Predestinada - Livro 1
5 Capítulo 5 - Segredos podem te ferrar também
Notas iniciais
Eu não acreditava no que via, ele... ele... O homem se parecia, um pouco, com Jess, a única diferença era a cor dos cabelos, eram negros e seus olhos de longe eram um cinza profundo, mas não chegava a serem iguais. Apenas lembrava pequenas feições, porém podia ser meu pai e eu não saberia dizer.
"Charlie, eu vou ao banheiro." diz Clarice me tirando a atenção do cara que pode ser meu pai.
"Tudo bem. Eu te espero aqui." digo em resposta.
"Você está bem? Parece que viu um fantasma."
"É a fome." brinco.
"Tudo bem."
Volto meu olhar ao estacionamento, o cara havia entrado no carro e estava saindo. Me levanto correndo indo até o estacionamento, mas já era tarde demais, minha chance se foi.
Volto para mesa atordoada, lá estava Giulia parada com a pizza na mão procurando Clarice ou eu.
Me sentei na cadeira, Giulia me olhava de cima à baixo.
"Aqui a pizza e seu refrigerante." diz rapidamente. "Você está morrendo ?"
"O que ?" pergunto distraída.
"Você está morrendo ?"
"Não."
"Porque parece, você está pálida feito um vampiro."
"Estou bem."
"Você foi até o estacionamento e voltou com uma cara de decepção."
Não sei o que aquela retarda tinha na cabeça para achar que eu iria me abrir com ela. Eu não gostava dela, ela tratou Clarice mal na minha frente, me chamou de vadia, lésbica e outros insultos.
"O que te faz pensar que vou te dizer alguma coisa particular minha ?"
"Não precisa ser grosseira. Só queria ajudar." diz Giulia saindo de perto de mim.
Clarice volta do banheiro e comemos a pizza em silêncio, na hora de pagar rachamos a conta.
Estamos saindo do Jimmy's Pizza e atravessamos para o outro lado da rua.
"Onde você mora ?" pergunto para Clarice.
"Três quarteirões daqui." diz Clarice.
"Okay, te levo até lá."
"Não sou criança, Charlie. Eu sei ir sozinha." diz Clarice saltitando enquanto anda.
"Claro sabe. Mas eu vou te levar." digo rindo dela saltitando.
"Porque ?" diz Clarice parando de saltitar se virando para me encarar.
"Porque é o que amigas fazem. E eu sou mais velha que você, tecnicamente, sou responsável por você nesses momentos."
"Você é muito boba." diz Clarice por eu estar a tratando feito uma criança. "Tudo bem, você vai me levar, mas sem me tratar como um bebê. E nada de segurar minha mão enquanto atravessamos."
"Okay" digo rindo.
"Ora, ora, ora. O que temos aqui ? Stevens e a pequena Clarice."
'Só pode ser brincadeira, todo lugar que eu vou esse garoto vem atrás.' penso.
Me viro para a rua e lá está Dimitri dentro de seu SUV cinza.
"Oi, Dimitri." disse Clarice sorrindo. Me pergunto como ela pode gostar desse idiota.
Em reposta à Clarice, Dimitri sorri e se volta para mim.
"Charlotte."
"O que você quer ?" digo sendo direta, não tinha paciência em aturar Dimitri e suas idiotices.
"Querem carona ?" perguntando Dimitri olhando para Clarice e depois para mim.
Olho para Clarice que levantou as sobrancelhas para mim, eu ia ter que ir com Dimitri, pelo visto.
Abro a porta de trás para Clarice.
"Eu posso ir na frente, já tenho idade." diz Clarice em protesto.
"Okay." digo rindo de Clarice.
Vou no banco de trás enquanto Dimitri e Clarice ia na frente.
Eu dormi no caminho nem vi, se Clarice tinha entrado em casa. Só sei que estava sendo carregada.
Abro os olhos, minha pálpebras estava pesadas, mas eu tento lutar contra o sono; estou nos braços de Dimitri, eles eram fortes e quentes. O toque dele na minha pele era eletrizante, podia sentia seu corpo de flexionando enquanto ele respirava, seu peito era forte e musculoso.
