~Por Asher Donovan~

Fui jogado fortemente em direção a uma parede enquanto andava pela principal em busca de alimento.
Primeiramente pensei que fosse Matt por algo que fiz, mas não havia feito nada, na verdade fazia muito tempo que não brigávamos e a porrada foi muito forte para ser ele. Senti um enorme choque por toda minha coluna e fiquei deitado no chão com dificuldade de respirar.

— Você é um fraco e covarde! — Eu reconheceria aquela voz grossa até mesmo no estado em que estava. — Levante-se!

Não conseguia, com certeza havia quebrado uma costela.

— Levante-se! — Sua voz era autoritária, deveria obedece-lo, ele poderia me matar com um assopro.
Forcei-me ao máximo para me levantar, porém antes mesmo que pudesse me erguer, perfeitamente, senti um impacto novamente.

"Ele" estava me forçando contra a parede, me segurando fortemente pelo casaco.

— O que eu fiz? — Perguntei, mas logo depois me arrependi.

— O que você fez? — Seu rosto estava escondido no escuro do capuz de seu casaco, como sempre aqui na Terra.
Nunca entendi por que ele se escondia na Terra, uma hora ou outra Katherine vai descobri quem ele é, como Catarina.

— NADA! — Suas mãos me largaram mas eu ainda estava preso na parede de tijolos alaranjados. — Você não fez nada, Asher! Você era para trazer Katherine para mim e eu não vejo nenhum esforço por sua parte!

— Sinto muito, mas essa coisa toda dos guardiões se mudarem para cá me deixou confuso, eles nunca fizeram isso!

— Ah, te deixou confuso? — Fui apertado mais um pouco pela força que me mantinha contra a parede e gritei de dor, sentindo um ardor em meu peito, ele estava sendo arranhado por dentro de minha roupa. — Não está gostando da Katherine como gostou de Catarina, não é?

— Não! — Isso era óbvio. — Claro que não.

— Se isso acontecer você mais do que ninguém sabe o que eu posso fazer.

— Eu não gosto dela! — Insisti lembrando-me de Catarina morta em meus braços, com um buraco em seu peito e seu coração arrancado, era tanto sangue em minhas lembranças que não sabia se sentia mais sede do que estava no momento ou tristeza por Catarina morta de um jeito tão brutal. Ela era tão linda… — Que droga! Não!
— Sei que está com fome, — Ele mordeu seu próprio pulso e me ofereceu sangue. Franzi as sobrancelhas estranhando. — Só é para curar seus ferimentos, sabe que quando machuco alguém demora para cicatrizar, mesmo sendo em um vampiro. Não vai se acostumando.

Olhei o líquido vermelho escorrendo de seu pulso e não resisti, cravei meus caninos em sua pele branca e experimentei de seu sangue.

"O encapuzado", como é um dos nomes em que se referem a ele, já se alimentou de nada menos do que dois sangues preciosos em toda sua vida, dizem que seu sangue se iguala a eles, não sei se isso era verdade, pois nunca tinha bebido um sangue precioso.

— Já chega. — Ele falou puxando seu pulso de meus lábios. — Agora vá descansar e se alimentar direito, pois eu não sou banco de sangue.

A força que me mantinha preso a parede sumiu e pude respirar tranquilo.

— Desculpe-me por quebrar sua costela, não foi minha intenção, você sabe como sou quando coloco algo em minha cabeça e acho que é verdade. — Sua voz era simpática como se tivesse pedindo-me desculpas por algo simples, como pisar no meu pé.

O olhei, minha vontade era de pular em seu pescoço e dilacera-lo, porém me segurei, não tinha coragem de confrontá-lo. Ele era a própria morte.

— Mas você está enganado, não estou gostando de Katherine.

— Assim espero. Hoje a noite eu mesma cuidarei da Preciosa, então você verá como eu a quero. — Eu a quero com medo, Asher, Consegue faze-a senti medo? Não quero mais voltar para esse lugar… — Ele olhou para os lados com cara de nojo. — Repugnante.

