Precious Blood
12 Questions
Isaac se levantou, deixando-me completamente desajustada. Naquele minuto achei que ele me achava uma louca.
– "Contos de fadas"? — Me levantei e andei apressadamente até ele, o segurei pelo braço chamando sua atenção, fazendo com que ele virasse rapidamente puxando o braço e me olhar assustado.
– Agradeceria se você não me tocasse, ok?
Recuei um passo achando estranho e abaixando minha cabeça, só a levantei quando ouvi seu suspiro.
– Contos de fadas... Como fadas, anjos, vampiros, príncipes, princesas e amores verdadeiros.
– Não acredito. — Rebati. — Mas certas coisas que estão acontecendo comigo estão me obrigando a acreditar.
– Tipo o que? — Isaac segurava seu braço firme. — Tipo o vizinho do lado?
– Não, Isaac! — Exaltei-me nervosa. — Você não pode falar para ninguém, eu mesmo não poderia ter lhe dito. — Passei a mão em meus cabelos ainda nervosa. — Você não sabe sobre o assassino a solta em Holmes Chapel?
– Pode ficar calma, Katherine, não falarei para ninguém. — O seu sorriso me tranquilizou. — Soube do assassino sim.
No mesmo instante mamãe surgiu de dentro da cozinha carregando uma linda e aparentemente deliciosa lasanha nas mãos, Bells vinha correndo trazendo o suporte e o jogo americano.
Isaac pegou o jogo americano de suas mãos e me entregou alguns.
– Acha que o vizinho é o assassino? — Isaac perguntou-me baixo enquanto arrumava a mesa.
– Não sei... O que você acha? — Perguntava baixo como ele.
– Acho que o assassino é apenas uma pessoa com problemas mentais... não uma fada, ou o vizinho...
– Kath. — Ouvi mamãe me chamar levantei o olhar para olhá-la. — Você viu que seu carro chegou?
– Chegou? — Animei-me. — Quando?
– Ainda pouco. — Mamãe sorriu. — As chaves estão em cima do móvel da TV.
– Posso dar uma volta, não é? — Larguei os pratos que segurava e fui em direção as chaves.
///
Saía de casa rodando as chaves do carro em meus dedos, sabia exatamente para onde ir, precisava saber como Kyle está, e naquelas horas, presumir que ele já estava acordado e na hípica.
Olhei para a casa do lado como um movimento involuntário e lá estava o garoto que não gostava de maçã, ele me olhou ao perceber que eu o olhava.
Pensei em sorri timidamente, porém ele não merecia nada vindo de mim, meu coração acelerou-se quando seus dedos foram parar sobre seus lábios, como um sinal claro para eu ficar calada.
Abaixei a cabeça e suspirei.
– Katherine! — Ouvi alguém chamar e virei-me na direção da voz, era Matthew, o outro vizinho.
– Oi. — Falei.
– Esse cara está te incomodando? — Matt franziu as sobrancelhas e apontou para o outro vizinho.
– Não. — Me aproximei de seu terreno. — Só é que... — "Nao, Kath, não vá desabafar com outro desconhecido". — Nada.
– Você está bem?
– Estou sim. — Sorri timidamente.
Andava até meu carro quando fui impedida novamente pelo chamado de Matthew.
– Katherine! — Ele chamou novamente pulando a cerca verde que separava os terrenos e vindo até mim. Não havia nenhuma vez que me espantasse com seus 1,90cm de altura
– O que foi? — Perguntei admirando aqueles olhos azuis que ele possuía.
Antes de falar Matthew levou a mão aos cabelos, como se ele tivesse envergonhado.
– O que foi? — Perguntei novamente.
– É que... — Ele suspirou. — Eu acho que começamos mal. — Nem sabia o que falar, então o deixei continuar. — Não quero que fiquemos assim.
– Tudo bem...
– Não, não está, eu me sinto péssimo. Que tal apagarmos tudo que aconteceu?
– Tudo? — Perguntei sem acreditar, algumas coisas não dão para simplesmente apagar.
– Sim, me sinto mal sabendo que você tem um pensamento errado sobre mim, então... — Ele estendeu a mão e sorri. — Pode me chamar de Matt.
Sorri e segurei sua mão, nosso aperto de mão foi rápido por ele ter puxado sua mão, me deixando sem graça.
– E você me chame de Kath, não gosto muito de Katherine.
– Como quiser. — Ficamos um pouco sem falar, então virei-me e novamente fui impedida por seu chamado. — Para onde você vai?
Olhei para trás involuntariamente e meus olhos encontraram os do vizinho que estava sentado no banco em frente a sua casa.
– Para qualquer lugar longe. — Olhei novamente para Matt e o encontrei com as sobrancelhas franzidas. — Que?
– Ele está te incomodando.
– Não. — Ele parecia agitado. — Você está bem?
– Estou só estou como fome.
– Se você quiser, mamãe acabou de fazer uma lasanha eu parece está boa.
– Não me sentiria bem comendo a suas custas, você sabe aonde tem um café aqui perto? Confesso que ainda nem fiz as compras para cá para casa.
