Predestinada - Livro 1

10 Capítulo 10 - Em constante perigo


Notas iniciais
"Edição e revisão completos" . Talia mandou um "Oie :3".

– Me empresta aquele vestido ? — pergunta Jess como uma criança e deitada em minha cama.

– Não. — respondo guardando as roupas que tinha comprado e ainda sentindo aquela sensação estranha.

– Por favor, Charlie do meu coração. — insiste Jess.

– Porque você não comprou um também ? — pergunto.

– Porque... — Jess pensa em uma resposta. — Não sei, eu não vi que ele era tão bonito.

– A resposta ainda é não. — replico.

– Você é uma chata. — disse Jess emburrada.

– Isso não é novidade. — digo.

– Uau, pensando nessa negociação que fizemos, parece que você é mais velha que eu. — fala Jess. — Isso é ruim. Eu que devo ser um exemplo à ser copiado.

– É incrível a sua imaginação, Jess. — disse eu olhando para ela.

– Eu sei, sou demais. — diz ela dando um sorriso egocêntrico.

Apenas rio dela. Ela era muito mais eu em tudo. Por exemplo, ela era mais bonita, mais inteligente, mais engraçada, tinha habilidades de pintura incríveis; ela tinha o poder de fazer as pessoas a amarem, a odiarem ou quererem ser como ela.

O celular de Jess, que estava em cima do criado-mudo, toca e ela pula da cama para o atender.

– Alô ? — diz Jess. — Hã... não estou em Nova York agora. Estou em Dakota do Sul, porque ?

Olho para Jess que ela dá ombros e sai do quarto fechando a porta atrás dela.

– Não sei, mas parece que tudo o que eu temia está acontecendo... — sussurra Jess no corredor, mas depois não consigo ouvir mais nada.

Espero até Jess volta para o quarto e perguntar a ela o que estava falando e com quem. Mas ela não volta, ouço a porta da sala bater, corro para janela e vejo Jess andando apressada, entrando em um Volkswagen prata e a sensação estranha passa.

– Vó! — grito Pearl, mas lembro que ela estava na Igreja hoje e o dia todo, era ensaio do coral e Missa de sábado.

Estou em casa sozinha e agora ?

Bem na hora, meu celular toca e eu atendo.

– Charlie ? — era a voz de Clarice.

– Clarice! — digo entusiasmada.

– Você está bem ? — pergunta ela. — Desculpe não ter ligado antes.

– Estou bem, meu rosto não está tão... Ferrado, mas tudo bem. — brinco.

– Que bom. — ela ri. — Está afim de sair ?

– E precisa perguntar ? — brinco. Ouço a risada de Clarice pelo telefone.

– Que tal a gente ir ao Jimmy's Pizza ? — pergunta ela.

– Não... — disse eu desanimada. — Giulia trabalha lá.

– É mesmo. Desculpe. — disse ela sem graça. — Quer vim aqui em casa ?

– Okay, vou só trocar de roupa. — digo e desligou por fim.

Olho para janela a fora, está nublado em plena tarde, procuro uma roupa dentro do armário. Vesti calças jeans, uma camiseta preta de manga longa, tênis All Star e uma toca para meu cabelo que estava rebelde.

Tranco toda a casa e assim que estou fechando a porta de entrada, sou surpreendida por Rob pegando em meu braço e me encarando.

– Onde você pensa que vai sozinha ? — disse ele sério.

– Na casa de Clarice. — respondo com a aquela sensação estranha aumentando.

– Eu te levo. — disse Rob me puxando para a camionete parada em frente a garagem.

– Espera. — digo me soltando. — Você sabe ir até lá ?

– Você sabe, certo ? — pergunta ele.

– Sei.

– Então, você vai me ensinar o caminho. — replica Rob.

Não digo nenhuma palavra, apenas entro na camionete e fico quieta esperando Rob entrar.

Assim que ele entra, me olha e suspira. Eu sabia o que significava aquele suspiro, era de fiz-burrada-com-ela. Rob parecia nervoso.

– Me perdoe. — disse ele olhando para frente. — Com todas essas coisas acontecendo, eu só quero te proteger.

– Rob... não se preocupe, está tudo bem. Você sendo um ótimo anjo da guarda. — digo lhe dando um sorriso.

– Nunca mais me chame de anjo, por favor. — diz Rob se voltando à mim, seu olhar era de repulsa, como se aquilo que tivesse dito fosse uma ofensa. — Aceito princeso, mas anjo não.

– Está bem. — disse eu tentando não dizer mais nada além do caminho da casa de Clarice.

