Precious Blood
10 Forest House
O vizinho segurava firmemente meu pescoço de uma maneira que me deixou na pontas dos pés.
— O que você viu? — Ele repetiu com os olhos raivosos em mim. Meu coração estava em disparada, não conseguia me mexer e faltava ar em meus pulmões. — Responda-me!
— Eu... Eu te vi. — Falava com dificuldades. — E seu ferimento curar-se incrivelmente rápido.
— Espero que você não conte isso para ninguém, caso contrário terei que me matar.
— Quem é você?
— Sou quem pode te matar em um estalar de dedos se quiser. — O vizinho tirou uma das mãos do meu pescoço e estalou os dedos.
— E por que você já não me mata? Já matou tanta gente aqui! — Concluir que ele era quem estava matando em Holmes Chapel, o que fazia sentindo pois os assassinatos começaram na mesma época que ele chegou.
Seus olhos abaixaram-se e sua mão segurou a manga de minha blusa, deixando a minha queimadura ainda não curada de meu braço amostra.
— Alguma coisa me diz que eu não preciso. — Seu olhar subiu para meu curativo na testa. — Não é mesmo?
Desviei o olhar de seus olhos, olhava para o lado, ignorando-o.
— Espero que não conte a ninguém. — sua mão apertou o meu pescoço e me senti obrigada a olhá-lo tentando livrar-me desesperada por um pouco de ar. — ou então eu não irei responsabilizar-me pelos meus atos.
Senti um alívio imediato ao não vê-lo mais no quarto e me sentar no chão fraca. Levei minha mão ao meu peito regulando a respiração acelerada.
Peguei o pedaço de tecido azul que o vizinho arrancou de minha blusa e levantei-me depois de um tempo, perguntando-me como ele sabia de minha queimadura, de meus sonhos... Do encapuzado.
— Filha? — Fiquei sem ação ao ver mamãe e Charlie na porta com expressões assustadas. — Tudo bem?
— Tudo. — Menti tentando sorri. — Por que não estaria?
— Estávamos subindo para dormir e ouvimos um barulho... — Seus olhos foram para o pedaço de tecido em minhas mãos, ela até ligou a luz para visualizar melhor. — O que houve com sua blusa?
— Nada, eu só cair. — Aquela não foi uma das minhas melhores mentiras. — Podem ir para cama, estou bem, vou tomar banho. — Dei meia volta, mas fui impedida pela chamado de mamãe.
— Esse não é seu quarto, filha.
— É, verdade. — Falei rapidamente querendo passar por eles o mais rápido possível e ir ao meu quarto, porém mamãe impediu-me novamente segurando meu braço e olhando-me preocupada.
— Filha, estamos preocupados com você.
— Por que, mãe? Eu estou bem. — Sua mão segurava minha queimadura. — Não tem nada com que se preocupar.
— Bells nos falou de sua festa de aniversário e do garoto.
Naquela hora senti raiva de Bells por contar-lhe, já que ela prometeu não falar, mas, o que poderia esperar, que a filha perfeita escondesse algo importante de sua mãe?
Abaixei a cabeça.
— Querida. — Charlie chamou mamãe, mas eu também o olhei, ele apontava para meu braço.
Mamãe logo seguiu a ponta de seu dedo e largou meu braço assim que abriu sua mão e viu minha queimadura.
— Katherine Campbell. — Ela falou firme, porém preocupada. — eu exijo saber como se queimou.
Engoli em seco, não poderia lhe falar a verdade, ainda mais ao lado de Charlie. Fiquei calada alguns segundos pensando em uma boa mentira. Nada me veio a cabeça.
— Eu estou bem. — Insisti pegando em minha queimadura. — Vou para o quarto.
Andei rapidamente sem olhar para trás e quando cheguei no quarto tranquei a porta e fui tomar banho para me tranquilizar.
///
Acordei sentindo um extremo frio por todo meu corpo e ainda de olhos fechados abaixei minha mão para puxar o lençol e me cobri confortavelmente, porém não o encontrei.
Virei na cama a procura do lençol e me assustei ao senti algo gelado em minhas mãos, sentei-me quase que imediatamente para ver aonde estava.
Olhei ao redor e vi árvores cobertas de neve por todos os lados, estava na floresta da hípica, exatamente no lugar onde vi o encapuzado sugar a vida daquela mulher loira hoje mais cedo.
Levantei cruzando os braços com frio. A parte em que estava deitada estava estranhamente sem neve e quente. Não estava calçada e sentia um grande receio por pisar na neve fria.
— Socorro! — Escutei o grito ao longe e olhei para os lados atenta. — Socorro!