— Pode deixar, Senhor, cuidarei para você nunca mais voltar para cá. — Estiquei minhas costas e antes que pudesse olhar novamente para frente o homem a minha frente havia sumido.

"Totalmente desequilibrado" pensei voltando ao meu caminho para casa.

///

Cheguei em casa totalmente exausto e sentindo muita dor, receava pela minha cama mas do que tudo no mundo. Uma boa noite de sono iria com certeza deixar-me cem porcento sã.

Estava entrando na cozinha, já estava em mente pegar uma bolsa de sangue e deitar-me, porém algo atrapalhou meus pensamentos. Pensei em realmente matar a pessoa que bateu na porta.

Pensei em não atender, assim ela pensará que não há ninguém em casa e vá embora… Para sempre.

"Que droga." Pensei ao ouvir a batida na madeira mais uma vez e fui atender a porta raivoso, iria pedir para que quem é que esteja batendo na minha porta vá embora, porém meus instintos ficaram em pane ao ver aquela mulher em minha frente.

A mulher por quem eu me apaixonara em minha vida há muito tempo. Cabelos castanhos ondulados e compridos, macios como seda, olhos castanhos brilhantes acompanhados de grossos e volumosos cílios e sobrancelhas naturalmente marcadas.

— Catarina. — Falei assustado sem pensar.

— Não me chamo Catarina. — Sua voz aveludada era a mesma de sua vida passada.

— Pois deveria mudar de nome, pois você parece muito com alguém que eu conheço… Conhecia. — Era igual se não fosse por um detalhe: Catarina era um pouco ruiva. Respirei fundo e lhe olhei, de uma maneira intimidadora. — O que faz aqui? — Queria deitar e descansar, queria que ela fosse embora, olhei para a torta em suas mãos. “Não sabia que ela vendia refeições.” — Não, não quero comprar nada.

Iria fechar a porta se não fosse ela interromper e falar:

— Não estou vendendo nada, minha mãe fez essa torta para você!

— Para mim? — Dei um passo para frente com calma para não traçar meus dentes em sua pele e voltei ao lugar de antes. Juro que não estava entendendo nada. — Qual é a comemoração?

— É uma torta de boas-vindas, minha mãe faz isso para os novos vizinhos. — Sua voz era de tédio, como se ela não quisesse fazer isso. “Pensa que eu também queria estar aqui? Não!”

— Entendi… — Olhei para a rua, vendo se Matthew não estava a me observar, aquele cara sempre estava por perto. — Os outros ganharam também? — Não houve resposta então abaixei meu olhar para a torta. — É de que sabor? — Passei meu dedo no recheio avermelhado da torta e colocando-o na boca. “Que droga”. — Maçã, não gosto de maçã.

Nunca gostei muito de maçã por nenhum motivo aparente, só acho que tenho coisas melhores para me alimentar, como sangue.

— Poderia apenas agradecer! — Não esperava essa exaltação de voz por parte dela. — Pode não parecer, mas minha mãe gastou uns minutos da vida dela fazendo isso para você!

— Não fui eu que pedi para ela fazer. — Tentei manter o máximo da calma. — Mas mande meus sinceros agradecimentos à sua mãe… Por ela ter gastado alguns minutos da vida dela comigo. — Virei-me para colocar a torta no criado mudo ao lado da porta e volte a olhar Katherine de braços cruzados. — Mas alguma coisa?

— Não, só… — Não estava nem um pouco afim de ouvir-lhe falar, então sem nenhum peso na consciência bati a porta em seu rosto.

"Sai!" Dei um passo a frente antes de lembrar-me da torta e voltar para a pegar, andando até a cozinha.

A torta estava com uma ótima cara, parecia deliciosa para humanos que gostavam de maçã, mas como não sou um deles a joguei no lixo. “Desculpa, Terra. Meninos da África”

Abri a geladeira, peguei uma bolsa de sangue e a bebi em menos de um segundo, confesso que odeio sangue frio, mas não estava nem um pouco afim de caçar agora, talvez eu mate mais tarde, de madrugada é a melhor hora para isso.

