Predestinada - Livro 1

9 Capítulo 9 - Meus machucados se curam diante de todos


Notas iniciais
Edição e revisão completos. Talia mandou um "Oie :3"

Acordo com a campainha tocando sem parar.

Minha cabeça estava estourando, o efeito do remédio havia passado. O que me fazia ver tudo girando à minha volta, piorando cada vez mais minha condição.

Me levanto rápido e cambaleando, me apoiando nas paredes pela tontura, quase piso em falso na escada. Correndo, chego na porta e a abro.

Estava parada em frente à minha porta um mulher muito elegante, tinha cabelos castanhos e pele caramelo, olhos esverdeados. Tive uma sensação estranha com ela.

– Charlotte Thompson Stevens ? — pergunta a mulher me avaliando de cima à baixo.

– Sim ? — digo com cautela.

– Sou a detetive Scarlett Russel, posso ter um minuto com a senhorita ? — pergunta a detetive Scarlett como se eu não tivesse muita opção.

– Claro. — digo dando espaço para ela entrar. — Entre, por favor.

– Obrigada.

Levo a detetive Scarlett para a sala e nos sentamos no sofá.

– A senhora gostaria de um copo d'água ? — pergunto por educação.

– Não, obrigada, serei breve. — disse a detetive Scarlett. — Eu gostaria de saber qual é o seu relacionamento com o senhor Harry West ?

– O que ? — pergunto confusa.

– Ele foi encontrado morto ontem à noite, embora o estado do corpo tenha mostrado que ele estava ali faz um dia. E... Encontramos suas digitais presentes no local. — conta Scarlett calma, mas com um olhar desconfiado.

Meu corpo dá início a uma onda tensa se passando por todo ele. Não sabia se eu contasse tudo o que aconteceu ela iria acreditar em mim, mas o que custa tentar ?

– E ? — pergunto sem saber o que dizer.

– E acho que você vai ter que vir comigo até a delegacia e fica uma noite de cana. O que acha ? — diz a detetive Scarlett rudemente.

– Olha, isso tudo é um mal entendido. — explico. — Eu estava passando por ali depois de ter comprado um lanche para mim e escutei uns barulhos como se fossem de briga. E me escondi porque sabe-se lá quem estava ali, só escutei gritos e depois disso um homem saiu do beco, mas eu não consegui ver seu rosto, estava muito escuro.

A detetive Scarlett me olha atentamente e com cautela, mas parecia satisfeita.

– Ótimo, mas você não explicou o que você foi fazer no beco. — disse ela.

– Notei que um dos homens não tinha saído e fui ver o que aconteceu. — digo lembrando de como foi ver o olhar vazio do homem, quer dizer, de Harry West. — E então, o vi morto. Eu caí no chão, porque tinha me assustado. Eu juro, não tive nada haver com a morte dele.

– Tudo bem. Vamos examinar a arma do crime amanhã à noite e, se tiver alguma digital sua nela. Já sabe que quando eu vier aqui vai ser para te buscar até a cadeia. — diz a detetive Scarlett séria.

– Sim, senhora. — digo com cautela.

– Olhe, se você estiver envolvida nisso de alguma forma. Irei te prender, sinto muito, mas é o que terei de fazer.

– Eu entendo. — digo pensativa.

– Tenha cuidado da próxima vez quando andar por aí. — disse ela. — Obrigada pela atenção, Charlotte e amanhã, quem sabe, eu volte aqui.

– Tudo bem. — disse eu me levantando para a levar até a porta.

– Tenha uma boa noite, Charlie. Posso lhe chamar assim ? — Pergunta a detetive Scarlett já no meio da porta para sair.

– Sim, até mais. — disse eu em despedida.

Ando até a cozinha e vejo o que Pearl deixou para mim de jantar, era lasanha.

Apertei o botão para esquentar e fiquei esperando.

Através da janela da cozinha, vejo uma sombra passando rapidamente. Meu coração começa a palpitar cada vez mais rápido.

Pego uma faca dentro da gaveta e a seguro com força, pois estava tremendo.

Abro a porta da cozinha e olho para fora, andando até o meio do quintal com a faca ainda na mão, vasculho a área. O arbusto ao meu lado se mexeu e de lá, sai um gato cinza.

Ele encara a faca em minha mão e mia.

– Oi, amiguinho. Você quase faz a tia Charlie ter um ataque cardíaco. — digo me abaixando e afagando a cabeça do gato com outra mão. Ele mia em resposta e eu rio.

Entro, pego um pote e coloco leite, largo a faca em cima do balcão. Quando volto o gato ainda estava parado no mesmo lugar olhando para a cerca dos fundos que limitava o espaço entre a floresta de minha casa.

– Aqui, fofura. — digo colocando o pote cheio de leite no chão para o gato beber.

Entro e deixo o gato do lado de fora. Minha lasanha já tinha esquentado, comi e depois subi para tomar um banho e me jogar na minha cama.