Dimitri toca a campainha e Pearl abre a porta.
"O que aconteceu ?" pergunta Pearl assustada por me ver nos braços de Dimitri ainda sonolenta.
"Ela dormiu no carro quando eu dei carona para ela e uma outra menina." diz Dimitri.
"Tudo bem, pode a colocar na cama. É a terceira porta à direita."
"Com licença." disse Dimitri ao passar da entrada.
Meus olhos se fecham de novo e quando abrem, já estou sendo colocada na minha cama. Olho para Dimitri que estava olhando meu quarto, vendo os meus pôsteres do System Of A Down, do Green Day, outras bandas e de atores que eu era muito fã, e seu olhar se volta para mim.
"Olá, bela adormecida." diz sorrindo ainda debruçado por cima de mim.
"Cadê Clarice ?" pergunto levantando da cama e Dimitri também.
"Eu a deixei em casa. Você dormiu no carro."
"Minha avó com certeza deve ter pirado."
"Na verdade, não. Ela até deu um sorrisinho quando estava subindo as escadas com você."
"Olha... Era só você ter me acordado que eu subia, não precisava me carregar."
"Não quis te acordar, você fica bonitinha quando está dormindo. Até baba."
O encarei durante um tempo e depois me aproximei dele, querendo entender o porquê dele estar sendo legal comigo agora. Eu olhava dentro de seus olhos, eles eram muito familiares, como se eu já tivesse visto antes, mas sei que me recordaria se já tivesse visto, os olhos mais lindos que já pudera ver.
"Acho melhor eu ir." diz Dimitri com os olhos no meus.
"Obrigada por me trazer aqui." digo sorrindo. Eu nunca sorrido para ele. O que eu estava fazendo ?
"De nada." Dimitri dá um sorriso torto e saí de meu quarto.
Ouço o som dos passos de Dimitri descendo as escadas.
Ando até a janela de meu quarto que me dava uma vista para frente da casa. Dimitri entrou no carro e olho para janela, ficamos nos olhando durante segundos, mas parecia serem segundos tão longos e, depois ele dá partida indo embora.
"Ele é um bom rapaz." diz Pearl.
Me viro para Pearl que estava encostada no batente da porta.
"Na verdade, ele é irritante." digo.
"Você gosta dele, Charlie ?"
"Porque eu gostaria de Dimitri ?"
"Porque às vezes, a pessoa que mais detestamos, se torna nosso amor."
"Isso é besteira." digo rudemente.
"Se você nunca amou, vai ser besteira. Mas você ainda tem o Rob, se com Dimitri não der certo." diz Pearl dando uma piscadela e rindo.
"Obrigada pelo conselho, vó. Foi inspirador."
"Você que é careta demais, Charlie." diz Pearl saindo da porta de meu quarto.
Vou até a porta e a fecho, ando para banheiro tomar um banho. Durante o banho, tenho um devaneio com Dimitri me carregando, o toque de sua pele, seus músculos, sua respiração. E o principal, seus olhos era o que me hipnotizavam, o modo de como eles eram familiares mexia comigo, queria saber de onde conhecia aqueles olhos.
Após o banho, coloco meu 'pijama', na verdade, era uma camisa de manga, calças de dormir e um casaco velho. Enquanto, colocava meu pijama, encarava as caixas de objetos antigos de minha mãe. Eu tinha que fazer isso essa noite. Pelo algo já sabia, meu (sem ter absoluta certeza) pai estava na cidade.
Vou até a cozinha, pegar uns biscoitos e ver se Pearl já tinha subido para dormir. Bom... Na sala não estava e nem na cozinha, falta olhar seu quarto.
Subo indo até o quarto de Pearl, abro a porta e ela estava deitada enrolada nas cobertas de sua cama, fecho a porta de seu quarto devagar.
Vou para meu quarto fechando a porta para começar minha investigação. Pego as caixas colocando-as em cima de minha cama.