Subi rapidamente até meu quarto logo após jogar a bolsa no lixo. Tirei minha blusa e não acreditara no que via.
Dizem que o machucado provocado por um que já se alimentou do sangue precioso demora para cicatrizar, e realmente o corte ainda estava sangrando em meu peito.

Sentei-me na cama e fechei os olhos. Um ponto positivo de Matthew ter me transformado em meio anjo foi a capacidade que tenho de curar-me mais rápido que um próprio vampiro.
Ouvi um barulho e olhei para frente avistando meu observador.

Não pensei duas vezes antes de pega-la de surpresa pelo pescoço e colocá-la contra a parede: Katherine.

— O que estava fazendo me espionando?

///

~Por Kyle Manson~

Fiquei até tarde da noite pesquisando sobre vampiros, me senti na época do colegial quando tinha uma uma prova difícil no dia seguinte.

Encontrei algumas coisas bem interessantes sobre essas criaturas, algumas coisas muito legais, outras que eu preferiria não ter descoberto.

— Mãe? — Levantei-me da cadeira giratória ao ouvir um barulho. — É você?

Sai a passos vagarosos do quarto iluminado apenas com a luz do monitor do computador e fui para o completo breu.

Ouvia passos e meu coração acelerava, andei cautelosamente até a escada.

— Pelo amor de Deus, Kyle! — Pulei de susto ao ver minha mãe. — Você quer me matar? — Suas mãos estavam sobre seu coração, tentando acalma-lo.
— Eu que lhe pergunto, por que a senhora não respondeu?

— Ah, Kyle, eu não ouvi. — A segui com o olhar até a porta do seu quarto. — Você já jantou, não é?

— Já sim.

— Então vá dormir, eu não quero filho meu dormindo o dia todo e a noite toda acordado. — Suas mãos brancas abriram a porta e deslizaram pela parede ligando o interruptor e me possibilitando ver seu rosto branco, seus olhos castanhos grandes e cabelos loiros brilhantes. — amanhã vou sair e vou deixar algumas libras em cima da mesa caso queira pedir algo de fora, mas te aconselho a fazer cupnoodles.

— Tudo bem. — Falei normalmente.
Já virou rotina minha mãe sair e voltar tarde em casa deixando 200 libras em cima da mesa, especificamente em baixo de pote de cookies, todos os dias.

— Ótimo. — Avistei um sorriso simpático em seus lábios antes dela entrar no quarto.

///

Sentia um frio absurdo por todo meu corpo. Puxei o cobertor para mais perto de mim mas o frio não diminuía.

— Pelo amor de Deus! — Sentei-me da cama irritadiço querendo saber o motivo de tanto frio.

Estranhei ao ver a cortina da varanda voando freneticamente. “A varanda está aberta?”. Levantei-me da cama pisando no insuportável frio do chão do quarto, andei receoso até a varanda e a fechei, tinha certeza que havia fechado-a.

"Coisa doida" Virei-me novamente em direção a cama para voltar a dormir confortavelmente, porém fui interrompido pelo som da porta da varanda abrindo-se bruscamente.

— Olá. — Me assustei ao ver um alto homem com capuz em meio a cortina que se mexia freneticamente. — Que tal darmos uma volta?

O homem vinha a passos largos em minha direção, tentei escapar mais não havia escapatória, ele me agarrou pelo braço e em um piscar de olhos senti um forte vento em meu rosto e meus pés fora do chão.

Os abri apenas quando senti meus pés firmemente apoiados no chão fofo coberto por neve.

O homem de capuz puxava-me por várias árvores secas cobertas por uma camada grossa de neve.

— Está me machucando, cara, vai com calma! — Gritei tentando escapar de suas garras mas não conseguia.

