Predestinada - Livro 1

6 Capítulo 6 - Dimitri é confiável ?


Notas iniciais
TaliaEverdeen mandou "Oi :3" Edição e revisão completos.

Milhões de pensamentos passaram pela minha cabeça. Uns diziam para não confiar em Dimitri, outros diziam o contrário.

"Como assim você vai me ajudar ?" digo

"Eu vou te ajudar a achar seu pai,Charlie" diz Dimitri, sua expressão era séria, é a primeira vez que vejo o completamente sério.

Sinceramente, não sei o que fazer. Aceitar ou não a ajuda de Dimitri.

"Então, o que vai ser ?" diz Dimitri.

"Tudo bem... Eu quero sua ajuda." digo por fim.

Sei que posso me arrepender disso, mas vou correr o risco. Se Dimitri sabe de algo relacionado ao meu pai, é minha chance de acha-lo.

"O que você quer saber ?" pergunta Dimitri.

"Tudo o que você sabe." digo.

"Okay, mas não sei de muita coisa. Só o que sua avó me disse."

"O que ela disse ?"

"Que seu pai deixou vocês para te proteger, que ela tem medo disso poder... Te mudar."

"Como assim me mudar ? Eu continuo o mesma Charlie de sempre."

Tirando o fato de que escutei algumas vezes a voz de Dimitri na minha cabeça, se eu me machucar as feridas se curam e vejo coisas escritas em papeis que desapareceram em seguida. Fora isso, sou a mesma de sempre.

"Também não sei."

Dimitri contava com uma calma, mas eu penso que talvez, ele possa estar escondendo alguma coisa de mim. E então, o sonho que tive noite passada me veio em mente.

"Eu já te vi antes ?" pergunto me aproximando mais dele.

"Claro que sim. Ontem, eu te trouxe para casa e antes de ontem você me chutou e sem contar que..."

"Okay, para." digo o interrompendo. "Não foi isso que quis dizer. Foi que... Eu sinto que já te vi antes, só que não consigo lembrar."

"Charlie... Para de usar drogas. Tá afetando seu cérebro."

"Como você é idiota, Dimitri." digo perdendo a paciência.

"Okay, parei. Amanhã depois da aula, vamos no Jimmy's Pizza."

"Porque lá ?"

"Tem certas coisas que você ainda vai descobrir."

"O que você quer dizer com isso ?"

Dimitri não me responde, apenas se inclina e dá um beijo em minha bochecha.

"Te vejo amanhã, deusa." diz Dimitri saindo pela porta da cozinha.

Eu sinto meu sangue ferver dentro de mim, minha bochecha está formigando.

Subo para meu quarto e me deito em minha cama. Ainda estava em êxtase, não acreditando naquilo. Mas eu não podia ter sentimentos por Dimitri, ele era idiota, me causava repulsa e... Me irrita.

Meu telefone começa a tocar, vou como uma doida procurando meu celular pelo quarto. Me volto para minha cama e lá estava ele.

'Ô lerdeza', penso.

Pego o celular e na tela estava um número que eu não conhecia.

Me veio em mente a mãe de Rob falando que ia avisar para ele me ligar. Atendo depressa antes que pare de tocar.

"Alô ?" digo

"Charlie ?" era Dimitri.

"Como você conseguiu meu número ?"

"Eu tenho minhas fontes, Charlotte."

"Se a gente vai se ver amanhã e você acabou de sair daqui, porque você tá me ligando ?"

"Pra você saber o meu número. Agora que já sabe, tenha bons pesadelos."

"Imbecil."

"Você me quer, Stevens. Só não admite isso."

"Tenha uma péssima noite, Dimitri."

"Na verdade, minha noite tá ótima. Quer saber o por quê ?" Dimitri esperava minha resposta, vendo que não iria responder, continuou. "Eu passei ela com você."

Eu fiquei muda do outros lado da linha. Ele sabia mexer comigo de um jeito como ninguém mexia e, eu detestava isso.

"Como dizem, eu deixo as garotas sem palavras e isso incluí você também, Stevens."

"Vai dormir, garoto!"

"Às suas ordens, deusa." diz Dimitri desligando em seguida.

Como eu disse antes, não posso ter sentimento nenhum por Dimitri, ele não fazia meu tipo.

[...]

No dia seguinte, era segunda.

Eu estava almoçando com Clarice discutindo sobre os melhores livros que lemos.