Estranhei porém não falei nada, afinal, irá fazer uma semana que o vi se mudar, como ele ainda não havia feito as compras?
– Sei de um que é aqui perto e muito bom, posso te levar se quiser. — Virei-me e abri a porta antes de olhar novamente para Matt, que me olhava fixamente. — Matt.
Meu chamado o acordou e ele sorriu.
– Vamos. — Continuei. — Entre no carro.
– Oh, sim. — Matt deu a volta no carro e pediu desculpas quando estávamos os dois dentro de carro.
Fiquei sem entender.
///
Levei Matt para o Village, que, apesar de a noite servi como boate, de dia serve como um restaurante bonitinho.
Passamos por uma lanchonete na qual havia vários policiais ao redor.
– O que será que aconteceu? — Eram muitos policiais e peritos, chegava a ser muito estranho.
– Para aqui. — Matt pediu com um tom de preocupação. — Vamos ver o que aconteceu.
Estranhei sua preocupação, mas fiz, estacionei o carro em uma das vagas "exclusivas para clientes da Waffles House"
Matt foi o primeiro a sair do carro e não demorou muito para minha porta se abrir, levei um susto enorme ao ver que foi ele que a abriu. "Como... Como veio tão rápido?"
– Venha. — Matt falava olhando segurando a porta de meu automóvel preto ainda examinando a lanchonete.
Soltei calada fazendo-o fechar a peta logo em seguida.
– O que quer ver aqui?
– Descobri o que aconteceu. Vamos.
Matt começou a andar a passos largos até a parte de trás e vazia da lanchonete, tentava segui-lo o mais rápido possível, mas ao contrário de mim Matt não estava tendo nenhuma cautela.
– Por que quer descobrir? — Perguntei preocupada em ser vista.
Olhamos um para o outro antes dele se virar-se para olhar através do vidro escuro da porta.
– Está no meu sangue, sou curioso. — Uma pausa.
– Não vamos consegui entrar aí, a porta deve está trancada e não quero... — Fui interrompida pelo som da porta se abrir e Matt sorriu em minha direção.
– Trancada? — Ele se virou e sumiu por entre o escuro de dentro da porta.
– Matt... — O chamava seguindo-o, sentia uma sensação horrível. — Matt, podem nos ver, não quero ser pega.
– Não vamos ser pegos, A porta da frente está fechada e... — Ele parou quase que imediatamente ao sair da cozinha da lanchonete. — Pelo amor!
Segui seu olhar e fiquei sem reação. Na lanchonete havia uns dez corpos totalmente sem vida espalhados pelas mesas e pelo chão, era uma cena horrível, nunca havia visto algo parecido antes, minha vontade era de sair cortando daquele lugar. E o mais estranho era que para o tanto de corpos que haviam, era para ter muito sangue no chão, porém não tinha, tirando algumas manchas irrelevantes.
– O que aconteceu aqui? — Perguntei perplexa.
Matt começou a andar por entre os corpos sem vida e me pereceu que uma raiva tentava lhe consumir.
– Não posso crê! Que droga!
– Você conhece essas pessoas? — Ainda estava perplexa.
– Não, mas sei quem fez isso...
– Sabe mesmo? — Uma voz masculina conhecida e bonita soou na lanchonete.
Nos dois viramos e vimos um homem sentado na ultima mesa, na parte escura do lugar. Fui para trás de Matt com medo.
– O que você quer? — Matt perguntou.
– Como se você não soubesse, Matthew. — O homem levantou-se e andou para fora aos poucos revelando suas roupas pretas e jaqueta de couro e rosto: O vizinho que não gosta de maçã. — Quero a preciosa.
– Não terá o que deseja, Asher. — Asher, esse era seu nome. — Não comigo aqui.
– Você não estará por muito tempo, como essas pessoas.
– Você que matou essas pessoas? — Dei um passo para frente.
– Assim como todos esses humanos repugnantes, eu tenho necessidades.
– Por que vocês os matou? — Dei mais um passo para frente confrontando-o mas Matt me puxou, chamando-me a atenção. — Por que fez isso?
– Por que estava com fome! — Asher soltou fazendo-me calar.
Ouvimos alguém mexer na porta e nos três viramos para olhar.
Um homem já de idade entrava, não consegui ver direito suas feições, quando me toquei tinha sentindo um vento ao meu lado que fez meus cabelos soltarem e Asher encravando seus caninos no pescoço no senhor, tirando sua vida
– Temos que ir, Kath. — Estava imóvel. Meu braço foi agarrado pela grande mão de Matt e ele me puxou, em um piscar de olhos estava dentro do meu carro, no banco do passageiro. — Coloca o cinto.
Não estava entendendo nada que se passava ao meu redor, o que acabara de acontecer era uma grande incógnita em minha cabeça. Como eu cheguei tão rápido aqui?
– Quero respostas! — Soltei fazendo Matt me olhar com aqueles olhos eletrizantes. — Quero agora!
– Não agora. — Sua linda voz simplesmente falou e o carro começou a andar.
– "Não agora"? Como assim "não agora"? — Perguntei irritadiça. — Aquele cara matou aquelas pessoas? — Não houve resposta. — Matt!