Após o banho, olho para ver o estado de meu rosto no espelho do banheiro. Eu não havia visto como estava desde que cheguei em casa, acho que estou com medo de ver o estrago que Giulia fez em mim.

Mas não tinha nenhum estrago em meu rosto, ele parecia intacto. Como se nunca tivesse me batido, uma linda peça de porcelana sem nenhum arranhão. O que me assustou porque achei que estivesse toda machucada.

As expressões de Rob e Dimitri vieram me em mente. O modo com Dimitri ficou rindo e sua risada para quase que instantaneamente, a maneira como Rob me olhava pasmo.

"Será que meus machucados se curaram na frente deles ?", penso.

Se isso aconteceu, deve ter algo errado comigo. Algo muito, muito errado.

"Você tem se sentido estranha ou algo do tipo ? Viu algo em você que lhe assustou ?"

As palavras que Rob tinha me perguntado estavam martelando minha consciência, tudo se ligando aos poucos.

– Não, isso só pode ser loucura. — falo comigo mesma pensando. — Isso é apenas uma paranoia que você criou na sua cabeça, Charlie.

Ouço um barulho de panelas na cozinha.

"Deve ser o gato invadindo minha casa querendo mais leite.", penso.

Desço as escadas enrolada na toalha ainda me segurando nas paredes pela tontura. Caminho até a cozinha e não vejo nada, as panelas não estavam fora dos armários e nem a porta da cozinha estava aberta. Tranco a porta e subo para trocar de roupas.

Assim que estou vestindo a camiseta por último, ouço mais um barulho na cozinha. Ando até a escada, desço devagar e olho para a sala, não havia nada de diferente. Caminho até a cozinha e nada.

– Só posso está ficando maluca de vez. — digo impaciente.

Me volto para a sala e tinha uma pessoa toda vestida de preto e seu rosto estava encapuzado parada no meio da sala. Não conseguia diferenciar se era um homem ou uma mulher, era muito difícil de ver.

– Quem é você ? — pergunto voltando de costas para a cozinha. — Como você entrou aqui ?

A pessoa não responde, simplesmente caminha atrás de mim.

– O que você quer ? — pergunto, me arrependendo em seguida. A pessoa parecia ter dado uma risada seca e me encarava.

Ando de costas e bato com a maçaneta da porta da cozinha, tento a destrancar o mais depressa possível.

– Saia da minha casa! — grito ainda tentando destrancar a porta.

Quem quer que fosse aquela pessoa, ela não deu a mínima para o que tinha dito, olhou para o balcão que eu havia deixado a faca.

Engoli em seco, minha respiração começou a acelerar mais e mais. Eu tentava abrir a porta, mas minhas mãos estavam suando frio e escorregando da maçaneta.

Assim que ouço o clique que a porta fez no momento a tranca abriu, escancarei a porta e sai correndo disparada. Tento pular a cerca, mas mãos agarram meu pé. Me debato e chuto o rosto de quem quer que fosse aquele psicopata e pulo a cerca que levava para a floresta.

Descalça, meus pés doíam só de pisar na grama cheia de galhos quebrados e pedras pontudas. Corria em direção a rua mais próxima, se eu fosse reto, sairia perto do mercado na esquina e ligaria para a polícia.

Já sem fôlego e perto do mercado na esquina, começa uma chuva forte.

– Maravilha. — digo com raiva. — Não podia ficar pior.

Sabe quando dizem palavras tem poder ? Pois é, tem mesmo e, podem ferrar sua vida.

Ouço a risada seca atrás de mim. Os meus pelos se arrepiam.

"Porra, o que eu te fiz ? ", penso

Me virando e vendo o desgraçado encapuzado parado como se não tivesse se esforçado para correr.

– Quem é você, seu merda ? — digo rudemente. — O que eu te fiz ?

– Não o que você fez, mas o que iria fazer. — diz a pessoa com uma voz grave. Era um homem.

– O que ? — pergunto confusa. — Do que você está falando ?

– Eu sinto muito pelo o que vou fazer. — diz ele tira uma faca do bolso do casaco e dando passos firmes em minha direção, mas ele instantaneamente para à meio metro de mim. Como se tivesse sentido algo que fosse impossível de acontecer. — Não é possível. Como você... Como você pode ser é um deles ?

Meu corpo enrijeceu e minha tontura já havia e estabilizado.

O que ele queria dizer com isso ?

– Eu sou o que ? — pergunto.

Ele apenas caminha até a mim e agarra meu pulso, ele corta meu antebraço com a faca. Grito por impulso, mas por incrível que possa parecer, não doía.

Eu dei uma joelhada em seu saco e corro disparada até a rua. No meio da pista me viro vendo faróis muitos altos incomodando minha visão. Sou atropelada por um carro que não tinha visto vindo.

Caída no chão e ainda não estava sentido dor, só me sentia com uma sensação estranha, alguma presença que me causava calafrio. O motorista — advinha quem era — Giulia saí desesperada do carro e me olha assustada.

– Charlie ? — pergunta Giulia incrédula. — O que você está fazendo correndo no meio da rua ?