Assim que paramos a camionete em frente a casa de Clarice, ela abre a porta e sai correndo pulando em cima de mim, quase fazendo com que eu caísse no chão junto com ela.

– Sem contatos físicos, sem contatos físicos. — replico tentando me manter em pé e soltando Clarice que não parava de rir.

– Hey, Rob. — disse ela com Rob ainda rindo.

– Clarice. — disse ele acenando com a cabeça.

– O que querem fazer ? — pergunta Clarice animada. — Tenho vários filmes até de terror, Charlie. Tem comida e enfim, o que vocês quiserem.

– Eu não vou ficar, Clarice. Desculpe. — disse Rob. — Eu só vim deixar a Charlie aqui e depois iria embora.

– Tudo bem. — Clarice disse meio triste. — Fica para um próxima.

– Fica. — sussurro para Rob. — Por favor.

Ele me olha e considera o que havia dito.

– Está bem, eu fico, mas... Nada de passar maquiagem em mim, por favor. — disse Rob olhando para mim e sorri.

Uma vez quando Rob tinha ido na minha casa ele acabou dormindo no sofá da sala, eu e Jess resolvemos fazer uma pegadinha com ele e envolvia passar maquiagem. Ele ficou sem falar comigo por cinco minutos depois de ter visto seu rosto, depois disso voltamos à nos falar.

– Clarie, você não vai entrar ? — disse uma mulher muito bonita e bem jovem na porta de entrada. Ela tinha cabelos longos e loiros quase brancos como os de Clarice, seus olhos eram um azul profundo, sua pele branca demais.

– Já vamos entrar. — responde Clarice.

– Você não me disse que tinha uma irmã. — disse eu à Clarice.

– Não tenho. — diz ela rindo. — Essa é minha mãe.

– Ela é bem jovem. — disse Rob, em seguida dou uma cotovelada em sua barriga.

– Olá, sou Melanie Lewis, mãe da Clarice. — disse a mãe de Clarice se aproximando e nos cumprimentando. — Você deve ser a Charlie, certo ?

– Sim, sou eu. — digo sorrindo para ela.

– Clarie fala muito sobre você. — disse ela sorrindo de volta e depois se volta para Rob. — E você o John.

– Eu não... — Rob tenta justificar, mas a mãe de Clarice não pareceu ouvir.

– Ele é muito bonito. — sussurra ela para Clarice.

– Mãe, esse é o Rob, não o John. — sussurra Clarice de volta.

– Oh, desculpe. — disse ela corando com a mão no rosto de vergonha. — Eu achei que você fosse o John.

– Tudo bem. — disse Rob corado.

– Acho melhor entrarmos. — disse Clarice rindo da situação.

Olho para Rob que ainda estava mais corado.

Fomos assistir filmes, Clarice fez questão de assistir o Hobbit. A Sra. Lewis trazia diversas travessas de comida, cada travessa tinha um prato de diferente, e por para nos deixar mais à vontade, ela subiu para seu quarto. Eu não conseguia comer mais nada, estava prestes a explodir. Rob nem se fale, ele comeu tanto que estava com sua cara de "vou vomitar". Clarice estava tão quieta, achei que ela tivesse adormecido até ela se vira para olhar eu e Rob, rindo da expressão de dele.

Rob estava com o braço envolta de meus ombros, me deixava desconfortável, muito mesmo. Apesar de eu ter sentido falta dele, já estava passando dos limites ele achar que poderia ficar com essas gracinhas para cima de mim. Eu nunca gostei que me tocassem, não sei o porque, mas não gosto; é algo que sempre veio de mim desde pequena.

– Clarice, posso usar seu banheiro rapidinho ? — pergunto querendo me livrar de Rob.

– Pare de ser tímida. — responde ela. — Claro que pode, mi casa es su casa.

Ela viu que não entendi nada do que tinha dito.

– Eu quis dizer que minha casa é sua também. — disse ela rindo.

– Ah! Agora entendi. — exclamo. — Eu não faço espanhol.

– Só você. — zomba Rob.

– Clarice, onde é o banheiro ? — pergunto me levantando e dando um tapa na cabeça de Rob.

– Na terceira porta do corredor. — ela responde.

Vou até o banheiro. Assim que termino de lavar minhas mãos, meu celular que estava em meu bolso traseiro da calça, toca. Nem prestei atenção em quem estava ligando, apenas atendi, imaginando que fosse Jess.

– Cadê você ? — pergunto com autoridade.

– Na sua casa. Onde você está ? — disse Dimitri.