Naquele momento alguém estava correndo perigo e eu precisava socorre-la, naquela hora não sabia o motivo, mas precisava, era como se minha vida dependesse disso.
— Alguém! — Era uma voz masculina.
Corri até a estrada sem neve rapidamente sentindo muito frio por todo meu corpo. Meu pé estava tão gelado que sentia que ele iria queimar. Continuei a correr pelas pedras da estrada até que cai tropeçando em algo.
Felizmente cai para o lado na neve fofa, sentei-me para ver o motivo de minha queda e levei minhas mãos a boca, impedindo-me de gritar.
Com os olhos castanhos fixos em mim estava a loira morta pelo encapuzado com o pescoço dilacerado.
— Meu Deus. — Sai de cima da neve e me arrastei até a estrada.
Ainda peguei em seu pulso, mas não senti nada, ela já estava morta e extremamente fria. Suspirei cruzando meus braços e a vi vestida com roupas aparentemente quentes, não pensei duas vezes antes de pegar seu casaco, gorro e botas.
— Com licença. — Falei. — Irei devolver.
Vesti seu casaco, coloquei seu gorro e suas botas e me senti melhor.
— Meu Deus! Alguém!
O grito me alertou novamente e fez-me continuar a correr por onde eu pensava vim os gritos.
— Grita de novo! — Gritei ainda correndo esperando que ele ouvisse até parar.
Avistei uma casa, aparentemente abandonada, com algumas madeiras caindo outras podres, já andei tantas vezes por essa floresta e nunca tinha visto essa casa antes. Parecia assombrada.
— Kath?! — Reconheci o grito que vinha da cabana.
— Kyle? — "O que ele estava fazendo nessa cabana?" — Kyle!
— Aqui, Kath! Me ajuda!
Se eu visse essa casa antes em uma de minhas caminhadas com Ghost com certeza não me atreveria entrar nela, mas se Kyle estava lá dentro pedindo socorro, não poderia ignorar.
///
A casa por dentro era pior que por fora, parecia que ela havia sido construída e largada a mercê do tempo, tudo estava tão empoeirado e velho que me fazia espirar de dois em dois minutos.
— Kyle, você está aí? — Andava casa a dentro procurando-o. — Me responde!
— Estou vendado e amarrado, não sei aonde estou!
Corria pela corredor pela sala de estar e pela cozinha preocupada.
— Kath!
Ele estava mais perto do que imaginava, olhava para todos os lados procurando alguma porta.
— Fica calmo, Kyle! — Animei-me quando achei uma porta que dava a uma escada e outra porta. — Kyle!
Corri escada a baixo e bati na porta.
— Kath! Oh meu Deus! — Podia ouvi-lo aliviado atrás da porta.
— Vou te tirar dai. — Forçava a porta trancada. — Como você está?
— Meu braço está sangrando! Seja lá quem me pegou contou meu braço!
— Calma, Kyle! — Corri novamente para a cozinha procurando algo com que eu possa abrir a porta. — Com o que eu posso abrir portas?!
— Qualquer coisa!
Abri todas as gavetas e armários possíveis mais não havia nada útil que poderia usar para abrir a porta.
— Espera aí, Kyle, estou procurando! — Voltei para frente da porta do porão onde estava Kyle.
— Esperar? Não! Vou me desamarrar e sair correndo!
— Você pare de ironia! — Gritei batendo na porta. — Isso não tem graça!
Corri para a sala empoeirada da casa ouvindo-o rir. Procurei em todos os lugares alguma coisa para abrir a porta e comemorei ao achar o espeto de ferro da lareira.
Voltei para a porta de Kyle e tentei abri-la com o ferro.
— O que você está fazendo? — Ouvi Kyle perguntar.
— Tentando abri a porta. — Falei enquanto forçava a porta.
De repente senti uma presença e vi uma sombra, virei-me e estremeci ao ver o encapuzado no topo da escada. Felizmente ele não ficou muito tempo encarando-me.
Subi as escadas lentamente quando ele desapareceu de meu campo de visão, estiquei meu pescoço para fora e pude vê-lo na sala empoeirada, vendo minuciosamente os móveis, cheguei a me perguntar o que ele estava fazendo até vê-lo enfiar a mão no bolso e de lá pegar uma caixa de fósforo.
Abaixei o olhar e me assustei ao ver o chão de madeira escuro molhado refletir a única e fraca luz que iluminava a sala.
— Não! — Gritei quando o encapuzado largou o isqueiro e em um piscar de olhos ele desaparecer.
Corri até a cozinha, peguei uma panela funda e a joguei na pia para enche-la. "Que?" Não havia água alguma. Fui à porta de Kyle, passando antes na sala para poder vê-la contaminada pelas chamas do fogo.