– Tem alguém querendo me matar. — digo ainda no chão com a visão se apagando.

– Charlie ? Charlie! — disse Giulia se abaixando e dando leves — literalmente leves — tapas em meu rosto para que eu não apagasse.

[...]

– Ela está assim há quanto tempo ? — pergunta uma voz que me parece de John.

– Já tem duas horas. — disse Giulia. — O rosto dela está intacto, isso não é bom.

– Acho melhor, levarmos ela para um lugar seguro. — disse John.

Gemi de dor, minha cabeça estava quase entrando em explosão. Aquela estranha sensação estava em completo alerta, era como se fosse um aviso de pessoas estivessem perto.

Olho ao meu redor e estava em meu quarto. De pé ao lado da minha cama estavam John e Giulia.

– O que vocês estão fazendo aqui ? — pergunto com uma voz de sono.

– Olá, Charlie. — disse John num tom suave.

– Vou repetir, o que vocês estão fazendo aqui ? — digo tentando me levantar.

– Giulia te atropelou e me ligou para a ajudar... — diz John.

– Se livrar do meu corpo ? — pergunto assustada interrompendo John.

– Até que é uma boa ideia. — disse Giulia dando ombros, John cutuca ela. — O quê ?

– Você pode me deixar a sós com a Charlie ? — pergunta John me olhando e em seguida para Giulia.

– Acho que estou sobrando aqui. — disse Giulia revirando os olhos.

Assim que ela saí, John senta na beira de minha cama e me olha atentamente, parecia procurar algo de errado em mim.

– Você está bem ? — pergunta John suavemente.

– Não, está tudo uma merda. — digo suspirando de impaciência. — Parece que todos querem me matar e além do mais, eu estou cansada. Porque Giulia falou que não era bom meu rosto está intacto ? — pergunto desconfiada.

– Porque ela acha que dava para te bater mais. — diz John rindo.

Rio sem humor. Não ia discutir com John por isso, mas o porque ele estava perto de Giulia era o que acho estranho, ele não gosta dela nem um pouco. O que estava fazendo com ela aqui ? E porque ela ligou para ele e não para emergência ? Porque John está perto de Giulia ? E o pior de tudo, Clarice sabe disso ?

– Quem foi ? — pergunta John desconfiado.

– Quem o que ?

– Quem veio aqui ?

– Não sei, ouvi barulhos na cozinha e desci achando que fosse o gato que vi no quintal querendo mais leite, mas não era. Era um homem vestido todo de preto e seu rosto estava coberto. Ele pegou a faca e eu corri pela portas dos fundos até a floresta, fui até o mercado de esquina, ele me falou alguma coisa que me deixou confusa e depois disso, Giulia me atropelou.

– O que ele disse ?

– Não era possível eu ser um deles.

– Mas alguma coisa depois disso ? — pergunta John com a voz calma, mas seu corpo tenso.

– Ele tentou me cortar, mas... — se não queria falar para Dimitri sobre meu problema de meus machucados se curarem sozinhos, imagine para John. — não conseguiu.

John fica pensativo e depois olha para a janela a fora.

– Eu sei o que você deve está pensando, porque eu estou aqui com Giulia. — disse John.

"Na mosca, moço.", penso.

– Estou mesmo. — disse eu

– Ela ligou para Dimitri, mas ele esqueceu o celular em casa, então eu atendi e vim ajudar. — diz John agora, voltando seus olhos para mim. — Olha, eu não gosto de Giulia tanto quanto você, mas... você é a melhor amiga de Clarice, ela não tem muitos amigos por a acharem estranha e se ela te perder, não sei o que vai ser da minha Clarie. E além do mais, gosto de você, é uma boa pessoa, Charlie.

Giulia aparece para a porta e suspira impaciente.

– Vamos, John. Ela já acordou não precisa de nossa ajuda mais.

– Não. — disse John. — Ela não pode ficar sozinha.

– E daí ? — diz Giulia imitando um bocejo para demonstrar tédio.

– Tem alguém que possa ficar aqui com você ? — pergunta John ficando de pé.

– Pode ir, eu vou ligar para o Rob ficar aqui comigo. — digo.

Assim que citei o nome de Rob, os corpos de John e Giulia ficaram tensos. Não entendi porquê.

– Tudo bem, qualquer coisa liguei para o celular de Dimitri, estou com ele. — disse John ainda tenso e com o celular na mão balançando para demonstra que estava com ele.

– Okay. — digo por fim.

– Até mais, Charlie. — disse John saindo do quarto junto com Giulia.

No momento que eles saíram, aquela sensação estranha se foi junto. Isso era bem estranho mesmo.

Me levanto da cama tonta e procuro meu celular na escrivaninha, quando percebo meu celular estava em cima do criado-mudo ao lado de minha cama.

"Não é atoa que Dimitri me chama de lerda.", penso.

Disco o número de Rob e depois de três chamadas ele atende.

– Charlie ?

– Eu! — digo.

– O que foi ? — diz Rob rindo.