— Cala essa boca. — Ele virou sua cabeça levemente possibilitando-me ver seu perfil e um bilhão estranho vindo de seus olhos.

— Para onde está me levando? — Estava praticamente sendo arrastado. Não houve resposta então fiquei alguns segundos calado reconhecendo onde estava. — Hey! Estamos na hípica? Na floresta da hípica? Hey! — Não houve resposta e percebi que estava irritando-o pois suas mãos se fecharam com mais força em meu braço. — Cara, está machucando!

Fui arremeçado para frente como uma bola de futebol americano e bati minha cabeça em uma árvore, o que fez um pouco de neve cair sobre mim.

— Você fala de mais, droga! Já mandei calar a droga da boca!

Engoli em seco e senti medo pelo seu tom de voz assassino, fiquei uns segundos em choque antes de sentir uma pontada em minha cabeça e levar minha mão até ela.

— Minha cabeça está sangrando! — Exclamei perplexo.

— Vamos logo, pois eu não tenho muito tempo. — O encapuzado veio mais uma vez em minha direção, fechei meus olhos receoso e o senti colocar uma venda em meus olhos e outra em minha boca.

Tive aquela sensação de voar em alta velocidade novamente e quando coloquei meus pés no chão senti o piso de madeira. “Onde estou?”

— Sente-se! — Fui empurrado fortemente para sentar-me em uma cadeira atrás de mim, sentei-me tão desajeitado que quase cai junto com a faixa na minha boca.

— Onde estamos? — Perguntei quando pude.

— Já falei para ficar calado. — Sua voz já vinha de trás, suas mãos pegaram e amarraram minhas mãos fortemente.

— Só quero saber! — Gritei ao sentir algo descer pelo meu braço, cortando-o.

— VAI CONTINUAR A FALAR?!

— Não, des… desculpa. — Falei olhando para o nada e depois abaixando minha cabeça. — Desculpa.

Estava machucado e desesperado, minha vontade era de gritar, mas também estava com medo. “Quem é esse cara e o que ele quer de mim?”
O senti amarrando minhas pernas fortemente e suspirei, não podendo fazer nada por enquanto.

— Pronto. — Mesmo não podendo vê-lo levantei a cabeça. — Agora grite por socorro, Kyle Manson. — “Ele sabe meu nome? Como assim?” — Ou morrerá.

— Espera aí. — Me remexi na cadeira visando minha liberdade. — Como assim? Vai me deixar aqui? — Nenhuma resposta. — Vai me deixar mesmo aqui. — Me remexia mais e mais na cadeira, mas meus movimentos eram inúteis. — Socorro! — Decidi gritar. — Socorro!

Estava desesperado para me desamarrar e sair daquele lugar.

— Alguém! — Escutei uma tenebrosa risada bem ao fundo, como aquelas de filmes de terror que nos dá arrepio por toda a espinha. — Meu Deus! Alguém!

Tentei respirar fundo e me acalmar, seja lá o que aquele cara for ele me quer com medo por algum motivo, não vou deixá-lo ter o que quer.

Escutei um grito ao longe e mesmo de olhos vendados saberia reconhece-la.
— Kath?! — Animei-me.

— Kyle? — Era mesmo Kath e ela estava mais perto do que imaginava. — Kyle!

— Aqui, Kath! Me ajuda!

///

— Kath, está me ouvindo? — Tentava convencer Kath a ir buscar ajuda, confiava nela o bastante para ter certeza que ela voltaria com ajuda. — Você tem que ir, senão nós dois morremos.

— Se eu for, você morre!

Silêncio. “Bom, é verdade, mas deve-se correr o risco”

— As chamas vão demorar para chegar aqui, você tem tempo para chamar ajuda, mas não muito. — Explicava.

— Kyle… Eu… — Suas palavras cessaram.

— Por favor, Kath! Vai!

Houve novamente um longo momento de silêncio. Naquelas horas só pensava em o que poderia fazer a mais para poder me libertar, tanto a corda de minha mão quanto a das minhas pernas estavam apertadas demais.

