Precious Blood
2 Capítulo 2. Convite.
Aoi POV.
Passaram-se alguns dias daquele ocorrido, minha mente prendia-se àquele rapaz com estranha fixação, isso realmente começava a me incomodar. Eu o seguia todas as noites, sabia onde morava e o que fazia, sua mania de levantar várias vezes durante a noite para abrir a geladeira e logo em seguida voltar a dormir, as horas que passava naquele bar esperando por alguém, e eu ficava a imaginar se quem ele tanto esperava não... Seria eu.
Vítima após vítima, noite após noite, parecia que nada mais me saciava, eu ficava imaginando o gosto do sangue daquele rapaz, imaginando por que não o mordi aquela noite, mas algo me impediu de fazer isso, e eu não sabia explicar o por quê. Mas descobriria, custe o que custar.
Estava nevando, a neve que caia em pequenos flocos trazia um ar melancólico a cidade, mas realmente, as pessoas não reparavam nisso, apenas corriam de pressa para suas casa para não morrerem congeladas. Eu ficava caminhando calmamente pelas ruas da cidade, na constante procura por comida, por mais uma vítima que me alimentaria.
Minha vestimenta preta se fazia visível na noite graças a fina camada de gelo que se formava em meus ombros, desenhando perfeitamente minha silhueta. Estava próximo àquele bar, estava muito tarde, mas já que não passaria a noite dormindo mesmo, resolvi entrar nele.
E assim que entrei, o loiro logo me chama a atenção, sentado no lugar de sempre, mas com a diferença que desta vez olhava para mim, já que me vira chegar pela janela. Vou caminhando em sua direção, com um caminhar lento e seguro, que transparecia certa indiferença para qualquer ser que se atrevesse a olhar para mim. Olhando-o nos olhos, de maneira realmente provocante, com o canto dos lábios se formava um pequeno sorriso, irônico, mostrando que ali estariam guardados segundas intenções para aquela pessoa que me esperava logo a frente.
Sem pedir permissão desta vez, vou me sentando ao seu lado, ficando a centímetros daquele corpo, sentindo calmamente aquele cheiro inebriante mais uma vez. Deixando que minha mão arrodeasse seu pescoço, segurando em sua nuca, puxando-o para mais perto, aumentando o sorriso em meus lábios. Aproximando-os do pescoço dele, roçando meus dentes no mesmo, sussurrando.
– Então... Saudades disso, não é meu pequeno...?
Ele não desviava seus olhos de mim, eu sentia um desejo ardente crescer dentro dele, ele desejava aquilo, mais do que poderia imaginar. Um grande sorriso adornava seus lábios, como se não acreditasse que estava ao meu lado outra vez. Segurando firmemente em sua nuca, vou levando meus lábios ao seu pescoço mais uma vez, sem me importar com as pessoas que se encontravam naquele lugar.
Observava cada movimento, cada olhar, sentia sua respiração, o pulsar de seu coração, acelerado, insistindo em pular para fora de seu peito, o que não seria ruim para matar minha fome. Mantinha meus dentes em sua pele, apenas roçando, provocando, esperando que pedisse por mais, sentindo que toda essa provocação o fazia tremer diante de mim.
Mas logo volto meu rosto à altura do dele, olhando em seus olhos, trazendo minha mão até sua face, sem tirá-la de sua pele. Mexendo em suas mexas loiras, trazendo-as até mim, sentindo seu cheiro mais uma vez. Voltando meus olhos aos seus.
– E... Então... Vo... Você voltou... Voltou mesmo. Eu não devo ser... Ser tão ruim, afinal... Não é mesmo?! – Deixando desaparecer o sorriso em seus lábios, dizendo aquelas palavras quase em um sussurro pra que somente eu pudesse escutar.
– Não minha pequena criança... Você não é ruim... Você é meu objeto de maior estima, meu pequeno bichinho de estimação. – Sussurra em seu ouvido, logo me afastando um pouco, já notando a inquietude das pessoas ao redor. – Por que não vamos a um lugar mais tranqüilo... ?
