Praedestinatum Em Busca Do Sonho.

9 Não deveríamos ter vindo para cá_ Clarice


Notas iniciais
Glossário:
Pelo mestre*: Uma expressão, como: Pelas barbas de Merlim.
Messor: Ceifero.
Interfectorem: Assassino.
Pecuniam: Dinheiro.
Patriam in Terra: País da Terra.
Patriam Aqua: País da água.
Somnium Vastator: Destruidor de sonhos.
Videns: Vidente
oiiiiii. Pelo visto estou conseguindo atualizar uma vez por semana. Espero que gostem deste capitulo, achei que ele ficou muito bom. Bjs nessa e boa leitura

Capítulo 8: Não deveríamos ter vindo para cá_ Clarice

[Pov Clarice]

– Para onde você está indo, Clarice!? – Gritava Tom que corria ao meu lado, íamos a direção da floresta.

Sei que ele não entendia aquela ação inesperada minha, mas tinha esperança que chegássemos a tempo. Tudo que fizemos não poderia ter sido em vão. Íamos passar naquela fase custe o que custar.

No momento que Lucas disse que perdera seu broxe eu me lembrei:

Há cinco dias atrás, quando estávamos no início da busca do time 53. Fernando havia começa a nos guiar. No caminho tivemos que passar pelo largo lago, e nele encontramos um time inimigo. Lutamos contra eles, quero dizer, os meninos lutaram. Tom não me deixou participar de nenhuma luta.

Eu estava afastada de todos, abaixada e temerosa. Nunca havia visto uma luta em toda a minha vida e aquilo me assustava.

Observando toda a cena violenta eu percebi que enquanto Lucas lutava, na movimentação da luta, algo pequeno caiu. Algo que nenhum dos dois haviam percebido na hora. Momentos mais tarde alguém disse:

– VOCÊ PEGOU O MEU BROXE! ONDE ESTÁ!? – Não pude não olhar para o lado, quem gritava era o líder do outro time, o homem claro de longos cabelos pretos. Ele parecia enfurecido e rapidamente atacou Lucas com diversas sequências de ataques técnicos de socos e chutes; que apesar da dificuldade, Lucas ainda conseguiu desviar.

– Mas do que você está falando? – Percebi a confusão de Lucas ao perguntar, que não entendia as palavras e a irritação do líder do outro time, mas que mesmo assim, não parava de desviar dos fortes ataques sobre si.

Naquele momento eu entendi. O “algo” que eu tinha visto caindo em reflexo era o broxe.

Eu suplicava que o broxe continuasse lá. No chão, escondido pela alta relva.

– Clarice! – Exclamou Tom precisando de uma explicação. Brevemente expliquei para ele minhas lembranças e esperanças.

Não tínhamos tempo a perder.

Se Lucas tivesse percebido que o havia perdido antes, teria sido bem melhor, afinal, na volta tivemos que passar pelos mesmos lugares da ida. Então já havíamos passado perto do lago a minutos atrás.

Chegamos lá apressados. Mas Tom sempre muito alerta, repetia diversas vezes que lá era o pior lugar de estar, porque era próximo de água e o local mais procurado no final da missão por times desesperados que não tinham cumprido a missão.

Sabia que ele dizia era verdade, mas não me importava.

Ajoelhei-me no chão e comecei a vasculhar pelo mato. Eu e ele sabíamos que era naquela região. Faltava apenas achar o broxe! Se ele ainda estivesse aqui.

– Tem gente se aproximando daqui! – Exclamou Tom olhando para os lados preocupadíssimo sobre a minha segurança, como sempre.

– Não saio daqui até achar o broxe!

– Clarice, precisamos sair agora! Não estou em minhas melhores condições, resgatar Fernando não foi tão fácil como imagina. Não sei se poderei protegê-la de mais um time inteiro!

Atordoada, encarei-o. O que ele queria dizer também naquelas palavras? Ele não tinha nenhum ferimento visível.

– Não! – Teimei e continuei a vasculhar. Qual diferença seria em sermos desclassificados sem o broche ou achando um time? Do mesmo jeito não poderíamos mais prosseguir na prova.

– Clarice!!! – Ele se aproximou de mim, pronto para me puxar. Mas com uma expressão enrugada, ele passou por mim. Abaixou-se e pegou algo no chão. Assim, simples assim. Levanto entre os dedos o broxe de formato circular e da cor preta. – Achei. – Murmurou tão inacreditavelmente quanto parece. – Vamos dar o fora! Agora! – Como se eu tivesse motivos para ficar.

