Notas iniciais
Olá! Mais um capítulo, por sinal, o maior de todos até aqui. Espero que goste. Boa leitura ^o^'

P.O.V – JAMES

O dia seguinte havia chegado; porém dormir era uma tarefa impossível. Estava sentado em minha cama, olhando a mensagem que tinha recebido de Anne no dia anterior. De repente, Davon se aproximou.

– Ei, irmão. Ficar o tempo todo olhando isso e chorando não vai ajudar em nada. Sei que foi um susto pra você, até pra mim foi, não imaginei nunca que iria acontecer isso com ela; mas já aconteceu, só espere a polícia encontrar quem fez isso. Não pare de viver por conta da morte dela, ela não iria gostar de te ver assim.

– Sabe... Eu só queria entender o porquê disso, mas tenho quase certeza de que foi minha culpa. Talvez se eu tivesse deixado ela de fora dessa história, estaria viva agora.

– Ei! Pare com isso! Você não tem culpa, só quem a matou tem. Você não fez nada pra ela, na verdade, ainda não dá para entender por que fizeram isso, mas tenha certeza, não é sua culpa. Eu te conheço, você não permitiria que alguém morresse por algo que você fez. Fique tranquilo.

– Não sei como pode ficar me consolando... Eu só te irrito, só faço coisas ruins, te deixo chateado o tempo todo. Por que ainda me apoia?! Eu merecia ter morrido no lugar dela. Eu deveria morrer, não ela.

– Apoio porque você é meu irmão, porque sei que apesar das coisas erradas que faz às vezes, é uma boa pessoa. Eu confio em você, botaria minha mão no fogo por você. Nada me faria mudar de opinião. Pare de dizer essas coisas.

Não deveria pensar assim, Davon. Às vezes acho que nem eu confio em mim. Não sou tão bom assim como pensa, me perdoe.

– Obrigado por confiar em mim.

– Não agradeça. Só me faz um favor?

– Claro. Qualquer coisa.

– Durma. Eu sei que você passou a noite em claro. Não quero te ver mal assim, descanse, se recupere. Vou te ajudar a descobrir o que aconteceu se você me ouvir.

– Obrigado por tudo, Davon. Quero um dia ser como você. Vou dormir.

– Pare de bobagens, vai, dorme. Mais tarde te chamo para comer. Bom sono.

P.O.V – SUELLEN

– Filha, está acordada? – Sussurrou meu pai -

– Ahn?! Pai, ah, estou sim... Na verdade não dormi.

– Eu também não... Apesar de ser um policial, e já estar acostumado a resolver casos de assassinato, esse tem algo diferente que mexe comigo, eu sinto.

– Eu também fiquei assustada com isso tudo.

– Vem aqui no meu quarto, não quero acordar a Eloise. Ela está precisando descansar bastante.

– Ok, só deixa eu pegar o notebook.

Fomos até o quarto onde meu pai estava dormindo, era um quarto grande. Tinha paredes brancas, uma janela com cortinas azuis, uma cama de casal, e um grande guarda roupa no lado esquerdo do quarto.

– Nossa! Não tinha vindo aqui ainda... – Comentei olhando o quarto -

– Sim, é um quarto aconchegante, mas me ouça, filha.

Eu sentei na beira da cama, ele também. Estava me olhando com uma cara muito séria.

– Fala, pai. O que foi?

– Eu preciso saber uma cosia.

– O que é?

– O que você sabe sobre esse rapaz, o James. Me fale tudo.

– Bom, finalmente alguém que me entenda. – Comemorei abrindo o laptop que havia trazido. –

– Há alguns dias, eu e Eloise fizemos uma pesquisas sobre ele... Só que...

– Usou meu programa da polícia para pegar os detalhes, eu sei.

– Pai? – Disse assustada – Como sabe?! Quero dizer, desculpa, eu não queria, mas foi necessário... Perdão.

– Tudo bem, filha. Eu sei tudo que faz, não se esqueça que além de policial, também sou seu pai. Me preocupo com você, por isso, faço questão de ficar por dentro de tudo que anda fazendo, com quem anda falando.

– Oh... Pai... Subestimei o senhor, perdão...

– Tudo bem. Deixa eu analisar o que encontraram.