– Você pode vir aqui em casa ? — pergunto meia tímida.

– Okay, tô saindo de casa. — disse Rob desligando.

Verifico se a janela de meu quarto estava trancada e desço para esperar Rob. Vou até a cozinha e tranco a porta, em seguida espero Rob na sala.

Assim que a campainha toca caminho até lá para atender.

– Hey. — disse Rob.

– Hey, entre. — digo sentindo de novo aquela sensação estranha pela quarta vez.

Assim que Rob entra, tranco a porta da frente e sentamos no sofá da sala.

– O que foi, Charlie ? — pergunta Rob preocupado e jogado no sofá.

– Invadiram minha casa e tentaram me matar. — digo abaixando a cabeça.

– O quê ? — se exalta Rob nervoso. — Como assim tentaram te matar ?

Conto para Rob tudo o que houve da detetive Scarlett até eu ligar para ele.

– Você não vai mais ficar em casa sozinha, me ouviu. — disse Rob com o tom de autoritário.

– Não posso nem mais sair. — digo meio triste.

– Ele disse que você era um deles ? — pergunta Rob estreitando os olhos para mim.

– Sei lá, só sei que ele tentou cortar meu braço, mas não conseguiu. — digo nervosa e impaciente.

– Charlie, eu disse para você que iria lhe contar o que houve comigo, mas não vou lhe contar tudo. Pelo menos uma parte. Estou com medo do que aconteceu comigo, está acontecendo com você. — explica Rob.

– Do que você está falando ?

– Antes sumir, eu... Me sentia muito estranho. Coisas estranhas acontecendo, cortes que se... Curavam sozinhos. Eu escutava e ainda escuto as pessoas, como se elas estivessem falando dentro de minha cabeça. O pensamento delas, eu ouvia.

– Você escuta o que as pessoas pensam dentro da sua cabeça ? — pergunto incrédula.

Rob tinha razão, o que aconteceu com ele pode estar acontecendo comigo. Ou melhor, está acontecendo.

– Eu sei, eu sei. É loucura, mas é verdade. — disse Rob em defesa.

– Por incrível que pareça, eu acredito. É o que realmente anda acontecendo. — afirmo.

– Sério ? — pergunta Rob meio triste, achando que eu estivesse zombando dele.

– Rob, eu vou te mostrar, mas você não pode contar isso para ninguém.

Caminho até a cozinha, Rob vem atrás de mim. Pego uma faca na gaveta e faço o corte no meu antebraço esquerdo.

Rob assiste atordoado o corte se curando, como se ele nunca tivesse existido.

– Você também escuta o que as pessoas pensam ? — pergunta Rob ainda olhando para onde o corte tinha sumido.

– Sim, na verdade, só escutei uma pessoa até agora. — disse eu lavando a faca na pia da cozinha.

– Quem foi ?

– Dimitri Reese.

– O que ele dizia ? — pergunta Rob com a postura rígida.

– Para falar a verdade, nunca dei importância para o que ele dizia e sim, o porquê eu o ouvia.

– O que você acha que nós somos ? — disse Rob mudando de assunto.

– Sei lá, algum tipo de mutante. — disse eu pensando. — Será que somos tipo os X-Men ? Seria incrível!

Rob apenas ri de mim e do que disse. Mas ele sabia de tudo isso, como ? O que ele sabe para ser exata ?

– O que foi ? Falei besteira ? — pergunto sem graça.

– Mais ou menos. Você tem que dormir, está tarde e sua avó já deve estar chegando. — diz Rob pegando algo do bolso de sua calça. — Eu vou ficar aqui até ela chegar.

Rob tirou um medalhão do formato de asas de ambos os lados e no meio, uma rosa azulada.

– Quero que fique com isso. — diz Rob colocando o medalhão em minha mão.

– Obrigada. — digo olhando o medalhão. — O que significa ?

– Você vai saber um dia. — sorri Rob. — Vamos, você deve estar exausta.

– Está bem. — digo em meio a um bocejo.

Andando como uma zumbi até meu quarto e Rob atrás de mim rindo da maneira que eu andava.

– Nossa. Tudo o que faço você acha graça ? — disse eu já parada em frente a cama e me virando para olhar Rob.

– Se você visse o que vejo, você acharia, — disse Rob. — e... É uma comédia ver você com sono.

– Estou dizendo, você está pirando.

Antes de me jogar na cama, coloco o medalhão dentro do criado-mudo. Puxo a coberta até meus ombros e olho para Rob parado no meio do quarto. Eu fico sem graça por ele está em pé, se bem que tem cadeiras aqui para ele se sentar; mas não estou com segundas intenções com Rob, embora não sei se ele esteja.

– Você quer deitar aqui ? — pergunto corando.

Rob não responde, apenas sorri tirando os sapatos e se deitando ao meu lado na cama.

– Você está desconfortável, não está ? — pergunta Rob me olhando.

– Não, relaxa. — digo nervosa. — Só nunca dormi com um garoto ao meu lado na cama.