– Ah, oi. — digo envergonhada. — Eu achei que fosse Jess. Estou na casa de Clarice.

– Você foi sozinha ? — pergunta Dimitri calmamente, mas em sua voz tinha um tom de irritação.

– Não, o Rob me levou. — respondo.

– Ah, claro. O Rob. — resmunga Dimitri. — Eu preciso conversar com você.

– Sobre o que ?

– Não faça perguntas por celular, já disse. — disse ele. — Apenas vá até... Onde nos encontramos daqui à duas horas.

– Está bem, peço para Rob me levar para casa. — digo.

– Okay. — disse Dimitri. — Charlie ?

– Sim ?

– Tome cuidado, por favor. — implora ele.

Não entendi o que ele queria dizer com isso, mas não ousei questionar.

– Está bem. — digo por fim desligando.

Saio do banheiro e Rob estava parado na porta, me olhando de um jeito estranho.

– Com quem você estava falando ? — pergunta ele.

– Com Jess. — minto.

– Jura para mim que estava falando com ela ? — Rob pergunta com os olhos tristes.

– Porque está desconfiado de mim ? — pergunto.

– Já disse, só quero te proteger. — responde ele.

– Pessoal, o que houve ? — pergunta Clarice chegando no corredor.

– Nada. — responde Rob. — Só estávamos conversando.

– Tudo... Bem, então. — disse Clarice desconfiada. — Vamos volta para sala.

Fomos para sala e voltamos à assistir o filme. Eu não me sentei perto de Rob, sentei numa das poltronas da sala de Clarice, acabei adormecendo e tendo um sonho.

No sonho, eu estava na cabana, deitada no sofá. Parecia que eu estava chorando, mas paro até ver uma luz perolada fora da cabana. Me levantei e abri a porta da frente, luz era muito intensa dificultando a enxergá-la, mas não me impediu de segui-la. A luz deu a volta na cabana indo para parte de trás dela, corri para a segui. Ela me levou até um lago que não ficava muito longe da cabana.

O lago era extenso e abundante. Havia uma espécie de cais feito de madeira, a luz até lá e continuei a seguir.

Chegando ao encontro da luz perolada que parecia estar me esperando, ela simplesmente mergulha no lago desaparecendo.

Me agacho procurando a luz, não sabia o porque, mas aquela luz era familiar e tinha tamanha importância para mim.

Procurando a luz, começa à emergir um rosto da água e eu me assusto com a aparência do rosto. O rosto era pálido demais como se fosse uma pessoa doente, cicatrizes em toda sua superfície e extremamente magro. Olheiras enormes envolta dos olhos negros, literalmente negros, não havia o branco do olho; seus lábios eram uma linha fina que se abriram para mim, mostrando seus dentes afiados como os de um tubarão.

Quem quer que fosse estava saindo da água. Assim como seu rosto, seu corpo era muito magro e pálido. Era uma mulher. Uma mulher com asas grandiosas e tão negras quanto a escuridão da noite. A aparência dela era horrível.

– Eu finalmente te achei. — disse a mulher com uma voz ameaçadora.

Uma onda familiar e arrepiante se passou por todo meu corpo.

– O que é você ? — pergunto engolindo em seco de medo.

– Eu sou sua morte. — diz ela sorrindo de maneira sombria.

Antes de responder, um outro corpo submergiu da água perto do cais de madeira. Era uma mulher de pele morena clara, porém estava pálida, cabelos castanhos-escuros e cacheados, um nariz arrebitado, seus olhos eram vagos. Somente depois de analisar o rosto da mulher, percebi quem ela era, era eu com um vestido de bolinhas branco e preto, meu corpo estava dilacerado.

– Isso é mentira. — digo amargamente olhando o corpo. Aquilo só podia ser uma ilusão.

– Não é. No final, será apenas nós duas lutando pela sobrevivência. — indaga ela. — E você irá perder.

– Não irei. — respondo. — Não até eu deixar seu rosto coberto de marcas feitas por mim, será uma lembrança de cortesia. — ironizo.

A mulher rugiu de raiva por eu ter dito aquilo, ela pulou em cima de mim e me batia. A luz perolada voltou das águas e tentou a tirar de cima de mim. Ela apertou meu pulso deixando a marca de sua mão. Depois disso não eu conseguia ver mais nada. Apenas senti dedos tocaram em meu rosto e estava voltando para realidade.

Acordei assustada com Rob me cutucando.

– Você está bem ? — pergunta ele preocupado pelo meu susto.

– Tudo... — não consigo terminar. Além de estar ofegante, não paro de pensar no que aquela mulher havia dito.

