Precious Blood
1 Capítulo 1. Mais uma noite de inverno.
Aoi POV.
Era mais uma noite de inverno, a neve tomava conta da paisagem, ela realmente fazia diferença nessa época do ano, transformava aquele mórbido panorama em algo verdadeiramente interessante aos olhos de qualquer pessoa que reparasse nela. E eu realmente reparava... A centenas de anos, eu diria.
Estava ficando ansioso, andando por aquelas ruas e não encontrando ninguém, admito que estava muito frio, masminha ansiedade só fazia crescer, estava com fome, e eu realmente poderia ficar violento se não a matasse rapidamente.
Percebo algumas luzes acessas mais a frente e me aproximo, encontrando um botequim, já estava na hora. Entro, caminhando vagarosamente, observando quem estava dentro, indo até o balcão e ali me sento, avistando as poucas pessoas que se encontravam naquele recinto. Observando atentamente, reparo em um jovem, cabelos loiros, pela tão clara e sedosa que quase me hipnotizava, não conseguia mais afastar meus olhos daquela criatura, logo minha atenção é interrompida pelo dono do estabelecimento, que veio ver o que eu desejava beber naquela noite tão fria, fiz o pedido rapidamente, logo voltando a fitar aquela pessoa.
Vejo que ele aparentemente esperava alguém, o cheiro da ansiedade e nervosismo me fazia imaginar que deveria ser alguma jovem que o fizera ficar esperando em vão, bom, então eu seria um bom cavalheiro e lhe faria companhia esta noite, sua última noite na cidade dos vivos.
Pego as duas taças de vinho que havia peço e me direciono a mesa no qual o rapaz se encontrava, comprimentando-o com um sorriso sedutor nos lábios e pedindo permissão para sentar, sempre muito educado e gentil, oferecendo-o uma das taças para que pudesse se esquentar um pouco daquele frio, ele aceita, um pouco tímido.
– Seria muita intromissão de minha parte pergunta-lhe por que tanto olhas por esta janela, meu rapaz? – Pergunto a ele, apoiando-me na mesa, o encarando.
– Nada de mais, apenas imaginando quando o verão retornará... – Termina de dizer, voltando seus olhos para os meus, segurando a taça, como se brincasse com ela.
– Acho que não tão cedo, assim espero. – Retruco, de forma doce.
– Não gosto do inverno. – Diz ele com uma voz calma.
– Algum motivo especial? – Arqueio uma de minhas sobrancelhas, mostrando um certo interesse naquilo tudo.
– Não. – Ele me diz esboçando em seus lábios um terno sorriso.
Senti que a conversa terminaria por aqui, já que eu realmente não estava mais agüentando, minha fome aumentava e minha paciência diminuía. Logo termino o último gole daquele vinho, dando um pequeno suspiro ao terminar, mantendo meus olhos no rapaz, que interessantemente me encarava de maneira tão estranha. Ele realmente estava começando a chamar minha atenção, mais do que o normal.
Logo o convido a sair daquele lugar, ele reluta um pouco a aceitar, mas eu ainda tinha um grande poder de persuasão sobre os humanos e logo o convenci a me seguir. Fomos para fora, caminhamos algumas quadras, onde paro em frente a um beco escuro, o rapaz ainda resistia em me acompanhar, ele realmente era uma pessoa desconfiada, mas não posso o culpar, nem eu mesmo confiava em mim, logo cedendo mais uma vez e adentrando a escuridão comigo.
Hora de matar minha fome.
Chegando mais ao fundo do beco, onde ninguém pudesse nos interromper, vou me aproximando dele, em movimentos calmos e de maneira sombria, com um olhar penetrante, quase sugando aquela alma para mim, chegando perto, sem tirar meus olhos dos dele, segurando em seu pescoço docemente, arrodeando seu corpo, olhando cada pedacinho daquele que me pertenceria esta noite, voltando a ficar a sua frente.