Ele puxou meu braço bruscamente e corremos, tão rápido que achei que nunca entraria oxigênio suficiente em meu corpo, não o quanto eu precisava.

Tinha que dar tempo. Melhor, tem que dar tempo! Eu não estou a sete dias sem tomar banho à toa!!! Eu vou passar desta fase custe o que custar!

Quando chegamos novamente na área planáltica de campo aberto observei de dentro da enorme mansão sair pelo menos uns dez integrantes do exercitus e marcharem até a direção do quadrado dezessete, que era o primeiro quadrado por ordem numérica que tinha integrantes de time.

– Pelo Mestre*, será que não vai ter uma única vez que algo irá estar ao nosso favor? – Perguntei retoricamente.

Tom e eu corremos que nem uns desgraçados para o nosso quadrado. Chegamos no mesmo momento que a equipe do exercitus.

Estava tão afoita que poderia jurar ter ficado pelo menos uns dois minutos sem respirar. Em toda a viagem em nenhum momento tive que correr tão rápido em tão pouco tempo quanto agora.

Flexionei-me colocando as mãos nos meus joelhos, numa tentativa frustrada de tentar controlar minha respiração. Grossos pingos escorriam em meu rosto.

Mas me orgulho em afirmar que Tom estava em uma situação muito parecida que a minha, apenas um pouco menos cansado. Talvez meu estado físico não esteja tão ruim assim, não é?

– Hum... Acabaram de chegar, é? – Perguntou o Messor, Thiago, um homem de cabelos curtos escuros e olhos verdes – Não estavam juntos? – Seu olhar em mim e Tom recaíram desconfiados nos de Fernando e Lucas.

– Imprevistos acontecem – Lucas respondeu sarcasticamente. – O regulamento não diz se alguns integrantes podem ou não se afastar em algum momento da prova. Estamos todos juntos, agora. – E olhou pra o céu – Ao meio dia. – Afirmou com um singelo sorriso, que com certeza não agradou Thiago.

– Hum... – Ele deu alguns passos nos rodeado, acompanhado de um baixinho, gorducho e careca. Trocaram palavras inaudíveis, pareciam amigos. – Imprestáveis. – Acho que ele se referia ao grupo 53 inconsciente, porque ele os observava – Eles estão inconscientes? –Perguntou um pouco confuso, mas ao encarar o olhar afirmativo de Lucas ele percebeu que era verdade – Porque não os matou?

– Por que teríamos que matá-los!? – Exclamei ainda afoita. Olhava indignada para Thiago, como ele poderia dizer aquilo com tanta... Frieza? – Eles são participantes da prova como qualquer um de nós. Não merecem morrer... – Inspirei fortemente, recuperando o fôlego – Eles são humanos.

Ele se aproximou de mim parando na minha frente encarando-me tão firmemente quanto eu.

– Inocente Clarice; não se esqueça o motivo de estar aqui. Mesmo tornar-se uma interfectorem terá que se acostumar a ter sangues nas mãos.

– Se eu me acostumar com isso, o que nos diferencia dos integrantes de Somnium Vastator?

Thiago deu um sorriso irônico, ainda altivo de mais. Ele me rodeou, analisando-me com as sobrancelhas arqueadas. Apesar de Tom nunca ter nada contra Thiago tenho certeza que ele não deveria estar gostado das atitudes do Messor, sabia que havia sido Thiago que me incentivou a participar da prova este ano, isto não agradava nem um pouquinho o Tom certinho.

– Suas palavras não fazem diferença a mim, eu concordando ou não com elas. Deveria falar com os Líderes Elementares, são eles que ditam as ordens no exercitus. – Ele deu um passo ainda mais próximo de mim, mesmo estando nas minhas costas – Mas você já sabe disso. – Sussurrou a última frase tão próxima de meu ouvido que não pude reprimir um arrepio, sabia que ele deveria estar ainda com aquele sorriso singelo nos lábios.

Mas todo aquele momento foi interrompido com a exclamação de Lucas:

– Hei! Quem colocou a mão na minha bunda!?

O loirinho indignado olhou para trás, onde Tom não estava muito longe dele. Lançando um olhar indignado para a minha tutela. Uma observação tão incrédula quanto suas palavras.