Abro a caixa da direita enquanto comia os biscoitos ao mesmo tempo, havia diversas coisas da época do colegial de minha mãe, de repente, eles se conheceram no colégio. Vasculhou tudo que há na caixa de me entregasse alguma pista e nada.
Fechei a caixa e abri a outra, nessa havias menos coisas.
'Êbosta, acabouobiscoito. Comosefazumainvestigaçãosemcomida ?', penso.
Prossigo pegando um pequeno caderno que parecia mais um diário e comecei o ler.
"27 de Agosto de 1994.
Querido diário, hoje vi um cara que era maravilhoso, mas não sei se ele me notou. Espero que sim. Ele é da minha aula de história geral na faculdade. Nunca senti isso por alguém pelo que sinto com ele, mesmo sem o conhecer, já mexe comigo. Aqueles profundos olhos cinzas eram perfeitos, me trazem paz onde há mais tempestade dentro de mim."
"13 de Setembro de 1994.
Querido diário, eu o conheci, ele é incrível. Me levou para tomar café e ficamos a tarde toda conversando, quando fomos perceber, já era de noite. Ele se chamava Jonathan, ele me chamou para jantar com ele amanhã, estou nervosa, mas acho que ele vale à pena."
"02 de Outubro de 1994.
Querido diário, depois de cinco encontros que tivemos, acho que chegou na hora. Iria acontecer essa noite entre nós. Eu sei que é muito cedo para dizer isso à Jonathan, mas eu o amo, com todo meu coração. Quero o fazer feliz para sempre, o som de sua risada, me tirava um sorriso. Será que ele me ama ?"
"16 de outubro de 1994.
Querido diário,eu vou me formar daqui a 5 meses. Jonathan disse que seria legal se fôssemos morar juntos e ele disse que me ama ontem à noite. Estamos procurando um lugar para alugar ainda. Estou tão animada e ao mesmo tempo nervosa."
Aquela não parecia a minha mãe que eu conhecia, era uma jovem apaixonada e boba. Como minha mãe podia ter sido assim ?!
"30 de outubro de 1994.
Querido diário, eu e Jonathan finalmente estamos morando juntos, mas as coisas andam complicadas, eu vi uma cicatriz enorme em suas costas quando tirou a camisa. Ele disse que tem coisas que era melhor eu não saber ainda por segurança e para eu não ter medo dele, após ele ter me dito isso, começamos a dscutir na noite passada, eu podia jurar que escutei ele gritou comigo dentro de minha mente. Estou começando a me assustar com Jonathan."
Quando li aquelas palavras que mamãe escreveu não pude acreditar, ela também escutou meu pai falando em sua mente, aquilo me deixou tensa. Largo o diario emcima da cama, eu estava atordoada, desvio meu olhar para a caixa e tinha uma carta com o nome de minha mãe na frente.
"Querida Samantha,
Eu não sei como lhe dizer isso, mas terei de fazer desta forma. Eu iriei partir e não vou voltar mais, você sabe o porque, tenho que proteger vocês. Eu estou pensando na raiva que a minha doce Charlie e minha amável Jess vão sentir de mim, mas estou fazendo isso pricinpalmente por elas e por você. Quero que elas cresçam e sejam felizes, que você também seja feliz. Me perdoe por tudo que lhe fiz, toda a dor que lhe causei e irei causar. Eu vou deixar uma grande quantia em dinheiro na sua conta, é para a falcudade e tudo o que as meninas precisarem. Você sabe o que está acontecendo e, eu nunca vou me perdoar se alguma coisa acontecer com Charlie, ela ainda tem muito o que saber ainda, nunca deixe que ela entre para esse mundo em que vivemos. Cuide bem da Jess e da Charlie e principalmente de você. Eu te amo e amo ainda mais minhas meninas.
Com amor, Jonathan."
Tiro aquela carta de minha frente.
O que meu pai quis dizer com aquilo ? O que será que ele e minha mãe se meteram e tem medo que aconteça o mesmo comigo ? Será que isso envolve o meu sequestro ? Isso não pode ser verdade, minha mãe não se metia em problemas, ela sempre foi um exemplo de pessoa. Isso não está acontecendo! O que eles queriam dizer com esse mundo que vivemos ?