"Mentirosaaaaa!" , penso.

– Tudo bem. — disse Rob com o seu olhar, como eu odiava aquele olhar, de cãozinho abandonado.

– Chega mais. — digo me culpando e socando por dentro de ter dito aquilo.

Os olhos de Rob brilharam quando eu disse aquilo. Ele se aconchegou mais perto de mim e deitei minha cabeça em seu ombro. Era bem melhor que o de Dimitri (brincadeira). Na verdade, estava me perguntando no que ele estaria fazendo agora.

Rob coloca seu braço em minha volta e me aperta bem contra seu corpo, era quente, claro que comparando com o frio que estava lá fora e que eu vivo gelada.

– Você está muito gelada. — disse Rob.

– O que é normal. — digo dando uma risada nervosa.

Aquilo estava me deixando muito desconfortável, não queria ficar daquela maneira com Rob. Não queria lhe dar falsas esperanças e nem me dar falsas esperanças também com Dimitri; embora ele tenha dito que gosta de mim, mas nunca se sabe.

– Você se mexe muito enquanto dorme, então, vou dormir no sofá quando você pegar no sono. — disse Rob rindo.

– O que vai ser rápido. — digo em meio a um bocejo.

– Apenas durma, diva. — disse Rob afagando meu cabelo e a cada afago são ondas e mais ondas de sono que vinham.

Acordo com a porta de meu quarto abrindo. Abro um pouco os olhos e vejo Pearl rindo de ver eu e Rob dormindo juntos, depois ela fecha a porta devagar.

Esfrego meus olhos para acordar e me levantar para ir no banheiro, mas Rob se vira e me empurra, ele acorda assustado por perceber que quase me derruba da cama.

– Charlie, — disse Rob com voz de sono e me puxando para não cair. — você está bem ?

– Estou, estou. Agora, vê se não me empurra de novo, porra. — resmungo por ele quase me jogar no chão.

– Desculpe, minha pequena. — disse Rob me puxando para perto dele.

– Espera, quero ir no banheiro. — digo o empurrando.

Vou até ao banheiro e quando volto Rob está dormindo de novo e atravessado na cama toda.

Começo a rir da cena e me sento na poltrona que fica perto da janela do meu quarto.

Apenas fico admirando a chuva que acontecia lá fora com a cabeça encostada no batente da janela. E vejo um cara parado no meio da rua olhando para mim.

Ele estava todo molhado e seu cabelo pigava por conta da chuva. Eu o reconheci.

– Pai ? — me levanto surpresa.

Coloco a mão na janela e tento a abrir desesperada, mas não abria.

– Pai! — sussurro chorando.

Decido descer e ir até ele. Assim que chego na porta da frente e a abro, ele não estava mais lá.

Caminho até onde ele estava, sendo encharcada pela chuva. Parada e chorando no lugar onde achei ter visto meu pai, me viro para o começo da rua e lá estava ele parado me olhando também, não dava para ver seu rosto pela sombra que estava.

– Pai! — chamo.

– Sinto muito, Charlie. — grita ele por cima da trovoada que deu.

A claridade da trovoada foi tão grande que incomodou minha vista. Coloquei a mão por cima dos olhos e me volto para meu pai, ele já não estava mais lá.

Perco o equilíbrio caindo no chão chorando e dando socos no asfalto de frustração. Ele estava ali, na minha frente, não consegui ver seu rosto, mas ele parecia não ter mudado nada comparando com a foto que tinha dele.

– Charlie! — grita Rob vindo me tirar do meio da rua, ele me leva para casa. Ele estava todo molhado e me olhava desconfiado.

– Sinto muito, Rob. Me perdoe. — disse chorando e abraçando Rob.

– O que você foi fazer lá fora ? — pergunta ele.

– Eu... Eu... — não conseguia falar por estar batendo os dentes e cheia de frio. — Eu... Achei ter visto meu pai.

A verdade saiu sem que eu percebesse, só me dei conta quando já tinha falado.

– Você o que ? — pergunta Rob me afastando dele e me olhando surpreso.

– Achei ter visto meu pai. — digo rangendo os dentes.

– Como você podia saber que era ele ? — disse Rob estreitando os olhos para mim.

– Não sei. — minto. — Eu só pensei que podia ser, a Jess disse que ela podia se parece com ele, sabe, a Jess é muito diferente de toda família.

– Tudo bem, — disse Rob ainda desconfiado. — vamos subir, você tem que trocar de roupa. Está toda encharcada.

– E você ? — pergunto por ele está encharcado também.

– Minha camionete está parada na sua garagem caso não saiba, trouxe roupa reserva dentro. — explica Rob.

– E porque você trouxe roupa reserva ? — pergunto muito nervosa com a resposta de Rob.

– Para qualquer tipo de emergência ou que eu tenha de trocar de roupa. Agora, vai logo. Você está tremendo.

Subi e troquei de roupa no quarto, enquanto Rob usava o banheiro para trocar as suas.

