Predestinada - Livro 1
7 Capítulo 7 - Um homem morto no beco
Notas iniciais
Estávamos eu e Dimitri na aula de biologia fazendo exercícios sobre a genital masculina.
Se eu me sentia desconfortável ? Sim, até demais e, com Dimitri ao meu lado rindo de cada cara de nojo que eu fazia, tornava tudo pior.
– Okay... Dá para você parar de rir de mim ? — disse eu o fuzilando com o olhar.
– Não dá. — disse Dimitri rindo — Essa sua cara de nojo é muito... — ele não conseguia dizer, ainda ria.
– Eu sei que sou demais, mas não exagere, flor.
– Flor ?
– É, vou te chamar de flor agora.
Dimitri me encara durante uns minutos e depois estampa um sorriso em seu rosto que me faz querer devolver outro.
– Amiga, continue que estou escutando. — diz Dimitri fazendo caras e bocas das quais eu não parava de rir e olhava para frente vendo se o Sr.McFly não iria nos expulsar de sala.
– Acho melhor a gente parar com isso. — digo à Dimitri que sorria.
– Também acho. — diz Giulia sentada na cadeira ao meu lado esquerdo.
– Ninguém pediu sua opinião, querida. — disse eu com desprezo.
Eu a fuzilava com os olhos. Eu detestava Giulia desde que ela tratou Clarice mal e ainda me insultou, mas também não era só por isso, ela tinha uma coisa comigo que nunca entendi; além de ser nova no colégio e arranjar confusão comigo, uma desajustada que ninguém dá a mínima.
Me viro para Dimitri logo depois de responder Giulia, ele a olhava intensamente.
"Tá me zoando! Você tá olhando para ela ? Não se interesse por ela, ela é vadia!", penso.
Continuo fazendo meu dever de cara emburrada, não acreditando que Dimitri estivesse se interessando nessa tal de Giulia.
– Stevens, você está bem ? — pergunta Dimitri.
– Estou ótima. — digo sem olhar para ele.
– Tem certeza ? Pois eu acho que você ainda vai quebrar essa caneta enquanto escreve. — diz Dimitri me olhando com atenção.
– Tenho. — digo por fim.
– Promete para mim, deusa ? — diz Dimitri colocando uma de suas mãos na minha coxa. Meu corpo ficou quente e eletrizado ao seu toque, afasto a mão dele.
– Não. — falo, finalmente olhando em seus olhos.
– Sabia. Você não costuma ficar quieta, nem se for para brigar comigo.
Chego perto de Dimitri, sentindo sua respiração em cima do meu pescoço e com os lábios próximos a sua orelha, sussurro:
– Eu não te perguntei, mas você conseguiu ver aquilo que eu te pedi.
– Já disse para você não falar sobre isso em locais públicos. Me pergunte hoje na cabana e vou te dizer. — diz Dimitri acariciando meu braço, dei um tapa em sua mão que fez com que ele sorrisse.
Recebi um olhar de advertência do Sr.McFly depois de ter me afastado de Dimitri, volto para meu dever.
– Hey, Charlie. — cochicha alguém meu nome. — Charlie, olha para cá.
Procuro pela sala toda que está me chamando e quando noto, está Clarice com os braços levantados para que eu pudesse a ver.
– O que foi ? — sussurro.
Clarice não me responde, ela simplesmente me passa um papel. Sem entender pego o papel e o desdobro.
"Você e Dimitri estão tendo algo ?"
Estava escrito aquilo no papel e meu medo era que Dimitri visse.
"Não, porque pensou nisso ?"
Arremesso para Clarice. Ela leu e riu um pouco como uma criança fazendo perguntas bobas e me lança o papel de volta.
"Parece e você não conta nada, então resolvi perguntar. E John me chamou para sair, só para avisar."
Nunca fiquei tão feliz por Clarice, ela e John combinavam. Mas não entendi porque ela achou que estaria acontecendo algo entre mim e Dimitri.
Claro, eu sei. Semana passada eu odiava Dimitri, mas ele me mostrou ser um cara "legal". Literalmente entres aspas, não sei quanto ao certo quem Dimitri era, mas eu devia dar uma chance à ele.
"Então arrasa, garota. Quer ir na minha casa, eu te ajudo a se arrumar ?"