Na caixa havia uma foto, era minha mãe abraçada com... não era o mesmo cara que eu vi no estacionamento da pizzaria, esse era diferente, esse tinha olhos cinzentos e cabelos loiros. Eles estavam felizes, noto o tamanho da barriga de minha mãe, ela devia estar grávida de Jess na época.
E vi outra foto, Jess estava no colo de meu pai, realmente eles se pareciam muito, e minha mãe estava grávida, ela estava com as mãos sob sua barriga. Essa é a única foto em família que tenho.
Meus olhos começam a se encher de lágrimas. Choro durante um tempo, o sono que eu sentia antes, se foi. Apenas a dor e toda a angústia me tomavam, como as águas do oceano tomam da areia.
Assim que paro de chorar, olho para a caixa e vejo um livro, mas não era um livro comum de romances, era um livro religioso, o pego e começo a ler.
O livro falava sobre anjos, na época que caíram e depois que eles se relacionavam com as mulheres. Essas mulheres engravidavam, mas nunca davam a luz aos seus filhos, pelo contrário, elas morriam e seus bebês junto. Mas houve uma apenas uma que conseguiu dar a luz, ela foi punida por dar à luz o primeiro Nefilim. Após a criança ter completado seu 7 mês de vida, os anjos desceram e puniram a mulher e sua criança e, o anjo que se relacionou com a mulher, foi obrigado à assistir morte dela e de seu filho. E nisso foi jogado uma punição jogada na mulher antes de sua morte, ela viria outras vezes à viver, mas em última vida, ela viria como Nefilim. Anjos achando que não viria à acontecer o mesmo ato novamente de que um Nefilim viria à nascer, estavam enganados. Após a morte da mulher, todas as mulheres havia se relacionados com anjos caídos e estavam grávidas, deram à luz todas no mesmo dia da morte da mulher. E assim, os anjos que puniram a mulher, caíram por matar uma mulher e uma criança inocente, mesmo que a criança representasse uma ameaça para eles.
Na capa do livro o nome do autor estava raspado, li o título "A vingança dos Nefilins." . Pelo que sei e na Bíblia é dito que no dilúvio de Noé, as águas levaram tudo o que tinha, matando pessoas e tudo mais, levando a extinção de algumas espécies que não estavam na arca; isso incluindo a de nefilins.
Vasculhei tudo na caixa e nada que fosse importante foi encontrado, quer dizer, têm duas fotos e uma carta de meu pai que me assustou bastante. Mas quase 17 anos depois a pessoa muda e muito. A única pista é que se eu visse alguém que se parece muito com Jess e tinha olhos cinzentos e cabelos loiros, era meu pai. O problema é como o achar agora ? E como ter algum contanto ?
Pelo menos o nome eu sei, agora o sobrenome eu não fazia ideia. Tanto eu quanto Jess tínhamos o nome de solteira de minha mãe, o que dificulta minha procura.
Me levanto da cama e vou guardar as caixas no meu armário. Me jogo em minha cama e durmo.
Em meu sonho, vejo flashes e mais flashes do meu sequestro, do dia do meu sequestro até o dia que fugi. O último flash foi mais lento, mostrando toda a cena da escuridão me engolindo e eu apaguei.
As poucos vou abrindo os olhos, mas minhas pálpebras estavam pesadas, vejo grandes pinheiros, a noite estava indo embora, enquanto a luz do amanhecer surgia. Era tudo o que conseguia ver da paisagem em meio à minhas piscadelas para conseguir enxergar, eu via tudo de cima, pois as nuvens estavam muito próximas de mim. Estou voando ?!
Sinto o vento bater em meu rosto, mas ele vinha de direções diferentes. Viro para meu lado direito e vejo uma asa enorme, era meu tamanho multiplicado por três ou mais. A asa não era branca, nem negra, era uma cor perolada. Era linda aquela asa.
