Preferiria Não Saber
6 Fotos
Notas iniciais
Ok. Já pensei demais no meu pai por hoje. Agora é hora de pensar no que fazer.
– Campainha toca –
– Poxa vida! Nunca me deixam em paz, me amam demais, só pode!
Desci as escadas com a maior preguiça do mundo, quase que me arrastando. Quando cheguei à porta, sim, era ele novamente.
– Oi Eloise, me desculpe por vir assim sem avisar, na verdade acho que eu nunca avisei, mas enfim... Vim te perguntar se não quer jantar em minha casa essa noite, pode trazer sua mãe se quiser. – Disse ele com um leve sorriso em seu rosto, e olhar fixo aos meus olhos. –
Nesse momento fiquei meio que sem saber o que dizer, e tentando planejar uma escapatória. Foi quando lembrei que minha mãe trabalhava até tarde, e resolvi usar isso como desculpa.
– Ah, obrigada pelo convite James... Mas minha mãe trabalha muito, só chega de madrugada...
– Sério? Eu...
Nesse momento meu celular tocou, e por incrível que pareça, era minha mãe.
– Me desculpe James, é ela. Tenho que atender. Com licença.
– Oi mãe.
– Oi Eloise, estou te ligando pra avisar que hoje vou ser liberada mais cedo, se puder fazer a janta eu agradeço.
Uau, isso foi planejado?! Não é possível, agora vou ter que aceitar... Odeio cozinhar, vou ter que me sujeitar a isso, droga!
– Então mãe... O James está aqui, ele veio nos convidar pra ir jantar na casa dele, o que acha?
– O nosso vizinho?! Olha filha, não é má ideia! Agradeça o convite e diga a ele que aceitamos. Umas oito da noite nós chegamos lá! Tchau, beijo!
– Tchau mãe, beijo... Bom, acho que você já ouviu sua resposta...
– Pois é, espero vocês lá! Até.
Ao se despedir, deu-me um beijo deleitante no rosto e então saiu caminhando calmamente em direção a sua casa. Confesso que quando recebi o beijo, meu coração automaticamente aumentou a velocidade de suas batidas. Mas agora tinha mais uma coisa para me afligir. Qual o propósito desse convite?
Durante toda a tarde fiquei arrumando minha casa. Não sei o que me deu, mas aquela bagunça por todos os lados, diferente dos outros dias, começou a me irritar. Fui até o quarto de minha mãe, arrumar a bagunça dele. Principalmente de seu guarda-roupa. Como ela não ficava muito em casa, quase não tinha tempo pra arrumar suas coisas. O abri, e comecei a tirar tudo do lugar pra ver o que precisava ser jogado fora, e o que precisava ser colocado no lugar.
– Poxa vida mãe, desde quando você não arruma isso?
Assim que disse isso, uma caixa bem grande e cheia de fotos no alto do guarda-roupa caiu em mim, o que me levou ao chão.
– AHHHHH! ÓTIMO! ACABO DE GANHAR UM BAITA GALO! POR ISSO NÃO LIMPO A CASA!
Levantei-me. Estava com dores pelo corpo, e um baita inchado na testa. Comecei a recolher todas as fotos que haviam se espalhado pelo chão durante a queda.
– Nossa nunca tinha visto essa caixa, não achei que a mamãe tivesse tantas fotos assim. Espera, esse é o papai?!
Comecei a encontrar centenas de fotos de meu pai. Pra mim minha mãe só tinha apenas aquelas três fotos de nós juntos, mas poxa vida, são muitas! Eram várias fotos e em quase todas, ele estava cercado por, provavelmente, colegas de trabalho, pois em todas elas estava com seu jaleco da NASA. Meu pai trabalhava no setor de pesquisas, como disse antes, vivia cheio de trabalho. É por isso que eu detesto a NASA, não sei por qual motivo meus pais se separaram, mas aposto que se ele trabalhasse em um lugar que exigisse menos, eles poderiam estar juntos até hoje. – Continuei a olhar as fotos –
– Nossa quem é esse aqui? Estão tão sorridentes nessa foto, deveria ser um grande amigo... Agora olhando bem, esse cara aqui do lado do meu pai lembra alguém que eu conheço... Poxa vida! Não consigo lembrar quem é... Nossa! Já é seis e meia?! Tenho que guardar logo essas coisas e ir tomar banho, daqui a pouco minha mãe chega e me pega aqui no flagra mexendo nas fotos que estavam ‘’escondidas’’.