Devolvo o papel para Clarice, mas Giulia pega o papel de minha mão.
– Devolve. -disse eu furiosa.
– Se não ? — diz Giulia com um olhar sarcástico.
– Se não, eu enfio esse papel pela sua guela à baixo. — falo num tom de ameaça para ela entender que não estou brincando.
– Até parece.
– Pode devolver o papel para ela ? — pergunta Dimitri num tom calmo que me fez virar para ele e lhe lançar um olhar desconfiado.
– Não sei, eu devo ? — diz Giulia em tom de flerte.
– Deve. Por favor, ela costuma perder a paciência fácil. — diz Dimitri quase no mesmo tom de Giulia.
– Tudo bem, então. — diz Giulia dando um sorriso para Dimitri que retribuía.
Eu não disse absolutamente nada, apenas arranque o papel da mão de Giulia e dei à Clarice. Ela me respondeu que sim, ela iria para minha casa para eu a ajudar a se arrumar.
– O que tem de importante no papel ? — pergunta Dimitri me olhando.
– Nada. — digo friamente.
– O que foi, deusa ? — pergunta Dimitri colocando a mão de novo na minha coxa para que eu pudesse olhar para ele. Afastei sua mão e olhei dentro de seus olhos.
– Nada de importante. Eu vou ajudar Clarice a se arrumar, nada mais. — digo para que ele pare de pergunta o que houve.
– Ela vai se arrumar para que ? — pergunta Dimitri confuso.
– Pergunte ao seu irmão. — disse eu olhando para o quadro com os lembretes da próxima pesquisa de biologia.
– O que foi, Charlie ? — diz Dimitri virando meu rosto para que pudesse olhar para ele.
– Eu não gosto dessa garota, só isso. E o modo como você tratou ela, me deixou com raiva. — decido logo dizer a verdade para ele.
Dimitri me olhava atentamente e depois começou a rir.
– O que foi ? — pergunto confusa. Não entendia uma hora ele estava sério me olhando na outra ria. Estou começando a achar Dimitri bipolar.
– Você está com ciúmes de mim com a ruiva — sussurra Dimitri.
O que ele estava pensando, eu não sabia para falar a verdade, nem queria saber. Mas porque ele acha que estou com ciúmes ? Porque não estou. Eu não sinto ciúmes de Dimitri.
– Não estou. — digo em defensa.
–Tudo bem, então. — disse Dimitri próximo do meu ouvido. — Mas sabia que nem sempre vou está disponível para você.
– Cala a boca, Dimitri. — digo.
Estava pronta para mostrar mais uma peça de roupa que Clarice podia vestir que talvez coubesse nela, mas o vestido verde-escuro que eu tinha, deu com absoluta certeza, certo nela. O vestido era simples, mas seu corte era bem discreto e delicado, e com as alças finas, faziam ter mais charme ainda em Clarice.
– Você está linda. — digo orgulhosa dela.
– Tem certeza ? Não quero ficar muito pomposa.
– Tenho, está perfeito. Agora com uma maquiagem bem leve, vai ficar ótimo.
Enquanto fazia a maquiagem de Clarice, Pearl aparece no batente da porta de meu quarto. Não falava com ela desde Domingo.
– Uau! Está fazendo um ótimo trabalho, Charlie — Diz Pearl.
Para ser sincera, acho que Pearl está me bajulando, pelo fato de eu estar desconfiada dela. Ela estava escondendo coisas de mim que eu podeira ajudar a resolver, mas não, ela resolve brincar de como me fazer de idiota. Sei que ela está tendo me proteger, de que não sei, mas ela está.
Eu só queria entender o que eles tanto tem medo de eu me tornar, como se nunca me conhecessem.
Assim que terminei a maquiagem de Clarice, ela se despediu e agradeceu tanto que queria expulsa ela para ir logo, ela foi correndo para o local onde havia combinando de se encontrar com John.
"Vá, minha jovem jedai, que a força esteja sempre com você.", penso, orgulhosa dela.
Estava na cozinha comendo um hambúrguer de micro ondas quando Pearl apareceu.
– Está evitando falar comigo, Charlie. ? — pergunta Pearl sentando no banco do bar.
– Não e a senhora. Não anda escondendo nada de mim ? — rebato.
– Acha que estou escondendo algo ? — pegunta Peal incrédula.