Ele olhou tudo com muita concentração, e para a minha decepção, respondeu:

– Hum...

– ‘’Hum’’? O que foi?

– É que... Não tem nada que importa aqui...

– Como não?! AÍ fala sobre seus parentes e tudo mais. Deve ajudar de alguma forma! Por favor, pai! Se não acha isso importante, procure com sua conta mais privada que eu não consegui acessar, eu sei que por lá o senhor pode saber exatamente tudo sobre o James!

– Eu vou olhar.

– Ah, obrigada.

– Mas não vou te mostrar nada.

– Pai?! Como assim?!

– Você tem que ficar fora disso. A Anne já foi morta, se você se meter, podem tentar fazer algo com você... Eu não posso nem imaginar o que eu faria se... Enfim, agora você está fora disto. Obrigado por me ajudar, mas agora chega!

Eu não podia acreditar no que estava ouvindo, era o fim! Como assim parar por aqui?! Agora que percebi que falhei, tenho que ajudar a descobrir quem fez isso, pra poder me redimir um pouco pelo menos. Não posso parar.

– Pai! Não me diga isso, por favor!

– Digo sim. Lembre-se: à partir de hoje, você não investiga mais nada. Agora você vai somente dar apoio à Eloise enquanto investigamos o caso. Isso é coisa pra profissionais, felizmente você seguiu a carreira de arquitetura e não de policial, então vá desenhar suas plantas e deixe isso pra polícia. Ouviu?

– Ok... Pai. Vou desenhar minhas plantas, entendi.

– Promete?

Coloquei minhas mãos para trás discretamente e cruzei os dedos.

– Prometo.

– Vou até a delegacia para conversar com o delegado, mais tarde eu estarei de volta. Tchau, filha.

Ele me deu um beijo no rosto e saiu. Obviamente eu não vou parar de investigar, eu sei que pode ser perigoso, mas eu tenho que me arriscar. Alguém morreu, eu tenho que impedir que mais assassinatos aconteçam. Sei que você trabalha bem, pai. Mas se ignorou as informações que eu encontrei, você não está no caminho certo para descobrir o que está acontecendo, por isso tenho que agir.

– Su? O que está fazendo aí só? Tão pensativa... – Falou Eloise esfregando os olhos, pois tinha acabado de acordar –

– Ah, nada demais. Só preocupada.

– Preocupada? Eu também estou, mas se você quiser ajuda, pode me dizer o que precisa.

– Imagina! É bobagem, eu que vou te ajudar, não se preocupe. Logo tudo vai estar bem.

P.O.V – JAMES

Tomei um remédio e consegui descansar. Acabei dormindo durante oito horas seguidas. Estava com muita fome, então fui até a cozinha procurar algo. Quando cheguei lá, Davon estava à mesa, comendo um sanduíche.

– Ah, oi... E então, como está?

– Estou bem... Bem melhor. Obrigado.

– Posso te dizer uma coisa, Jim?

– Claro. – Disse preparando um sanduíche pra mim –

– Você não acha que agora, depois de tudo isso que aconteceu, está mais que na hora de você contar tudo pra Eloise? Sobre quem você é, sobe o que aconteceu e tudo mais?

Fiquei surpreso com o que ele me disse. Eu não tinha pensado nesta possibilidade em momento algum, foi assustador pensar o que poderia acontecer se eu fizesse isto.

– Agora não, se eu o fizer, poderei ficar como suspeito pela morte da Anne, e você sabe que jamais mataria ela, não sabe?

– Sei. Mas acho que está sendo egoísta e pensando só em você.

– Me desculpe, não posso arriscar. Você não vai falar nada pra ela, vai?

– Não. Você entrou nisso, você mesmo vai sair. Só estarei observando, se sair de controle, vou ter que fazer algo à respeito.

P.O.V – ELOISE

Dois meses se passaram desde a morte de Anne. Ninguém da polícia, mesmo o pai da Suellen, conseguiu descobrir quem fez aquilo, apesar de algumas evidências encontradas. Infelizmente, o caso deverá ser arquivado semana que vem, por falta de resultados... Isto me deixa muito triste... Já que não pude ajudá-la, pelo menos queria que quem fez aquilo, pagasse; parece que não vai acontecer, para a minha infelicidade.