Aquilo era muito estranho e me deixa nervosa. Eu e Rob nunca tínhamos tido algo assim em todos os nossos anos de amizade. Era estranho.

– Já se trocou ? — pergunta Rob do banheiro.

– Já — respondo.

Rob sai do banheiro com uma calça jeans azul escuro e uma camisa vermelha. E eu vestida com um moletom verde, calças de dormir.

– Vai dormir de jeans ? — pergunto.

– Quer que eu durma de cueca box ? — Rob me deu um sorriso malicioso que me lembrou Dimitri.

– Não. Jeans está ótimo.

Me deito na cama e Rob se aconchega do outro lado da cama.

Durante a noite toda, Rob me empurrava e batia com tapas, às vezes socos enquanto dormia. Eu, como uma boa pessoa, o empurrava de volta, mas não batia nele de volta.

O despertador toca e o desligo. Era sábado, não tinha motivo nenhum dessa porcaria tocar em pleno sábado.

Acordo finalmente com Rob resmungando pelo despertador, o que me fez rir e Rob perceber que eu tinha acordado.

– Hey. — disse Rob com uma voz de sono. — Minha diva acordou.

– E ela quer dormir mais. — respondo rindo. — O princeso bateu nela enquanto dormia.

– Eu te bati ? — pergunta Rob sem graça. — Desculpe, me debato muito enquanto durmo.

– Tudo bem. — digo piscando e deixando os olhos ficarem fechados quase caindo no sono, até que sinto alguma coisa mexendo no meu cabelo e abro os olhos. Eu podia jurar que estava vendo Dimitri.

– O que foi ? — pergunta.

Pisco novamente e a imagem se volta para Rob.

– Nada, só sono. — minto.

Rob ri e continua a afagar meu cabelo, aquilo me fazia querer dormir.

– Agora, sei porque nunca gostou que ninguém mexesse no seu cabelo, você sente sono. — sorria Rob enquanto falava. — E você fica tão bonitinha com essa cara.

– Tudo bem, chega desse momento melodramático, por favor. — disse eu.

O sorriso de Rob desapareceu quando eu disse aquilo, mas afinal o que podia fazer ? Não quero dar falsas esperanças para ele.

– Charlie ? — Me chama uma voz bem chata e que achei que só fosse a ouvir por telefone ou quando ela visse para cá num feriado prolongado.

Me viro para porta do meu quarto e lá estava ela parada com malas nas mãos. Uma branquela de quase um metro e oitenta, de cabelos castanhos escuros e seus olhos também, com sua pose esnobe épica, uma personalidade forte que gritava só pelo seu olhar. Essa pessoa incrível era minha irmã, Jess.

– Jess ? — pergunto surpresa. — O que você faz aqui ?

– Essa casa também é minha. — disse Jess com sarcasmo. — E você disse que nada estava rolando entre vocês dois.
Jess apontou para mim e Rob estreitando os olhos.

– Nada aconteceu, Jess, eu juro. — disse Rob levantando. Ele era mais alto que Jess e, eu era a única pequena no momento. — Eu nunca fiz nada com Charlie, não do jeito que esteja pensando.

– Charlie ? — chama Jess esperando eu olhar para ela. — É verdade o que ele disse ?

– É, nunca aconteceu. Te juro. — digo envergonhada de Jess ter visto eu e Rob.

– Eu vou indo, Charlie. Depois você me liga. — disse Rob indo embora e passado perto de Jess, o corpo de ambos ficou tenso ao se aproximarem.

Aquela sensação estranha estava desde ontem e estava me incomodando.

– Quer me explicar o que ele estava fazendo na sua cama ? — pergunta Jess com autoridade. — E não venha me dizer que não aconteceu nada, porquê eu já usei esse truque antes.

– Rob e eu estávamos fazendo maratona de séries. Sabe como é, você assiste quantos episódios dê para assistir e... — minto e ainda sou interrompida por Jess.

– Está bem, está bem. — perde a paciência Jess. — Vai ficar aí parada me olhando ou me dar um abraço ?

Me levanto e caminho até Jess a abraçando.

– Sei que você não gosta de abraços, mas aguente você vai sobreviver. — sussurra Jess em meu ouvido.

– Ridícula. — disse eu a empurrando.

– Relaxe, minha fã. — disse Jess procurando alguma coisa dentro de sua mala. — Aqui.

Jess tira de sua mala uma coberta com os símbolos de todas as casas de Hogwarts e um camiseta xadrez de manga longa preta e branca.

– Eu achei esses dois a sua cara.

– Eu adorei! — abraço Jess de novo. — Obrigada, obrigada, obrigada.

– Está bem, entendi, você gostou. — disse Jess me empurrando e me observando atentamente. — O que houve com você que agora abraça as pessoas ?

– Não sei. — digo pensando nesse assunto.

– Okay, sua estranha. — disse Jess avaliando de cima à baixo desconfiada.

– Vou tomar um banho. — digo pegando uma camisa de manga curta cinza e uma calça no armário. Coloco meus presentes dentro do armário

– Vai mesmo, está precisando. — Jess coloca sua mão sobre seu nariz.