– Não sei, quem saiba a senhora possa me dizer.
–Charlie, você está querendo entrar num caminho sem volta.
– Não tem problema algum, contanto que não minta para mim, não irá fazer diferença.
– Sei que pegou as caixas do sótão, e sei que escondeu no seu armário.
Aquilo me pegou de surpresa, como ela sabia ?
– E daí ? — pergunto de forma indiferente para que ela não perceba que me assustei dela saber das caixas. — Eu quis saber mais sobre minha mãe.
– Charlie, você não quer que eu minta para você, mas percebeu que você está mentindo para mim ?
– O que quer de mim ? Porque guarda segredos com pessoas desconhecidas e não para sua própria neta ? — digo fumegante de raiva.
– Porque eles estão ajudando, enquanto você está tomando a decisão errada.
Não consigo dizer mais nada, apenas sai uma risada sem humor.
Não acreditava naquilo, o que ela queria dizer com aquilo ? É pecado uma filha querer achar seu pai ? E é mais pecado ainda, ele a ajudar encontrar sua mãe desaparecida ?
Meu pai pode ter cometidos os erros que for, mas aquilo era passado
Pois que me importa agora, não é quem ele foi, mas quem ele decide ser hoje. E se isso, não irá me causa dano nenhum.
Deixo o hambúrguer na mesa e subo as escadas com pesadas fortes na madeira. Entrando em meu quarto e pego dinheiro, não ia comer aqui com Pearl mentindo e dizendo que estou escolhendo errado. Vou sair comprar algum lanche e andar para pensar.
– Aonde você vai ?- pergunta Pearl quando estou já na porta saindo para o jardim.
– Sair. — digo entre a porta.
– Não vai, não. Você vai ficar em casa, você está muito desequilibrada. — diz Pearl.
Lhe lanço um olhar de tédio e saio batendo a porta com força, ando rápido antes dela vim atrás de mim protestando minha saída.
Ando até o centro comercial de Aberdeen, olho algumas vitrines de lojas de roupas, sapatos. Até que ando até um restaurante e vejo Dimitri com uma pessoa. Uma pessoa da qual eu odeio, Giulia.
Eles estavam sentados na mesa do canto e conversando de um jeito bem íntimo que parecia.
Eu percebo que estou parada como uma perseguidora em frente ao restaurante. Começo a seguir caminho até um mercado, compro uma caixa de nachos e um copo de refrigerante.
Estou andando tranquilamente, quando passo em frente à um beco escuro e praticamente mórbido. Ouço vozes e pareciam que estavam tendo uma luta corporal no beco, simplesmente volto e fico encostada na parede fora de vista de quem estivesse ali.
– Você não pode mais a proteger, ela já vai mostrar as habilidades dela. Vamos pega-la e você vai ver sua morte. — diz uma voz que parecia de homem.
– Não se eu te impedir antes, ou se eu te deixar fora do caminho dela. — diz outro homem.
– O que quer dizer com isso, Jo ?
– Você vai ver — diz a cara que se chamava de Jo, ele disse modo tão ameaçador que todos os meus pelos do corpo se arrepiaram.
O homem gritava muito alto, de repente não se ouvia mais seus gritos.
Vejo umas latas de lixo e me escondo atrás delas, nelas havia uma brecha para que eu pudesse ver se o homem não tinha me visto.
Jo saiu do beco olhando para um lado e para o outro, verificando se ninguém havia o visto. Estava escuro, não conseguia ver seu rosto, só seu cabelo, loiro como o de meu pai na foto que tinha dele. Jo saindo correndo até o outro lado da rua.
– Mas o que... — sussurro.
– Charlie ? — diz Dimitri por atrás de mim.
Me viro e lá está ele e Giulia parados me olhando.
– Pelo visto, ela gosta de vasculhar lixo. — diz Giulia sarcástica.
"Puta escrota.", penso.
– O que você está fazendo ? — pergunta Dimitri.
– Eu... Eu... — não sabia o que dizer — Eu... Deixei minhas chaves caírem.
"Droga! Minhas chaves caírem ? Qual é o meu problema ?", penso.
– Achou suas chaves ? — diz Giulia com um olhar me desafiando.
– Achei, sim. — Peguei as chaves do meu bolso do casaco de maneira que eles não pudessem ver e lhes mostrei as chaves.