— Kyle, está me ouvindo? — batia na porta. — Temos que sair daqui, a casa está pegando fogo!
— O que? — Seu tom de voz era desesperado. — Vá buscar ajuda!
— Está louco? Não! Vou te salvar primeiro. — Fazia de tudo para abri a porta, mas minhas tentativas eram em vão. — Não vou te deixar aqui.
— Você e eu sabemos que você não é muito forte e que não vai consegui abrir essa porta tão cedo!
Fiquei parada por um minuto ouvindo-o, naquela hora não poderia deixá-lo, não queria deixá-lo, só de pensar na possibilidade lágrimas começaram a correr minhas bochechas, só pensava na possibilidade de eu não consegui achar ajuda.
— Kath, está me ouvindo? Você tem que ir, senão nós dois morremos.
— Se se eu for você morre!
Silêncio.
— As chamas vão demorar para chegar aqui, você tem tempo para chamar ajuda, mas não muita.
— Kyle... Eu... — Não conseguia falar o que queria.
— Por favor, Kath! Vai!
Respirei fundo e subi as escadas até a sala da casa correndo risco. Corri por entre as chamas até a porta. Trancada.
— Oh droga! — Batia na porta tossindo, já sentindo os efeitos da fumaça. — Socorro!
Era como se as chamas ao meu redor estivesse se fechando, o calor e as náuseas aumentavam a cada segundo enquanto batia na porta com todas as minhas forças gritando por ajuda até chegar em um momento que eu não conseguia ficar em pé, meus pulmões doíam e tossia sem parar, não conseguia respirar direito.
— Socorro... — Meu grito saia seco e minha visão começava a se escurecer.
Antes de apagar completamente ouvi um barulho e vi um enorme clarão de luz, poderia jurar que vi um homem a minha frente, um anjo.
///
Pisquei várias vezes meus olhos para acostumá-los com a luz forte sobre minha cabeça.
Minha cabeça estava boa e meu corpo também, não sentia nenhuma dor se quer. Sentei-me e olhei para os lados vendo onde estava.
Me pareceu uma linda sala de enfermagem, com umas oito macas todas confortáveis, paredes brancas e um lustre maravilhoso em seu teto.
No criado mudo ao lado de minha maca havia uma campainha, não excitei em toca-la e logo apareceu uma linda enfermeira, loira e com os olhos verdes eletrizantes.
— Algum problema, alteza?
— Não, nenhum, é que... — Parei imediatamente de falar. — "Alteza"? Você me chamou de alteza...
— Cuidamos de todos os seus ferimentos, entre eles a queimadura no braço. — Levantei a manga comprida de minha blusa e não vi a queimadura, minha pele está perfeitamente sã, como se a queimadura nunca existisse. — Como a senhorita viveu com os humanos, vossos dons estão bloqueados.
— O que? — Não fazia sentido o que ela acabara de falar. Cheguei a conclusão em que eu estava em um hospício e precisava sair daquele lugar. — Preciso ir.
Levantei-me da confortável maca branca e comecei a andar para a única e grande porta da sala.
— Obrigada por curar meus ferimentos. — Virei-me para ver a expressão perdida da enfermeira ao chegar na porta.
— Mas...
— Quero ir para casa. — A interrompi.
Abri a porta grande branca e me surpreendi.
Estava no meio de um lindo e exuberante corredor, com paredes e cortinas em cor douradas com muitos detalhes em ouro, em seu teto haviam enormes lustres de cristal e lindas pinturas. Era tanta beleza que fiquei sem fala e imóvel.
— Alteza. — Comecei a fugir da enfermeira louca que começara a me segui. — Alteza, por favor.
— Você é louca, não sou… — Fui interrompida por bater em alguém e quase cair se não fosse a enfermeira.
A fitei com o olhar:
— Me largue! — Puxei meus braços de sua mão fazendo com que ela me olhasse com um olhar de desentendimento.
— Tudo bem, — O cara com quem eu esbarrei falou levantando mão. — Eu fico com ela a partir de agora.
A acompanhei com o olhar até não poder mais vê-la e virei-me para o cara que reconheci sendo Matthew Collins vestido com um lindo uniforme militar vermelho.
— "Eu fico com ela a partir de agora"? — Perguntei irritadiça. — Eu não preciso de babá! — Cruzei os braços e ele riu. — O que foi?
— Você fica irritada facilmente.
— Aonde estou? — Ignorei seu comentário inútil ainda com os braços cruzados. — Em algum tipo de hospício luxuoso. Onde está Kyle?