Eu achando que asa era minha tentei bater voou mais para o alto, mas não aconteceu. As asas não respondiam ao meu comando, me debati um pouco para ela me responderem, foi então que percebi, que asas pertencia ao outra pessoa e essa pessoa me carregava. Abaixo minha cabeça para minha cintura e lá, estava um braço envolta dela e outro em minha barriga. Levanto minha cabeça e tento vejo o rosto de quem era, mas a luz do amanhecer tampava o rosto.
E a luz do amanhecer, a paisagem bonita, as asas, tudo em minha volta vai escurecendo aos poucos, só consigo ver a cor dos olhos, verdes com pequenos pontos azulados da pessoa.
'Dimitri ?', penso.
Até que aquele lindos par de olhos se afogam na escuridão.
[...]
Eu e Pearl acordamos cedo para ir à Missa Dominical, ou seja, Missa no domingo.
Eu sei o que deve estar pensando, a Charlie vai à Igreja ? Sim, eu vou à Igreja todos os domingos e sou uma pessoa muito religiosa. Não é só porque eu escuto rock e xingo as vezes, quer dizer que eu seja uma pagã. Minha mãe e minha avó sempre queria manter à mim e Jess na Igreja, eu sempre gostei, já Jess assim que saiu de casa, sabe... Se jogou para o mundo fazendo o que descê na telha.
Na Missa antes de começar, eu e Pearl estávamos sentadas nos bancos do meio ao lado direito, como todo domingo fazíamos e Rob vinha à Missa. Ele sempre se sentava ao meu lado, pois ele tinha vergonha de falar com Pearl as vezes.Nesse domingo, ele não veio, quer dizer, até agora não.
Quando acordei de manhã antes de fazer minha higiene matinal, verifiquei meu celular para ver se Rob mandou alguma mensagem ou me ligou e, nada dele. Vamos ver se hoje ele resolver dar as caras.
A Missa acabou e Rob nem esteve lá, as meninas da Igreja que ficavam tentando paquerar Rob, me perguntaram se ele veio. Completo sinal que alguma coisa anda acontecendo com Rob, preciso ir na casa dele hoje.
[...]
Atravessando o quintal da casa de Rob que era à 3 quadras da minha casa, toquei a campainha. Esperei do lado de fora da casa de Rob até que a mãe do Rob abre a porta. Eles eram muito parecidos, mas ela tinha o cabelo ruivo.
"Olá, Charlie." disse docemente a Sra. Cast.
"Olá, Sra. Cast, o Rob está ?" digo.
"Charlie, já disse antes para me chamar de Katie. Lembra, eu me separei do Sr. Cast." brinca Katie "O Rob não está. O pai dele conseguiu achar uma casa na cidade para alugar e ele foi passar uns dias na casa dele."
Sabia que os pais de Rob eram separados e que o pai de Rob estava temporariamente ainda morando com a Katie até encontrar uma outra casa, mas me surpreendi de como foi rápido, pois eles se separaram há 8 meses. Rob nem ficar triste ficou, ele disse que eles se davam melhores separados do que juntos.
"Sabe que quando ele vai voltar ?"
"Na verdade, não tenho certeza."
"A senhora pode me dizer se ele mudou o número dele ? Não consigo falar com Rob à dias."
"Ele continua com o mesmo número só que o celular está ruim, ele deve trocar essa semana. Ele tem me ligado no telefone do pai dele."
"Okay..." digo entristecida.
"Espera, você disse que não consegue falar com ele há dias ?"
'Droga! Agora que Rob nunca mais vai falar comigo de vez.' penso.
"Sim." No que eu já havia falado que não conseguia falar com ele há dias, eu não podia mentir sobre isso agora.
"Ele tem ido ao colégio ?"
"Eu faltei uns dias, pois estava doente. Então... não sei dizer."
"Tudo bem."
"Obrigada e desculpe pelo incomodo. E se o Rob ligar de novo, por favor, pode pedir para ele me ligar."
"Está acontecendo alguma coisa com você, Charlie ?" pergunta Katie preocupada.
"Não, estou bem." digo sorrindo.