– Você está indo para casa ? — pergunta Dimitri. — Porque, se estiver, eu posso te dar uma carona.
– Não, obrigada. Andar faz bem e vou indo. — digo saindo da vista de Dimitri e Giulia.
Vou andando até a livraria. Queria comprar uns livros novos, mas nem presto atenção nos livros que eu tentava ler a descrição. Pensava no aconteceu no beco e do outro homem que nem sei se ainda estava lá.
Largo o livro que estava em minhas mãos e vou correndo até o beco de volta.
Estava tão escuro no beco que pego meu celular para iluminar o local. Era frio e úmido, aquele silêncio me causava pura agonia. Andando mais para o fundo do beco, piso em algo e quando vou perceber, o homem estava com um bastão de ferro cravado em suas costas, ele estava imóvel.
Eu não acreditava no que via, me agachei para ver o rosto do homem. Perdi o equilíbrio e fiquei no chão parada chorando a morte de um desconhecido. O expressão do homem era vazia, como se nunca tivesse existido vida nele. Em minha mente, ele podia ter uma família que o amava tanto, ele podia ter filho ou estava noivo, ou recentemente se casou. Ele ainda tinha uma longa vida pela frente e ela foi jogada em meio das chamas, a queimando até que não houvesse mais nada restando. Como alguém teria a capacidade de matar outra pessoa ? Eu nunca conseguiria, mesmo se quisesse, não poderia, pois a vida de cada um é tão valiosa que os torna únicos.
Decido, finalmente, me levantar, ando cambaleando para o fim do beco.
Andei até a cabana que eu e Dimitri nos encontrávamos, ainda estava com a cópia da chave que ele me deu no bolso.
Abro a porta da cabana, vou até a cozinha pegar um prato para meu lanche que havia comprado no centro de Aberdeen e, comi. Assim que terminei deixei o prato dentro da pia e me deitei no sofá.
Sabe quando você fica pensando em tudo o que já te aconteceu ? E principalmente, das coisas que você se arrepende ?
É o que está acontecendo comigo, todos os dias. Ao ficar pensando e pensando na minha vida, adormeço.
Tenho mais um sonho estranho.
Estou no meu quarto deitada, parecia que eu estava me vendo dormir. Olho para a janela que fez um barulho. Uma figura que se escondeu nas sombras de meu quarto, me observava. Tentei me aproximar da figura e ver seu rosto, mas não conseguia, estava todo embaçado, até seus olhos.
A figura se aproxima de mim dormindo na cama, acaricia meu rosto e fica parado por um longo tempo me observando. Parecia que ele ia dizer algo, mas não consegui escutar, me aproximo dele e quando ele fala novamente, sou acordada por alguém me cutucando.
Abro os olhos e lá está Dimitri sorrindo para mim.
– Shhiii, — sussurra Dimitri ainda sorrindo — volte a dormir, deusa.
Me levanto do sofá e me estico ainda com sono.
– Venha, — diz Dimitri com os braços abertos para mim. — vou te colocar na cama.
– Eu sei ir sozinha. — digo com voz de sono.
– Pare de palhaçada e venha logo.
– Não. — digo esfregando os olhos para afastar o sono. — Quero saber o que descobriu sobre o número que me ligou, ou ficou ocupado demais saindo com aquela vadia ruiva ?
– Você está brincando comigo, certo ? — diz Dimitri calmamente. — Eu achei alguma coisa, sim, mas não sei se devo lhe falar se você continuar com essa idiotice.
– Quer saber, — digo pensando nessa investigação com Dimitri, não iria dar certo. — acho que isso não vai dar certo. Entre nós, você querendo me ajudar e você parece que não se importa.
Dimitri me olha desconfiado e diz:
– Você acha que eu não importo ? Eu me importo muito, você não sabe o quanto estou fazendo de tudo para você achar seu pai. — Ele parecia bem calmo, mas eu via uma ponta de irritação em sua voz. — Eu me importo com você, Charlie. Você é uma pessoa boa, mas por dentro você é tão triste que você se sente assustada com a própria tristeza.
– Você não sabe nada sobre mim. — digo enfurecida. — Só me dê o que eu quero, por favor.
– Não. — diz Dimitri com sua expressão ficando sombria.