— "Hospício luxuoso" — Matt prendeu o riso e o fuzilei com o olhar. — Quero saber onde está Kyle!
— Está dormindo. — Sua voz saiu quase que imediatamente, como se tivesse mentindo. — Como você.
— Eu? Como eu? — Gaguejava sem acreditar. — Eu estou dormindo?
— Exatamente.
Fechei os olhos mais fortes que pude querendo acordar, belisquei-me e abri as pálpebras, avistando Matt rir.
— O que está fazendo?
— Quero acordar. — Respondi.
Não entendia o motivo de ter sonhando com o que sonhara, digo, eu sonhei com o vizinho estranho vestido de príncipe em um castelo! Era uma coisa muito infantil.
— Você não vai consegui assim.
— O sonho é meu! Eu que decido como e quando irei acordar. — Ergui a mão direita para beliscar-me novamente, porém fui interrompida por Matt. — O que foi?
— Você não vai consegui assim! — Ela repetiu firme. — Precisa da minha ajuda.
— Então me acorde! — Praticamente mandava.
— Não.
— Então vou continuar a me beliscar, uma hora eu acordo. — Estava prestes a apertar um pedaço de mim quando fui interrompida por mais um tapa de Matt na minha mão.
— Para com isso ou vai se machucar.
— Acorde-me! Quero vê Kyle!
Matt suspirou profundamente e pediu para eu fechar minhas pálpebras, o atendi sem reclamar.
Senti sua tranquila respiração bem perto de meu rosto e um enorme cansaço no qual não consegui lutar contra.
///
Abri olhos vagarosamente depois de passar minha mão deles e espreguiçar-me, olhei preguiçosa para o relógio.
Naquele minuto queria mais do que tudo voltar a dormi, mas lutei contra meu próprio corpo para levantar e andar até o banheiro.
Lavei meu rosto e coloquei um casaco para sai do quarto e ir tomar café da manhã.
Era como se eu tivesse de ressaca, minha cabeça não doía, mas só pensava em ir para minha cama.
— Isaac? — Rapidamente arregalei meus olhos ao vê-lo sentado no sofá da sala juntamente com Bells.
Isaac levantou-se ao me ver.
— Bom dia, Kath. — Bells sorrio enquanto me aproximava.
— Como você está? — Isaac perguntou abaixando levemente sua cabeça. — dormiu bem?
— Não exatamente. — Isaac se sentou logo depois que eu. — O que faz aqui? — Perguntei confusa sem querer ser grossa.
— Isaac ficou preso fora de casa. — Bells respondeu por ele. — Sua mãe saiu e não deixou a chave.
— Pensei que morava sozinho. — Questionei cruzando os braços.
— Moro com minha mãe já que meu pai ficou na capital.
Não deveria duvidar dele, mas duvidei, tudo por causa daqueles malditos olhos eletrizantes.
— Sua irmã me contou que se machucou, posso ver?
Quase que imediatamente olhei com cara feia para Bells querendo uma explicação do porque ela contou a ele.
— Mamãe me contou que viu seu braço queimado, Isaac está estudando medicina, achei que ele poderia ajudar. — Ela sorriu para ele e eu o olhei.
— Não foi nada... — O Telefone da cozinha tocou. — Só uma queimadura de leve.
— Gostaria de ver. — "Por que?". O telefone tocou novamente e Bells foi atente-lo respirando fundo. Estava sozinha com Isaac.
Arqueei a manga de meu casaco e abri a boca surpresa. "Que? Onde está a queimadura" Me perguntava vendo meu braço.
Olhei o outro braço para ter certeza de que ela realmente havia sumido.
— Pelo amor de Deus. — Coloquei minhas mãos na cabeça e não segurei as lágrimas.
Não sabia o que estava acontecendo comigo e nem o porque, isso me deixava completamente atordoada.
— Tudo bem? — Isaac perguntou preocupado.
— Você acha que está tudo bem? Não! Não está! — O ataquei. — Até ontem eu tinha uma queimadura no meu braço, sonhei que uma mulher havia curado-o e agora vi que ele está realmente curado!
Isaac respirou.
— E como conseguiu essa queimadura?
— Com um maníaco que está me perseguindo, não consigo ver seu rosto mas eu acho que sei quem é...
Comecei a falar sobre o vizinho que não gostava de maçã sem pensar, contei-lhe o modo com que ele me abordou ontem a noite e tudo mais, tampei minha boca ao sai na real e ver a expressão de Isaac me olhando.
— Meu Deus...
— Tudo bem, Katherine. — Ele falou depois de um tempo se levantando. — Você é do tipo de pessoa que acredita em contos de fadas, não é?
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