— Kath! — A chamei preocupado. — Katherine!

A partir dos minutos que se passaram em silêncio ficava mais preocupado e inquieto. “Pelo amor! Se acontecer algo a ela eu nunca irei me perdoar”.

— Katherine!

E então uma explosão. Senti um impacto tão grande que a cadeira em que estava amarrado caiu para trás e eu fiquei impossibilitado de me levantar.
Nunca fiquei tão assustado na minha vida, pedia para os céus para eu pelo menos enxergar, para conseguir tirar aquela venda dos meus olhos.

— Argh! — Alguém levantou minha cadeira.

— Nossa, obrigado. — Falei antes de levar um susto quando a pessoa tirou a venda dos meus olhos bruscamente.
Pisquei meus olhos para acostumar-me com a luz e focar minha visão.

— Como você está? — Um garoto um pouco mais velho que eu, com pele branca , cabelos dourados bagunçados e olhos estranhamente azuis me perguntou. — Vou te tirar daqui.
Fiquei imóvel olhando-o desamarrar minhas pernas com facilidade e depois minhas mãos.

— Não vai falar nada?

Levantei-me e fiquei em sua frente.

— Meu nome é Kyle. — Confesso que estava muito confuso “onde está Kath?” “Essa é a ajuda?”

— Não perguntei seu nome, perguntei se estas bem?

— Não, não estou. — Mostrei-lhe meu braço com um enorme corte e uma visão horrível.

Ele ficou desconfortável no mesmo instante.

— Nossa, cara, precisamos fazer um curativo nisso. — O garoto fazia de tudo para não olhar para o meu sangue escorrendo de meu braço dolorido. — Venha.

Como o homem de capuz ele me agarrou pelo braço e me puxou por entre as chamas do que descobri ser uma casa mal acabada.

Procurava Kath por todos os lados que passávamos mesmo enfrentando o ar fumacento da sala da casa. Nada dela, cheguei a conclusão de que ela estivesse correndo pela floresta em busca de ajuda.

— Pega. — Ele me jogou uma bolsa assim que me largou quando chegamos a uma distância considerável da casa em chamas.

Sentado em um tronco de madeira peguei a bolsa branca de neve e vi o que nela possuía: Primeiros socorros.

Confesso que não sabia fazer curativos, estava fazendo exatamente como vi a enfermeira fazendo no meu outro braço quando sofri o acidente de carro com a Kath, só que maior. Bem maior.

— Você não gosta de sangue, não é? — Tentei puxar assunto com o garoto que andava na minha frente de um lado para o outro inquieto.

Ele me olhou como se tivesse falado algo ridículo.

— Eu gosto, esse é o problema. — Seus passos cessaram. — Eu estou com fome!

Silêncio.

— Faz logo a droga desse curativo! — Ele encostou na árvore mais perto. — Esse cheiro está me matando.

O atendi, não demorou muito e então terminei, não tinha ficado bom, mas dava para segurar.

— Então… — Não acreditava no que iria perguntar, sempre amei esses sobrenaturais e realmente descobri que existe me deixa super animado. — Você é um vampiro?

O garoto suspirou antes de responder:
— Eu era, mas há uns anos atrás eu lutei com um anjo e acabei me transformando em um.

— Então você é um anjo?

— Não.

— Se você não é um vampiro, nem um anjo, você é o que?

— Sou os dois. — Ele andou até em passos largos e recuei medroso. — Está com fome? Vamos comer.

A única pergunta que rondava minha cabeça na hora era “Vou comer junto com ele ou é ele que vai sugar meu sangue até a morte?

Naquele minuto meu braço já estava dolorido de tanto ser aberrado e puxado. O garoto me levantou com uma facilidade sobre-humana e em um piscar de olhos estávamos em uma rua no centro da cidade.

Algumas lanchonetes 24hrs iluminavam as ruas juntamente com os postes e alguns carros que passaram, ainda usara pijama que não ajudava em nada a minha relação com a neve branca caindo timidamente do céu escuro.