Me levanto para ficar de frente para ele e o encaro.
– Você vai me dizer, Dimitri. — digo de modo vingativo, pensei no Jess diria, porque ela boa em ameaçar as pessoas. — Se não você vai ver um lado meu que você não irá gostar.
– Vai enfrente. Mostre esse seu lado. — diz Dimitri me desafiando.
Começo a bater nele, dando socos em seu peito, porém Dimitri demonstrava que sentia dor. Fazer o que eu não sei bater direito. Então, Dimitri agarra minhas mãos e me faz rodopiar, fazendo eu ficar de costas para ele, me puxou para perto de seu corpo. Eu estava imóvel, ele agarra meus pulsos com força.
Dimitri era bem maior que eu, podia sentir quase todo seu corpo tenso, todos os músculos contraídos. A respiração dele no meu pescoço, me deixava nervosa, pois ali, era meu ponto fraco.
– Me solta, Dimitri. — digo tentando me soltar.
– Não até você se acalmar. Além do mais, estava com saudades de você assim furiosa. É fofo. — diz Dimitri em meu ouvido fazendo os pelos de meu corpo se arrepiarem, era como sentir cócegas.
Mas o fato dele ter dito que estava fofa furiosa, fez com que eu me debates se mais, mas era inútil, Dimitri está com controle total sobre mim. A não ser que eu tente algo, e esse algo, não era uma tentativa boa. Eu iria me arrepender, mas fazer o que, ele não iria me soltar mesmo que me acalmasse.
Paro de me debate tentando me calmar e viro meu pescoço para que pudesse olhar para Dimitri.
A boca dele estava um pouco próxima da minha, tento lhe beijar, mas foi no canto de sua boca. E ele me vira para que eu olhasse para ele, não acreditando no que eu tinha feito.
Parecia que tinha feito ele ficar com desejo de me beijar, pois foi o que ele tento, mas o empurrei e o joguei no sofá.
– Chega! Só me diz logo, Dimitri. — digo ofegante.
Ele fica de pé de novo e chega próximo de mim, a respiração dele estava bem acelerada.
– Toma. — diz Dimitri puxando de seu bolso um papel dobrado, ele coloca em minhas mãos. — Não tente fazer bobagem, por favor. Ainda pode vim aqui se quiser.
Eu estava arrependida. Eu quero a ajuda dele, mas eu não quero me aproximar do jeito que estou tentando evitar, mas está difícil. Eu estou atraída por Dimitri. Pronto, falei.
Dimitri está andando em direção a porta, mas ando até ele e o abraço.
– Não vai, fica. — digo com os braços envolta de seu pescoço. Era meio difícil o abraçar, eu tinha que ficar nas pontas dos pés. — Eu quero sua ajuda, e eu sei o quanto você se importa. Você é irritante, mas é uma pessoa boa. Eu não te odeio tanto como antes.
Eu raramente, abraçava alguém nem Rob, nem Jess eu costumo abraçar. Eu não sei o que deu em mim, de milhares de pessoas que eu poderia abraçar, uma delas foi Dimitri e isso era estranho para mim; ainda mais estando atraída por ele.
Ele solta uma risada depois de eu ter finalmente dito algo que não seja para o ofender.
– Tudo bem. Olhe o papel que eu te dei. Eu não vou poder ficar aqui tenho que ir agora. E Charlie, — disse Dimitri soltando meus braços de seu pescoço e anda até a porta se virando para mim. O modo de seu olhar havia mudado, parecia estarem mais suaves. — você me pegou desprevenido no beijo, isso é golpe sujo. — e sorriu — Eu volto aqui de manhã.
Lhe dou um sorriso pequeno e me sento no sofá, vendo ele fechar a porta da cabana.
"Quemerdaeufiz!", penso.
Pego o papel que Dimitri me deu e o desdobro.
No papel tinha coordenadas, número e localização.
Dava tudo para Dakota do Sul, cidade de Aberdeen, visto por último próximo à minha casa na noite que meu pai me ligou.
Meu pai estava na cidade.
Será que era ele no beco ? Ele quem matou aquele homem ? O que meu pai faz aqui ?
Essa é minha chance de o achar.
Estou dormindo no sofá quando ouço a porta da cabana se fechar. Abro os olhos e lá estava Dimitri indo para a cozinha com dois copos de café e uma caixa de donuts.