Depois de um tempo enrolando na sala, finalmente fui tomar banho. Quando já havia terminado de tomá-lo e ia saindo do banheiro minha mãe chegou.
– Oi filha. Desculpe o atraso, a coisa não estava muito boa lá no hospital hoje... Tudo muito corrido... Meu Deus! Já é essa hora? Que bom que você já tomou banho, vou tomar o meu bem rápido pra não nos atrasarmos para o jantar. Vê se não enrola pra se arrumar. Não quero que o James pense que não cumpro meus horários. É James o nome dele né?
– Mãe, eu te disse o nome dele a menos de duas horas. E outra, ele é nosso vizinho. Já está começando a ficar esquecida?!
– Ah, não é por que ele é seu paquerinha que eu tenho que lembrar sempre do nome dele. Isso é sua função.
– Disse ela rindo enquanto tirava e jogava suas roupas pra qualquer canto para ir tomar banho –
– ‘’Paquerinha’’? De onde tirou isso Mary Thompson Payne?!
– Ué, ele já te deu carona, já te trouxe seu salgado favorito que eu sei, porque eu comi um pedaço que sobrou. Aliás, da próxima vez, vê se para de gulodice e deixa mais pra mim! Enfim, sei muito bem quais são as intenções dos dois. A propósito, esse jantarzinho de hoje estava combinado faz tempo, não é?!
– Mãe, você bebeu?! Desculpe-me, mas isso é tudo coisa da sua cabeça. O James só foi gentil! Não tem nada de planejado não, a senhora sabe muito bem que não sou disso!
– Eu sei filha... Pode até ser, mas que ele está arrastando uma asinha pra você, isso tá sim!
– Ai mãe, não inventa... Toma logo esse banho senão vai se atrasar e muito!
– Estou indo, estou indo.
Eu mereço! Até minha mãe pensando assim. Não achei que ela fosse tão esperta... Pois é, subestimei-a.
Depois de uns trinta minutos a boneca aparece de novo.
– Vamos! Estamos dez minutos atrasadas, seu paquerinha vai pensar que não vamos!
– Mãe, se continuar a chamá-lo de paquerinha eu volto pra casa!
– Tá bom, tá bom, eu paro. Rápido!
Eu saí praticamente empurrada por minha mãe. Ela ‘’me jogou’’ pra fora e fechou a porta com tudo. E então me empurrou até a casa do James com toda pressa do mundo. Quando então chegamos. Ela apertou a campainha, e a cada dois segundos que se passava repetia a ação. Estava me irritando com toda aquela ansiedade. Até então que James abriu.
– Olá senhora Payne, boa noite!
– Boa noite, James! Desculpe pelo atraso, fizemos tudo depressa, mesmo assim o tempo não se encaixou. – Disse rindo –
Olha! Ela lembrou o nome dele. Belo começo.
– Boa noite Eloise! – Disse ele com um belo e sutil sorriso no rosto.
– Boa noite, James.
– Bom. Por favor, entrem. Os dez minutos não atrapalharam em nada, não se preocupe senhora Payne a comida já será servida, quentinha e saborosa para nós.
– Ah, isso sim que é gentileza, não acha Eloise? – Disse ela com um sorriso sarcástico no rosto –
– Concordo mãe. Muita gentileza. – Falei eu com um sorriso falso e uma grande vontade de matá-la por estar zombando da minha cara. –
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