" Eu sou sua morte.", penso nas palavras dela.

Porque senti que ela fosse familiar ?

– Tem uma pessoa querendo te ver lá fora. — disse Rob com desgosto.

– Quem ? — digo me levantando.

– Charlie. — chama Clarice.

Ando até a porta de entrada e sinto aquela sensação estranha voltando com mais intensidade ao olhar para Dimitri encostado em seu SUV cinza e John abraçado com Clarice.

Caminho até Dimitri, ele me olhava carrancudo.

– Oi, John. — cumprimento.

– Hey, Charlize! — disse John bem animado até demais.

– Que apelido horrível é esse que você colocou nela ? — pergunta Clarice rindo.

– Ah, para! É demais e olhe para Charlize, ela gostou.

– O melhor apelido já inventado e olhe por quem, John Reese. — digo rindo da expressão orgulhosa que John fez.

– Oi. — disse eu à Dimitri.

– Eu disse, daqui duas horas e você simplesmente não apareceu. — disse ele com calma, mas seus olhos era de fúria. — Sabe o quanto pensei que o pior podia ter acontecido com você ?

– Desculpe, acabei dormindo. — me desculpo.

– Está bem, mas na próxima vez, eu... — Dimitri fecha os olhos e suspira profundamente. — Desculpe, eu... Não quero.

Ele não termina, abre os olhos e me puxa para perto de si, abraçando.

– Dimitri, — penso no sonho. — atrás da cabana tem um lago ?

Ele me afasta e me olha como se não era para saber disso.

– Sim. — responde ele. — Como sabe disso ?

– Eu tive um sonho estranho. — digo. — Só isso.

– Depois nós conversamos sobre isso. — sussurra Dimitri no meu ouvido colocando as mãos em minha cintura.

– Charlie, eu vou indo. — disse Rob. Me viro para o olhar, seu olhar era de mágoa. — Depois a gente se fala.

– Rob, espera. — disse eu me soltando das mãos de Dimitri e correndo em sua direção. — O que foi ?

– Nada, só... Nunca achei que você fosse ficar tão íntima assim de Dimitri. — disse ele engolindo em seco ao dizer o nome de Dimitri.

– Não é nada disso. — digo.

– Então o que é, Charlie ? — pergunta Rob triste. — Eu entendo que você não possa sentir o mesmo que eu e quero que você seja muito feliz com quem você quiser, menos com ele. Não confie nele e nem no outro. — Rob aponta para John e Dimitri. — Você não sabe nada sobre eles.

– Porque diz isso ? — pergunto.

– Porque eu não posso te dizer, você tem que descobrir por si só. — disse Rob me dando um beijo na testa e entrando na camionete indo embora.

Me viro e Clarice está parada ao meu lado, nem tinha visto ela chegar.

– Senhor! — me assusto. — Você tem que parar com essa mania de chegar de mansinho.

– Desculpa. — ela ri. — E parabéns, pegando dois de uma vez só.

Arregalo os olhos para ela. Como assim Clarice pensava essas coisas ?

– Eu não fico com ninguém. — respondo.

– Está bem, só fica com Rob, certo ? — pergunta Clarice com um sorriso maldoso.

– Não. — replico.

– Então, é... ? — pergunta ela incrédula. — Não acredito! Você está dando uns amassos em Dimitri ?

– Não! — fico confusa. — Quer dizer, é. Está rolando.

– Eu sabia! — se exalta Clarice. — Bem que eu desconfiei na aula de biologia e pelo o que John diz.

– O que ele diz ? — pergunto curiosa para saber o que Dimitri diz sobre mim.

– Depois conversamos sobre isso. — disse ela sorrindo generosamente.

– Charlie. — disse Dimitri aparecendo do meu lado pegando minha mão. — Vamos.

– Está bem. — respondo apertando firme a sua mão.

– Até mais para vocês dois. — disse Clarice dando um sorriso bobo para nós e andando até John lhe dando um beijo na bochecha, em seguida entrando em casa.

– John vai com a gente. — disse Dimitri me levando até o carro.

Assenti e entrei no banco de trás com Dimitri junto.

– Não vai na frente ? — pergunto.

– Vou aqui com você. — responde ele.

John entrou no carro e o manobrou dando partida. Fiquei quieta durante todo o trajeto.

John passa além da minha casa.

– Ei, minha casa é lá trás. — indico à John.

– Eu sei, mas vou deixar vocês em outro lugar mais perto. — disse John.

– Ele sabe que vamos à cabana, mas não o que fazemos. — sussurra Dimitri em meu ouvido.

