Precisa ser você!
7 Capítulo 7
Notas iniciais

Capítulo 7
Pobreza e lésbica apaixonada.
Laxus estava muito nervoso, andava de um lado para o outro naquele saguão branco me deixando ainda mais preocupada. Estava começando a ficar tonta. Aquele lugar era branco demais!
—Laxus, senta aqui. – Soltei um espirro chamativo.
Estava a vinte minutos sentada naquele banco de hospital e já havia pegado uma gripe?
—Ficar nervoso não vai ajudar em nada, sabia?
Laxus bufou e se jogou na cadeira ao meu lado. Mesmo sentado, o loiro não parou de bater o pé no chão um segundo sequer. Aquilo estava me irritando profundamente.
—Pelo amor de deus! –Puxei seu braço com força. –Também estou nervosa, mas dá pra parar de se mexer? Vou pedir pra enfermeira trazer um dardo tranquilizante para você!
—Não tem dardos tranquilizantes em hospitais. –Laxus revirou os olhos. –Os médicos estão demorando demais, não acha?
Ele estava certo, mas hospitais eram assim mesmo. Segurei sua mão e descansei minha cabeça em seu ombro. Para minha surpresa, Laxus não tirou sua mão da minha.
—Mamãe é forte. –Suspirei cansada –Não é a primeira vez que isso acontece, sabemos que ela vai ficar bem logo.
—A diferença é que nas outras vezes, o Jude estava conosco. -Fiquei surpresa. Laxus nunca conversava sobre nosso pai, acho que ele tinha muita algum tipo de mágoa. – Agora somos só nós três.
Senti algumas lágrimas se formando em meus olhos e funguei. Seria mentira se eu falasse que não sentia falta dele. Adorava passar as tardes na oficina, ajudando com os carros.
Jude havia partido muito cedo. Sua morte foi trágica, então não gosto de pensar muito nisso, mas ele era o melhor pai do mundo. Sempre estava presente e sempre ajudou mamãe em tudo. Papai trabalhava como mecânico, e apesar de não render muito ele era feliz fazendo o que gostava. Por ser um pai coruja demais comigo, vivia naquela oficina com ele. Brincando no meio dos carros e o ajudando. Éramos muito próximos.
Mamãe já estava doente quando papai se foi, mas acho que ela piorou depois da perda dele, mesmo se fazendo de forte.
—E-eu sei.. –Sorri minimamente. –Sinto falta de passar os finais de semana naquela oficina..
Laxus não me respondeu. Sabia que ele estava tentando se controlar. Apesar de ser rude 24hrs do dia, eu sabia que aquele assunto o deixava abalado.
...
Seis horas. Esse foi o nosso tempo de espera. Quando o médico finalmente apareceu, nos levou até sua sala. Sentei-me em uma das cadeiras brancas que havia na sala e fitei o homem grisalho que estava lendo alguns papéis. Já conhecia o doutor Marcus, ele sempre acompanhou o tratamento da mamãe e era meio "próximo".
—Lucy e Laxus. -Nos fitou com um olhar de pena. Tremi. -Acho que vocês já tem noção da situação da Layla.
Um nó se formou em minha garganta. Ele nunca falava assim. Sempre dizia que mamãe era forte e ia superar tudo.
— E-Ela vai ficar bem? –Laxus continuou calado.
—Layla lutou muito, mas seu tempo já está chegando ao fim. Essa doença já esta contaminando todo o corpo dela. –Suspirou. –Desculpem dizer isso, mas Layla tem pouco tempo de vida.
Desabei. Simplesmente desabei. Não podia perder a mamãe, simplesmente não podia.
—Não tem nenhum outro jeito?
—Existem alguns remédios, mas não é uma cura. Servem apenas para aumentar um pouco o tempo de vida dela e fazer com que ela sinta menos dor.
...
—Não temos dinheiro o suficiente para pagar esses remédios. –Laxus passou as mãos pelo rosto e apertou o botão para destrancar o carro.
— Podemos vender algumas coisas. –Entrei no carro e bati a porta. –Sabe, tipo um bazar!
—Vender o que? Aquele paviflex cheio de furos? –Suspirei. Ele tinha razão.
—O dinheiro que eu ganho fazendo meus bicos também não é suficiente para bancar a casa e comprar toda essa quantidade de remédios. –Praguejou e esmurrou o volante. –Porra.
—Já sei! – Laxus me olhou por alguns segundos. – Posso arranjar um trabalho de meio período.
—Isso não vai dar certo, você não sabe fazer nada de útil. –Ligou o carro e começou a manobrar. Revirei os olhos.
—Eu sei fazer várias coisas!
—Tipo? –Saímos do estacionamento e suspirei ao ver que as ruas estavam lotadas de carros.
—Eu sei cozinhar e..
—Você não sabe nem fritar um ovo.
—Chato! –Apoiei minha cabeça no vidro gélido. –Tive outra ideia!
—Você não sabe cozinhar. Nem inventa.
—Me escuta. – Acho que aquela ideia poderia dar certo. –A Mira-san falou que precisava de mais pessoas para ajudar no restaurante, talvez ela me dê o emprego. Não vai ser muito, mas já paga os remédios.
—Pode ser uma ideia boa. –Apertou a buzina e xingou um motoqueiro. – Mas você fala com ela. Não vou pedir pra Mira te dar um emprego.
—Tudo bem. – Peguei seu celular que estava no cinzeiro. – Vou ligar pra ela.
—Não gaste meus créditos.
...
—Consegui outro emprego no Maxe’s*, juntando meus dois salários e o seu conseguimos viver. –Laxus estava jogado em sua cama.
Mamãe havia ficado internada por observação. Falei com a Mira e expliquei toda a nossa situação, depois de implorar e prometer que iria dar o meu melhor, a albina finalmente aceitou me dar uma chance.
—Ótimo! Juntando tudo, conseguimos pagar os remédios e conseguimos nos sustentar. –Sorri. –Vamos sair dessa, Laxus. –Me aproximei do loiro.
—Eu sei. –Puxou-me para um abraço. Fazia tempos desde a última vez que o abracei. – Você é otimista demais, pirralha.
Ri baixinho e lhe dei um beijo de boa noite.
Peguei no sono feito um pedra e só acordei no outro dia com o barulho irritante do despertador.
Naquela manhã, saímos cedo de casa e passamos no hospital. Depois peguei um ônibus e fui direto para escola.
Por milagre não cheguei atrasada, então tive algum tempinho para ficar no pátio enquanto esperava o sinal bater. Avistei Erza sentada ao lado da "nossa" árvore.
—Meu deus! –Erza me deu um belo soco no rosto quando me aproximei e cutuquei seu braço.–Que susto, Lucy!
—Acho que perdi um dente. –Levei as mãos até a bochecha e acariciei. –Que horror Erza! Aqui não é o presídio, pode relaxar.
—Me desculpe, mas a culpa é sua! Ninguém mandou você me cutucar. Tenho cara de facebook agora? –Resmungou. –Quer me contar?
—Hã? Contar o quê? –Erza e essa mania que perguntar coisas sem nexo algum do nada.
—Atender ao telefone e sair correndo feito uma maluca. –Guardou seu Iphone no bolso e me fitou.
—Mamãe esta no hospital. –A ruiva arregalou os olhos e puxou-me para um abraço de urso.
—A mesma doença?
Tive que contar todos os acontecimentos para Erza. Quando Levy chegou, tive que repetir tudo novamente.
Ficamos um bom tempo debaixo da árvore. Estava louca para mudar de assunto e quase soltei um gritinho de aleluia quando Gray apareceu com Juvia ao seu lado. As garotas se esqueceram dos meus problemas e resolveram incomodar o casal de azulados.
Quando o sinal bateu, corri até a sala. Era aula de história e eu era completamente apaixonada pela matéria. Estava quase chegando à sala quando bati em alguém.