Me levantando repentinamente da cadeira onde estava, o puxando comigo, segurando em seu pulso, arrastando-o até a porta de saída. Soltando-o assim que chegamos fora do estabelecimento, começando a caminhar silenciosamente, mas sempre sendo seguido de perto pelo rapaz. Mantenho em meus lábios um sorriso um tanto sarcástico, nem mesmo precisa olhar para aquela criança que já imaginava o que ele pensava. Andando calmamente, mantendo meu andar superior, ignorando toda e qualquer forma de vida que por ali estivesse, deixando minha atenção toda voltada para ele.
Várias quadras depois, chegamos a um grande casarão. Com ar antigo e assustador, mas tornava-se mais agradável com a fina camada branca que se formava por cima dela, mudando aquele ambiente e deixado-o mais convidativo para uma nova presa.
Logo adentro a casa, nem era preciso convidar o rapaz a entrar, ele fazia isso por si mesmo. Via seu corpo em pequenos tremores, sabia que aquilo tudo mexia com ele, mas não mais sentia medo por parte dele, certa ansiedade talvez. Ao entrar, logo se via uma grande escadaria que dava ao segundo andar, fui andando para a sala que se encontrava a direita da porta de entrada, o convidando a vir comigo quando sentia uma leve possibilidade dele se recusar a entrar, um convite que soava um tanto intimidador.
Um ar misterioso, em um amplo espaço e completamente envolvido pela escuridão, onde grandes cortinas, que se mantinham sempre fechadas para evitar que o sol entrasse naquele local dominado pelas trevas. Alguns abajures faziam a iluminação, fracamente expondo seu interior. Sento-me em uma grande poltrona em um dos cantos da sala.
Ele se mantinha perdido naquela escuridão, não pude evitar soltar um sorriso cínico com aquilo, vendo tão desprotegido em minha frente. Logo se acostumando com a escuridão e conseqüentemente conseguindo me ver sentado em minha poltrona, fico a fitar o rapaz, mas logo aquele silêncio é quebrado com minha voz, imponente como os trovões.
– Por que não traz um pouco de vinho para mim, minha criança?! – Deixando que aquilo soasse mais como uma ordem do que um pedido, o encarando sempre e observando cada passo que dava.
– Cla... Claro! – Ele confirma balançando junto sua cabeça, percorrendo o local com os olhos tentando identificar onde se encontrava o vinho, logo o encontrando.
Ele se aproxima ma mesinha do outro lado da sala, caminhando cuidadosamente até lá, ainda inseguro naquele lugar tão escuro e desconhecido para ele, logo despejando o líquido em uma taça que se encontra ao lado, trazendo para mim em passos lentos, cuidadosos como na ida.
– Aqui... Aqui está...
Sentado, cruzo minhas pernas elegantemente, apoiando-me no braço da poltrona, apoiando meu rosto com minha mão, que se mantinha em meu queixo, sem jamais tirar meus olhos dele, olhando todos os pedaços de seu corpo, sem exceção. Esperando ansiosamente pelo meu pedido. Fecho por alguns segundo meus olhos sentindo o que viria em seguida, voltando a olhar ele quando em minha frente, segurando a taça, oferecendo-a a mim. Abro um pouco mais meu sorriso.
– Bom garoto, sempre obediente, exatamente como eu gosto...
Levanto-me, ficando de pé à sua frente, passando minha mão em meus próprios lábios, deixando que meu polegar tocasse em meu lábio inferior sedutoramente, transmitisse toda luxúria que passava em minha mente naquele momento. Andando ao seu redor, já com a taça que continha aquele belíssimo líquido vermelho em minha posse, em passos lentos, uma lentidão torturante para aquele que exalava tanto anseio e excitação com aquele momento, quando percebendo, já estava de costas para a poltrona, vou me aproximando cada vez mais de seu corpo, fazendo-o cair sentado na mesma.
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