Thiago se aproximou de Lucas, sem se importar com a situação constrangedora. Ordenou para o loirinho entregar-lhe os broxes. Somente por ouvir isso Lucas esqueceu completamente a cena anterior.

– Então, Messor...– Tirou um broxe de dentro das vestes de seu casaco. Mas sabendo que apenas tinha um broxe, pensei que ele tentaria persuadir o Messor de alguma maneira. Faria isso se não fosse interrompido pelo Tom.

– No seu bolso de trás. – Lucas o encarou atordoado – Da calça – Tom quase soletrou com as sobrancelhas arqueadas, esperando que finalmente Lucas entendesse o recado.

– Há sim! Como poderia ter me esquecido! – Comentou nervosamente colocando suas mãos na calça, entendendo o motivo do toque que sentiu a momentos atrás.

Tom colocou o broche em Lucas no momento que o Messor estava concentrado em mim.

Assim, Lucas pegou o segundo broche. Entregou ambos para o Messor. O loirinho parecia um pouco atordoado, ainda não entendia como eu e Tom conseguimos um segundo broche, mas mais tarde se der eu conto para ele.

– Hum... Pelo visto não tem como desclassificá-los, não é? – Perguntou Thiago voltando com o seu sorriso irônico. Logo depois encarou o seu amigo, o gordinho careca que em nenhum momento deixou de estar ao lado de Thiago. Parecia que dizia algo para seu companheiro apenas no olhar – Parabéns, vocês passaram no teste da segunda fase da prova, agora irão para o terceiro. Mas antes – E encarou alguns outros membros do exercitus que estavam próximo dele – Vocês – Apontou para dois homens negros – Cuidem das feridas deles e os levem para seus aposentos. Estão fedendo – Comentou encarando-nos.

O pior que eu sabia que era verdade.

Os homens ordenados a nos auxiliar já nos guiavam na direção da enorme mansão, feita apenas de toras de madeira extremamente simétricas entre si. Tinha quase certeza que quem a havia construído era Thiago.

– Messor! – Fernando, que até o momento estava quieto, chamou rapidamente Thiago, que já se afastava e olhava intrigado para Fernando.

– Quem é você? – Perguntou como se apenas agora percebe-se a presença de Fernando no time.

– Me chamo Fernando, senhor. – Respondeu curvando-se levemente. Thiago parecia muito analítico, como se tentasse entender algo, algo que o intrigava mais tempo do que eu poderia entender – Os homens que capturamos, o time 53, estão em uma situação tão ruim quanto a nossa. Quando recordarem a consciência também precisam de uma assistência.

– Fernando; parece ter uma índole tão correta quanto às de seus companheiros de time. Começo a entender o motivo de tanto entrosamento no fluxo elementar entre vocês.– Ele percebeu nossos olhares curiosos sobre suas palavras, e novamente fez aquele sorriso singelo. Suas palavras me fizeram lembrar que Thiago havia explicado que todos os times haviam sido separados de acordo com o fluxo elementar; e tal comentário me deixou intrigada – Eu se fosse vocês não perderia nenhum segundo, aproveitem o pouco tempo de descanso que possuem. – Terminou de dizer lançando um piscar de olhos cúmplice a nós.

Parece que sua atitude foi repreendida por seu colega ao lado, exclamando o seu nome e o repreendendo. Parece que Thiago nos deu um alerta, que todos nós percebemos muito bem.

Assim ele partiu, junto do restante de sua equipe do exercitus. Já nós, fomos aproveitar o pouco tempo que nos restava, sendo guiados para dentro da mansão.

Fomos os primeiros participantes aprovados a entrarmos nessa mansão. Logo, fomos atendidos atenciosamente por funcionários do exercitus da recepção e por assistência medicinal. Nesse momento eu e Tom nos separamos de Lucas e Fernando.

Depois de muito bem atendidos fomos para nossos quartos. O do Tom é do lado do meu. Quando entrei a primeira coisa que fui em busca era do banheiro, estava necessitando de um banho.

O quarto era espaçoso e a cama parecia extremamente atraente, era grande com confortáveis travesseiros e cobertas.

Mas resisti à tentação de me jogar nela e finalmente conseguir dormir decentemente. Fui para o banheiro, havia uma enorme banheira, mas sabia que se tomasse um banho tão relaxante nela eu dormiria imediatamente, por isso escolhi a ducha.