– Ridícula. — digo indo para o banheiro.

Assim que termino meu banho e visto minhas roupas, saio do banheiro e vendo Jess olhando minhas roupas no armário. Para cada peça de roupa era uma careta diferente de reprovação.

– Ainda bem que vim nesse final de semana, você está precisando de minha ajuda. — disse Jess me olhando com a careta de reprovação. — Hoje, vamos fazer compras no centro.

– Tudo bem. — digo entendida e depois penso porque Jess estava aqui. — Jess porque veio nessa semana para cá ?

– Porque eu estava com saudades de casa. Afinal, é minha também.

– Mas você só vem em feriados. — digo estreitando os olhos para ela.

– Qual é o problema de eu vim aqui ? — Jess aumenta o tom de voz.

– Nenhum. Só acho estranho você vim aqui sem avisar nada.

– Eu liguei para Pearl de última hora, não estava bem. Eu e Oliver terminamos. — disse Jess triste. Oliver era o namorado que ela tinha arrumado na faculdade. Ele tinha vindo para cá com Jess no último verão, ele era bem estranho, mas muito bonito.

– Entendi. — disse eu tentando mudar de assunto. — Olha, eu só vou tomar café e vamos.

– Ótimo. — disse Jess se animando.

Assim como Jess, eu gostava de fazer compras, mas só se tivesse uma pausa para comer.

Andamos quase todo centro comercial de Aberdeen e Jess só comprou metade de todas as lojas que passamos. Eu só havia comprado pouca coisa, umas camisetas e calças.

Mas não sei o que deu em mim que resolvi entrar em uma loja com Jess e comprei um vestido que ia até os joelhos, tinha alças e uma abertura de meio círculo nos ombros e o resto da manga longa. Era lindo o vestido. Nunca fui de usar vestido, mas quando gosto de um, não tem quem faça o tirar da cabeça.

Saindo da loja toda feliz pelo vestido e fingindo que não estava escutando Jess dizendo que eu iria ter que o emprestar para ela depois.

– Jess, estou com fome. — digo fazendo meu olhar de criança faminta. — Vamos parar para comer ?

– Saímos de casa tem... — Jess olha em seu relógio de pulso e continua. — Três horas e você já está com fome ?

– Claro, eu sou gorda. Preciso comer. — respondo. — Tem uma lanchonete aqui perto a gente compra a comida e vamos para casa.

– Que seja, Charlie. — resmunga Jess.

Estou atravessando a rua e o sinal estava aberto para pedestres. Um carro passou correndo e só diminuiu a velocidade quando me acertou, me arremessando longe.

– Charlie! — grita Jess correndo até mim.

O motorista sai do carro correndo até mim também. Mais um infeliz que me atropela e esse infeliz, era Dimitri.

– Charlie! Meu Deus, me perdoe, Charlie. — disse Dimitri desesperado.

Aquela sensação estranha continuava e quando Dimitri chegou perto de mim, ela ficou mais aguçada.

Olho ao redor ainda no chão, havia uma grupo de pessoas paradas olhando o que tinha acontecido comigo.

– Estou bem. — digo tentando me sentar.

Olhei para meu braço estava todo machucado e aos poucos estava sumindo. Tento tampar com as mãos por cima, mas Jess já tinha percebido. Ela olhou para cara de Dimitri e ele a entre olhou.

– Vamos para casa, agora. — disse Jess se levantando. — Você vai nos levar. — aponta Jess para Dimitri.

Dimitri me olha de maneira triste e me pega no colo, levando-me até seu carro.

– Não se preocupem! Está tudo bem! — grita Jess para as pessoas que ficaram olhando meu acidente. — Vamos a levar para o hospital.

– Jess, eu não ia para casa ? — pergunto perto dela.

– Cala a boca, porra. — sussurra Jess e me belisca.

Dimitri estava muito quieto, até o o escutar.

" Você não deveria está assim. O que eu vou fazer agora ?", ouço Dimitri em minha mente.

– Dimitri, o que foi ? — pergunto pela expressão de seu rosto.

– Nada, — diz ele me dando um sorriso fraco e me colocando no banco de trás do carro. — vai ficar tudo bem.

– Charlie, está sentindo alguma coisa ? — pergunta Jess sentando no banco de trás junto de mim.

– Só um pouco de dor. — minto. Eu não estava com dor nenhuma, esse era o pior.

– Parabéns, garoto. Minha irmãzinha está com dor! Você é um ótimo motorista, onde tirou sua carteira ? — disse Jess com sarcasmo. — Só não me diga que você a comprou por aí.

– Jess. — digo séria. — Chega. Eu não estou querendo nenhuma discussão.

– Desculpe, então por tentar te proteger. — disse Jess sentindo-se ofendida.

– Hey, — disse Dimitri chamando a atenção de Jess. — você não estava falando que ela está com dor, então para de falar só por alguns segundos. Ela não merece esse tipo de tortura com você falando sem parar.