"Tudo bem, eu aviso quando ele ligar. Até mais, Charlie." diz a Katie fechando a porta enquanto eu volto para casa, antes aceno para Katie em despedida.
Nunca pensei que fosse me afastar assim de Rob, nunca pensei que os segredos podem te ferrar. Eu tinha segredos ? Poucos, mas eles não afetavam ninguém, além de mim. Já os segredos das pessoas à minha volta, me afetavam e na maior parte do segredo me envolvia. Isso estava me deixando louca! Era segredos de minha mãe, segredos do meu pai, segredos de Dimitri e do onde eu o conhecia, segredos de Rob; segredos de Pearl e Jess.
Eram segredos que não acabavam se tornando uma completa tortura. E fico me perguntando, quando esses segredos vão acabar ?
Quando estou chegando perto de minha casa, o SUV de Dimitri está estacionado em frente da garagem.
Lembrei do dia que Dimitri esteve na minha casa da primeira vez, ele e Pearl conversando, parecia que eles já se conheciam.
Dou a volta na casa e pulo a cerca que separava a casa da floresta atrás. Ando agachada até a janela da cozinha e vejo Dimitri em pé apoiado na parede que ficava oposta à sala e Pearl no sofá, os dois pareciam discuitir sobre algo sério, a postura de Pearl denunciava tudo. Vou até a porta dos fundos e a abro devagar, entro agachada e me escondo atrás dos balcões.
"...Isso está me deixando perturbada, ela não pode o encontrar." diz Pearl com seu tom de preocupação.
"Acho que ela deve, afinal ela tem esse direito." diz Dimitri.
"Olha, não querendo me intrometer, mas acho melhor irmos. Agora." a voz era de John. Eu não tinha o visto na sala, só se ele estivesse bem escondi no canto da sala.
"Vamos. Já está tarde." diz Dimitri e ouço passos que estavam diminuindo o som pela distância.
"Eu vou me deitar." diz Pearl subindo as escadas.
Não levanto até ouvi mais nenhum ruído, vou engatinhando até a brecha do balcão e vejo um par de tênis All Star preto na minha frente.
"Agora que eu estava começando a gostar de você, você me depciona escutando uma conversa particular ?" diz Dimitri parado me olhando.
'Masquemerda!', penso.
Me levanto e o olho, Dimitri me olhava de maneira bem tristemente exagerada. Só havia eu e Dimitri na cozinha. John devia está lá fora.
"O que faz na minha casa ? E porque estava conversando com minha avó como se as conhecesse à muito tempo ?" pergunto com raiva, ele me enganou. Como eu sou idiota!
"Eu e John estávamos conversando com Pearl. Eu conheço sua avó à muito tempo só que ela não me reconhecia e nem a John." explica Dimitri.
Mas eu não acreditava em suas palavras, sabia que ele não queria me contar a verdade. E essa verdade era que talvez, o assunto deles possa ter sido eu. Sobre eu ter dito a Jess e Pearl que eu queria encontrar meu pai.
"Não acredita em mim ?" pergunta Dimitri me tirando de meus pensamentos.
"Não."
"Tudo bem..."
Dimitri agarra minha cintura e olho dentro de meus olhos.
"O que você tá fazendo, seu imbecil ?" digo o empurrando.
"Você não sabe no que acreditar, mas acredita que talvez eu possa te beijar ?" Dimitri ainda estava de frente para mim.
"Não acho que você possa me beijar, até por que eu não deixaria." digo enfurecida.
"Tem certeza, deusa ?"
"Tenho e não me chame assim de novo."
"Então, no que você quer acreditar ?"
"Que minha família volte a ser o que era antes de meu pai nos deixar." digo querendo chorar.
Dimitri ficar paralisado me analisando e depois sua expressão voltou-se a calma.
"Vocês estavam falando sobre meu pai, não é ?"
"Tem certeza que quer sabe disso ?" diz Dimitri com tom sério e calmo ao mesmo tempo.
"Eu preciso." digo.
"Então, eu vou te ajudar." diz Dimitri calmamente.
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