"Eu acho O hobbit muito legal!" digo

"Eu também gosto do Hobbit. É incrível!" diz Clarice.

"Eu adoro os livros da Meg Cabot."

"Eu gosto da saga os Imortais."

"Olá meninas." diz John se sentando em nossa mesa. "Falando sobre livros ?"

"Sim. Você sabe ler, certo ?" pergunto brincando.

"Não sei, não. Acho que você ou Clarice vão ter que me ajudar." Diz John com um olhar malicioso. "Calma, é brincadeira. Leiam Hamlet, é muito bom também."

Clarice tinha ficado vermelha, eu não consegui ficar séria, tive que rir dela. John se vira para a olhar e começa a rir também. A cara de Clarice era de completa vergonha. Eu sentia pena dela, ainda era muito inocente, não sabia levar as coisas muito... Brincadeira como os outros.

John coloca o braço envolta do ombro de Clarice e então, que ela ficou com mais vermelha ainda.

"Hey, você vem sempre aqui ?" fala John com Clarice.

"Okay... Para com isso, eu tô com vergonha." diz Clarice.

"Chega, John." digo ainda rindo.

"John." Diz Dimitri lhe lançando um olhar muito severo.

De repente toda aquela brincadeira havia sumido como se tivesse assoprado areia.

"O que foi ?" pergunta John sério se virando para Dimitri.

"Não faça isso com ela. Ela não gosta." diz Dimitri com calma.

"Tudo bem, eu não ligo pra isso. Podem relaxar, meninos." diz Clarice.

Me levanto encarando Dimitri e John, em seguida pego minha bandeja e puxo Clarice junto comigo. Se eles iriam brigar que fosse longe de nós duas, parece que Clarice não sabe lidar bem com esse tipo de coisa.

Coloco a bandeja em cima do balcão do refeitório, não digo nenhuma palavra durante o percurso. Quando me viro está John e Dimitri atrás de mim.

"Desculpe por aquilo." diz Dimitri calmamente com Clarice que estava ao meu lado. "Sei que não gosta dessas brincadeiras, então... Só estava tentando ajudar."

'O que ?! Eu que nunca gostei das suas brincadeiras! E quando é ela, você amadurece rapidinho? Idiota!', penso

Okay... Isso é demonstrar um sentimento que não existe entre mim e Dimitri, que se chama ciúmes. E é algo que não posso ter. Por ele.

"Charlotte." diz Dimitri sorrindo.

"Dimitri." digo.

"Posso falar com você um instante à sós ?"

"Okay."

Eu e Dimitri andamos para fora do refeitório, antes de chegarmos perto da porta de saída, escutei John se desculpando com Clarice, ela disse que ele poderia brincar com ela daquele jeito e não se importava. Eles até que combinavam.

Dimitri me levou até para meu antigo esconderijo que não tinha nem uma semana que tinha estado aqui.

"O que você quer ?" pergunto.

"Você, deusa."diz Dimitri sorrindo maliciosamente.

"Sério que você me chamou aqui só pra isso ?" digo séria.

"Também." diz Dimitri calmamente. "Na verdade, é que hoje no Jimmy's Pizza não vai rolar."

"Porque não ?"

"Porque eu trabalho e John não quer me cobrir hoje. Então, complica tudo." diz Dimitri, fazendo uma careta de criança no final.

"Okay." digo num longo suspiro.

Dimitri se aproxima de mim e acaricia me rosto com seu polegar, gelei quando ele me tocou.

"Olha lá, eu te causo arrepios." Dimitri aponta para meus braços. "Se acalme, deusa. Eu não vou te beijar, mas... Só se você pedir."

"Então nunca vai acontecer." digo tirando o polegar de Dimitri de meu rosto. "Tem algum lugar em mente ?."

"Não sei, na sua casa ?"

"Não" nego de imediato. Pearl tinha uma cisma com Dimitri, do tipo boa, mas para mim era horrível. Porque seria eu quem iria ser zombada.

"Na minha ?" pergunta com as sobrancelhas levantadas de um jeito, fazendo perceber que ele estava pensando em algo nada agradável.

"Não."

"Te agradar é bem complicado. Mas é assim que eu gosto."

"Não sei em que lugar, Dimitri."

"Que tal na floresta atrás da sua casa ?"

'Alerta de assassino! Alerta de assassino!', penso.