– Olá bela adormecida. — disse Dimitri me oferecendo um sorriso. — Trouxe seu café.
– Obrigada. — falo com voz de sono.
Ando até o banheiro e lavo o rosto. Quando estou secando meu rosto na toalha, percebo que tem escova de dentes ainda no plástico, uma azul e outra roxa.
– Eu comprei pasta e escova de dentes para você e essa aí azul é minha. — grita Dimitri da cozinha.
Pego a escova de dentes roxa e a pasta, começo a escovar os dentes. Quase toda minha higiene matinal foi feita, vou para casa depois de comer para me arrumar.
Ando até a cozinha, pego o café e os donuts me sentando na mesa de frente para Dimitri.
– Leu o papel que te dei ? — pergunta Dimitri após dar um gole em seu café.
– Sim, e vou dar na sua cara, porque era mais fácil ter me dito. — digo lhe dando um sorriso. — Não precisava ter acontecido aquilo ontem. E... Queria... pedir desculpas para você por ontem.
– Tudo bem, mas na próxima vez, vou deixar minha boca numa posição que você consiga beijar sem ter errar.
– Idiota. — falo depois de ter mastigado meu donut.
– Sabe o que significa seu pai aqui, certo ?
– Na verdade, não sei o que quer dizer.
– Seu pai estando na cidade, quer dizer que ele encontrou algo que possa te machucar. Se é que você me entende. — disse Dimitri numa expressão de calma e preocupação ao mesmo tempo.
– Espere. Acha que tem alguém quer me fazer mal aqui da cidade ? — disse eu.
– E por qual razão seu pai estaria aqui ?
– Tem razão. E se essa pessoa que me quer morta, digamos assim, porque agora ? Porque não depois do meu sequestro ? E se ela soubesse que vão arquivar o meu sequestro e de minha mãe ? Não daria ela uma chance de me matar ?
– Por essa razão, acho melhor você não procurar seu pai agora.
– O que ? — me engasgo com o café — E se ele ir embora, eu nunca vou poder achar minha mãe.
– Charlie, seja o que for, seu pai estando aqui não é uma boa coisa acontecendo. Ele mesmo saiu daqui para te proteger, talvez ele ficou sabendo que sua mãe continua desaparecida e veio aqui ver se alguém ou alguma coisa veio tirar você a paz.
– Mas porque agora ?
– Eu não sei — diz Dimitri ficando com uma parte do rosto sombria. — Vou ver o que descubro, enquanto isso, nada de ir atrás dele.
– Agora vai me dar ordens ? — pergunto sarcasticamente.
– Vou e é bom que você cumpra. — diz Dimitri sério.
– Tudo vem , Sr. Bipolar.
Dimitri se levanta da mesa e anda até banheiro.
– Eu tenho que ir para casa. — grito.
– Você não vai sozinha. — grita Dimitri de volta.
Espero Dimitri sair do banheiro. Dimitri estava sério, um lado dele que não estava acostumada ver.
– Vamos, — diz Dimitri trocando a camiseta bege por uma preta. O tórax de dele era músculo e bem definido, não sei por quê, fiquei mordendo os lábios enquanto ele trocava de roupa na minha frente. — vou te dar uma carona. E... Você tá mordendo os lábios por ter me visto sem camisa ?
– Não. Eu... — percebendo que estava muito na cara o que tinha feito, tentei pensar em algo, mas nada vinha. — Eu...
Dimitri sorriu e se aproximou de mim, me olhou nos olhos.
– Você gostou do que viu ? — com um sorriso malicioso.
– Não. E eu tenho que ir logo.
Dimitri pareceu não me escutar, simplesmente pegou minhas mãos e colocou em seu peito.
– Dimitri, para com isso. Por favor. — digo com vergonha abaixando a cabeça, minhas bochechas estavam queimando.
– Olha para mim, deusa. — disse Dimitri docemente.
Não resisti, olhei. Os olhos dele estavam diferentes de quando o conheci, diferentes de quando eu tinha chutado sua canela e ele me jogou contra a porta e me olhou profundamente. Eles estavam suaves como se visse algo que lhe tirasse o fôlego.
– Que fofo, eu faço ela ficar uma pessoa doce e envergonhada. — diz com um sorriso bobo.