"Agora deu merda.", penso e olho para cara de Jess. Ela parecia que ia pular no pescoço de Dimitri e arrancar seus miolos.

– Jess, lembra da aquela exercício de respiração que você me ensinou ? — pergunto para ela tirar a atenção de Dimitri. — Faça-o, vai por mim.

Jess expirar e suspira profundamente

Dimitri olhava pelo retrovisor para mim, lhe dou um sorriso pequeno e ele volta seus olhos para estrada.Meu olhar se lançou na paisagem nublada de Aberdeen.

Dimitri para o carro na garagem de minha casa, ele sai do carro e abre a porta de trás para me carregar.

– Não precisa, eu consigo. — digo tentando ficar de pé, mas Dimitri parece não me ouvir e me pega no colo. Jess estava já na entrada de casa nos esperando.

– Você não está bem, Charlie. Então para de tentar fazer esforço. — falou ele rude.

– Me coloca no chão agora, se for para você ficar de palhaçada. — disse eu o olhando séria.

Ele me olha do mesmo jeito e suspira de maneira impaciente.

– Chega. — digo empurrando o peito de Dimitri. Na tentativa de ficar de pé certinha no chão, não deu muito certo, eu caio no chão.

– Você é louco ? — grita Jess com Dimitri.

– Ela quem me empurrou. — grita Dimitri de volta.

Dimitri me pega de novo no colo, desta vez, me segurava firme. Ele me leva até meu quarto e me coloca na cama, mas eu fico de pé para o encarar.

Dimitri estava estranho, tinha alguma coisa que o perturbava.

– O que você tem ? — pergunto olhando para seu rosto.

– Nada, só... — disse Dimitri calmo. — Estou preocupado com você.

– Não precisa estar, estou bem. — digo colocando as mãos em seu rosto, Dimitri fechou os olhos por um momento e depois os abriu. Os olhos dele estavam tão verdes e brilhantes. — Não se preocupe.

Ele me abraça e depois me beija, mas não durou muito com Jess aparecendo e limpando a garganta.

– Quem é essa maluca ? — sussurra Dimitri me fazendo rir.

– Minha irmã Jess. Está vendo que ela tem um profundo carinho por você ? — sussurro no ouvido de Dimitri.

– É tanto carinho que me mata. — ri Dimitri. — Eu vou indo, mais tarde te ligo, okay ?

– Está bem. — digo e ele me beija mais uma vez bem ligando para Jess atrás de nós.

– Tudo bem, chega vocês dois. — disse Jess separando eu e Dimitri. — Agora vai embora, nada de beijar Charlie.

Dimitri dá seu sorriso malicioso e me dá uma piscadela para provocar Jess e, vai embora.

– Quem é esse tarado ? — pergunta Jess se virando para mim.

– Dimitri. — respondo.

– De onde você o conhece ? — pergunta como se fosse minha mãe. — Quanto tempo vocês estão juntos ? E porque você não me contou nada ?

– Ele é do colégio. Nós não namoramos e não te disse nada porque foi depois da última vez que falei com você. — explico.

– Você é o que para ele ? — pergunta Jess. — Aquela que ele dá uns pegas por aí e depois não te liga ?

– Não, ele se preocupa comigo. Ele não é seu ex, Jess.

– Está dizendo que ele te atropelar significa que ele gosta de você ?

– Do que você está falando ?

– Nada, esqueça. Só não quero que se magoe. — disse Jess pensativa e com o seu olhar de eu-sei-de-algo-que-você-não-vai-gostar.

– O que foi ?

– Não acho boa escolha você ter algo com ele. Senti uma coisa estranha nele em relação à você.

Jess tinha essa chatice que ela chamava de sexto sentido especial. Quando ela senti algo estranho com uma pessoa sempre acontecia um problema. E toda vez que ela sentia isso, ela, infelizmente, tinha razão.

– Eu devo ficar longe dele, então ? — pergunto pensando no assunto.

– É o que eu faria, mas... Você quer ficar longe dele ? — pergunta Jess com olhar de pena.

Para falar a verdade, não queria. Eu gosto de Dimitri e ele está me ajudando a encontrar meu pai, tudo o que ele fazia era pensando em mim.

Como não se gostar de alguém que se preocupa com você ?

Notas finais
Olá, caro leitor! Gostaria de agradecer à você que leu mais um capítulo da série Predestinada. Eu sei que mal postei um capítulo essa semana, mas já havia escrito esse também e estou aproveitando para postar mais um à vocês. Eu queria muito saber a opinião de vocês sobre o que estão achando da história, pois estou me sentindo um tanto desmotivada à escrever, embora nem tenha realmente chegado no ponto que a história começa e, gostaria muito da opinião de vocês, mesmo. Enfim, se você gostou deste capítulo, não se esqueça de clicar em favoritar e se não acompanha a história, clicar no botão para ficar atualizado dos próximos capítulos. Beijos para vocês e que a sorte sempre esteja à seu favor, predestinados. TaliaEverdeen _|||_