Arregalo meus olhos e pisco várias vezes para absorver se era aquilo mesmo que havia escutado.

"Não sou um assassino, se quer saber. E se fosse, te mataria num lugar melhor."

"Okay, pode ser lá."

"Que horas ?"

"Às 3."

"O que ?"

E o sinal toca para irmos andando para a sala.

"Às 3. Se você não estiver lá, eu vou puxar seu pé enquanto dorme." diz Dimitri sorrindo e andando para o refeitório.

"Até parece que você vai fazer isso."

Dimitri volta se inclinando e me dá um beijo na bochecha, mas eu coloco as mãos em seu peito para o afastar e, ele ri disso.

"Nunca duvide de mim, deusa."

[...]

Eram 3 da manhã e nada de Dimitri.

Eu estava na floresta em plena neblina. Devia estar uns 10 graus ou menos, pois eu estava congelando de baixo de dois casacos super quentes que usava. Não estava totalmente escuro, havia levado uma lanterna junto de mim.

Ouço passos vindo, de qual direção eu não sabia, parecia vir de todos os lados.

Eu me movia para todos os lados que eu escutava os barulhos, até que eles cessão, ficando um terrível silêncio.

Estou ofegante e suando frio. Aquele silêncio era tenso. Tinha duas opções: ficar para ver o que acontece ou saio correndo para casa e tranco tudo.

Os passos começaram de novo e vinham de trás de mim, se aproximando cada vez mais. Mãos agarram minha cintura, começo a gritar e me debater. Uma das mãos se soltou de minha cintura e foi tampar minha boca. Tento me acalmar um pouco e as mãos se soltam.

Me viro e lá estava Dimitri com sua calça de couro, uma camiseta bege, uma jaqueta preta e seus tênis All Star.

"Seu idiota! Não brinque dessas coisas comigo." berro batendo no peito de Dimitri que me abraçou percebendo que eu estava chorando.

"Desculpa. Não vou mais fazer isso." diz Dimitri acariciando meu cabelo enquanto eu chorava em seu ombro.

"Não faça mais isso, por favor. Eu tenho péssimas lembranças disso, só me faz pensar no que já me aconteceu."

"Tudo bem, eu não vou. Eu te prometo."

Me afasto de Dimitri e enxugo meus olhos. Ele me olhava de modo bem calmo e ao mesmo tempo de culpa.

"Eu te chamei aqui, porque é mais reservado. E tem certas coisas que não se pode falar em locais públicos se é que você me entende." diz Dimitri.

"Espera, você está me dizendo que cancelou hoje na pizzaria por isso ?"

"Também."

"Okay... Então, você mentiu para mim."

"É pelo seu bem. E meu também." disse Dimitri. "Olha, eu vou te contar umas coisinhas. Mas..."

"Odeio esse seu 'mas'". Digo o interrompendo.

Dimitri me lança um olhar que parecia dizer para ficar quieta e o deixar terminar.

"Desculpe." digo.

"Tem uma cabana no meio da floresta e dá pra gente conversar melhor." diz Dimitri andando e me deixando para trás.

"Espera, como você sabe disso ?" corro para poder o acompanhar.

"Eu já morei aqui e sempre andei pela cidade, seja do centro até as fronteiras."

"Então, você conhece toda a cidade ?"

"Não querendo me gabar, mas sim. Conheço."

Me impressionei com Dimitri, ele conhecia cada centímetro da cidade.

Chegamos na cabana era feita de madeira. Havia uma varanda de tamanho mediano na frente, havia plantas, uns vasos de flores, uma escada pequena na frente, uma mesa com umas cadeiras.

Dimitri sobe as escadas e o sigo, ele abre a porta da cabana com uma chave antiga. Entramos e era lindo por dentro.

Havia um pequeno sofá de três lugares em frente à lareira que ao seu lado tinha uma estante de livros encostada na parede. Uma cozinha do outro lado do cômodo, uma mesa pequena com cadeiras para duas pessoas. Um porta que estava entreaberta mostrava o banheiro.

Poderia ser simples, mas eu achava lindo. Eu nunca fique num lugar que me parecesse tão confortável.

"Que foi ?" pergunta Dimitri.

"Eu achei muito legal esse lugar." digo olhando as paredes com pinturas lindas penduradas. "Você que pintou ?"

"É... Fui eu. Uma habilidade não muito usada."