Foi maravilhosa a sensação de me sentir limpa novamente! Nossa! Não sei nem descrever direito; principalmente o estado do meu cabelo sem ser lavado e penteado por sete dias!

Quem diria que eu um dia estaria tão suja assim? Espero nunca mais ter que passar por isso.

Fiquei impressionada que dentro do guarda-roupa havia roupas femininas. Pelo visto, realmente organizaram aquele quarto para mim, afinal, aquelas roupas eram do meu tamanho.

Coloquei algo confortável. Uma calça preta larga cheia de bolsos com uma blusa de mangas cumpridas vermelha. Surpreendi-me ainda mais quando vi lindos espartilhos, não pude resistir de vestir um preto simples. Imediatamente percebi que eu emagreci. Fiquei contente por isso.

Ia me jogar na cama, para uma longa noite de sono, meu estomago roncava de fome, mas ignorei. Realmente precisava dormir.

Mas ouvi batidas na porta, que eu realmente desejei ignorar.

– Senhorita Clarice, vamos nos alimentar. Então finalmente poderemos ir dormir e descansar.– Tom explicava lá fora, eu realmente quis ignorar seu chamado, mas um ronco alto de meu estomago reclamando de fome mais uma vez; me fez entender que Tom estava certo. Precisava primeiro me alimentar e então finalmente a longa noite de sono que eu tanto esperava aconteceria.

Nos informamos com algumas camareiras no corredor para saber onde poderíamos arranjar comidas. Ela informou que era para ir ao refeitório, lá era apenas necessário pedir algo do cardápio. A conta era paga pelo exercitus. Isso é muito bom, não trouxe nenhum pecuniam comigo. Elas nos guiaram e finalmente chegamos no gigantesco cômodo.

O refeitório era uma gigantesca sala, cheia de mesas e cadeiras de diversas formas. Naquele cômodo poderia entrar pelo menos umas 300 pessoas. Todos os cômodos do piso inferior eram gigantescos. Apenas as dos andares superiores, onde se dividiam os quartos, eram menores, não que fosse pequeno, porque não eram, apenas comparada a esses cômodos do primeiro andar.

Enquanto observávamos o local ouvi um comentário:

– Pelo Mestre!* Eu sabia que sua pele era transparente, mais nem tanto Clarice! –Exclamou Fernando quando eu e Tom passávamos no longo e largo corredor do refeitório.

– Eu sei que estava suja, não precisa me relembrar disso. – Disse calmante encarando-no. Ele tinha uma expressão de deboche, e assim localizamos Lucas e Fernando, que estavam sentados em uma mesa juntos.

– Agora limpinha você até parece uma garota. – Fernando tinha que continuar a me caçoar.

– Idiota.

– Sentem-se com a gente. Não aguento suportar Fernando por muito tempo mais sozinho. –Lucas suplicava a mim e Tom, então não recusamos.

– Já pediram algo? – Tom perguntou.

– Acabamos de pedir, espero realmente que não demore a chegar, estou morrendo de fome! –Lucas respondeu colocando as mãos no estomago, parecendo desconfortável.

– Quando será que chegará às bebidas? – Comentou Fernando a procura de algum garçom.

Eu e Tom fomos atendidos e pedimos nossos pratos.

As bebidas de Lucas e Fernando também chegaram, Lucas parecia beber um suco, já Fernando algo alcoólico de um cheiro forte, e mesmo ele bebendo uma grande quantidade em nenhum momento percebi que ele perdeu a lucidez.

Os pratos chegaram, em uma quantidade muito maior do que pensávamos, isso não queira dizer que sobrou algum grão de arroz. Porque nós comemos, como se fosse a primeira vez de nossas vidas.

No início ainda tentei manter a etiqueta, mas depois, vendo que os três pouco se importavam com aquilo, comi que nem eles, mastigando rápido e algumas vezes pegando até o pedaço de carne de frango na mão.

Por um momento até achei cômico, se minha mãe visse me comportando assim, entraria em um dos piores castigos que já peguei.

Nós pouco conversamos quando tinha comida na nossa frente. Não chegamos a comer todos os pratos que haviam no cardápio, eram muitos para nós quatro aguentarmos. Comemos desde salada, arroz e feijão a diversos tipos de carne. Fernando chegou até a comer carne de rã, disse que parecia com frango, me ofereceu, mas eu neguei imediatamente. Até que gosto de comida exótica, mas aquilo é até de mais para o meu paladar.