– Porque não me disse ? — pergunto.

– Porque não me disse que Rob estava lá também ? — rebate Dimitri.

– Qual é o problema de vocês com Rob ? — indaguei. — Toda vez que falo nele ou ele está por perto, vocês ficam cismados e tensos porquê ?

– Ele parece não gostar de nós. — diz John dirigindo.

– John. — repreende Dimitri.

– Aqui. — disse John estacionando o SUV numa parte da floresta que eu nunca tinha visto. Aquele lado era bem mais escuro que o costumo ir.

Desço do carro e Dimitri logo atrás de mim.

– Você quer que eu venha te buscar ? — pergunta John à Dimitri.

– Não, vou dormir hoje lá. — responde Dimitri sem olhar para John.

– Até mais, Charlize. — disse John rindo.

– Até mais, Johnete. — brinco.

Ele ri e manobra o SUV indo embora.

Dimitri pega minha mão e tira um lanterna do bolso de seu casaco. Andamos até a cabana em silêncio.

– Você quer vê o lago ? — pergunta Dimitri.

Assenti e fomos até lá.

Realmente o lago existia e para piorar, o cais também.

– Houve algum assassinato aqui ? — pergunto ficando longe do lago.

– O que aconteceu no seu sonho ? — pergunta Dimitri.

Conto à Dimitri o sonho, menos a parte da mulher com asas negras e aparência horrível.

– Você seguiu uma luz ? — zomba Dimitri.

– De tudo o que te contei, você fica preocupado porque eu segui uma luz ? — indago.

– Basicamente. — responde ele dando ombros. — Essa luz queria te dizer alguma coisa. Ou melhor, sonhos têm significados e trazem mensagens muito importantes.

– Que seja, mas eu não quero saber disso. — reclamo. — O problema é como eu sabia que esse lago existia ?

– De repente já esteve aqui, mas não se lembra. — disse Dimitri me olhando nos olhos. Ele queria me dizer alguma coisa com aquilo, só não sabia o que. A forma de como os olhos de Dimitri eram familiares para mim, é uma das minhas maiores questões.

– O que você queria falar comigo ? — pergunto.

– Bom... — murmura Dimitri. — Como você sabe, seu está na cidade, mas eu preciso o identificar, sabe.

– Você quer uma das fotos dele, certo ? — pergunto estreitando os olhos.

– É uma forma de o achar. — disse Dimitri que parecia calmo, mas com uma ponta nervosismo em seu tom.

– Então, eu vou junto. — digo dando ombros.

– Charlie não sei se é uma boa ideia. — diz Dimitri.

– Deixe de bobagem. É claro que eu vou, é meu pai de quem estamos falando. — indaguei.

– Está bem, mas se algum momento eu te disser para se esconder ou correr, faça. Não desobedeça sob nenhuma circunstância, ouviu ? — Dimitri falava num tom tão sério que me assustou.

– Ouvi. — respondo. — Quando vamos procurá-lo ?

– Essa madrugada. — responde Dimitri olhando para o lago. — Vamos dormir na cabana e te acordo para irmos.

– Está bem.

Fomos até a cabana, parei e olhei para Dimitri.

– Onde você vai dormir ? — pergunto sem graça.

– No sofá. — responde ele sorrindo. — Desta vez, vou mesmo e é melhor eu ir pegar a coberta agora.

Ele me levou até quarto pegando a coberta e voltando para sala, mas deu meia volta e me deu um beijo na testa.

– Boa noite, deusa.

– Boa noite, flor.

Sorri e lhe beijei. Após o beijo, Dimitri saiu do quarto e pude me deitar.

Tenho mais um sonho. Desta vez, estou num estrada deserta, estava nublado e frio. A luz da lua foi bloqueada pelas nuvens que a atravessavam, deixando a escuridão da noite tomar conta de todo o ambiente.

– O que está acontecendo ? — pergunto assustada. Meus sonhos estavam me deixando louca, um após o outro e em grau de situação era alarmante.

A luz perolada parece flutuando entre as árvores vindo até a estrada. Ela se mexia de um lado para o outro e em seguida, mergulhou no chão fazendo sua claridade desaparecer.

De onde a luz mergulhara, se erguia um corpo. O peito estava nu, apenas usava calças largas brancas. Seu rosto era embaçado, tirando o fato de seus olhos estarem bem nítidos, eles eram verdes com riscas azuis. Era Dimitri.

Como eu sabia ?

Altura. John é um pouco menor que Rob agora, Dimitri era bem mais baixo. Mas não era só pela altura também, era porque o modo como ele me olhava me fazia ter certeza que era Dimitri.