"Você é muito bom para quem diz não desenha muito."

"Pois é."

"Então, porque está no clube de artes ?" pergunto estreitando os olhos.

"Preciso de créditos extras para conseguir passar."

"Ah, sim."

"Sente-se." diz Dimitri apontando para a cadeira da cozinha.

Me sentei na cadeira e Dimitri em outra, ficamos em silêncio durante um tempo.

"Preciso saber do que você já sabe sobre seu pai."

Hesito durante uns minutos. Se eu pensasse da mesma forma de quando conheci Dimitri, nunca contaria nada para ele, mas agora era diferente, eu tenho que confiar nele. Mesmo que isso me ferre no final.

"Achei um diário antigo da minha mãe. Ela conta de como eles se conheceram." digo.

"Isso é um bom começo. Mas tinha algum nome ou apelido ?"

"A única coisa que ela citou era de seu nome. Só o nome, nenhum sobrenome foi escrito."

"Qual era o nome ?"

"Jonathan."

A postura de Dimitri ficou rígida na mesma hora que falei.

"O que foi ?"

"Nada. Ela disse como ele é ? No físico ?"

"Sim, chegou à dizer."

Não vou falar sobre as fotos que tem meu pai. Dimitri ficou um tanto incomodado quando disse o nome, imagine a foto.

"Como ?"

"Olhos cinzentos." minto. "A única coisa que ela citou."

"Quero ler esse diário."

"Não."

"Porque não ?"

"Porque é algo particular da minha mãe."

"Você quis minha ajuda. Vai ter que confiar em mim uma hora, Charlie." diz Dimitri assumindo uma expressão séria e sombria.

"Não. Você disse que iria me ajudar." rebato.

"Okay, Charlie."

"Sua vez."

"Minha vez do que ?"

"Sua vez de dizer o que você sabe." digo séria.

"Isso não funciona comigo. Essa atitude muito menos."

"Dimitri, estou falando sério."

"Tudo bem, mal humorada."

Dimitri se levanta e toda sua expressão sombria se transformou em calma, ele falava andando de um lado para o outro.

"Seu pai morou aqui na cidade durante um tempo com sua mãe e sua irmã. Você ainda estava com meses de nascida quando ele foi embora. Sua vó disse que entendia ele ir embora, mas não achava que fosse ir tão rápido depois de você nascer."

"Minha avó te contou essas coisas ?"

"Sim."

"Porque ela esconderia isso de mim ?"

"Para te proteger. Assim como seu pai e sua mãe fizeram. Ela sabe o que aconteceu para eles terem de fazer essas coisas."

"O que aconteceu ?"

"Não sei. Ela não chegou à dizer, pois alguém por caso gosta de chegar em momentos de revelação." diz Dimitri me lançando um olhar de decepção.

"Okay... Mas alguma coisa ?"

"Seu pai escreveu uma carta para sua mãe e que essa carta tinha uma coisa que ficava bem... Tensa nisso tudo."

"Como assim tensa ?"

"Seu pai foi embora por sua causa, para te proteger e sua mãe... Entendeu isso, mas não completamente. Sua avó disse para você não o procurar, pois ela sabe o que o motivo dele ter ido embora, pode te achar e isso é ruim."

"Acho que deve ter alguma coisa ligada com meu sequestro."

"Porque diz isso ?"

"Porque eles nunca pediram dinheiro. Só queriam respostas, porém do que eu nunca entendi, eles às vezes, falavam em outra língua."

"Você conseguiu identificar essa língua ?"

"Parecia ser latim, mas algumas palavras estavam estranhas."

"Bom... pode ter ligação com seu pai, talvez. Temos que esperar. Juntar o máximo de informação possível para o achar."

"Maravilha." digo em meio à um bocejo.

"Tem uma cama de casal ali no quarto se você quiser deitar." Dimitri me dá um sorriso.

"Não. Não vou dormir com você me olhando."

"Quem disse eu vou ficar te olhando ?"

"O que você iria fazer, então ?"

Para que eu fui pergunta ? De Dimitri se pode esperar um monte de idiotices.

"Quer saber mesmo ?" diz me dando um outro sorriso, só que este, era malicioso.

"Não. Eu vou para casa."

"Você não vai sozinha."

"Você não vem ?"

"Não, hoje vou dormir aqui como faço algumas vezes."

"Eu vou indo."