— Não é por nada não. — Ainda estava sendo arrastado pelo braço. — Mas se alguém nos ver assim, vai pensar que você está me seqüestrando.

Suas mãos me largaram, percebi que ele iria falar algo, porém foi interrompido por um pensamento.

— Está com frio, não é?

— Estou. — Respondi imediatamente com os braços cruzados.

— Volto em um minuto. — Ele pronunciou essas palavras e então sumiu de meu campo de visão como um borrão e voltou sem menos me dar tempo para me perguntar seu paradeiro. — Vista.

Ele estendia-me um casaco preto, não hesitei em pega-lo e usá-lo.

— Ficou legal. — Seus olhos eram muito estranhos, pareciam duas luas iluminadas e azuladas.

O garoto se virou e começou a andar em quanto examinava o belo casaco. “Ele o roubou?” Perguntei incrédulo ao ler um nome de um homem chamado David William no bolso de dentro do casaco.

— Sabe onde tem um lugar bom para comermos?

Não sabia exatamente se esse “nós” o incluía, fiquei receoso de perguntar.

— Tem, logo alí na frente. Aquela lanchonete é 24hrs. — Respondi tentando acompanhar seus longos e rápidos passos. — Desculpa, mas posso fazer uma pergunta?

— Meu nome é Asher Donovan. — Seus olhos me olharam com as sobrancelhas arquiadas. — Respondido?

Fiquei sem fala perguntando-me como ele sabia, depois me toquei que ele era vampiro e essas criaturas podem fazer isso, pelas minhas pesquisas.

— Você é muito morto. — Asher continuou seu caminho. — Já pensou em fazer terapia?

— Não! — Falei achando aquilo ridículo. — Eu acabei de sofrer um trauma, como espera que esteja bem?

— Claro, um trauma. — Seu riso saiu em tom debochador. — Fica tranquilo, ok? Ele só te usou, na verdade queria a Preciosa e como você é amigo dela.

Rapidamente liguei os pontos em minha mente enquanto entravamos na Waffles House. O homem de capuz me usou para pegar Kath. Por que Asher a chamou de “Preciosa”?

— Kath… — Fui interrompido por sua mão levantada.

Asher olhava a dúzia de pessoas que lá se encontravam sentadas nas mesas de madeira: Uma família que pareciam turistas, uma senhora idosa com sua neta, e um grupo de amigos bêbados que estavam flertando com duas lindas mulheres, uma loira e uma morena. Fora os funcionários.

— Você não…?

— Calado! — Fui interrompido mais uma vez agora pelos seus olhos furiosos a me encarar. — Sente-se aí e peça comida, é pedir muito?

— Já vou! — Não pensei duas vezes antes de correr a mesa mais próxima e sentar-me atrapalhado.

O observei indo em direção a garçonete e movimentando suas mãos para baixo, quase que no mesmo instante que as persianas se fecharem quase que imperceptívelmente.

"Isso não vai acabar bem" Repetia para mim mesmo olhando para baixo. "Isso não vai acabar bem".

— Com licença. — Assustei-me ao ouvir alguém falar. Ergui meu olhar e vi uma bela garçonete morena e com um lindo sorriso no rosto. — O senhor vai querer alguma coisa?

— Hmm… — Fingi pensar olhando rapidamente para o vampiro de cabelos dourados conversando com o grupo de bêbados. — Eu quero uns Waffles simples. — Falei por fim.

— Suco ou café? Açúcar ou adoçante?

— Um café com açúcar, por favor.

— Só um momento. — A garçonete saiu ainda com um sorriso no rosto até o balcão.

— Cara! — Me assustei novamente ao ver Asher sentado na minha frente. — Aqui tem um banquete completo! Sabe a garçonete loira? — Ele apontava disfarçadamente para uma mulher de cabelos loiros presos em um coche atendendo as duas moças bonitas sentadas a algumas mesas a frente. — É O-!