Ele não me respondia, continuava concentrado encarando o caminho em sua frente
– Me responde agora! — O que fiz em seguida foi algo realmente perigoso: Puxei suas mãos do volante em um ato raivoso.
– Você é louca? — Ele me afastou rapidamente e raivoso fazendo-me bater minha cabeça no vidro, como se quisesse me matar e parando o carro. — Quer morrer?
Não respondi, apenas levei minha cabeça a cabeça sentindo a dor. Matt parecia que também sentia dor, mas no braço, exatamente onde eu o toquei.
– Parece que não pensa. — Ele arqueou a manga do casaco que usava, fazendo aparecer seu ante braço musculoso.
Mais perguntas surgiram em minha cabeça ao vê-lo fechar firme a mão e aparecer algo em seu ante braço, era como uma tatuagem em alto relevo, uma linda árvore seca e cheia de galhos como as do outono, com algumas folhas vermelhas, a árvore acabava com suas raízes espalhadas pela palma da mão de Matt.
– Entenda uma coisa. — Ele me encarou ao relaxar a mão e fazer a tatuagem sumir. — Você não pode me tocar!
– Por que? — Perguntei ainda acariciando minha cabeça. — O que é essa tatuagem?
– Não é uma tatuagem! É uma marca. — Seus olhos encararam minha não em minha cabeça e se relaxaram. Matt agora pareceu preocupado. — Você está bem?
– Quero ir logo para casa, me leve agora.
– Ora! — O carro continuou a andar. — Você se irrita muito fácil, eu só perguntei.
– Não fui eu que acabei de te olhar com uma expressão de assassino. — Falei olhando virando-me e olhando através da janela pelo caminho de casa.
– Não é minha culpa. — Ele falou mas não comentei. Não queria diacutir, queria respostas, e se Matt não quer responder minhas perguntas... Quero mais do que tudo ir para casa.
///
– Chegamos. — Ele falou ao estacionarmos o carro em frente de casa.
– Pode sair. — Falei sem olhá-lo e depois de um suspiro longo ouvir a porta do carro se abrir.
– Katherine, prometo que suas respostas serão respondidas... É só que. — Outro suspiro. — Ainda não tenho permissão.
O olhei, fazendo-o continuar:
– Saiba que agora eu estou aqui, para lhe proteger de todo o mau.
Estiquei minha mão e apontei meu dedo para fora do carro.
– Não preciso de proteção.
– Se não precisa, vai precisar. — Matt saiu do carro.
Franzi as sobrancelhas observando-o se distanciar olhando para trás de três em três segundos. "Saiba que agora eu estou aqui, para lhe proteger de todo o mau." Isso soou tão estranho.
"Meu vizinho é completamente esquisito" suspirei e abri a porta do carro.
Entrei em casa ouvindo os soluços de Bells, me preocupei imaginando o que poderia ter acontecido.
– Bells? — Perguntei andando casa a dentro e a encontrei sentada no sofá da sala.
Ela me olhou com o rosto inchado e molhado de lágrimas.
– Oi, Kath. — Bells virou-se para assisti novamente o que estava passando na televisão. — Eles não são perfeitos um para o outro?
Olhei para televisão e me perguntei porque Bells estava vendo "O diário de uma paixão".
– Depois eu irei ver "Querido Jonh", quer ver comigo?
– Por que está assistindo filmes baseados nas obras do Nicholas Sparks, Bells? — Sentei-me ao seu lado. — Está apaixonada? — Brinquei.
– Não sei. — Bells voltou a me olhar, enxugando as lágrimas. — Será?
Ri.
– Só você pode responder. Imagina você e mais alguém em um filme baseado nos livros de Nicholas Sparks?
– Imagino. — Bells estava apaixonada. — Mas se eu te contar uma coisa você não vai acreditar.
– O que?
Bells suspirou e passou a mão nos cabelos, colocando-os para frente.
– Isaac...
– Mas ele é bem mais velho que você!
– Deixe-me te explicar. — Me calei e ela continuou: — Sonhei com Isaac antes mesmo dele ter visto-o.
Franzi as sobrancelhas. Senti uma sensação estranha.
– Sonhei com ele semana passada, mas... Ele era um anjo.
– Um anjo?
– É, sabe? Com asas e tal. — Ela olhou rapidamente para a tv. — No sonho ele falou que era meu guardião, como meu anjo da guarda.
Abaixei minha cabeça pensativa, pelo menos no caso de Bells foi algo bom, no meu caso foi o encapuzado.
– Você acredita em mim, não é? — A olhei. — Sei que ele não é um anjo como no meu sonho, mas ele é o mesmo, Kath.
– Então está gostando dele? — Achei aquilo muito lindo, nunca soube de um amor de Bells. Era a primeira vez que ela se apaixona.
– Sim. — Ela corou.
– Que lindo, Bells. — Ela corou e então ouvi a campainha tocar. — Isaac é um bom partido, bonito e parece gente boa.
Me levantei e andei até a porta.
– Deve ser a mamãe, ela saiu rapidinho. — Bells avisou, mas não era mamãe.
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