Empurrei Dimitri, saí andando e ele indo atrás de mim.
Mais tarde, no colégio, por alguma razão, teve aula de religião. Eu nunca tinha tido uma na Aberdeen High School.
A Senhorita LeClear parecia ser francesa, se apresentou para a turma. Ela era uma loira dos olhos verdes, tinha um rosto angelical.
Na sala estavam, Dimitri, John, Clarice, Alanna da aula de álgebra 1, outras pessoas que não conhecia e infelizmente, Giulia.
– Como vocês sabem, há muito tempo houve a Queda e milhares de anjos caíram do céu, cerca de um terço do dele. Mas dizem até hoje que ainda caem, eles se desviam dos propósitos que lhe são ordenados, sujam a alma que era pura. — deu uma pausa a Senhorita LeClear. — Eu gostaria de saber se algum de vocês sabem alguma coisa sobre os anjos caídos ?
Ergui a mão sem perceber.
– Senhorita Stevens, certo ? — ela esperou eu assentir. — O que você sabe ?
– Os anjos caídos foram condenados após sua queda do céu, eles ainda vaga pela terra até o dia do Juízo Final, onde serão julgados. Costumam se relacionar com seres humanos, originando uma, digamos, espécie nova. — respondo.
Não da onde tirei essa teoria, pois sabia pouca coisa sobre os anjos caídos, mas sabia de Nephilins pelo livro de minha mãe.
– Qual seria esse espécie nova ? — pergunta a senhorita LeClear com os olhos parecendo curiosos pela minha resposta.
– Nephilins.- digo por fim.
– Exatamente. Nephilins são metade anjos, metade humanos, essas criaturas herdam habilidades de seus pais, como força, rapidez e outros que se sabe pouco sobre isso. — dá uma pausa a senhorita LeClear. — Mas há uma passagem na Bíblia que diz, quando Noé construiu a arca salvando animais aconteceu o dilúvio, houve perdas quando ocorreu dilúvio, incluindo a morte dos Nephilins.
– Mas os Nephilins são imortais. — diz Clarice na fileira do lado da minha.
– Não exatamente, pois uma parte deles ainda é humana, eles sofreriam como nós humanos de certa forma. — diz a senhorita LeClear.
– Então, quer dizer que eles podem ainda existir ? — pergunta John no fundo da sala.
– Talvez, não se sabe. — responde LeClear.
– Na Epístola de João é citado os Nephilins. Como algo que ocorreu milhares de anos antes de João ter escrito, pode dizer que eles podem ter morrido e de repente, por alguma razão, serem citados logo após ? — pergunta Dimitri sentado perto da janela, ele nem estava prestando atenção até esse assunto surgir.
– Se morreram, morreram, mas como ela disse, os anjos caídos ainda vagam pela terra. O que os impede de se relacionarem com humanos e nascer mais Nephilins ? — digo à Dimitri.
– Ela está certa. O que os impede disto ocorrer, eis uma dúvida que a resposta nem se tem e se tivesse, seria ainda vaga. — disse a Senhorita LeClear.
– Quem sabe um deles pode ser você mesmo. — diz Giulia sentada na minha frente se virando para mim. — Quem sabe possa ser um Nephilim.
– O que quer dizer com isso, Senhorita Kyle ? — pergunta a Senhorita LeClear
– Que alguns de nós têm segredos à serem descobertos. Como por exemplo, qual é sua linhagem, e quem é seu pai. — Giulia disse isso olhando para mim de um jeito desafiador.
– Quem sabe você também possa ser uma. — rebato.
– Você está certa, quem sabe qual de nós pode ser uma ou até as duas. — responde Giulia me avaliando atentamente, como se esperasse que eu reagisse àquilo.
Penso no livro de minha mãe, aquelas coisa escritas, tinha um motivo dela ter deixado ele na caixa na casa de minha avó e não em sua estante de livros em nossa casa de Detroit. O nome do autor estava raspado, porque ? Porque aquele livro estava na caixa ?
Talvez, eu só esteja fazendo ligações com coisas do meu dia a dia e criando uma paranoia mental e muito dramática para no final, não ser nada.
" O que você achar ?", ouço a voz de Dimitri dentro de minha mente.
Olho para ele e ele olhando para janela a fora.
Como eu o ouço ?
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