"Charlie, se comigo que você sabia que iria aparecer na floresta escura, tomou um susto. Imagina com desconhecido ou até um gambá ?"

"Tá bem. Mas eu durmo no sofá."

"Tem certeza ? É bem desconfortável."

"Você vai dormi onde ?"

"No sofá."

"Eu fico com a cama, então."

O quarto era bem bonito, havia mais quadros dentro e, rosas azuis (as minhas preferidas) em vasos de porcelana. Uma cama de casal enorme um criado-mudo ao lado seu lado, uma luminária e um relógio.

Me deitei na cama e me cobri com as cobertas, cai no sono.

[...]

Rolava na cama e senti uma coisa fofa para apoiar minha cabeça, não sabia o que era, mas era bom e, senti uma mão ficando em volta da minha cintura. Então, coloquei minhas mãos em cima de algo que parecia um tórax bem definido, abro os olhos e lá estava Dimitri dormindo com o braço ainda em volta de mim, estávamos lado à lado.

Me levanto da cama rapidamente e Dimitri acordou, estava sorrindo para mim.

"Volta aqui, deusa." diz Dimitri com voz de sono e um sorriso idiota estampado no rosto.

"Você disse que ia dormir no sofá!" berro com raiva dele.

"Eu fiquei com frio e fui buscar uma coberta. Fui dar uma olhada em você e, você me puxou."

"Eu não te puxei!"

"Puxou, sim. Eu deitei aqui," aponta para beira da cama Dimitri. " você se mexeu um pouco e depois puxou a gola da minha camisa. E eu como homem, fui."

"Te odeio."

"Me ame menos, Charlie. Agora, volta aqui que são ainda 5 horas da manhã."

"Não, eu vou pra casa."

"Eu te levo, então". Diz Dimitri impaciente.

Fomos andando em silêncio, mas no meio da floresta com a lanterna para iluminar.

Vejo uma sombra, aquela sombra era grande. Dimitri parou e me aproximei dele agarrando sua camisa.

E detrás das árvores, saí um urubu. Ele voava envolta de alguma coisa que estava também rodeada de moscas.

Solto Dimitri e saio correndo para ver o que é.

"Charlie." diz Dimitri agarrando meu braço. "Você não sabe o que tem ali."

"Por isso, estou indo lá, gênio." digo e me solto. Andando depressa para ver o que era. O cheiro era podre, me embrulhava o estômago.

Me aproximo e vi um corpo.

"Dimitri!" grito. Ele aparece atrás de mim no mesmo instante.

"Mas que porra é essa ?" diz ele quando vê o corpo.

Era o corpo de uma garota parecia ter minha idade, seu rosto estava todo deformado, não dava para saber como ela era. Suas tripas estavam de fora, grande parte comida pelos urubus.

"A gente tem que chamar alguém." digo traumatizada.

"Não."

"O que ?"

"Eles vão perguntar o que estávamos fazendo essa hora na floresta, só e eu você, a cabana não é tão longe do local. Pensa bem, Charlie. Vão achar que eu ou você fizemos alguma coisa."
"Isso é bobagem."

"Charlie," Dimitri coloca as mãos em meus ombros e me olha nos olhos. "Eu já tive problemas com a polícia e, não faz muito tempo. Então, não quero dar um motivo para me prenderem."

Dimitri teve problemas com a polícia ? O que ele fez de tão grave assim ? Será que eram esses problemas que ele se meteu que fizeram ele parecer que esconde algo ?

"Charlie ?"

"Então, eu falo. Digo que estava fazendo uma caminhada antes de ir para o colégio."

"É melhor não fazer isso."

"Se fosse eu desse jeito, você iria me deixar assim ? Ser comida por urubus ?"

"Tudo bem, faça."

Puxo Dimitri junto comigo para ir até minha casa. Pearl não estava, não a via desde domingo. Pego o telefone da cozinha e faço a ocorrência em anônimo.

"Pronto. Feliz ?" digo para Dimitri.

Ele levanta as mãos para o alto e as balança, demonstrando diversão. Dimitri olha para o relógio da cozinha e depois para mim, ele estava com cara de sono, fiquei com pena dele.

"Acho melhor você ir para casa." digo.

"Porque ?"

"Você está com cara de sono." sorrio para Dimitri.

"É melhor eu ir mesmo." diz Dimitri andando em minha direção e tenta me dar um vejo na bochecha, mas o afasto.

