, abraçadas, e minha mãe a acariciar meus cabelos.
– Ei, se acalme, está tudo bem. Troque de roupa e vá se deitar, também já vou indo, pois amanhã tenho plantão logo bem cedo. Aliás, sua gripe já está melhor, não é? Então você também tem que acordar cedo. Vá, descanse meu amor.
– Mãe, — Enxuguei minhas lágrimas e olhei-a nos olhos – meu pai perdeu muito por ter nos abandonado, mas principalmente por ter te abandonado. A senhora é uma pessoa fantástica, diferente de todas as outras, ele nunca irá encontrar alguém como você na face da Terra. — Ela sorriu para mim -
Beijei sua testa, levantei-me, e fui para meu quarto. Ao trocar de roupa e me deitar, só conseguia pensar em toda a confusão que havia acontecido poucas horas antes. Sabe, não sei se tomei a decisão correta, metade do meu coração diz que sim, mas a outra está preocupada com o tempo. Não acredito em amor tão rápido assim, mas agora estou sendo obrigada a acreditar, será que James é isso tudo mesmo? Porque, não acho que mereço viver algo tão perfeito assim. Minha mãe não pôde viver sua relação de amor intensamente, acho injusto eu poder.
Mandei uma mensagem para Anne, que dizia:
‘’ Amanhã tenho muitas coisas para te contar, por favor, não falte!’’
Ela não me respondeu. E então, depois de mais alguns minutos com pensamentos conturbados, finalmente adormeci. No outro dia acordei com meu celular despertando.
– Poxa vida, me lembro de tudo, menos de ter colocado meu celular para despertar... Nossa já é seis horas?! Minha mãe não tinha plantão bem cedo?! Mãe! Mãe! Mãããe! Cadê você?
Depois de ter chamado por ela umas cinco vezes, me cansei, e resolvi ir atrás dela, foi quando me deparei com um bilhete em cima de minha escrivaninha, que dizia:
‘’ Filha, seu namorado me ligou assim que acordei, e pediu pra que eu deixasse que você fosse com ele para a escola. Assim que o despertador tocar, e você ler isso, se arrume, tome seu café, e vá até a rua, onde James estará esperando-a. Tome cuidado filha. Te amo. ‘’
– Pois é Eloise, parece que agora você tem um namorado. Então sabe de uma coisa, não tenha medo de ser feliz!
Me arrumei e tomei meu café da manhã como minha mãe havia pedido. Depois, fui ao encontro de James. Quando abri a porta, já o avistei apoiado em seu carro a me olhar, com um belo sorriso estampado no rosto.
– E então, como foi sua noite? Muitas broncas? — Disse ele já me pegando pela cintura e me olhando fixamente nos olhos, com um ar de humor e sorriso no rosto. -
– Eu esperei sim. Até ouvi as palavras exatas de minha mãe brigando comigo. Mas não aconteceu. Ela simplesmente foi compreensível e me apoiou, só disse que se me fizer algum mal, terá sérios problemas. — Disse eu sorrindo e o encarando ininterruptamente. -
– Ok. Não teria por que fazer algo de mal a uma bela dama como esta. Cabelos encaracolados e castanhos, altura mediana, olhos azuis como o mar, pele clara, mas não tanto quanto a neve... Sorriso mais lindo que o abrir das flores do campo, olhar sedutor e excepcional.
– Uau, mas quem é essa que acaba de descrever com tanta magnitude?
– A mesma que se encontra em minha frente.
Ao dizer isso, ele me beijou, beijou como da primeira vez, e a cada beijo sentia meu amor por ele, gritar ardentemente sem que eu pudesse controlá-lo.
– Bom, acho melhor entrarmos e irmos, porque senão ficaremos atrasados justo no dia em que sua mãe confiou você á mim pela primeira vez como namorados.
– Ok.
Ele me levou até o lado do passageiro, abriu a porta para mim, eu entrei, e então ele a fechou, e foi para o seu lado do carro.
– Nossa, é difícil encontrar cavalheiros como você hoje em dia com tamanha gentileza.
– Acostume-se. Pois este é o seu cavalheiro para sempre.
Ele me olhou sorrindo, me beijou novamente, mas agora apenas um rápido beijo, enquanto colocávamos os cintos. Ele ligou o carro, então fomos para o colégio. Chegando lá, adentramos de mãos dadas, e então nos separamos, fomos para nossas salas. Quando entrei em minha sala, todos já estavam lá, só faltava o professor que chegou logo depois de mim.
– Você sabia Eloise que não se pode namorar pelos corredores de nosso colégio?! — Disse ele para mim com cara de intolerância -
– Não estava namorando. Ou o senhor considera o dar das mãos um namoro?
– Sente-se.
Então o obedeci, e sentei-me ao fundo do lado de Anne, que logo veio me perguntar o que havia acontecido. E começamos a conversar sussurrando.
– Eu vi sua mensagem só hoje de manhã, mas estava sem créditos, então não pude responder. O que aconteceu? Conte-me tudo!
– Ah, são muitas coisas, esse professor já começou o dia com cara feia para mim, não quero ter problemas. Melhor esperar o intervalo pra que eu possa te contar tudo com tempo, e sem nenhum atrito.
– Ok. Só me conte uma coisa. Que negócio é esse de namorar nos corredores?! Quero dizer, estar de mãos dadas. Com quem você estava de mãos dadas, em?
– Anne. Acho que é meio óbvio. O James. Quem mais seria? Oras.
– Não sei! Pelo que li na mensagem, parecia ser uma reviravolta, vai que você arrumou algum carinha novo por aí!
– Até parece! Não sou dessas, foi sim uma reviravolta, mas não desse jeito que você pensou! Eu...
– As mocinhas poderiam parar o bate-papo, ou querem que eu espere a conversinha de extrema importância e totalmente a ver com meu conteúdo acabar?
– Desculpe-nos, vamos parar. — Disse eu, olhando com cara de brava para Anne. –
– Eu avisei que era pra esperar senão ele iria reclamar, mas sua curiosidade não te deixa esperar, não é?!
– Desculpe-me, vou esperar pelo intervalo, mas vou querer tudo em extremos e detalhadíssimos detalhes!
– Ok, ok. Agora pare de falar!
– Parei!
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