Ele me olhava sem entender muito bem o que estava acontecendo, apreensivo e nitidamente amedontrado com aquilo tudo, mas tentando esconder esse medo de mim, o que realmente era inútil. Logo aproximo meu rosto de seu pescoço, começando lentamente a roçar meus dentes naquela pele fina e delicada, trazendo seu corpo mais para perto.
– Não tenha medo meu pequeno... Não farei mal a você... Não, muito... – Sussurrava com uma voz mais sensual.
Sinto seu corpo se encolher um pouco, quase hipnotizado, sem reação.Sorrio de maneira gentil, mas envolvendo certa malícia em meus lábios que ainda mantinham em si o sabor daquela pele. Pele que exalava uma doce sensação inebriante e que me envolvia cada vez mais, vendo seu constrangimento, sorria com uma malícia maior, segurando as mãos dele com uma das minhas, deixando-o sem movimentos.
Sim, eu tinha o péssimo hábito de brincar com minha comida.
Continuava a provocar roçando meus dentes ali, mas ele se portava de maneira estranha, mantinha uma calma como geralmente ninguém manteria, era como se para ele, mesmo aquilo tudo sendo um tanto assustador, fosse também, divertido. O que me deixava excitado.
De repente ele vira seu rosto para o lado em que o meu se encontrava, passando a ponta da língua em minha bochecha, logo mordendo ali. Admito que ele me pegou de surpresa, mas isso começava a ficar cada vez mais interessante. Sorrio com a reação dele, soltando lentamente suas mãos, deixando meu rosto a quase milímetros do seu, mantendo um olhar firme e quase constrangedor sobre ele.
Logo não conseguia mais manter seus olhos firmes aos meus, prendendo a própria respiração, mas eu conseguia escutar seu coração bater forte, sentia-o quase saltando para fora, ainda sorrindo, afago seus cabelos com uma de minhas mãos, começando a afastar nossos corpos, ainda observando-o.
– Por hoje, te deixarei criança, apenas por hoje... – Sim, o deixaria desta vez, por que? Eu realmente não tinha a resposta para essa pergunta.
Após desferir tais palavras, notando que voltava a respirar novamente, não deixo de soltar um pequeno sorriso sarcástico com aquilo. Quando sinto ele segurar em um de meus braços, o olho com o canto dos olhos.
– Então você... Volta? – Vejo-o morder seu próprio lábio inferior, apreensivo. Aquilo me excitar cada vez mais.
Solto sobre ele um olhar mais sensual, com um sorriso malicioso nos lábios, ficando em completo silêncio naquele momento, o olhando de cima a baixo, observando cada pelo arrepiado daquele corpo, gostando de vê-lo desta maneira a minha frente. Sem mais o que dizer, apenas seguro firme em seu pulso puxando-o bruscamente até mim, voltando a ficarmos perto. Olhando dentro daqueles olhos castanhos.
– Quem sabe... – Mordo levemente aqueles lábios que tanto me chamavam.
– Estarei te... Esperando... – Diz ainda com nossos lábios grudados.
Mantendo-me ali por minutos, sem reação alguma, mas várias coisas passavam pela minha mente, ainda estava tentando entender os pensamentos deles, enigmáticos para mim naquele momento. Segurando em seu braço tão forte, que ficaria marcas quando deixasse ir, afastando-o de mim bem de vagar, um passo por vez, deixando-o a certa distância.
Sem, em momento algum, tirar meus olhos dos dele, me divertindo com aquilo tudo, a maneira como se comportava, vendo ele tão inofensivo e tão desprotegido a minha presença nesse momento, relutando contra si mesmo, tentando passar uma imagem de alguém realmente sem medo, mas seu cheiro não me enganava. Sim, eu realmente me divertia...
– Bom, da próxima vez então... Nunca se sabe quando tudo pode voltar a acontecer... – Uma vítima perfeita, uma fome voraz, mas estranhamente, tudo se desfez tão repentinamente. Meus desejos mudaram. Meus interesses também. Ele seria meu. Mas não agora.
Fale com o autor