– Acho que vou passar mal de tanto que eu comi – Me joguei na cadeira com as mãos na barriga. Se antes eu achava que tinha emagrecido, agora engordei o triplo que perdi.

– Somos dois – Me apoiou Lucas, relaxando agora na cadeira.

De todos o único que ainda continuava a comer era o Fernando. Que parecia cada vez mais animado quando um prato terminava e imaginava qual seria o próximo que iria pedir.

– Será que aqui também tem sobremesa!? – Exclamou animado.

O pior que eu e Lucas trocamos olhares cúmplices, porque sabíamos que se tivesse iríamos também pedir.

Tom era o único naquela mesa que pediu o suficiente para matar a sua fome, foi assim o primeiro a terminar de comer, e nos observava como fossemos animais de outro planeta.

– Vocês não sabem quando irá começar a terceira prova. Não deveriam comer tanto assim. –T om como sempre era o mais racional entre nós.

– Pare de ser chato Tom! Aproveite! – Comentou Fernando voltando a devorar sua comida.

Tom balançou a cabeça de forma negativa.

Agora, estando todos mais relaxados. Lucas me perguntou como eu e Tom arranjamos o segundo broxe. Fernando que devorava vorazmente sua comida, até que ergueu os olhos a mim. Atento a minha explicação que dei.

– Uol! Boa memória a sua. – Comentou Fernando depois de ouvir toda a explicação, mastigando de boca aberta sua comida.

– Acho que... Obrigada.

Não querendo que continuássemos em silêncio, perguntei para Lucas:

– Quantos anos têm? – Era bom conhecermos melhor um ao outro.

– Dezessete, e você?

– Dezesseis.

– Você tem dezesseis! Achava que não tinha mais que quatorze! – O idiota que falou isso tinha que ser o Fernando – Não posso acreditar que sou mais novo que você!

– Isso eu sempre soube. – Comentei com um sorriso sarcástico. Fernando entrou no clima, o fazendo também. – Quantos anos têm, treze?

– Quinze. Mas mesmo sendo o mais novo. Você, Clarice, continua sendo a mascote do time, a irmãzinha que precisa ser sempre salva – Enfatizou. Lá vinha o Fernando com aquele papo de novo – Agora Tom, por favor, não me fala que é o mais novo daqui porque se não até eu acredito que o grupo Somnium Vastator é bom. – Comentou ironicamente.

– Relaxem crianças, sou mesmo o mais velho, dezenove.

– Ah! Nem vem se achar – Comentamos juntos: eu, Lucas e Fernando. Fazendo então, todos da mesa rirem.

Rir até fez com que eu sentisse dor de estomago, de tão cheio que ele estava. Olhei para nossa mesa e me surpreendi em imaginar a amizade que poderia ter feito naquela prova. Fernando parecia ser o mais descontraído de todos, uma pessoa simples e com um bom caráter; já Lucas agora também parecia simpático, quando o vi pela primeira vez o achei muito estranho, mas acho que é a maneira dele de agir com pessoas que não conhece, um modo que ele criou para proteção, mas ele parece ser gente boa. Apesar de saber que ainda não nos conhecemos completamente, eu posso realmente confiar neles, mesmo sendo tão misteriosos. Eu nunca tive muitos amigos, e no máximo, as pessoas da minha idade que eu tentava me aproximar eram sempre garotas. Por isso, era estranho estar com três garotos, mas do mesmo jeito divertido. Eles não comentavam de cinco em cinco minutos sobre cabelo.

Percebi que o rosto de Lucas não estava tão machucado quanto antes, ainda alguns hematomas lá e outros aqui, mas pelo menos a tonalidade estava bem melhor. A mesma coisa com Fernando, ele me disse que o corte de alguns dias atrás na coxa nem o incomodava mais. Até a marca do soco de dias atrás no meu rosto já estava quase que imperceptível. Tudo graças à pomada de ervas medicinais que um curandeiro do exercitus passou.

Olhei ao nosso redor e percebi alguns olhares a nossa mesa. Achei isso intrigante, éramos a única mesa composta por mais de uma pessoa. Todos os presentes naquela mansão eram os inscritos que passariam para a terceira fase da prova.