Suellen voltou para casa com seu pai já faz três semanas. Agora não tenho quase ninguém. Mamãe continua a trabalhar muito e James, bom, ele parece distante desde o ocorrido. Não sei o que vai ser de mim. Tento continuar minha vida normalmente, indo à escola, vendo o James, mas não é como antes. Conheci a Anne muito rápido, assim como o Jim, mas sinto falta dela. Era uma boa pessoa.

P.O.V – JAMES

Está tudo pronto. Não posso mais ficar assim, não vou descobrir nada, e a morte da Anne não tem como ser revertida. É hoje. Hoje vou dizer a verdade. Chega de tudo isso. Chega de mentir, chega de tentar ser quem não sou. CHEGA!

Fui até a casa de Eloise. Um sábado à tarde, um dia ensolarado, calmo. Pensei em levá-la até um parque para contar tudo de uma vez.

– Este lugar é muito bonito, Jim. Que bom que você me trouxe aqui... Estava me sentindo meio só, preciso muito de você.

Ela pegou minhas mãos, e pela primeira vez, quando ela me olhou, com aqueles lindos olhos, meu coração disparou. E eu pude perceber o quanto eu era uma pessoa má, suja, podre, sem qualquer sentimento bom. Tirei as mãos dela das minhas, e, pela primeira vez em sua frente, chorando, sentei-me na grama próxima a beirada de um lago e fiquei cabisbaixo apenas com minhas lágrimas.

P.O.V – ELOISE

– Eu não consigo entender, Jim. O que está acontecendo?!

– Eloise! Por que gosta de mim? Me diz!

– O quê?! Por que está perguntando isso, James?

– Só me diz! Por favor! Por que gosta de mim?! Eu não te mereço, eu sou podre!

Eu realmente não entendia o que estava acontecendo. É a coisa mais estranha que James já pôde fazer e dizer.

– Bom... Eu gosto de você pelo que eu sinto!

Ele estava de cabeça baixa e chorando, mas quando eu disse isso ele olhou para mim.

– Como assim? O que você sente?

Eu me ajoelhei na grama e o abracei forte.

– Pare de me abraçar! Apenas diga! — Ele me tirou de seu corpo e segurou meus pulsos, olhando em meus olhos sem mudar o olhar de direção. -

– Todo mundo achou estranho quando começamos a namorar. Disseram que era precipitação, coisa de louco. Pra mim nunca foi, eu sinto que você é alguém muito importante pra mim, mas não é de agora, é de sempre. Sinto como se você estivesse perto de mim mais do que só quando me mudei pra cá.

– Entendo... Isto é culpa minha. Você não gosta de mim. Você gosta de outra pessoa. Agora eu entendo.

– Do que você está falando?! Eu não gosto de outra pessoa, eu amo você! Sempre amei, eu confesso eu suspeitei de você, de algo, não sei bem o que era. Mas eu sempre te amei, não quero jamais, Jim, jamais, sair do teu lado. Quero me casar com você, ter filhos e ficar velha ao teu lado. Tenho certeza que não irei me arrepender, você é muito especial pra mim. A minha vida toda, lendo contos de fadas, imaginando, que um dia teria meu príncipe. Quando cresci concluí que a vida não é como nos contos, mas você me fez mudar de opinião. Você me fez acreditar nos contos, ver que posso sim ter alguém tão, tão, tão mágico como você! Me perdoe se algum dia pensei algo errado sobre você. Eu quero que saiba que nunca vou deixar te amar, mesmo que tudo esteja mal, esteja perdido, ainda assim eu vou te amar, e te amarei com todas as minhas forças, pra sempre. Eu prometo.

P.O.V – JAMES

Nunca alguém tinha me dito algo parecido. Nem perto daquilo. Me senti um lixo ao ver o quão bem eu tinha enganado ela; porém percebi que o amor existe. Pela primeira vez em minha vida, eu posso afirmar: o amor existe!

– Eloise, tenho que dizer uma coisa. Me ouça, não diga mais nada.

Notas finais
Obrigada por ter lido mais um capítulo! Deixe seu comentário se possível, e até o próximo capítulo. Tchau! XD