Preço ou Prêmio
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Era extremamente satisfatório ver o líquido amarelo dançando dentro do copo em sua mão, mas mesmo assim Regina se achou incapaz de beber. Ela já tinha limpado a casa, ainda mais metodicamente do que normalmente fazia, tinha contemplado tirar as decorações de natal mas não conseguiu quando viu os presentes embaixo da árvore. A grande caixa com escrito ‘Emma’ parecia zombar seus sentimentos. Ela não iria... não poderia tirar as decorações que ela tinha posto todos os anos com Henry, mas no geral ela poderia tirar o lembrete de sua fraqueza. Seu próprio desejo de ser boa, que Emma deve ter visto e usado em sua própria vantagem.
Ela pegou a caixa e parou e parou em frente à lareira por alguns minutos antes de admitir para si mesma que ela não conseguiria fazer isso. Repreendendo a si mesma, ela se dirigiu com a caixa para seu estúdio/escritório, a jogou em cima da mesa onde sabia que continuaria à zombá-la. E foi quando ela avistou sua garrafa de cidra de maça.
E foi assim que ela se encontrou na situação atual, tentando se convencer que hoje fosse qualquer outro dia, sentada sozinha em frente da árvore que ela e Henry tinham decorado. Emma tinha zombado de seu sistema de organização, a ordem que eles colocaram a decoração, sua risada genuina e bonita. Mas mais tarde, quando Henry tinha ido dormir, a loira tinha admitido, com lágrimas nos olhos, que ela nunca tinha visto nada mais bonito, e agradeceu Regina por ter dado à Henry essas tradições. A memória desse cena a deixava com a garganta seca. Teria tudo sido uma mentira também? Teria tudo sido só uma maneira de se aproximar, de a fazer fraca para que ela pudesse se deixar levar? Ser educada com a mão adotiva do Henry: um preço permanente para fazer parte da vida dele.
E porque diabos, ela se deixou levar tão facilmente? Por que Regina viu algo mais? Estava ela tão desesperada assim por atenção?
Seu coração gritou com a resposta e bateu no ritimo das imagens que assaltaram seu cérebro. O jeito que os olhos de Emma se iluminam quando ela ri, o jeito que ela passa a mão no cabelo quando eles entram em sua linha de visão, o jeito que seus lábios encostaram na sua bochecha.
Sim, carinho e atenção eram raros em sua vida, e sim, obviamente ela os deseja. Mas tinha sido mais que isso. Suas defesas não tiveram a mínima chance contra os emoções que Emma invocava. A salvadora, de fato. E Regina tinha começado a ter esperanças, a acreditar que talvez a loira fosse sua salvadora também. Que talvez o destino tinha pregado uma peça nas duas. Como ela foi estupidamente egoísta. E agora ela estava pagando o preço de sua fraqueza.
Ela percebeu que estava mais uma vez olhando para o copo em sua mão, contemplando se devia beber ou não, quando uma resposta involuntária ao som inesperado que ouviu tomou a decisão por ela, fazendo com que ela derramasse a bebida. Raiva se transformou em medo que depois se transformou em aceitação, quando ouviu alguém quebrar a janela.
O que fosse que eles queriam, ela não tinha mais nada para dar. Não tinha mais razão para lutar. Ela levantou e ajeitou seu blazer, escondenco a mancha que a bebida tinha deixado, passou a mão no cabelo num movimento que tinha visto Emma fazer um milhão de vezes.. Então, respirou fundo enquanto os passos se aproximavam, pacientemente esperando por seu destino.
…
'Mãe?’
Antes mesmo que ela tivesse a chance de se sentir surpresa, ela sentiu seus pequenos braços ao redor da sua cintura, sua cabeça pressionada na sua barriga. Suas mãos hesitaram apenas por um segundo antes de agarrar seu filho.
‘Henry? O que você está fazendo aqui? Esse barulho foi você? Deus, você se machucou?”
Ela se abaixou e o afastou um pouco, mas ele não queria nem soltá-la, suas mãos segurando forte seus braços enquanto ela tentando olhar em seus olhos, procurando qualquer sinal que ele estava machucado.
Quando ela não encontrou nenhum, ela pegou seu rosto entre suas mãos. O calor da sua pele contra sua mão, a fazendo sentir estranhamente viva. Ela sorriu até que viu a evidência de lágrimas em seu rosto.
“Querido, o que aconteceu?”
“Eu... Eu quebrei a janela... Desculpa, mãe”
Outra lágrima caiu de seu rosto, fazendo com que Regina engolisse seco. Tinha ela sido uma mãe tão severa que o fato de ter quebrado algo, o fizera chorar?
‘’Vidro pode ser trocado, Henry. Estou apenas tendo problemas em entender o porquê você achou tão difícil...”
Ouvindo suas próprias palavras ela se corrigiu, seu coração doendo ao pensar que ela, em ocasiões, não conseguia nem usar o amor que sentia por ele na hora de falar. Ela tentou de novo.
“Querido, porque você simplesmente não usou a porta?”
Ele abaixou a cabeça, parecendo perdido.
