Predestinada - Livro 1
8 Capítulo 8 - Um beijo, uma briga e um amigo volta
Notas iniciais
Eu fiquei lá sentada na cadeira da escrivaninha em meu quarto, pensando no que Giulia tinha dito para mim na aula de religião. As palavras, não sei o porquê, ecoavam em minha mente o tempo todo. Mas o que mais me fazia pensar era como ela sabia que eu não sei quem é meu pai ? Quer dizer, eu sei quem é fisicamente, mas pessoalmente, não. Mas porque ela dissera aquilo, ou melhor, o que queria dizer ?
– Charlie. — disse Pearl me tirando de um profundo pensamento que estava.
– Sim ? — disse eu ainda distraída.
– Você está bem ? — pergunta Pearl se aproximando de mim, repousando uma de suas mãos em meu ombro.
– Sim, só estou distraída hoje. — respondo ainda pensando, nem percebendo qual era minha resposta.
– Eu quero pedir desculpas, Charlie. Tem sido... Difícil ultimamente, ainda mais você querendo conhecer seu pai. — disse Pearl conseguindo que eu finalmente olhasse para ela. — Eu sei de muita coisa, querida, das quais não quero que você saiba, pois eu sei quanta raiva você vai sentir e as besteiras que pode fazer sem pensar. Não lhe culpo de querer saber de tudo, você tem todo o direito, mas tudo está mudando tão depressa. Já não sei mais o que fazer.
– O que você quer dizer com eu sentir raiva ? — pergunto.
– Quero dizer tudo o que você for descobrindo vai fazer com que você possa ficar vingativa e, eu não quero isso para você. — disse Pearl pensativa.
– O que você tem tanto medo de me tornar ? — faço a pergunta que mais gritava em minha mente. — O que tem medo de acontecer ?
– Você mudar totalmente. Você aceitar uma coisa que não vai ter volta essa escolha, isso pode te fazer ser uma pessoa amarga. — diz Pearl quase chorando.
– Eu não sou nada disso. — digo me levantando para ficar de frente para ela. A expressão de Pearl era de puro desespero. — E eu não vou me tornar nada do que você teme. Eu vou continuar sempre a mesma Charlie, a sua Charlie. Não se preocupe, eu vou sempre está aqui.
– Não vou fazer você prometer, mas pode tentar, certo ?
– Eu vou tentar. — digo a abraçando.
Assim que Pearl sai de meu quarto e fechou a porta. Vou até meu armário e pego uma das caixas de minha mãe que ainda estavam lá dentro. Pego o livro "AvingançadosNefilins" e o diário de minha mãe, os coloco numa gaveta de meus criado-mudo ao lado de minha cama de casal. Mas percebo que fez um som oco quando coloquei o livro e o diário, tiro-os e fui ver o que era aquele som. Era um fundo falso que tinha, resolvi coloca o livro e o diário no fundo falso e fechei a gaveta.
Levo as caixas para o sótão, antes vejo se Pearl não estava por perto.
Assim que desço do sótão, ouço meu celular tocando e vou correndo para o quarto atendê-lo:
– Alô ? — digo.
– Charlie ? — era a voz de Clarice.
– Clarice ? Você está me ligando do seu celular ? — pergunto, pois eu tinha esquecido de pegar o número dela depois da saída e nem tinha olhado para ver quem estava me ligando.
– Eu tô ligando do celular de Dimitri. Eu disse que ia te ligar, mas eu não tinha seu número. Então, ele me emprestou para te ligar.
– Assim, entendi. Mas então, o que foi ? — me pergunto o que Clarice estava fazendo com Dimitri. Ah, John.
– Você quer sair ? Por favor, diz que sim. Estou aqui com John e Dimitri, só que Dimitri diz que está segurando vela, então achei melhor te chamar.
– E ele concordou com você me chamar ? — quase sem acreditar.
– Sim, e venha rápido aquela vaca da Giulia chegou aqui. — diz Clarice aborrecida.
– Tudo bem, onde vocês estão ? — pergunto já indo para meu armário escolher uma roupa bem bonita.
– Num restaurante depois da livraria. Eu vou te esperar do lado de fora. — disse Clarice.
– Okay, estou indo. — digo desligando.
Vou tomar um banho e me visto. Coloco uma camiseta preta com mangas curtas por cima um cardigã bege, uma calça jeans e, uma sapatilha azul-marinho que quase ia para o preto.
Pelo visto, meu cabelo estava de mal comigo. Penteei meu cabelo passei um creme para amenizar o frizz e peguei uma toca marrom escura colocando por cima.
Me maquiei um pouco e fui pegar dinheiro na minha gaveta da escrivaninha.
– Vó, eu vou sair. — digo descendo as escadas.
– Para onde ? — pergunta Pearl.
– Comer com Clarice e o pessoal do colégio. — disse eu.
– Tudo bem... Pode ir. Não volte tarde como você está tendo costume de chegar. — disse Pearl me olhando de um jeito curioso. — Tem certeza que vai sair com Clarice ?
– Tenho, por que ? — pergunto.
– Você está bem arrumada. — diz Pearl sorrindo maliciosamente.
– Não é nada demais, eu juro. Vai ter meninos lá também, mas nada do tipo que esteja pensando. — me explico.
– Tudo bem, — disse Pearl rindo — mas aquele Dimitri vai está lá ?
– Vai, porque ?
Para que eu fui perguntar, Pearl deu um outro sorriso malicioso e respondeu:
– Então, quando o ver agarre e beije. Assim, eu ganho logo bisnetos.
– O que ?! — digo chocada. — Olha, eu vou indo. Andando até o centro demora muito.
– Tudo bem, divirta-se, mas nem tanto, quando disse da parte dos bisnetos estava brincando. Não ouse fazer filhos enquanto vive sob meu teto. — diz Pearl séria e em seguida, dando um sorriso.
– Tudo bem, até mais tarde. — digo indo logo.
Estava cansada, andei sem parar até o centro comercial de Aberdeen. Depois da livraria, eu parei e olhei para o beco que eu havia testemunhado a morte de uma pessoa, um homem que tinha uma longa vida pela frente.