– Tome cuidado. — diz Dimitri mudando sua face para Jess. — Aquele que você menos desconfia, — A face muda para John, Rob, Giulia e depois rosto de pessoas que eu nunca vira antes. Aparece meu pai. — será aquele que lhe trará seu fim.

A face instantaneamente mudou para minha mãe.

– Mãe. — digo com a voz trêmula. — Mãe!

– Seu fim. — murmura ela com seu olhos ficam negros e ela grita tão alto que sou obrigada à tampar meu ouvidos com as mãos.

Ela para de gritar e me observa atentamente.

– Não se preocupe, meu amor. — diz ela.

Olhei em seus olhos negros e o pescoço dela vira o quebrando.

– Não! — grito.

Acordo me debatendo e gritando. Me sento na cama chorando, encolhendo-me e abraçando meus joelhos, até que sinto alguma coisa mexendo na minha perna.

Me viro para olhar e lá estava a mulher de aparência horrível pronta para me atacar.

Grito tão alto que meus ouvidos começam à doer.

– Charlie! — ouço a voz de Dimitri.

Abro os olhos e estou deitada na cama novamente com Dimitri me dando tapas leves no rosto para acordar.

Levanto num tranco o empurrando e em pé dou inicio à um choro.

O que estava acontecendo comigo ?

– Charlie, o que houve ? — pergunta Dimitri.

– Eu só tive um pesadelo. Desculpe por te assustar. — digo tentando me acalmar.

– Com o que você sonhou ? — pergunta ele.

– Minha mãe. — disse eu secando as lágrimas.

– Acho melhor a gente se arrumar.

– Está bem.

– Se acalme, está tudo bem. — disse ele me abraçando e dando um beijo na minha bochecha. — E você fica gata assustada.

– Você é um idiota. — digo rindo.

– Seu idiota. — Dimitri me dá um sorriso gentil.

– Eu só vou escovar os dentes e vamos. — me solto de Dimitri e ando até o banheiro, e escovo os dentes.

– Va- vamos... — gaguejo ao sair do banheiro e ver Dimitri só de cueca box. Mordo o lábio inferior e me viro de costas, Dimitri tinha visto eu o observando de cueca.

Ele tinha um corpo muito musculoso e definido. Seu abdômen era muito definido.

– Você e essa mania de me ver seminu e ficar mordendo os lábios, é muito hilário. — disse ele rindo.

– Eu não sabia que você estava trocando de roupa. — respondo na defensiva.

Dimitri me vira, ele já estava de calças, mas sem camisa.

– Não precisa ficar envergonhada. — disse ele acariciando minha bochecha. — Quando me beijou pela primeira vez pareceu bem à vontade.

– Babaca. — disse eu o empurrando.

Assim que Dimitri terminou de trocar de roupa, fomos andando até o mercado de esquina, mas o carro de Dimitri estava parado ali.

– O carro não era para estar com John ? — pergunto.

– Eu tinha dito para ele deixar aqui. — responde Dimitri.

– E ele foi andando até em casa ?

– O cara tem perna e além do mais, ele está gordo, um exercício vai fazer bem à ele. — diz Dimitri.

– Okay, então. — digo dando ombros.

Entramos no SUV e fomos até o centro comercial de Aberdeen. Era de madrugada e não tinha quase ninguém nas ruas. Tirando os moradores de rua e animais.

– Onde vamos ? — pergunto.

– Para o Clube de Stripper. — responde Dimitri.

– O que ? — pergunto assustada.

– Brincadeira. — disse ele rindo. — Vamos na parte mais pobre da cidade.

– Porque lá ?

– Aluguel barato. Se seu pai estiver na cidade, ou ele está num hotel ou um apartamento de aluguel.

– Não faz sentido algum.

– Acredite, faz e muito.

Dimitri dirigiu até a parte mais pobre da cidade, onde eu nunca tinha ido. As casas eram bem simples, a maioria em si com grama alta, cercas quebradas, lixo nos quintais.

Dimitri parou o carro em um conjunto de apartamentos.

Saímos andando para perto dos outros conjuntos. Havia um grupo de caras estranhos e um deles estava de costas.

Senti a sensação estranha golpeando minha nuca, fazendo ela estava em alerta.

– Fica aqui. — disse Dimitri andando até os caras estranhos e me deixando para trás.

Ele conversou com os caras e olhou para o que estava de costas para mim.

O homem se virou, era o Treinador Peter. Ele estava diferente, parecia mais magro e cansado.

– Olá, Charlie. — cumprimenta ele.

– Oi. — digo acenando com a cabeça.

– Venha aqui, Charlie. — diz Dimitri.

Caminho até o grupo e um deles se pronuncia.

– Como é o cara que vocês procuram ? — pergunta um homem com barba para fazer, olhos cor de avelã, de pele claríssima e um cabelo curto cheio de gel.

– Ele é alto, deve ter um metro 1,90 de altura. Cabelos loiros e curtos, olhos cinzentos. Só isso. — digo emburrada querendo matar Dimitri.

– Já viram ele por aqui ? — pergunta Dimitri para o grupo.

– Não, moro aqui há anos e nunca vi esse cara. — responde outro de pele escura, ele devia ter a altura de Rob porque ele era muito alto.

– Tudo bem, valeu. Se o virem ou souberem alguma coisa sobre ele me avisem. — diz Dimitri autoritário.

Ele me puxa pelo braço para longe do grupo e andamos até o carro.

– Só isso ? — pergunto.

– Não, ainda temos que olhar os hotéis. — disse Dimitri entrando no banco do motorista.

– Espera, quantos hotéis tem em Aberdeen ? — perguntando também entrando no carro e batendo a porta.

– Acho que uns quatro. — disse ele dando ombros.

– Você acha ? — zombo. — Uau, ele acha que são quatro.

– Qual é o seu problema ? — Dimitri estreita os olhos para mim.

– Porque você me fez falar sobre meu pai para aqueles caras ? Já pensou na possibilidade de tentarem fazer alguma coisa com ele ? Ou até comigo ? — pergunto.

– Eles não vão fazer nada com nenhum de vocês. Muito pelo contrário, eles são obrigados à ajudar, se quiserem que tudo dê certo.

– Do que você está falando ? — agora eu quem estreitava os olhos.

– Só uma coisa que você em breve irá saber sobre eles.

– Que seja. — resmungo.

Procuramos em todos os hotéis e nada. Minha paciência e tempo já havia se esgotado quando fomos no segundo hotel.

– Calma, ele não foi embora. — disse Dimitri tentando me acalmar. — Deve estar em outro lugar que não saibamos.

– Espero que sim, porque quando disse que ele estava na cidade não era para procurar e agora que vamos procurar, ele some. — me irrito.

– Adoro quando você fica nervosa, é sexy. — provoca Dimitri. — Vai, agora me xinga.

– Vai à merda, Dimitri. — grito.

Ele agarra meus pulsos e me joga contra a parede atrás de mim.

– Sossega. — disse ele com calma. — Nós vamos o achar, mas não com esse pessimismo.

– Está bem, agora me solta. — digo mais relaxada.

– Só se você me der um beijo. — ele sorri maliciosamente.

– Não está merecendo. — digo mordendo o lábio inferior.

Dimitri arqueai as sobrancelhas e me beija, mas nosso beijo é interrompido pelo barulho estrondoso que fez do outro lado da rua.

– O que foi isso ? — pergunto com a boca sob a de Dimitri.

– Fica aqui. — diz ele me soltando e indo até de onde veio o barulho.

Espero um tempo até ver Dimitri sendo arremessado contra as lixeiras. Corro até ele, mas quando cheguei ele já estava de pé limpando sua boca com as costas da mão.

– Você está bem ? — pergunto.

– Eu disse para você ficar lá. — ele diz olhando para onde havia sido jogado. — Entra no carro.

Simplesmente obedeço e Dimitri vem atrás de mim. Assim que entro no banco do carona, ele coloca as chaves do SUV na minha mão.

– Vai para casa. — disse ele.

– Mas, e você ? — pergunto nervosa.

– Eu me viro, agora você tem que ir para casa.

– Eu não vou sem você. — insisto.

– Você disse que iria obedecer quando dissesse para você ir embora. — indaga Dimitri.

– Mas isso não importa! — berro. — Eu não vou te deixar sozinho. Não vou fazer o mesmo que fiz com minha mãe com você.

– Charlie, você não entende que estou tentando te proteger ? — suplica Dimitri.

– Eu vou ficar e pronto. — determino.

Antes que Dimitri possa dizer qualquer coisa, ele é puxado para trás, sendo arremessado novamente contra a lixeira.

– Corra! — grita ele.

O que estava parado na minha frente era um homem de dois metros de altura pronto para me dar um soco, mas fecho a porta do banco do carona e o vidro se quebra ao impacto, me protegi. Pulo para o banco do motorista e coloca as chaves na ignição. O motor ligar, tiro o carro do ponto morto e abaixo o freio de mão, mudo para marchar ré e piso fundo no acelerador.