“Eu estava sem chave, eu achei que você não me deixaria entrar... Depois do que eu disse... Do que eu fiz”
Ela arregalou os olhos e quase engasgou.
“Henry, o que te deu essa ideia?”
“Você não quis passar o natal comigo...”
Sua voz era pequena e gentil, ele não a olhava nos olhos.
“Oh, Henry, não. Não”
Ela se aproximou dele, sua camisa ainda molhada a incomodando um pouco, ou talvez só as consequências de sua ações. Ela pensou que seu filho não se importava mais. Que ele queria passar o natal com ‘sua familía’. Ela nunca imaginou que ele pensaria que ela não o queria mais.
“É que todos esses anos, Henry. Todos esses anos eu tive natais incríveis com você, e eu pensei que seria justo dividir você. Você é o meu pequeno príncipe, Henry, eu nunca não quero você.”
Ele se afastou para poder a olhá-la nos olhos.
“Mãe, isso é um duplo negativo’’
A risada que ela deu não surpreendeu só a seu filho, mas à ela mesma.
“Só você...”
Ela fez cosquinhas nele cuidadosamente enquanto ele ria, e nesse momento, todos os momentos dos últimos anos desapareceram. A maldição, o livro de contos de fadas, a Rainha má, tudo sumiu. Ela estava em um momento no tempo em que era uma mãe solteira que amava seu filho mais que tudo.
“Mãe?”
Ele quebrou o encanto a chamando, sério, sua alma tão inocente e cheia de arrependimento, ela já sabia o que ele iria dizer, mas antes que ela pudesse pará-lo ele já tinha dito.
“Me desculpe.”
“Oh, querido... Porque? Não tem necessidade...”
“Não mãe, tem sim. Eu não deveria ter assumido que você machucou a Mãe, quer dizer, ela me disse que assumir te faz um completo filho da mãe e que ela era...”
“Henry, olha essa linguagem”
Sua risada a cortou como um sopro de vida e ela fez esforço para não sorrir, quando um pensamento tomou sua mente, mas antes que pudesse falar ele achou a coragem para fazer o mesmo.
“Ok, ela só me disse que a culpa era dela, e bem... Nós meio que brigamos e então eu me senti mal porque durante a noite eu a ouvi chorar... Eu realmente acho que ela sente muito, mãe. Mas eu ainda estou bravo. E então tudo deu errado, e eu digo tudo mesmo. De algum jeito Ruby estragou as comidas para o jantar de natal e agora todo mundo tem que comer macarrão, teve um pequeno incêndio no restaurante, não se preocupe ninguém se machucou mas nós não podemos passar o natal lá. Leroy brigou com Astrid e não vamos ter nenhuma vela e...”
O coração de Regina parou quando ele adimitu que Emma chorou mas ela tentou não se importar.
“Espera, Henry... Miss.. Emma sabe que você está aqui?”
Seus olhos lhe contaram tudo que precisava saber, ela se levantou procurando por seu telefone, sentindo a agonia que ela sentiu quando ela encontrou sua cama vazia quando le foi encontrar a loira pela primeira vez.
“Henry, você não pode fazer isso e você sabe. Ela deve estar completamente preocupada com você”
Ele sussurrou alguma coisa enquanto ela pegou seu telefone.
“O que você disse, Henry?”
“É que... Mãe, eu, eu senti sua falta. Eu não quero passar o natal sem você. Você faz meus natais serem especiais, eu estava esperando... Pensando, bem...”
Quando ela olhou em sua direção, seu olhar de determinação a lembrou tanto da mulher que o deu a luz que ela ficou sem respiração por um segundo. Ela olhou para ele esperando, o incentivando a terminar.
“Talvez você pudesse... Você sabe... Salvar o Natal?”
Ela piscou em sua direção, sem palavras, quando o grito do lado de fora chamou sua atenção.
‘’Regina?”
A voz de Emma soou pela casa, claramente em pânico, e ela olhou severamente na direção do filho que olhou de volta surpreso, ou pela preocupação que causou a sua outra mãe ou pela rapidez com que Emma o achara.
E então, enquanto abria a porta, ela realizou que chamara a mulher de mãe de seu filho sem nem pensar duas vezes.
“Ele está aqui”
Regina falou imediatamente ao avistar a loira, parada na sua varanda com ombros tensos e pânico nos olhos e se acalmou imediatamente. Ela fez passangem, nem contemplando não deixá-la entrar.
“HENRY, jesus garoto, você me assustou”
Conforme a loira se aproximou dele para abraçá-lo, ela viu acontecer, a cena que se repetia em sua mente, agora com as mesmas pessoas mas situações diferentes. Uma ordem diferente. Henry a empurrou, seus brilhando com raiva.
“Eu fui encontrar minha mãe de verd...”
“HENRY”
Regina viu sua cabeça se virar em sua direção quando ela gritou seu nome, a correção num tom perfeito devido a prática. Mas o dano já tinha sido feito, ela viu, a perfeita relfexão de seus prórpios sentimentos no rosto de Emma. Henry não tinha ideia do que suas palavras podiam causar.
Isso também devia ser uma dessas coisas genéticas...
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