– Kath, para onde você vai? — Kyle tentou segurar minha mão, porém fui mais rápida.

– Prometo que não demoro. — Falei dando meus primeiros passos.

Meu coração começou a acelerar e meu corpo esfriou enquanto seguia o encapuzado, ele nem notara minha presença de tão distante que estava. A distância perfeita. Não deveria fazer isso, é algo errado, porém eu preciso saber quem é esse que me atormenta, tenho o direito!

O segui até o bosque que havia no fundo do cemitério, o segui até um ponto do bosque, depois não consegui mais vê-lo. Meu coração começou a acelerar fortemente. Olhava para os lados procurando-o com certo medo. Decidi voltar quando senti um impacto e minhas costas bateram fortemente em uma árvore.

Fechei os olhos não vendo quem me jogou com tamanha força, mas ao abri-los, pude ver o encapuzado a poucos metros de mim, com o braço estendido.

Visualmente não havia nada me prendendo a árvore, mas eu tentava me movimentar e não conseguia nem me mexer. Era algo agonizante.

– Por que está me seguindo? — Nesses dias que ele estava me perseguindo não tinha escutado sua voz, o que me fez parar ao ouvi-la pela primeira vez, era uma voz grossa. — Não tem medo da morte?

Demorei para responder:

– Não tenho medo de você.

– Não? — Ele dava passos em minha direção, ainda com os braços erguidos e aproximando-se mais e mais. — Jura? Que engraçado, pois não é isso que eu sinto vindo de você.

Engoli em seco e fechei os olhos ao vê-lo perto.

– Não minta para si mesma, Catarina. — Seus lábios estavam quase encostados em minha orelha.

– Meu nome... — Fui interrompida por uma corrente de vento.

Meus cabelos bateram em meu rosto por causa da força do vento e o encapuzado foi atirado para longe. Fiquei imóvel perguntando-me o que acabara de acontecer e vendo dois garotos lutando no chão.

Não notei quem eram, apenas me concentrei em correr o mais rápido possível quando consegui.

**********

Andava a passos largos até meu carro. Estava louca? O que acabara de ver não é coisa normal! O que seria aquilo? Não sei! Sei apenas que quero sair daqui, o mais rápido possível.

– Kath! — Ouvi Kyle, porém não parei. — Kath! — Seu chamado foi ficando mais perto e alto. Não estava a fim de conversar. — Katherine! — Ele foi firme se colocando entre mim e a porta do carro.

– O que foi, Kyle? — Falei irritadiça. — Eu quero ir para casa!

– Como assim? De uma hora para outra? O que aconteceu?

– Quero ir embora! — Tentei tirá-lo da minha frente, mas não consegui. — Kyle! Por favor!

– Não, Katherine! Eu deixei passar uma vez, mas agora não! — Ele que estava irritadiço. — Droga! Me fala o que está havendo e porque você está assim!

– Não posso. — Abaixei a cabeça.
–Pode e vai! Estou falando sério, Katherine! Eu não vou te deixar ir embora até você contar!

Olhei para trás com medo e depois novamente olhei para Kyle, ele estava apoiado no carro de braços cruzados e me olhando com uma cara seria. Não tinha como escapar.

– Ok, prometo que falo, agora deixe-me ir. — Afastava-o, mas ele ainda não deixava. — O que foi?

– Eu vou dirigir. — Kyle abriu a porta do carro. — Vai que você não me conte.

– Eu ia te contar. — Protestei dando a volta enquanto ele entrava no carro.
Nós estávamos dentro do carro, porém Kyle não o ligou até eu começar falar. Contei tudo para ele e parece que tirei um peso enorme das minhas costas, falei tudo, até os mínimos detalhes.

– Eu tenho medo. — Lágrimas rolavam timidamente pelas minhas bochechas, era a primeira vez que admito isso.

– Não tenha. — Ele parou o carro e se virou. — Prometo que encontraremos respostas. — Senti sua mão em meu queixo e o olhei. — Não fica assim.

**********

– Kyle. — O chamei ao ver pela janela. — Nossa casa não é por aqui.

– Não estamos indo para casa.

– Para onde estamos indo? — Perguntei.

– Não queremos respostas? Esse é o melhor lugar para encontrá-las. — Ele me apontou algo e olhei.

"Biblioteca Pública", um prédio que parece ter mil anos, em cores bege e branca. Em toda minha vida, admito nunca ter entrado aí, nada contra livros, até gosto de alguns.

– Vamos, Kath. — Kyle já havia saído do carro e dado a volta. — Kath, aí só tem gente... Que lê. — Ele riu. — Você entendeu o que quis dizer.