Continuei andando e vejo Clarice parada em frente ao restaurante como me dissera que ficaria. Reparo que esse era o restaurante que tinha visto Dimitri e Giulia na outra noite.
– Charlie! — grita animada Clarice me abraçando. — Que bom que veio e... Uau você tá gata.
– Olha, eu não sou do tipo que gosta de elogio quando estou arrumada, me sinto envergonhada. — digo corando.
– Deixe de besteira, — diz Clarice sorrindo e pulando de animação. Ela era muito fofa, uma criança grande. — você está ótima.
– Charlie Gatona Stevens. — diz John na porta do restaurante. — Está ótima essa noite, mas ninguém supera minha Clarice. — dando uma piscadela para Clarice.
– Ah, pare! Eu estou simples. — diz Clarice de cabeça baixa corada mexendo na manga de sua camisa.
– Você é linda. — sussurra John tocando com o polegar no rosto de Clarice a fazendo olhar para ele e ficando ainda mais corada.
– Ei, eu não vim para segurar vela. — disse eu cortando o clima entre os dois.
– Desculpe. — diz Clarice e John ao mesmo tempo lembrando de minha existência ali. Ambos me olhando sem graça.
– Vamos entrar ? — pergunto.
Assim que entramos, vejo Dimitri com Giulia do seu lado, que estava sorrindo para ele. Eles estavam em uma mesa canto da mesma forma que eu os vira ontem.
Caminho até a mesa e olho para Clarice levantando as sobrancelhas. Ela entendeu o que quis dizer e sibilou :
– Desculpe.
Não esquentei para o lado dela, pois sabia que ela não tinha culpa.
Me sentei na mesa ao lado de Clarice. Dimitri pareceu me notar e sorriu, já Giulia foi o contrário, fez uma cara de desgosto.
– Olá, minha deusa. — disse Dimitri ainda me dando um sorriso.
– Dimitri. — digo sem olhar para ele.
– O que faz aqui ? — pergunta Giulia.
– Também quero saber, querida. — digo lhe lançando um olhar de sarcasmo.
– Não me chame assim, Charlotte. — diz Giulia me devolvendo .
– Como quiser, querida. — rebato.
Chega um garçom na mesa.
– Boa noite, sou Zack, o garçom de vocês esta noite. — disse Zack — O que vão pedir ?
– Batata frita e um refrigerante. — digo.
John olha para mim e ri.
– O que foi ? — pergunto sem entender.
– Não tem esse tipo de comida nesse restaurante. — responde Clarice num sussurro.
– O que você vai pedir ? — pergunto.
– Salada de batatas. — disse Clarice.
– Então vai ser isso aí que vou comer. — digo e Clarice e John riem.
– Ninguém mais além de Charlie e Clarice vai pedir alguma coisa ? — pergunta John como se esperasse Dimitri se pronunciar.
– Chili. — diz Dimitri que depois olha para Giulia.
– Salada também. — disse Giulia.
– Vou levar o pedido de vocês, aguardem um pouco. — disse Zack.
Assim que a comida chegou comi em silêncio, enquanto John e Clarice nem tocaram na comida direito, estavam se beijando. Dimitri estava comendo e nem se importando com o que estava ao redor dele, enquanto com uma mão Giulia acariciava as costas de Dimitri e com a outra bebia sua água.
Aquilo estava me tirando a paciência. Ela olhava para mim e fazia questão de jogar na minha cara.
Me levanto de minha cadeira.
– Licença. — disse eu me levantando da mesa e andando.
– Charlie, — disse Clarice vindo atrás de mim. — aonde você vai ?
– Ao banheiro. — digo. — Porque ?
– Eu achei que você fosse embora. Me desculpe, por tudo. — diz Clarice abaixo a cabeça triste.
– Quer vim comigo ? — digo com pena dela. — Sei que vou está lhe fazendo um favor.
Clarice entendeu que estava falando dela ficar longe de Giulia. Clarice sorriu e pulou me abraçando.
– Okay, sem contatos físicos. Isso está um momento muito amoroso e não é nada legal. — digo me soltando de Clarice.
Clarice ri e anda comigo até o banheiro.
Estou retocando a maquiagem e Clarice ao me lado, fazendo o mesmo.
– Antes de você chegar, eu estava quase pulando no pescoço daquela cobra. — disse Clarice passando o batom e o corrigindo.
– Imagino. Estava querendo não só pular em cima dela, mas arrancar aquele cabelo enferrujado. — digo rindo de minha própria piada e Clarice junto.
– Ela dando em cima de Dimitri, é muito hilário. Ele vai na dela no começo, mas depois dá um fora nela e ela fica... Não sei, com cara de choro. — diz Clarice rindo.
Eu fico imitando Giulia para Clarice que não parava de rir.
– Eu disse para Dimitri que você devia está em casa sem fazer nada, e ele disse que seria uma boa te chamar. — disse Clarice.
– Espera, você disse que ia me chamar porque Dimitri está de vela. Não que ele disse para me chamar. — digo confusa.
– Ele estava do meu lado, então não podia dizer. E ele riu quando eu disse da vaca daquela Giulia.
– Eu tenho pena dela. — digo.
– Dela quem ? — diz Giulia aparecendo na porta do banheiro.
– Vai ficar sem saber. — digo me virando para ela.
– Olha, eu sei que vocês não me suportam, mas tentem entender que o modo como falam de mim.
Considero à pensar e depois despenso o pensamento.
– Não. Vai dar no mesmo. — digo.
– Giulia, você quem nos trata de forma grosseira e depois não gosta se falamos que não gostamos de você ? — disse Clarice sendo a voz da razão. — Me poupe, por favor.
Não acreditava no modo como Clarice falava, há duas semanas atrás ela estava diferente era mais doce e tímida, não tinha nenhum tipo de intenção de tratar ninguém mal. Agora, ela parecia uma adolescente revoltada.
– Não acho legal falar de alguém pelas costas. — disse Giulia.
– Como se você não fizesse isso. — disse eu.
– Como pode saber ? — pergunta Giulia.
– Não sei, mas sempre pode-se ter uma hipótese. — disse Clarice.
Puxo Clarice e saímos do banheiro, Giulia bate seu ombro de propósito com o meu, o deixando latejando.
– Porque vocês demoraram ? — pergunta John com um sorriso para Clarice.
– Somos mulheres, sempre demoramos no banheiro. — disse eu.
– Nem quero saber o que estavam fazendo lá dentro. — diz Dimitri.
– Ainda bem. — digo baixo me sentando na minha cadeira.
Giulia volta do banheiro e se senta ao lado de Dimitri ficando mais perto dele para ficar aninhada em seu peito.
Clarice deu uma olhada para mim e lhe devolvi a olhada, me voltei para John que estava com uma cara de repulsa para Giulia.
– Vocês querem sobremesa ? — pergunta John ainda sério.
– Não, obrigada. — digo.
– Clarice ? — pergunta John como se o nome de Clarice fosse a música linda que já ouvira e gosta de repitir a melhora parte dela.
– Não, já estou satisfeita. — disse Clarice.
– Dimitri e... Giulia ? — pergunta John.
– Não, estamos bem. — responde Dimitri.
– Bom, vou pagar a conta. — diz John. — me espera lá fora, Clarie ?
– Vou. — disse Clarice sorrindo para John. Limpo a garganta para ela entender que eu não vou ficar sozinhar com Dimitri e Giulia. — E Charlie, junto.
Ofereço um sorriso a John.
– Tudo bem. — disse John sorrindo de volta.
Do lado de fora Giulia parou seu carro em frente ao restaurante e se juntou a mim, Clarice e Dimitri.
– Te vejo amanhã ? — pergunta Giulia toda melancolicamente.
– Vai, sim. — responde Dimitri colocando as mãos em volta de sua cintura que ele tinha feito comigo na noite passada.
Aquilo me irritava, pois eu achava que poderia ter alguma chance com Dimitri, mas como sou estúpida demais para perceber, que ele quer uma Giulia da vida.
Giulia se inclina para beijar Dimitri na minha frente, aquilo partiu meu coração em milhares pedaços. Ainda mais, com o fato dele está retribuindo o beijo.
Eu nunca tinha gostado de alguém e muito menos me permitia à gostar, mas quando admiti que estava atraída por Dimitri, era que eu estava começando a gostar dele.
Olho para o outro lado e Clarice me olhava com pena, pois ela entendeu o que estava acontecendo comigo.
– Eu acho que vou andando. — sussurro me aproximando de Clarice.
– Tem certeza ? — pergunta ela preocupada. — Não quer que John te dê uma carona ?
– Não, obrigada. — digo dando um sorriso fraco. — É melhor eu ir logo, minha avó não quer que chegue tarde.
– Tudo bem, assim que chegar me liga. — Clarice pega minha mão e escreve com a caneta que tirou de sua bolsa, o número de seu celular.
– Até mais. — digo lhe dando um sorriso.
– Tchau. — disse Clarice retribuindo o sorriso.
Vou andando para perto do beco e perícia estava no local com o corpo do homem morto que eu vira na outro noite. Faixas para mostrar que o local foi fechado, antes que pudesse ver mais alguma coisa, alguém agarrou meu braço.
– Continue andando. — sussurro a pessoa para mim, então todos os pelos de meu corpo se arrepiaram. Eu sempre reconheceria aquela voz, não importava o quanto ela mudasse com o tempo, eu iria reconhecer.
Me virei para olhar e lá estava Rob vestindo um casaco com capuz cobrindo seu rosto.
– Rob ? — pergunto sem acredita.
– Charlie, faça o que eu te disse. Depois nos abraçamos e tudo mais. — disse Rob.
Não disse nada, apenas o obedeci, continuei andando até que ficassemos longe do beco.
Chegamos num estacionamento e Rob estava perto de sua a camionete. Não aguentei esperar para falar com ele, eu já havia esperado tempo demais.
– Entre...
Rob foi interrompido por eu pular e o abraçar. Ele me abraça também. Ficamos um bom tempo quietos sentindo aquele braço, depois de tanto tempo que não nos viamos.
O corpo de Rob estava diferente, ele parecia mais alto e forte, dava para sentir seus músculos só de o abraçar.
– Eu senti tanto sua falta. — digo tentando não chorar.
– Eu também senti sua falta. — disse Rob.
– Nunca mais suma de novo. — me solto dele para poder o olhar melhor, mas ele estava com capuz sob o rosto. — Eu fiquei muito preocupada com você, tem noção disso ? Eu quase tive um colapso nessas duas semanas sem você.
Dava para ouvir o som da risada de Rob por eu está gritando com ele.
– Mais alguma coisa ? — pergunta Rob.
– Sim, tire a merda desse capuz. — digo zangada.
Rob tirou o capuz, ele estava lindo, já era antes, mas agora ele estava me tirando o fôlego. Ele mudou muito, exceto por aquele cabelo que me dá agonia de fazer alguma coisa com ele por sempre bagunçado.
– Satisfeita ? — diz Rob com um sorriso simpático.
– Na verdade, — começo. — não. Você some não me dá nenhuma notícia. Liguei várias vezes para você, fui na sua casa, falei com sua mãe. — aumento o tom de voz para ele perceber que estou revoltada. — E agora você volta misteriosamente e todo mudado menos a porra desse cabelo.
Rob apenas ri e me olha.
– Você não fazia ideia de como eu sentia falta de você histérica. — disse Rob ainda rindo.
– Histérica ? Quem está histérico ? — digo enfurecida. — Eu não estou histérica, quem está é você.
– Ninguém está histérico. Vamos, vou te levar para casa. — diz Rob ficando vermelho de rir de mim por está dando um ataque.
Me aproximo dele e o abraço novamente.
Como disse antes, nunca fui de abraçar ninguém, mas eu e Rob temos algo que não dá para explicar, principalmente agora. Estamos vendo um lado nosso que não nos permitiamos mostrar um para o outro e, ainda mais com esse sumiço dele, faz com que eu queria ele mais por perto ainda mais.
– Não me deixa nunca mais. — digo querendo chorar no peito de Rob.
– Nunca, nunca vou te deixar. — promete Rob acariciando minhas costas.
Entro na camionete e Rob junto, me aninho em seu ombro enquanto ele dirije saindo do estacionamento.
– Rob. — o chamo.
– Sim ?. — disse Rob olhando para a estrada.
– Onde você esteve esse tempo todo ? — pergunto, pois isso não sai de minha cabeça. — Sua mãe disse que você estava na casa de seu pai, mas você faltava aulas e nem me ligava, não tinha notícias suas.
– Eu vou lhe explicar tudo quando chegar a hora. — diz Rob.
Por mais que minha curisodade esteja me matando, resolvo não o contraria para saber o que houve com ele nessas duas semanas, mas como ele disse que quando chegasse a hora ele iria me contar, fico satisfeita.
– Tudo bem, decida quando estiver pronto. — digo me ajeitando em seu ombro.
Rob parou na esquina de minha casa. Ele pega minha mão e entrelaça seus dedos nos meus, me acariciando repentinas vezes.
– Como você está ? — pergunta Rob de modo estranho.
– Estou bem, quer dizer, eu tive umas péssimas notícias nesses últimos dias, mas fora isso ainda estou... Bem.
– Sentiu alguma coisa estranha ? — continua perguntando Rob.
– O que quer dizer com isso ? — me viro para o olhar.
– Você tem se sentido estranha ou algo do tipo ? Viu algo em você que lhe assustou ? — as perguntas de Rob estavam me deixando tensa.
– Sim, parece que vem tudo em ascensão quando sinto e... Eu me machuquei uma noite e de repente sumiu do nada. Achei que fosse coisa da minha cabeça e então, resolvi testar de novo e... — explico, o olhar de Rob estava estranho, como se esperasse alguma coisa. — era coisa da minha cabeça mesmo. Nada demais.
– Tudo bem... — diz Rob.
– Você me disse aquelas coisas no telefone porquê ? — pergunto lembrando de nossa briga. Sei que não é o momento certo para isso, mas eu tinha que saber.
– Eu estava sendo um cretino, me desculpe. Eu só... Eu sempre quis você, Charlie. — disse Rob com seu rosto próximo do meu.
– Eu sei, mas você sabe... Sou uma lerda para entender qualquer coisa. — digo envergonhada.
– Como sei disso. — diz Rob rindo.
– Você sempre gostou de mim ? — pergunto.
Acredite em mim. Eu não sei o que estava havendo comigo, mas eu me sinto bem em está com Rob agora. Eu estava com expectativas de Dimitri que foram feitas em pedaços pelo seu beijo com Giulia na minha frente.
Então, me veio em mente o que Pearl me dissera uma vez, de todas as suas besteiras ditas, aquela pode se dizer que era sábia.
"MassecomDimitrinãodercerto, vocêaindatemoRob."
Não sei se deveria fazer isso, acabei de rever Rob e já vou sair o beijando ? Acho que não.
– Pode ficar despreocupada, eu não vou te beijar se é o que está pensando. Eu disse à mim mesmo que só faria se você me pedisse. — disse Rob me olhando enquanto eu pensava.
Lhe dou um sorriso e o abraço, mas em meio de nosso abraço a respiração de Rob estava em meu pescoço. Ali é uma área que não era legal para alguém ficar respirando ou muito menos dando beijinhos.
– Eu tenho que ir. — diz Rob se afastando e olhando em meus olhos.
– Tudo bem. — digo meio triste abaixando a cabeça.
Rob coloca a mão em meu rosto para que eu pudesse o olhar.
– Eu... Não vou sumir de novo, relaxa. — diz ele sorrindo como Rob costuma sempre sorrir.
– Se você sumir de novo, quando voltar eu te mato. — digo séria.
– Tudo bem, — rir Rob. — diva.
– Eu vou indo. — digo quase saindo da camionete e volto dando um beijo na bochecha de Rob. — Até mais, princeso.
– Vou vim... — diz sem graça pelo beijo que dei em sua bochecha. — na sua casa amanhã, me espere. — ele manobra a camionete.
– Vou está. — digo o vendo ir embora.
Entrei em casa sorrindo e olhei para a sala. Pearl estava me olhando curiosa no sofá da sala.
– Ah, não. — diz Pearl balançando a cabeça não acreditando. — Você não inventou de fazer filhos, certo ?
– Não, não é nada disso. — disse eu. — Eu só tive uma noite ruim que depois ficou ótima. — estampo um grande sorriso no rosto.
– Como assim ? — pergunta Pearl estreitando os olhos. — O que houve ?
– O Dimitri tá afim de uma vadi... Garota que não presta. E quando estava voltando para casa, eu encontrei com o Rob e, ele me trouxe. — digo ainda sorrindo.
– E o que houve nesse encontro que você está sorrindo tanto ? — pergunta Pearl com os olhos arregalados.
– Nós só conversamos, nada demais. Só estou feliz de o ver. — disse eu.
– Ele te beijou ? — pergunta Pearl.
– Não! — digo sem entender onde Pearl queria chegar. — Nada desse tipo aconteceu.
– Tudo bem... Mas tome cuidado. — diz Pearl.
– Porque diz isso ? — pergunto estreitando os olhos.
– Porque não quero que se magoe. — disse Pearl.
– Okay. — digo. — Eu vou subir para tomar um banho e terminar o dever de casa.
– Pode ir, mas na próxima vez que sair, nada de meninos. Não quero ser bisavó tão cedo. — disse Pearl rindo.
Subi rindo de Pearl para meu quarto e tirei o celular do bolso da calça, ligando para o número que Clarice escreveu em minha mão.
– Celular da Clarice. — atende Dimitri.
– Dimitri ? — pergunto incrédula.
– Minha deusa! Como você está ? — pergunta Dimitri. — Nem falei com você direto, desculpe.
– Cadê Clarice ? — digo sem querer falar com ele, estava chateada.
– O que foi, deusa ? — pergunta Dimitri preocupado.
– Nada, só quero falar com Clarice. Será que é tão difícil assim ? — respiro fundo para que não exploda de raiva.
– Uauuu, ela fica gata quando está nervosa. — provoca Dimitri. — Vai me xinga, eu gosto quando você faz isso.
– Só passa o telefone para Clarice, seu babaca. — não me contive, explodi.
– Não dá... Ela está, você sabe. Ocupada com John. — diz Dimitri entediado. — Eu... Queria saber se você não vai hoje na cabana, tem umas coisas que preciso te dizer.
– Do tipo, quais ? — pergunto.
– Do tipo, que você não burra para saber que não vou falar isso pelo telefone. — fala Dimitri sério.
– Não vou. — digo no mesmo tom que ele.
– Posso saber porquê ? — pergunta Dimitri.
– Porque você está sendo grosseiro e um idiota. Se quiser me dizer alguma coisa venha aqui. — digo.
– Tudo bem, estou indo para sua casa. — diz Dimitri como se não fizesse diferença nenhuma para ele.
– Você não vai mesmo.
– Deusa, já te disse antes e vou repetir. Nunca duvide de mim. — disse Dimitri com arrogância.
– Antes de desligar, diga para Clarice que cheguei em casa. — digo enfurecida.
– Vou pensar no seu caso.
– Dimitri, seu... — E ele desliga na minha cara
Já de banho tomado e fazendo meus deveres de física e química, ouço barulho vindo da minha janela do quarto.
Ando até a janela e dou de cara com Dimitri entre a janela e o telhado, todo molhado pela chuva que estava lá fora; sua camisa preta estava colando em seu corpo.
– O que você está fazendo ? — pergunto o vendo entrar finalmente em meu quarto. — Sabia que invetaram algo chamado porta que serve de passagem.
– Muito engraçado, Stevens. — diz Dimitri com uma risada sem humor e me avaliando pelo meu pijama.
Hoje eu usava uma camisa de manga longa e calças de dormir.
Dimitri olhava muito para meus seios, dei um tapa em seu braço para que ele parasse.
"Aindabemqueeu durmo desutiã." , penso.
– Para de me olhar assim, imbecil. — disse eu.
– Desculpe. — disse Dimitri coçando a cabeça olhando para meu rosto. — Trouxe umas notícias.
– O que foi ? — digo com uma esperança e nervosismo enormes.
– Calma, é que... Encontraram um homem morto no beco perto do restaurante onde estamos e, pelo que me lembro bem, te vi ontem abaixada perto do beco. Quer me dizer alguma coisa ? — estreita os olhos Dimitri.
– Eu não sei do que você está falando. — digo calmamente.
– Tem certeza ? — Dimitri se aproxima de mim. — Pois eu acho que você está escondendo alguma coisa de mim ?
– Porque quer saber disso ? — pergunto.
– Encontram suas digitais no local, a perícia pode vir aqui a qualquer momento.
– Como assim ? — pergunto assustada. — E como você conseguiu essas informações ?
– Eu já disse, tenho contatos. E além do mais, o que você estava fazendo lá pela segunda vez que te pergunto. — disse Dimitri sério se aproximando de mim.
– Eu escutei uma briga quando estava passando e, me escondi. Escutei uns gritos e depois cessaram e o outro cara foi embora, quando fui ver o que tinha acontecido, eu vi um cara morto. Só isso. Eu juro não fiz nada — conto. — Caí no chão quando o vi. Nem conseguir ver o rosto do cara que o matou quando saiu do beco, foi na hora que encontrei você e Giulia.
– Você não conseguiu ver o rosto do cara ? — pergunta Dimitri estreitando os olhos.
– Não, só a cor do cabelo dele. — digo de maneira rude.
– Você notou na cor do cabelo dele ? — pergunta Dimitri confuso.
– Sim, me pareceu familiar. — digo abaixando a cabeça.
– Como assim familiar ? — pergunta Dimitri curioso.
Levanto a cabeça para poder o responder e em seus olhos tinha um semblante de preocupação.
– Eu tenho uma foto de meu pai, quer dizer, duas fotos. São as únicas lembranças que tenho da minha família unida. E o cara que saiu do beco tinha o cabelo parecido com do meu pai- digo.
– Tudo bem, acredito em você. — diz Dimitri — E porque você foi embora correndo do restaurante ? — pergunta me olhando profundamente.
– Porque se tem uma coisa que eu não gosto, é de segurar vela. Principalmente quando são dois casais. — digo séria.
– Na verdade, é só um casal. Eu não tenho nada com Giulia, quer dizer, só é curtição, mas eu não quero nada com ela. — diz Dimitri pegando minha mão e a acariciando.
– Porque não ? — pergunto. Não que eu quisesse saber o que acontece com Giulia e Dimitri, mas não sei, algo me diz que ele esconde algumas coisas. Seu passado com a polícia, o jeito como conversava com Pearl, a maneira que descobria as coisas, dizendo que tinha contatos. Isso é muito estranho.
– Porque eu gosto de uma garota que ela não gosta de mim, ou pelo menos fingi que não gosta. — disse Dimitri entrelaçando seus dedos nos meus.
– E você não tentou nada com ela ? — pergunto confusa.
Dimitri olha para janela a fora e ri, o porque não entendi, mas não falei nada. Ele solta minha mão.
– Céus! Como ela é lerda. — diz Dimitri ainda rindo.
– Está me chamando de lerda ? — pergunto sem entender nada.
– Sim, Charlie. — diz Dimitri me pegando pela cintura. — Você é uma lerda.
– O que ? — disse eu surpresa pela maneira que ele me segurou.
– A garota, senhorita lerdeza, é você. — sussurra Dimitri com o rosto próximo do meu.
Sinceramente, eu não sou capaz de dizer nada agora, pois estou em choque. Dimitri gosta de mim ? Como assim ? Isso é uma piada ?
Tudo bem, eu sei. Eu estava ou ainda estou atraída por ele, mas mal o conheço, se é uma brincadeira dele como sempre faz ou se ele está dizendo a verdade, é uma de minhas maiores dúvidas.
– Está em choque, certo ? — pergunta Dimitri avaliando meu rosto.
– Sim, eu não... — gaguejo. — Eu não... Esperava por isso.
– Tudo bem, você não tem culpa. Eu te disse isso num péssimo momento. — disse Dimitri coçando a nuca. Então, eu percebi que ele tinha uma marca no pescoço, era como uma marca de nascença, mas meio estranha. — Desculpe.
Não sei o que deu em mim, mas olhei intensamente para Dimitri me aproximando mais e mais de seu rosto até que nossas testas se tocassem. Coloquei uma mão em volta de sua nuca e a outra sob seu peito, Dimitri quem tomou a iniciativa, finalmente, me beijando.
Os lábios dele eram macios e suaves, tão leves que me faziam querer mais sua boca. Dimitri me aperta mais contra seu corpo até não aja mais espaço entre nós, fazendo com que nos corpos fiquem entrelaçados e dificulte me mexer.
Dimitri me empurra contra a parede que eu estava de costas, alisando meus braços e sentindo os meus pelos se arrepiarem. Ele se afasta e começa a beijar meu pescoço, eu suspirei, mas pareceu mais um gemido, fazendo Dimitri sorrir em meu pescoço.
– Achei seu ponto fraco. — sussurra Dimitri em meu ouvido fazendo sentir cócegas.
Dimitri se afasta e me olha maliciosamente. Eu o puxo pela gola da camisa para perto de mim e o beijo novamente, desta vez, mais intenso.
A camisa de Dimitri estava ensopada assim como ele, deixando parte de meu pijama molhado também. Ele se afasta um pouco e tira a camisa, eu o ajudo.
Dimitri me pega e coloca em seu colo, prendo minhas pernas em sua cintura, usamos a parede como apoio.
A cama estava um pouco longe, mas quando Dimitri parou de usar a parede como apoio e me carregou, parecia que não estava fazendo nenhum esforço, indo em direção a cama.
Dimitri me deitou na cama e ficou por cima de mim, nos beijamos até que ficassemos sem fôlego. Dimitri fica de joelhos por cima de mim e levanta minha blusa, beijando minha barriga até chegar em meu pescoço.
Eu sentia ondas de culpa e prazer ao mesmo tempo. Eu não queria que logo no meu primeiro beijo, fosse minha primeira vez, pois ambos, são importantes para mim, é melhor ir aos poucos, pois seria um grande passo num relacionamento que ainda nem é oficial.
Mas Dimitri passa a mão pela minha coxa, sentindo pequenos relevos nela e afasta seu rosto, franzindo as sobrancelhas para mim confuso e se deitando ao meu lado na cama.
"Droga, agoraelevaisaber.", penso.
Sabe quando você passa por dificuldades em sua vida e você as ultrapassa ? Bem, quando você as ultrapassar, sempre tende à ficar com uma cicatriz de lembrança, porém no meu caso, eu tinha várias em minhas coxas. Por essa razão eu nunca usava shorts, nem no verão e muito menos na educação física, para minha sorte, a Treinadora Baker compreendia o porque visto leeging ao invés de shorts.
– O que é isso nas suas coxas, Charlie ? — pergunta Dimitri com uma expressão que eu não conseguia decifrar o que queria dizer.
– São cicatrizes. — respondo olhando para a chuva forte que ocorria do lado de fora.
– Fizeram isso com você ? — continua à perguntar Dimitri.
– Sim, todos dias. — falo. — A maior parte do dia sendo torturada.
– Você não sabe o quanto eu penso no que você já passou. — disse Dimitri com pena.
– Não quero que fique com pena de mim. — digo me voltando meu olhar para ele, sentindo-me ofendida.
– Não estou, mas eu sinto orgulho por você ser forte. Aguentou firme lá, isso é bom. — disse Dimitri sorrindo orgulhoso.
– Eu nunca te contei como eu consegui fugir. — digo pensando nisso. Acho que eu me abriria com Dimitri, ele está me mostrando como ele é... Um cara legal. Um cara legal que eu dei meu primeiro beijo!
– Não, mas não quero despertar más lembranças em você. — diz Dimitri acariciando minha testa com o polegar.
– Mesmo assim eu quero dizer, eu nunca contei tudo mesmo o que aconteceu para ninguém. — digo me virando para ficar de frente para Dimitri.
– Tudo bem, deusa. — disse Dimitri.
– Naquela noite, eu e minha mãe estamos acorrentadas. Me levaram para uma sala e começaram a fazer perguntas, as quais eu não entendia, para mim não faziam sentido nenhum, todas as vezes que me levavam para o interrogatório, não entendia absolutamente nada.
" Um dos torturadores, era uma mulher que usava uma máscara cobrindo todo seu rosto e seu cabelo preso em um rabo de cabelo, havia grampos em algumas partes do cabelo. Eu havia visto um deles caindo de seu cabelo e, como minha corrente tinha cadeado; aquele grampo serviria de grande ajuda, para isso tinha que fazer uma pequena distração. Quando me fizeram mais uma pergunta, eu sorri ironicamente e cuspi no rosto de um dos chefes que fazia o interrogatório . Ele me bateu e no momento que ele me bateu, tive que revidar e ele me bateu de novo . Eu esperei até ele bater mais um pouco, quando ele parava, eu provocava e assim que ele me deu o último golpe me acertou em cheio, peguei impulso para chegar perto do grampo e caí exatamente perto do dele. Coloquei o grampo no bolso traseiro da calça discretamente, sem levantar suspeitas, enquanto rolava fingindo que estava com dor." — dei uma pausa para pegar fôlego — ." Sabia os turnos de todos dos carcereiros, naquela noite era uma menina que nos vigiava, devia ter idade de minha irmã Jess na época. Eu peguei o grampo no bolso da calça enquanto a menina virou de costas e dei para minha mãe que abriu o cadeado dela e abriu o meu em seguida. Minha mãe chegou perto da grade da sela que nos mantinham e puxou a menina a segurando pela cabeça e eu segurei os pés; minha mãe conseguiu quebra o pescoço da garota. Eu me assustei, nunca tinha visto alguém morto até então, e muito menos esperava que minha mãe tirasse a vida de alguém. Procurei as chaves nos bolsos da menina que estava com os olhos vazios, quando a achei, coloquei diretamente na tranca e abrindo a porta da cela. Saímos correndo pelo corredor, não havia nenhum dos guardas nas escadas e nem nos corredores, fiquei desconfiada. Quando chegamos do lado de fora, saímos com muita cautela e depois que vimos que estava livre, corremos. Mas minha mãe foi pegar por dois caras enormes e ela me gritou para corre e eu o fiz, sendo a escolha mais covarde que poderia ter feito e a fiz. De repente, eu parei de correr não conseguia me mexer e tudo ficou escuro, só me lembro de acordar em uma estrada de terra e ser encontrada pelo detetive Sanders."
Dimitri estava com o rosto horrorizado, ele me abraçou colocando minha cabeça em seu peito e me acariciando minha cabeça.
– Dimitri, você está bem ? — pergunto preocupada com ele.
– Estou, eu... Tenho que ir agora. — diz Dimitri me soltando e se levantando indo até a janela, mas deu meia volta e se debruçou por cima de mim, me beijando lentamente.
– Eu te vejo amanhã. — digo.
– Posso dá mais um beijo se você não se importar ? — pergunta Dimitri meio tímido.
– Pode. — digo o puxando de volta e o beijando.
– Até amanhã. — diz Dimitri sorrindo e saindo pela janela.
Eu corro até a janela, vejo Dimitri manobrando o seu SUV e pisando no acelerador.
Ando até minha cama e começo a pular e gritar de felicidade.
"Eunãoacredito! Elegostademim! Masespera, elevaifalarcomGiuliaquenãoquernadacomela ?", penso.
Paro de pular e começo a pensar melhor.
Dimitri mudou instantaneamente assim que comecei a conta sobre meu sequestro, na verdade todos ficam desse jeito, mas Dimitri saiu daqui de um jeito muito estranho.
Noto que ele esqueceu a camisa dele no chão de meu quarto, a pego e me deito na cama, agarrada com a camisa de Dimitri que tinha um cheiro tão bom de seu perfume.
Fico pensando em tudo, de quando eu conheci Dimitri até agora, mas adormeço, apenas como última lembrança antes de dormir uma luz perolada perto da minha escrivaninha.
Na aula de educação física, ficamos sabendo que a Treinadora Baker sofreu um acidente de carro e estava em coma. E hoje, um novo treinador iria a substituir.
Ele era bem alto, pele morena, cabelo cacheados castanho escuro assim como seus olhos, parecia ser uma pessoa agradável.
– Olá, turma, sou o Treinador Waterson. Vou estar substituindo a Treinadora Baker por enquanto. — disse o Treinador Waterson. — Não querendo abusar de vocês logo no primeiro dia, mas vamos fazer uma pequena dinâmica em grupo. Sugiro que fiquem em grupo de seis pessoas para que possamos fazer o trabalho direito. Vamos, façam os grupos que explico depois.
Eu estava parada com Clarice ao meu lado e de repente, sinto mãos ao redor de minha cintura, abro um sorriso e me viro, achando que era Dimitri, mas era Rob sorrindo , mesmo assim não desmancho o sorriso.
– Oi, diva. — disse Rob. — Está em qual grupo ?
– Hey. — digo. — Em nenhum ainda.
– Oi, Clarice. — disse Rob olhando para Clarice. — Quanto tempo.
– Oi, Rob. Você sumiu. O que houve ? — pergunta Clarice animada como sempre.
– Ocupado com umas coisas e vocês ? — diz Rob de maneira que me pareceu cautelosa.
– Nada demais. — diz Clarice olhando através de mim e Rob.
– Minha Clarie, está sozinha ? — diz John aparecendo ao meu lado. Ele não tinha notado nem a mim e Rob. Ele olha para mim e sorriu, com Rob foi diferente um acena com cabeça bem rígido. Não entendi, eles se davam bem.
Percebi que Rob ainda estava com as mãos em minha cintura, as tirei, mas não a tempo de Dimitri andar até nos e ver a cena. Ele estava de mãos dadas com Giulia.
Pelo visto, ele ainda estava "curtindo" com ela.
– Acho que o grupo já está formado. — Diz Clarice em meio ao silêncio que estava entre nós.
Deu para perceber logo de cara, era a presença de Rob que os deixavam em silêncio, tirando eu e Clarice, mas a postura de John, Dimitri e até de Giulia, estava bem tensa.
– Com licença, a senhorita tem que usar short. — diz o Treinador Waterson para mim.
– Eu não posso. — digo.
– Porque não ? — pergunta confuso o Treinador Waterson e todos à volta também confusos, tirando Dimitri que entendia o porque.
– Não dá para explicar. Eu... Eu... — eu não suportava aquilo, era muito ruim. Todos ao redor estavam com os olhos voltados para mim.
– Treinador Waterston, posso falar com o senhor em particular ? — diz Dimitri assumindo uma pose séria.
– Sim, mas antes...
Dimitri o interrompe cochiando algo em seu ouvido.
– Senhorita Stevens, certo ? — Pergunta o Treinador Waterston.
Assenti e andei até ele e Dimitri.
– Me perdoe, não sabia de seu problema, pode usar leeging sempre que quiser. — diz o Treinador Waterston.
– Tudo bem, obrigada. — digo.
O Treinador Waterston sai e me volto para Dimitri.
– Não precisava dizer aquilo. — digo magoada por ele contar para outra pessoa, mesmo sendo professor, eu me sinto envergonhada.
– De nada para você também. — diz Dimitri sério e andando de volta até o pessoal, o puxo pelo braço.
– O que foi ? — digo confusa. — Você é bipolar ?
– Nada. E não, não sou bipolar. — diz Dimitri.
Me aproximo dele e o encaro.
– Você me beijou e ainda está Giulia. Eu não sou a garota que você gosta ? — pergunto me sentindo um idiota.
– É, você é e, sempre vai ser. — diz Dimitri colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha.
– Vai dizer para ela que não quer nada ? — pergunto.
– Vou, só preciso fazer isso sem que ela tente me matar ou algo tipo. — diz Dimitri rindo.
Começo a rir junto com ele.
– Charlie e Dimitri, venham aqui. — chama Clarice.
Andamos até o grupo, vi que todos os grupos estavam formados e o Treinador Waterston ia nos explicar a dinâmica.
– Bom, já que os grupos estão formados, vamos fazer o seguinte. Vamos fazer uma pequena competição aqui, já que vocês estão em grupos de seis pessoas, dá para jogar vôlei.
Houve murmúrios de reclamação.
– Calma, calma. Cada grupo vai competir um com outro e quem chegar na final, ganha pontos extras em minha matéria e algumas outras.
Meu grupo era: Rob, Dimitri, Clarice, John e Giulia. Jogamos com quase todos os grupos, o único que sobrava era o de Alanna. A maior parte dos jogos foi comigo sacando e resto do time não fazendo nada, Dimitri estava sentado no chão da quadra.
Comecei sacando a bola para o lado do time adversário, ela caiu num campo vazio da quadra do outro time. Continuei sacando e fazendo pontos, faltava só mais um ponto para ganharmos. Estava tão cansada e meu pulso latejando, acabei errando o saque. A bola bateu na cabeça de Giulia.
Clarice e John gargalharam ficando vermelhos e o outro time também.
– Desculpe, foi sem querer, não quis fazer isso. — começo a me desculpar. Mas Giulia não deu nenhuma importância para o que eu dizia, ela vinham em minha direção como quem quisesse me matar.
– Chega! Perdi a paciência com você, vadia. — diz Giulia me dando um soco no nariz tão forte que me fez cair no chão.
Não satisfeita, Giulia se jogou em cima de mim puxando meu cabelo e deu uma cotovelada, acertando de novo meu nariz. Eu não sabia como revidar, ela segurava minhas mãos só com uma mão e com a outra me socava.
Dimitri e John tiraram Giulia de cima de mim.
Coloquei a mão em meu nariz e vi sangue, tentei me levantar para revidar naquela escrota.
Já de pé, ando cambaleando minha visão começou a ficar turva, tudo em câmera lenta. Clarice e Rob correndo até a mim, Dimitri gritando com Giulia, John tirando sua camisa e colocando em meu nariz.
Aos poucos tudo em minha volta estava escurecendo, não aguento meu peso e senti meu corpo cair no chão, todos foram pegos de surpresa ao me ver caindo.
Assim tudo ficou escuro e bem lento.
Abro os olhos, a claridade da luz do sol me cegava, pisco várias vezes para me acostumar. Estava na enfermaria do colégio. Minha cabeça estava explodindo de dor, não conseguia me mexer direito, estava com um mal estar horrível.
– Charlie, — diz o Treinador Waterston se levantando da poltrona do lado da cama que eu estava. — você está bem ?
– Sim, estou ótima. — digo com a voz rouca.
A enfermeira checa meu pulso e me dá um copo de água e alguns comprimidos.
– Isso é para dor de cabeça e dor muscular. — diz a enfermeira sorrindo para mim.
– Obrigada. — digo em resposta.
– A menina que fez isso com você vai ser suspensa. — diz o Treinador Waterston. — E... Tem uma pessoa que quer ver você.
– Obrigada, Senhor Waterson.
O senhor Waterson sai da enfermaria junto com a enfermeira.
Dimitri aparece na porta da enfermaria e me dá um sorriso.
Ele anda até a mim e beija minha testa, lhe dou um sorriso.
– Como está, deusa ? — disse Dimitri suavemente.
– Com dor. Meu nariz ainda está sangrando ? — pergunto.
– Não, parece que está melhor. — diz Dimitri coloca a mão em meu rosto.
– Se isso aconteceu por causa de uma bolada na cabeça de Giulia, imagina se fosse com outra coisa. — digo pensando no ataque ela faria quando Dimitri dissesse à ela que não queria nada com ela.
– Eu sei, mas ela não vai tocar um dedo em você. Eu disse para ela que não queria nada e nem à ela. — disse Dimitri.
– Antes de apagar, vi você gritando com ela. — digo rindo.
– Acho que o remédio está fazendo efeito. Você está rindo feito uma... — Dimitri não termina de falar, ele simplesmente me encara e engole à seco.
– O que foi ? — pergunto.
–Nada, eu acho melhor deixar você descansar. Eu não vou poder te levar hoje para casa, tudo bem ? — diz Dimitri rapidamente.
– Tudo bem, então te vejo na caba... — sou interrompida por Dimitri.
– Não vou poder também, apenas descanse, deusa. — disse Dimitri dando um beijo rápido em mim e depois saindo apressado da enfermaria.
Rob foi até a enfermaria me buscar para me leva até em casa. Quando Rob me viu, fez a mesma cara que Dimitri.
– O que foi ? — pergunto já irritada com todos me olhando e ficando com caras pasmas.
– Nada, é que... Você está toda quebrada. — disse Rob me ajudando a andar.
– O que é normal. Já que eu tenho a minha incrível habilidade de me machucar. — digo rindo.
– Tem razão, isso não dá para negar. — disse Rob sorrindo.
Assim que cheguei em casa, esperava encontrar Pearl querendo explicações do que houve comigo, mas ela não estava. Ela deixou um bilhete na escada.
"FuifazercomprasedepoisvouàIgreja. Seujantarestánomicroondas, nadademeninosemcasa.
Com amor, Pearl."
Subo até meu quarto com a ajuda de Rob. Ele me deita em minha cama e me cobre com a coberta.
– Acho que nosso papo fica para amanhã. — diz Rob rindo.
– Sinto muito. — digo com voz de sono.
– Você não tem culpa, apenas descanse. — diz Rob.
– Tá bem. — digo me ajeitando na cama.
Ouço a porta do quarto encostar.
Esse dia foi cheio, ontem então, nem se fale. Tudo estava tão diferente, se fosse há duas semanas atrás, eu diria que era uma loucura a vida de alguém mudar assim de repente, mas vi que é possível, e isso me assusta.
Sinto que meu tempo está curto e eu tenho que encontrar logo meu pai. Ele é minha única chance de achar minha mãe. De saber se ela está viva ou não, se meu pai iria embora depois de tudo. Porém é tão confuso que me dá angústia.
Por isso, estou me perguntando, o que vai acontecer daqui à duas semanas também. Será que vão ser boas ? Eu vou sofrer mais até lá ? Eu vou perder alguém ?
Fale com o autor