Aquele jeito dele falar me assustava, era como se fosse uma criança em uma loja de bombons.

— Você foi perguntar o tipo sangüíneo delas?

— Não, eu senti, um O- sentimos quase que imediatamente.

— O que tem o sangue O-?

Sua mão atingiu fortemente minha cabeça que foi para o lado me causando dor de cabeça.

— Sangues O- são raros e muito bons.

— Pensei que AB fosse raro. — Fiquei confuso. — Isso que eu aprendi.

— Não se pode confiar em tudo que aprende, apenas 0,5% da população possuem sangue O- correndo pelas veias. — Ele olhou para meu braço enfaixado. — Você com certeza não deve seguir a carreira de médico.

— Aqui seus Waffles e seu café. — A garçonete chegou interrompendo a risada de Asher.

— Querida. — Asher levantou-se e olhou nos olhos da loira com os olhos mais iluminados que o normal. Aquilo me assustou. — Tranque todas as portas, não deixe ninguém sair daqui.

— Trancarei todas as portas, não deixarei ninguém sair. — Sua voz e movimentos eram mecânicos, como se a mesma tivesse hipnotizada.

— Não acredito que vai fazer isso. — Falei incrédulo fazendo-o me encarar. — Isso não é humano.

— E quem te disse que eu sou humano? — Olhei para as pessoas naquele recinto mentalizando-as mortas sem um pingo de sangue nas veias e respirei fundo. — Por que não faria isso?

— Esquece, ok? — Peguei meu copo com café e o levei a boca, deixando o líquido quente descer pela minha garganta e expulsando o pensamento ruim que rondava minha cabeça.

— Você come sua comida e eu como a minha, nada mais justo.

///

Meus Waffles já estava bem longe de mim naquele momento, minhas mãos cobriam minha boca vendo aquela cena grotesca.

Eu vi Asher matando impetuosamente aquelas doces e inocentes pessoas e bebendo seu sangue.

Me senti dentro daqueles documentários policias quando tem a simulação de como o serial Killer matava suas vítimas.

Meu coração acelerava rapidamente a cada morte, havia sangue e corpos sem vida por toda parte, tentava o máximo possível disfarçar, porém admito que estava com um pouco de curiosidade.
Percebi que Asher não era um dos vampiros que pesquisava na internet ou lia em livros. Asher era mais sanguinário e cruel, gostava de maltratar suas vítimas, como a garçonete O-, que antes de morrer teve seus membros e pescoço quebrados.

Ouvindo seus gritos senti pena e agonia, ao contrário de Asher, que pareceu estar gostando, sentindo prazer ao machuca-la e sugar seu sangue. Asher também era educado, não derramava nenhuma gota de sangue em quanto bebia. Foram as vítimas que sujaram as paredes de sangue, e não Asher.

Quando ele virou-se para me encarar fiquei rígido na cadeira com medo.

— Aproveitou sua comida? — Asher perguntou satisfeito.

— Não consegui vendo essa cena.

— Qual? — Seu pescoço virou-se para ver os corpos mortos espalhados. — Essa? Qual é o problema? Acho normal.

— Você matou pessoas. Pessoas com vida!

— Ah jura? — Asher era sarcástico. — Não sabia que se matava pessoas mortas.

Dei de ombros.

— Acho que está na hora de você ir para casa, você já está me enchendo o saco. — Ele realmente estava ficando com raiva. — Feche os olhos.

"Que?"

— Feche os olhos! — Sua voz ficou mais firme quando eu não o obedeci.

Os fechei e não demorou para sentir um forte impacto em meu corpo.
///

Cai bruscamente da cama assustado. Meu corpo ainda sofria o efeito do impacto. “Só foi um sonho” falei para mim mesmo.

Minha cabeça bateu no chão produzindo um grande barulho e uma terrível dor de cabeça, passei alguns segundos no chão antes de levantar-me e correr em direção ao banheiro, não pensava em nada além de conversar com Kath.