Manobrei o carro para direção de Dimitri. Ele entra no banco do carona de uma vez. Observo pelo retrovisor se o maluco não está atrás de nós.

– Não sabia que você dirigia. — diz Dimitri ofegante.

– Pois é, digiro, só não tenho um carro. — digo regulando minha respiração.

– Porque você não tem um ? — pergunta ele.

– Eu só gosto de carros antigos, essas novas versões dele não me agradam. — respondo.

– Você até que é uma ótima piloto de fuga. — diz Dimitri olhando para o vidro quebrado. — Menos pela parte de quebrar a janela do carro, nisso você é péssima.

Rimos juntos e vou para casa.

– Bom... Foi legal e infelizmente não tiramos nenhuma informação. — digo dando ombros.

– Jura ? Bom, eu acho que pode melhorar agora. — disse Dimitri dando seu sorriso malicioso.

Ele se aproxima e me dá um beijo. Lentamente, ele puxa meu lábio inferior e se afastou.

"Droga, ele sabe como me deixar louca.", penso.

Pulo para o banco que Dimitri estava e sento em seu colo de perna aberta, lhe dando um intenso beijo. Foi intenso o suficiente para ele tira camisa e retornar ao beijo.

As mãos de Dimitri alisavam minhas coxas. Minhas mãos traçavam um caminho de ida e volta no peito de Dimitri. A sensação estranha estava aumentando cada vez mais, porém era suportável.

– Eu vou traçar a linha do seu pescoço com beijos... — canto no ouvido de Dimitri que sorri ao ouvir aquilo. — E um dia ainda vou me perguntar será que irei achar esse caminho novamente...

– Pior que vai. — disse ele rindo e não consigo me conter, acabou me junto ao riso. — Sempre vai. — ele acaricia meu rosto.

Olho para o jardim de casa envergonhada e vejo Pearl parada na porta nos observando. Engulo em seco.

"Agora ferrou.", penso.

– Eu acho melhor ir. — digo à Dimitri lhe dando um beijo rápido e saindo do carro.

Ouço Dimitri partindo com o carro e a sensação estranha some.

– Você podia ter avisado que iria chegar tarde. — diz Pearl quando me a próximo dela já na entrada de casa.

– Desculpe. — digo abaixando a cabeça. — Cadê Jess ?

– Teve que voltar para Nova York, mas ela disse que conversou com você e talvez, esteja certa. — disse Pearl estreitando os olhos.

– Sobre o que ? — pergunto sem entender.

– Você ficar longe de Dimitri. — disse ela com as sobrancelhas franzidas.

– Porque vocês insistem com isso ? — pergunto indignada.

– Sabe como é Jess e ela está sempre certa quando sente algo estranho com as pessoas, acontece. — explica Pearl.

– Está bem, a senhora quer que eu fique longe dele ? — pergunto a testando.

– Na verdade, acho até melhor quando está com ele. — responde me dando um pequeno sorriso.

Sorrio de volta e vou para meu quarto. Na minha cama tinha um bilhete.

"Querida, Charlie.

Estou voltando para Nova York, sinto muito nos despedimos desta maneira, mas fazer o que você não estava em casa quando CHEGUEI! Enfim, pense à respeito dos conselhos que lhe dei, são para seu bem. Diga à seu amigo, Rob, que se o encontrar na sua cama de novo, o mato. E o seu 'amigo' que não gostei nem um pouco, não toque na Charlie, se não arranco seu saco fora. Pequena Charlie, eu te amo, se cuide.

Com amor, Jess."

Sorrio ao ler aquele bilhete, Jess sempre foi pirada. Me jogo de qualquer jeito na cama do mesmo modo como faço todos os dias, mas por alguma razão aconteceu o que menos esperava, a cama quebrou assim que me joguei.

Fez barulho estrondoso e Pearl abre a porta de maneira grosseira me olhando e depois para cama incrédula.

– Acho que temos que comprar uma cama nova. — digo para Pearl dando um sorriso caloroso.

Notas finais
Olá, meus predestinados! Aqui quem vos fala é a TaliaEverdeen, gostaria de agradecer à você que leu mais um capítulo, se gostou não se esqueça de favoritar o capítulo. Se você não acompanha a série ainda, vai lá clique no botão para ficar atualizado dos próximos capítulos. Não se esqueçam também de falar da história para seu amigos e conhecidos. Obrigada desde já, tenha uma excelente leitura e que a sorte sempre esteja à seu favor. TaliaEverdeen _|||_