– Entendi, mas aqui tem uma sessão só de Sobrenatural, seria ótimo se nós déssemos uma olhada. — A porta estava aberta apenas para eu sair, foi o que eu fiz.

– E a internet?

– Não se pode confiar muito em internet. — Começamos a andar lado a lado para dentro da biblioteca. — E além do mais, não há nada mais gratificante do que a companhia de um bom livro.

– Mas vamos ver livros de sobrenatural. — Calei-me ao entrarmos na grande biblioteca.

A biblioteca pode ser até meio feia e acabada por fora, mas por dentro é um ambiente totalmente bonito e novo. Eram tantos livros, que fiquei encantada.

– O governo de Holmes Chapel está com muitos recursos pelo que vejo. — Falei enquanto Kyle sorriu já andando em direção a algum lugar.

– Vamos, é por aqui.

O segui até o segundo andar, em uma das prateleiras enormes.

– O que realmente está procurando? — Perguntei vendo-o passar o livro por vários livros e pegando alguns.

– Livros, oras! — Ele colocou uma pilha de livros nas minhas mãos, não aguentei o peso e fui direto para mesa mais próxima.

– Você quer que eu leia tudo isso? — Perguntei abrindo o primeiro livro da pilha.

– Sim. — Kyle colocou outra pilha de livros em cima da mesa.

**********

– Isso é verdade? — Cutucava Kyle que estava com seus óculos concentrado em um livro.

– O que? — Ele me olhou.

Li o trecho do livro no qual falava que os vampiros não saem por aí mostrando sua face para qualquer pessoa, geralmente brincam com a mente de suas vítimas. Isso me fez tocar em meu ombro e senti o curativo.

– Acho que sim, não sei, se está aí... — Ele voltou a se concentrar em seu livro e eu deitei sobre a mesa.

O que estava fazendo? Vampiros? Desde quando existem? Devo estar ficando louca, estamos no século XXI!

– Vou ver outros livros. — Avisei levantando-me e indo em direção a prateleira.

Me interessei bastante por um livro de veludo branco.

– "Anjos" — Li o título antes de puxa-lo e me assustei.

No mesmo segundo em que puxei o livro outra pessoa puxou no outro lado da estante, o larguei e tentei ver quem era. Lá estava Isaac Schreave, me olhando com aqueles incríveis olhos azuis.

– Oi. — Ele falou com um sorriso que me fez sorrir também.

– Oi. — Nós dois demos a volta até nos encontrarmos. — Isaac, certo?

– Certo. Você está bem, quer dizer, seu pé?

– Meu pé está bem melhor. — Mostrei-lhe. — obrigada, e você?

– Estou bem também, vem sempre aqui?

– Não. — Sorri. — Estou aqui com meu amigo, estamos procurando algo.

– E o que seria? — Ele me entregou o livro branco. — Anjos?

Peguei o livro e o olhei antes de responder. Na verdade não sei a resposta.

– Não, só o peguei pois achei legal, mas você também ia pegá-lo, está pesquisando sobre anjos ou algo parecido?

– Não, apenas gosto de ler livros diferentes, é bom para exercitar. — Ele tocou em sua cabeça. — A mente.

Por um minuto ficamos sem assunto, até que Kyle nos viu juntos e veio até nós.

– Olá. — Ele chegou bem simpático.

– Olá, como vai? — Isaac tinha um sotaque que não conseguia reconhecer de onde era.

– Estou bem. — Kyle me olhou. — Já vamos, está bem?

– Já? — Olhei para Isaac rapidamente. — Mas...

– Se quiseres ficar mais, posso deixar-lhe em casa...

– Não. — Kyle o interrompeu e o olhei chamando-lhe a atenção. — A mãe de Kath é bem rígida, se ela chegar com outro, vai chamar a atenção.

O que?

– Vamos, Kath. — Ele pegou meu braço, e nem deu tempo de me despedir direito de Isaac.

**********

Passei a viagem toda da biblioteca até minha casa calada de braços cruzados. Por que Kyle está fazendo isso? É a segunda vez que isso acontece, o que Isaac fez a ele? Nada!

– Kath. — Ele falou quando sai do carro e ia até em casa. — Kath, sei que está chateada, desculpa.

Virei-me quando cheguei na porta:

– O que você tem com Isaac?

– Não sei, eu só... Não confio nele. — Ele ficou um pouco sem falar depois passou a mão na testa. — É bobagem, ok? Eu só sinto, pode não ser verdade.

– É, pode. Quer entrar?

– Não. Você vai amanhã para a faculdade? — Ele queria mudar de assunto.

– O que irão fazer no último dia de aula? Nada. Não vou, não.

– Também não vou, que tal sairmos amanhã?

– Está me chamando para sair? — Sorri.

– Não, estou mandando você ir tomar banho. — Parei. — Brincadeira, ok? Que tal sairmos amanhã de manhã com Ghost e Silver?

– Será ótimo. — Sorri. — Te vejo lá.

– Ok. — Fechei a porta depois de vê-lo indo embora.

**********

– Não pude ficar! — Falava firme do mesmo modo que Charlie falava.

– Poppy precisava de seu apoio, ela não é sua amiga? — Charlie começou a discursar do nada, na verdade, nem me lembro como foi.

– Ela é, mas você não entende o que aconteceu comigo!

– Então conte.

Fiquei calada, não poderia falar, claro que não poderia, não iriam acreditar em mim.

– Gente, já chega. — Mamãe foi a única que se manifestou, Bells permanecia calada.

– Vou para o quarto. — Avisei e levantei-me para ir ao meu quarto.

Subi as escadas com o sangue quente e passos pesados. Abri a porta do meu quarto bruscamente e ia ao banheiro tomar banho se não não fosse uma presença me interromper.

Tampei minha boca para não gritar.

– O que está fazendo aqui? — Perguntei.

– Eu vim em paz. — Matthew Collins levantou suas mãos.

Que Diabos o vizinho faz no meu quarto?

– O que está fazendo aqui? — Perguntei mais firme. — Esse é o meu quarto!

– Eu sei...

– Como conseguiu entrar?

– Pela varanda. — Ele respondeu como se fosse algo extremamente normal entrar no quarto da vizinha da noite pela varanda. — Eu...

– Saí! — Interrompi sua linda voz.

– Não, mas eu...

– Saí do meu quarto, garoto!

– Pode me chamar de Matt. — Ele sorriu.

Fiquei parada durante uns segundos mentalizando seu sorriso perfeito, depois fui em direção a ele.

– Saí do meu quarto Matt! — Apontava para a varanda de onde ele veio. — Saí!

Me aproximava e ele recuava com as mãos erguidas como se tivesse medo.

– Ok, eu vou! — Já estávamos na varanda e ele se afastava mais de mim. — Não chegue muito perto.

– Por quê? — Franzi minhas sobrancelhas e parei.

– Porque eu já vou! — Matt passou suas pernas pela grade.

– Nem sei por... MEU DEUS! — Corri para vê-lo, ele tinha mesmo pulado, o problema foi que, quando olhei para baixo, ele já não estava lá.

Franzi as sobrancelhas enquanto olhava para todos os lados a procura dele. Nada. Era como se tivesse sumido.

**********

– Calma aí, Kath. — Kyle tentava me alcançar com Silver, mas não adiantava, Ghost era muito rápido.
Diminui a velocidade para ficar lado a lado com Kyle.

– Nunca mais vou aceitar uma corrida com você. — Ele avisou brincando com um ar chateado e eu ri.

– Mas foi você que apostou! — Defendi-me. — E me deve uma manta. — Sorri. — Quero uma azul.

– Que tal de dois? — O olhei pelo canto dos olhos. — Sério, se você ganhar novamente eu te dou a manta, se eu ganhar, não lhe dou.

– Sinto que você não quer me dar a manta... Porém terá que dar. — Sorri e olhei para o resto do enorme campo. — Até o outro lado das árvores.

– Na cerca do fim da propriedade. — Ele continuou.

– Tudo bem, caminho livre. — Preparei-me para sair galopando.

– Caminho livre. — Percebi que ele também se preparou. — Em um...

– Dois... — Olhei para frente.

– Já!

Pressionei meu calcanhar na barriga de Ghost e ele saiu em disparada, odiava o vento batendo em meu rosto, mas cavalgando era diferente, adorava essa sensação.

Atravessei o campo e quando cheguei as árvores puxei as rédeas ao ouvir um grito, não era o grito de Kyle, o que me fez ficar menos nervosa, mas não pude deixar de andar a procura da mulher que gritou.

Ghost estava começando a ficar muito tenso e fiz de tudo para acalmá-lo em silêncio e fazê-lo não relinchar. Ele parou e esfregou seus cascos no chão a um certo ponto, levantei meus olhos e arregalei meus olhos.

Uma mulher loira, com calça Jeans e sutiã, morta aos braços do encapuzado. Pensei em me esconder, mas onde me esconderia com um cavalo do porte de Ghost? O encapuzado estava tão concentrado sugando a sangue daquela moça indefesa que nem notou minha presença.

Vampiros realmente existem, eles existem!

A moça caiu sem vida no chão, Ghost empinou relinchando e o encapuzado virou para me olhar. Droga! Virei-me e comecei a galopar.