Todos lá havia trabalho em equipe na fase anterior, mas nenhum ainda compartilhava os interesses entre si. Apenas nós continuamos juntos e parecíamos nos divertir. O restante estava comendo em silêncio, atentos a tudo e todos ao redor deles. Achei aquilo estranho e compartilhei meus pensamentos em sussurros para os três.

– Não se esqueça, Clarice. Na terceira fase o mais provável é que sejamos inimigos. Todos aqui estão tentando se tornarem interfectorem preferem não confiar em ninguém e nem estabelecer laços que possam interferir em seu desempenho na prova – Explicou com simplicidade Lucas, que aproveitou ainda para tomar mais um gole de seu suco.

– Acho estranho vê-los como meus inimigos.

– Relaxa mascote – Logicamente quem me chamaria assim é apenas o idiota do Fernando – Eu não sou inimigo de você, se tiver que passar por cima de você para passar de fase eu prefiro ser reprovado e refazer no outro ano – E sorriu, encarando-me – Já aprendi a minha lição de que se mexer com a Clarice terá um Tom revoltado. E não é bom receber a irá do Tom, não é Lucas? – Fernando caçoava lembrando do estado que Lucas ficou por “permitir” que eu recebe-se um soco.

– Ah, sim é verdade. É melhor não arranjar problemas com o Tom e Clarice, mas com você Fernando...

– Ah é? Então vem que eu te ensino como meu soco também é potente...

E assim começou mais uma discussão de Lucas e Fernando, onde eu, mais uma vez tive que me intrometer para não acontecer nada de ruim.

E qual era a maneira mais fácil de fazer isso?

– Eu vou querer sobremesa. Alguém mais? – Com certeza era essa.

– Eu! – Responderam em uníssono ambos, esquecendo-se até da discussão anterior. Eu e Tom não conseguimos reprimir uma risada por isso.

Mas o que posso dizer? Um doce é a solução de qualquer problema, menos um, de emagrecer.

– Agora é sério! Realmente não entra mais nada. – E me joguei na cadeira sentindo minha barriga extremamente estufada. Não bastasse tudo que eu havia comido, tive ainda que me entupir de doces – Pelo Mestre*! Minha mãe me mataria se visse o quanto que eu comi.

– Somos dois – Murmurou Lucas, cansado de mais até para falar.

– Somos três – Murmurou Fernando, não antes de dar um alto arroto. Com certeza se ele conhecesse a minha mãe ficaria de castigo também.

Nós três trocamos olhares cúmplices quando admiramos ver que Tom, o certinho, comia seu sexto prato de sobremesa. Ele comia tranquilamente, sem contar, que parecia estar em outro mundo, pois enquanto comia os pratos de doce, ele aproveitava cada pedaço e sabor.

– Olha só! Não é que o Tom tem um vício! – Apontou Fernando – Escondem todos os sacos de açúcar!

– Não enche. – As poucas, mas fortes palavras de Tom fizeram com que Fernando ficasse quieto. Mas o negro realmente se segurava para não rir, assim como eu e Lucas.

Jamais um dia eu imaginei que Tom, o meu tutela, era viciado em doces.

Depois da sua décima segunda sobremesa, Tom parou de comer, parecendo um pouco enjoado. Eu, Lucas e Fernando realmente estávamos abismados com o apetite a doce de Tom. Quem um dia poderia imaginar!? Até mesmo eu, que o conhecia um pouco mais de um ano, não sabia que ele era tão vidrado por doce!

– Acho que por hoje já chega, não é? – Murmurou Tom, colocando suas mãos na barriga e se largando na cadeira.

– Bem vindo ao clube – Murmurou Fernando, não sem antes dar mais um alto arroto – Para a tarde terminar perfeita a única coisa que me falta é achar uma mulher – Comentou fechando os olhos. Admito que me senti um pouco desconfortável por tal comentário, agora sim percebia a diferença em uma conversa em um grupo de garotas e de garotos.

– Como se você consegui-se – Murmurou Lucas com um tom sarcástico, que obviamente não agradou Fernando.

– Você duvida?

– Meninos! Estou na mesa. – Disse com os olhos levemente arregalados; estava desconfortável. Aquilo era algo para se dizer na frente de uma moça?

– Desculpe Clarice – Lógico que o único educado para falar isso era o Lucas – Olha só, a Clarice é uma mulher...!