"Okay, já entendi. Você não gosta disso, mas é bom que eu te irrito."

"Vai logo, garoto."

"Até o colégio, deusa."

"Pare de me chamar assim."

"Desculpa, deusa." diz Dimitri por fim, indo embora.

Fico parada rindo de Dimitri e, em seguida penso na menina morta na floresta. Realmente podia ser há dois anos atrás, eu sendo encontrada morta na floresta.

Subi até meu quarto me jogando na cama e simplesmente, o celular começa à tocar. Pego o travesseiro colocando em cima de meu rosto e grito de frustração. Eu só queria dormi. Pego o celular e esperava que fosse Dimitri, mas não era, o número estava restrito. Atendi o celular:

"Alô ?"

"Pare de me procurar, Charlie." fiz uma voz que estava mixada.

"Quem é ?"

"Apenas pare de me procurar se quiser continuar viva."

Então, me veio a coisa mais óbvia em minha mente de quem seria.

"Pai, é você ?"

A voz não diz nada, o único som que se podia escutar era o som de sua respiração.

"Pai, por favor, me responde."

"Não me procure, por favor, Charlie. Permaneça viva. Não ouse me procurar. E não confie em ninguém, além de si mesma." diz a voz.

"Pai, eu preciso de você."

"Sinto muito, mas estou te protegendo."

"Eu sei, mas quero entender do que e porque."

"E você iria." diz meu pai desligando.

Quando percebo, estou aos prantos chorando. Meu celular caí de minha mão e não dou nenhuma importância.

Porque todos me querem afastada ? O que eles escondem que tem medo de me contar ? E o medo maior de eu entrar para 'esse mundo' deles ? Não há sentido. O que será que eles tanto temem ?

[...]

Dimitri está no estacionamento do colégio e eu ando atrás dele. John e Clarice estavam vindo atrás conversando.

"Eu preciso falar com você." digo à Dimitri.

"Aqui não. Na cabana daqui à meio hora." cochicha Dimitri.

"Tudo bem." dou uma pausa "Mas eu não vou te esperar na floresta de novo sozinha."

Dimitri não responde apenas pega minha mão e entrelaça seus dedos nos meus, em seguida os solta.

Não entendi de primeira porque ele tinha feito aquilo, mas depois vi que ele colocou uma cópia da chave da cabana em minhas mãos.

Dimitri levou Clarice para casa, deixou John na parte comercial da cidade por fim, me levou para casa.

"Você não vem ?" digo descendo do carro.

"Eu disse daqui à meia hora." disse Dimitri.

"Tudo bem, imbecil." digo já subindo a escada da varanda da entrada de casa.

Estava na cabana esperando Dimitri e ele chega em menos de 12 minutos que havia chegado. Ele vestia uma camisa branca de manga longa cinza, uma calça jeans preta e tênis All Star.

"Então," diz Dimitri sentado-se no sofá ao meu lado. " o que quer falar comigo ?"

"Meu pai me ligou." digo nervosa.

"O que ?" grita Dimitri. "Como assim ele te ligou? Como ele tem seu número ?"

"Eu não sei, ele me ligou de um número restrito. Não tenho ideia de como ele conseguiu meu número."

"O que ele disse ?" diz Dimitri assumindo uma expressão calma.

"Para eu parar de o procurar. Permanecer viva e não confiar em ninguém, eu iria entender tudo numa hora. Ele só está querendo me proteger."

"Temos como o encontrar."

"Como assim ?" digo atordoada. "Dimitri, ele foi bem claro quando disse para não o procurar."

"E você vai desistir agora ?"

"Não. Mas eu só não quero fazer algo que comprometa à achar minha mãe."

"Tenho uns contatos que podem encontrar o número que te ligou, mesmo sendo restrito. Data, localização, horas, tudo."

"Você promete que consegue ?"

"Eu te prometo que vamos achar seu pai."

Mesmo na dúvida de confiar em Dimitri, era o que eu tinha que fazer. Como ele havia dito, uma hora iria ter que confiar nele, mesmo que possa custar minha vida.

Notas finais
Oieee, gente. Queria agradecer por ter lido mais um capítulo da série Predestinada, se você ainda não acompanha, vai lá clica no ícone para ficar atualizado da história. Não se esqueça de clicar em favorita, pois ajuda muito na divulgação. Tenham uma ótima leitura, TaliaEverdeen _|||_