—Você não olha por onde anda n.. Oh! Oi Lucy! –Lisanna sorriu e ajeitou sua mochila. Sorri tímida para a albina.
Não havia falado com Lisanna depois daquela “indireta”, então não fazia a mínima ideia do que falar.
—Desculpe. –Apertei a alça da mochila e sorri. -Sou meio desastrada.
—Que isso! –Suas bochechas estavam levemente coradas. –Estava indo pra sala? –Um sorriso enorme brotou nos lábios da albina. Fiquei até com um pouco de medo.
Concordei com a cabeça.
—Ótimo! –Puxou minha mão. Fiquei estática por alguns segundos. Sera que não iria colar fingir um desmaio nesse momento? –Podemos ir juntas.
Ela nem esperou resposta, apenas me puxou até a sala. Quando entramos na classe, todos se viraram para nos olhar, inclusive Natsu que parecia ter tomado um soco no estomago pela expressão que fazia.
—Pronto! –Lisanna virou-se para mim. –Podemos ficar conversando até o professor chegar? –Perguntou.
—Acho que sim. –Sabia que era falta de educação recusar. Levy me lançou um olhar de interrogação e eu apenas neguei com a cabeça. Se ela estava confusa, imaginem eu.
Sentei-me em meu lugar e Lisanna sentou-se no lugar de Loke, que estava flertando com Cana por isso nem se importou.
—Então, novidades? –Perguntou.
Foi aí que eu saquei. Ela queria conversar sobre meu novo emprego ou catar sobre as coisas que tinha acontecido. Estava na cara que a Mira havia contato algo para ela.
—Nenhuma, eu acho. –Sorri tímida. Não queria falar sobre isso, principalmente com ela.—E você?
—Qualé, Lucy! –Bufou meio indignada. –Você não é assim com os seus amigos. Está com medo de mim?
—Claro que não! – Talvez um pouco, ela me parece meio maniaca. –Mas nós não somos amigas, não posso simplesmente sair falando como se fossemos melhores amigas de uma hora para outra. –Revirei os olhos.
Lisanna me olhou por alguns segundos e se alevantou, pegou sua mochila e andou até seu lugar. Não disse uma palavra, apenas se enfiou em seu canto e abaixou a cabeça, me deixando completamente poker face.
[Lisanna Strauss On]
Não é nada fácil ser lésbica, isso eu posso confirmar. O preconceito está em quase tudo. Tive sorte de ter uma família amorosa que me apoiou em tudo, mas sei que nem todas as garotas têm famílias assim. As pessoas acham que as lésbicas existem apenas para chamar atenção dos outros, e isso é completamente ridículo.
Notei que era lésbica quando completei quinze anos. Foi quando comecei a assistir Yuri e notar as garotas na rua. Assustei-me no começo, mas depois de um tempo, achei a coisa mais normal do mundo.
Natsu nunca me julgou quando falei da minha sexualidade. Posso dizer que ele é o melhor amigo do mundo. Sempre esteve ao meu lado, me dando apoio e me ajudando a passar de nível nos jogos de playstation.
Minha vida estava ótima. Natsu havia mudado de colégio e agora era praticamente meu vizinho. Estava ficando com uma garota super meiga da nossa antiga classe e havia entrado no time de lideres de torcida. As coisas não podiam estar melhores. Mira e Elfman também estavam felizes por que o restaurante da nossa família finalmente estava dando lucro e nós havíamos até comprado um carro novo. Achei que nada poderia melhorar, até que avistei aquela garota loira.
Lucy Hearphilia. Quando botei meus olhos nela, não consegui mais desgrudar. Ela estava rindo com seus amigos, às vezes dava mordidas no pãozinho que tinha em mãos. Fui hipnotizada por aqueles olhos castanhos. Ela parecia tão leve, tão feliz.
A partir daquele dia, não parei de observá-la nunca.
As outras garotas não me interessavam mais. Eu queria aquela garota. Não me perguntem o porquê. Eu realmente não sabia explicar.
Só sabia de uma coisa, estava apaixonada por Lucy Heartphilia.
Fale com o autor