Antes de deixar Lucas terminar de falar Tom já iria se interferir, se não fosse Fernando por ser ainda mais rápido.

– Clarice não conta. Já disse que ela é a mascote do time, a irmãzinha que sempre precisa ser salva. Não pode haver casos com uma pessoa da família. – Percebendo a honestidade de suas palavras Tom ficou quieto. Já eu, mais desconfortável. Eles se esqueceram que eu estava presente naquela mesa? Fernando ficou em silêncio por um instante, pensativo. – Estou indo para a recepção, a recepcionista era bem bonita.

E assim, do nada, ele levanta. Saindo da mesa e do refeitório. Indo a busca de uma mulher sem nem ao menos se despedir de nós.

Lucas resmungou fazendo um som estranho.

– Meu quarto é do lado do dele, espero que não faça barulho, realmente preciso de uma boa noite de sono.

– Relaxa, está tão casando que dormirá antes que Fernando a convença de ir para o quarto. Ele não parece ser um cara assim tão rápido...

– Tom! – Exclamei realmente muito desconfortável.

– Há! Desculpe senhorita.

Lucas fez um singelo sorriso, no início achei que achava graça do meu desconforto, depois acho que foi pelo modo que Tom me chamou. Talvez lhe tenha dado lembranças nostálgicas da tutela dele.

– Bem, então é melhor não perder tempo, não é? Estou indo dormir. Realmente estou precisando.

– Nós também estamos indo – Comentou Tom, nós dois nos erguemos.

E assim nós três juntos saímos do refeitório. Nossos quartos eram em andares diferentes, Lucas foi logo dormir. Assim como eu e Tom.

Tom dormiria no meu quarto, não via problemas nisso. Aquela não seria a primeira vez, ele dizia que era assim muito mais fácil para me vigiar e cuidar de mim.

Ele estava se ajeitando em uma poltrona, para dormir. Sabia que ele realmente estava muito cansado e merecia muito mais do que eu uma boa noite de sono.

– Tom, durma aqui na cama, ela é mais do que suficiente para nós dois. – E não é mentira, aquela cama era enorme. Tom me conhece muito bem para saber que eu não estava dando em cima dele nem nada, só estava sendo franca e honesta.

Ele foi relutante, discutimos um pouco sobre isso. Mas ganhei. Ele se deitou do lado contrário da cama do meu e bem afastado. Percebi que ele não estava nem um pouco confortável.

Mas sabia que depois de um tempo ele relaxaria e dormiria.

Suspirei tranquilamente e fechei meus olhos apreciando a maciez do travesseiro e a cama aconchegante. Fazia tanto tempo que não dormir tão confortavelmente.

– Tom, você ainda está acordado? – Perguntei com os olhos fechados, estava com muito sono, admito. Mas ainda precisava perguntar algo para ele naquele dia.

– Sim. – Respondeu brevemente.

– Você tinha dito hoje mais cedo que o resgate do Fernando não havia sido muito simples e que seu estado não estava muito bom. Aconteceu alguma coisa com você?

Ele suspirou longamente e permaneceu em silêncio. Isso me preocupou. Abri meus olhos e me sentei na cama, querendo encará-lo. Tom estava olhando para o teto, com os braços atrás da cabeça, tinha uma expressão séria.

Esperava por uma explicação, demorou, deixando-me impaciente, mas ele explicou:

– Aquele time estava atrás de algo, de alguém e não do objetivo de passar na prova. Não era um time comum, eram profissionais, tão bons quanto eu. Não foi por acaso que eles te atacarão Clarice, eles sabiam quem você é.

– Eles estavam atrás de mim? – Perguntei atordoada de mais. Como poderiam saber que eu não estava com meu pai? – Acha que eles trabalhavam para a Somnium Vastator?

– Eles não eram integrantes do grupo rebelde, mas eram aliados deles, isso tenho certeza. Queriam te capturar e então te levar até eles, Clarice.

Abracei meus joelhos e senti um forte calafrio. De alguma maneira já havia vazado a informação de que eu não estava com o papai, que havia fugido. Mas como já haviam descoberto a minha real localização em tão pouco tempo?!

Ele se ergueu e se aproximou de mim, me abraçando e passando gentilmente suas mãos em meus cabelos.

– Não precisa temer nada, eu estarei aqui, sempre garantindo a sua segurança.

– Você é apenas uma pessoa, