Precious Blood
7 Dead
Entrei na casa afastando os paramédicos que pareciam estar na minha frente de propósito. Meu coração estava acelerando enquanto ia para sala e dava a volta na casa, parando no mesmo lugar.
Segui os paramédicos até o segundo andar e logo encontrei Poppy chorando, com a maquiagem barrada e roupa manchada de sangue.
– Meu Deus, Poppy, o que foi? — Fui logo abraçando-a e vi os paramédicos entrando no quartos de seus pais. — Sh... Poppy.
Me senti triste ao ouvir seu choro e de sua mãe desesperado vindo do quarto. Poppy era tão alegre e viva, era estranho vê-la assim.
Qualquer pessoa que visse Poppy pensaria que ela era uma patrocinha no colégio, porém não, Poppy não era bem assim, Poppy era uma menina bem legal e amável. Ela tinha cabelos loiros e olhos claros, uma princesinha.
– Meu... Pai. — Ela falou em meio o choro. — Ele estava aqui.
– Quem? — Perguntei ainda abraçando-a. — Seu pai?
– Não... Não sei, mas eu o vi matando meu pai, Kath.
Aquelas palavras me atingiram como um tiro, visualmente, e a abracei mais forte.
– Sinto muito, amiga.
– Foi horrível, Kath, era sangue para todos os lados, nunca tinha visto isso na minha vida! — Ela me soltou e enxugou as lágrimas, fazendo seu rímel borrar mais.
– Você estava sozinha?
– Não, estava com meu pai... Quando ele chegou...
– Ele quem?
– Um cara de capuz...
– Filha!
"Um cara de caupuz". Aquelas palavras me deram calafrios imediatos, fiquei perplexa, imóvel. Então ele realmente existe! Não é fruto de minha imaginação, ele está a solta em Holmes Chapel.
Meu corpo congelou, meus sentidos bloquearam. Havia um assassino na cidade, alguma coisa tem que ser feita.
– Kath! — A voz firme de Poppy e seus dedos estalando em frente ao meu rosto me acordaram.
– Oi? — Olhei diretamente para Poppy e para Sra. Willians, percebi que elas estavam esperando algo, como uma resposta. — Sinto muito, Sra. Willians.
Ela apenas sorriu tristemente e resolvi lhe abraçar, acho que ela se sentiu melhor assim, acariciou meus cabelos e virou-se para Poppy.
Mãe e filha eram muito parecidas, Poppy perecia ser a própria anos atrás.
– Os detetives querem falar com você, minha filha. — Sra. Willians avisou.
– Estou indo mãe.
Poppy me abraçou antes de ir junto aos detetives, enquanto a Sra. Willians descia as escadas.
Franzi as sobrancelhas, elas estão tão calmas, digo, para quem perdeu o pai e o esposo. A família Willians era sempre educada, mas isso chega a ser estranho, eu iria morrer de tanto chorar se fosse Bells ou mamãe.
Vi os paramédicos passarem carregando uma maca, o corpo de Sr. Willians estava lá com um lençol ensanguentado cobrindo-lhe. Gritei levando um susto muito grande quando a sua mão caiu, ficando estendida.
///
Abraçava mais uma vez Poppy. Ela precisava do maior apoio possível agora, sua família havia chego e não tinha mais nada o que fazer em sua casa.
Ela estava em choque, Poppy amava mais o pai a mãe.
– Eu te ligo, ok? — Falei e ela apenas respondeu com um sorrisinho. Lhe mandei outro e logo quando ela fechou a porta meu celular tocou. — Alô.
– Kath, — Era Kyle. — Eu acabei de saber que...
– Sobre os Willians? Sei também. Poppy está em choque. — Descia as escadas da entrada.
– Imagino... Você está aí?
– Sim. — Me sentei no banco branco em frente a casa. — Quando cheguei da faculdade vi a ambulância e corri.
– Amanhã vai ser o enterro...
– Sim, você vai, não é? Tem que dar apoio a Poppy e para os Willians. — Senti um frio repentino, como se uma friagem tivesse passado, coloquei meu braço junto ao meu corpo e cruzei as pernas.
– Claro que vou, apesar da Poppy me tratar mal, claro que vou.
– Esse é o jeito dela com você, ela gosta de implicar. — Ri um pouco.
– Gosta, é? Poppy tem algum problema comigo.
– Vou para casa, te vejo amanhã. — Falei ainda rindo.
– Ok, até.
Desligamos a ligação, aí levantar mais meu coração parou quando percebi alguém ao meu lado.
– Meu Deus! — Gritei. Ele estava sentado ao meu lado, com os braços descansados nas pernas.
Primeiramente achei que fosse o encapuzado, mas logo o homem se virou para olhar-me rapidamente, jogando um olhar que dizia: "Para de gritar, sua ridícula".
Pelo pouco tempo em que nossos olhos se encontraram, vi suas feições. Seus olhos eram azuis eletrizantes, muito mais eletrizantes do que Matt e Isaac. Sua pele era branca e seu rosto todo afilado. Ele era lindo, nunca o vi.
Acho que ele, Matt e Isaac são irmãos, isso explica esses olhos azuis.
– Deve ser ruim perder a melhor amiga. — Ele soltou e sua voz me arrepiou.
– Que? Não!- O encarei, mas ele continuava a olhar para frente. — Não perdi nenhuma amiga!
– Por enquanto... — Ele me olhou afastando o capuz e meu coração acelerou. — Ela vai se suicidar.
Ele era lindo, nunca tinha visto alguém tão lindo antes, seus cabelos eram claros de um tom dourado e sua pele branca. Sua beleza deixou meus sentidos bloqueados por um momento.
Tive que desviar meus olhos daqueles olhos eletrizantes e processar o que ele falou para voltar ao normal.
– Que? — Exclamei. — Não.
Esse garoto enlouqueceu? Porque me contar isso? Franzi minhas sobrancelhas. Estava sozinha em uma rua escura conversando com um cara que com certeza, apesar de ser divinamente bonito, tem alguma deficiência mental, devo estar fora de mim.
Levantei-me para ir embora, porém ele também se levantou e segurou fortemente meu braço.
– Estou falando sério. — Seus olhos penetravam nos meus, sua voz me causava arrepios.
– Está me machucando! — Tentei largar meu braço, sem sucesso. — Me largue! Ninguém mais vai morrer!
– Certeza? — Ele me largou. — Espere até amanhã de manhã.
– Seu louco, deixe-me em paz!
– Como quiser, senhorita. — Ele levantou o capuz, colocou suas mãos dentro do casaco e se foi, como se nada tivesse acontecido.
Fiquei alguns segundos vendo-o ir e então me toquei, corri para casa com medo dele voltar.
///
Abri meus olhos e estava na frente da casa de Poppy, estava tudo quieto e tão frio. Senti um arrepio em minha espinha e virei meu pescoço, olhando através da neblina grossa pra ver se havia alguém. Ninguém. Resolvi me aproximar da casa e bater na porta.
– Senhora Willians. — Chamei batendo na porta. — Poppy!
Na terceira batida a porta abriu-se sozinha, o que me fez estranhar, franzindo as sobrancelhas. A família Willians não era de deixar a porta aberta.
– Estou entrando! — Avisei dando o primeiro passo dentro da casa.
Nunca, na minha vida, tinha visto uma casa como a de Poppy naquele momento. A mesma neblina grossa e o frio que havia fora de casa, estavam dentro.
– Poppy. — Primeiro andei até o cômodo mais próximo da entrada, a sala de música, onde Poppy fazia sua aula de piano. Sentia calafrios. — Poppy.
A cozinha também estava vazia. Alguns pratos na pia para lavar, um ovo frito e frio na panela no fogão, e a gaveta de talheres aberta.
A fechei, omitindo um alto som pela casa. Senti algo passar e virei-me rapidamente, deixando os cabelos castanhos soltarem sobre meus ombros.
– Poppy. — Me aproximei da porta que dava da cozinha até a sala de estar. — Senhora Willians. — Com dificuldade vi uma coisa no sofá, me aproximei lentamente e levei um susto. — Senhora Willians!
Ela estava sentada no sofá com a barriga aberta. Entrei em desespero e corri até ela colocando a mão para estancar o sangue dos detrimentos. Era como se ela estivesse levado várias facadas. Era uma visão macabra, a senhora Willians precisava ir ao hospital.
– Calma, senhora Willians, esta tudo bem. — Menti para nós duas com a mão cheia de sangue e procurando no meu celular o número da ambulância. Nada. — Vai ficar tudo bem, só... Respira, sei quem pode ajudar.
Liguei para Kyle, seu tio é médico e ele com certeza pode ajudar.
– Kyle! Ainda bem que você atendeu rápido! — Falei o mais rápido que poderia.
– Oi, Kath, algum...
– Olha, Kyle, não posso demorar, quero que ligue para seu tio vir para casa dos Willians com uma ambulância urgente. Urgente!
– Claro, mas...
– Agora! — Desliguei o celular, o coloquei de volta no bolso e coloquei minhas duas mãos em seu ferimento. — Senhora Willians, olha para mim.
Ela olhou com uma aparência já abatida e respiração ofegante.
– A ajuda está vindo, apenas aguente, ok? Por favor. — Ela movimentou sua mão para cima da minha, o que me fez sorri. — Quem fez isso com a senhora?
Ela falou e eu não entendi, tive que aproximar meu rosto para ouvi-la falar um fraco:
– Po...
– Poppy! — Tirei minhas mãos vermelhas de seus ferimentos. — Continue respirando! — Falei correndo até a escada. — Poppy!
Diminui minha velocidade de acordo com o grau de meu medo pelo desconhecido.
– Poppy! — A vi do começo do corredor no seu quarto, em frente a uma escada. Ela parou e se virou para olhar-me, mas não expressou nenhum sentimento, apenas virou-se novamente e subiu na cadeira. — Poppy não!
Corri o mais rápido que pude ao vê-la colocando uma corda no pescoço, mas antes de chegar, a porta fechou-se brutalmente e sozinha.
– Poppy! — Tentava desesperadamente abrir a porta estava trancada. — Por favor! Poppy! — Uma voz de choro originou. — Poppy não! — Um grito desesperado.
Comecei a chorar descendo pela sua porta até sentar-me juntando as pernas ao corpo.
Eu conheço Poppy desde criança, sei que ela é uma garota forte que não se deixa abater, é horrível saber que, você não perdeu a sua melhor amiga, mas toda a família de sua melhor amiga.
Meu celular vibrou, o peguei do bolso e atendi assim que vi quem era.
– Me escute bem, Katherine, você vai me contar tudo que está acontecendo! — Seu jeito "irmão mais velho" estava ativo.
– Kyle. — Estava emocionalmente acabada, falava fraca. — Já chamou?
– Já, a ambulância está a caminho...
– Ótimo. — Desliguei o celular interrompendo Kyle mais uma vez. Não estava acreditando que Poppy fez aquilo, esfaquear a mãe e depois se suicidar? O que essa garota tinha na cabeça?
Vi a porta se abrir um pouco e me arrepiei. Levantei-me abrir a porta vagarosamente com medo.
– Poppy! — Lá estava ela com o pescoço ao redor do pescoço, os lábios e o rosto roxos. — Pelo amor de Deus Poppy!
Levantei a cadeira jogada no chão e subi para poder descer Poppy, mas já era tarde, não havia mais batimentos cardíacos.
– Poppy... — Comecei a chorar desesperadamente. — Por que você fez isso?
Ouvi passos e gelei, quase caí ao descer da cadeira. Em frente a porta aberta estava o encapuzado, alto e assustador, não conseguia respirar direito, estava completamente imóvel.
Desci meus olhos pelo seu casaco preto e vi em suas mãos um faça ensanguentada. O sangue escorria e pingava no carpete rosa claro do quarto.
Então a senhora Willians não estava me respondendo a pergunta, estava querendo que eu a salvasse, foi o encapuzado que a esfaqueou, e Poppy, para escapar, se matou.
Meu deus!
Gritei quando o encapuzado começou a vir em minha direção. Corri dele pelo quarto até ficar em cima da cama e ele em minha frente.
– Qual é a sua? Por que está fazendo isso? — Gritei vendo seu "rosto" que ainda estava por entre a sombra do capuz.
Ele não me respondeu, apenas jogou sua faça em minha direção, tentei desviar, mas a faça passou raspando pelo meu braço, o que fez abrir um corte.
Urrei de dor e peguei no ferimento, mas ele nem se preocupou e continuou a me perseguir. Corri para a porta e virei-me para olhá-lo, ele estava tirando sua faça enfiada na parede.
Fechei a porta e corri escada a baixo até a cozinha. Abri a gaveta que antes estava fechada, peguei a maior faca que encontrei e me escondi.
Minha respiração estava ofegante e meu coração acelerado, precisava sair daquela casa, mas antes tinha que ver como estava a Sra. Willians.
Depois de uns 5 minutos escondida, percebi que o encapuzado talvez já tivesse ido embora. Saí do meu esconderijo, ainda com a faca na mão, estava tudo calmo e quieto.
– Sra. Willians. — A chamei baixinho quando cheguei perto. — Sra. Willians.
Era tarde de mais, não havia mais batimentos cardíacos, só havia um corpo lá, gelado e ensanguentado.
Senti vontade de chorar, porém não poderia fazer muito barulho, tive que me segurar.
Virei-me para sair, porém congelei ao ver o encapuzado... Não só o encapuzado, mas Poppy também, ela estava apoiada em seu ombro com um sorriso malicioso de assassino.
Ela parecia um zumbi, com os lábios brancos e uma linha ao redor do pescoço roxos. Olheiras pretas e profundas. Não parecia a Poppy que eu conhecia.
Gritei e corri para fora de casa atormentada, abracei alguém que estava alguns metros da saída.
– Por favor, me tira daqui.
– Está tudo bem. — O garoto falou. — Nada de ruim vai lhe acontecer.
Olhei para quem estava abraçada, era Matthew, o vizinho alto, bonito e estranho.
– Temos... temos que sair daqui!
Sua expressão ficou preocupada e ele segurou meu braço.
– Quem lhe machucou?
– Tem um assassino lá dentro! — O abracei com medo. — Me tira daqui.
– Estou com você agora, vou lhe proteger. — O soltei franzindo as sobrancelhas. — Vou lhe acordar.
Suas grandes mãos cobriram meus olhos e tudo se escureceu.
///
Sentei-me rapidamente na cama, minha respiração estava ofegante e eu estava suando frio. Passei a mão pelos cabelos e suspirei.
Passei alguns minutos regulando minha respiração até sentir uma pontada em meu braço e o pegar.
– Meu Deus! — Exclamei ao ver o corte. Não me preocupei em correr para o banheiro, me estiquei para pegar meu celular e ligar para Poppy.
Tocava e ninguém atendia.
– Pelo amor de Deus, Poppy, atende! — Briguei com o celular.
– Alô. — Poppy atendeu com uma voz sonolenta.
– Pelo amor de Deus, Poppy, por que você não atende?
– Estava dormindo. Hoje eu demorei para dormir, o que houve?
– Te acordei?
– Sim, mas, tudo bem, eu já ia acordar para ir ao enterro. — Ela falou tristonha.
– Você está bem? — Perguntei preocupada olhando para meu braço.
– Estou mais ou menos, por que a pergunta?
– Sonhei hoje com você.
– Sonhou? Coisa ruim, né? — Não respondi. — O que sonhou?
– Que... — Achava que ia ser muito pesado se eu dissesse que sonhei com sua mãe esfaqueada e ela se suicidando. — Você era um zumbi.
Ela riu no outro lado da linha.
– Só você mesmo, Kath. — Por um lado eu fiquei feliz em ter-lhe alegrado. — Eu zumbi? Fala a sério, só irei me tornar um zumbi quando existir um salão de beleza para zumbis.
Eu ri.
– Bom, vou me vestir. Você vai, certo?
– Claro... — Levantei-me da cama e vi uma sombra passar por mim.
Virei-me bruscamente, mas não parecia ser nada.
– Até depois. — Falei franzindo minha sobrancelha para o nada. Desliguei o celular e fui ao banheiro.
Como esse corte veio parar aqui?
///
Amigos e familiares do Sr. Willians estavam ao redor de seu caixão no cemitério de Holmes Chapel. Estava ao lado de Kyle, vestia um vestido preto abaixo do joelho enquanto ele usava seu termo.
O dia estava ensolarado, um dia que tinha tudo para ser feliz, porém não está sendo bem assim, a maioria das pessoas presentes estavam chorando, inclusive mamãe que estava consolando a Sra. Willians. Mamãe era prima de segundo grau do Sr. Willians.
– O que foi isso? — Kyle tocou de leve no curativo que fiz em meu braço.
– Não foi nada, só um machucado de nada. — Peguei no curativo. — Acho que deveríamos ir lá com Poppy. — Falei tentando mudar de assunto ouvindo Charlie falar ao fundo.
Kyle me olhou e balançou a cabeça positivamente. Nos aproximamos de Poppy e logo a abracei.
– Está tudo bem. — Aquelas palavras me fizeram lembrar do vizinho, Matthew, especificamente dele no sonho: "Estou com você agora, vou lhe proteger."
Ficamos calados por um bom tempo até que chegou a hora do caixão descer e Poppy jogar um punhado de terra.
– Tudo bem? — Kyle perguntou ao me aproximar, era como se a tristeza de Poppy passasse um pouco para mim.
– Tudo. — O abracei e me assustei. — Kyle...
– Oi?
A alguns metros de distância de nós estava o encapuzado apoiado em um túmulo, com a sol dava para ver um pouco de suas feições: pele clara, olhos azuis eletrizantes e um nariz bem afilado.
– O que foi, Kath? — Ele olhou rapidamente para onde estava olhando. — Kath.
O encapuzado levantou-se e andou para longe.
– Já volto. — Avisei antes de começar a andar e seguir o encapuzado.
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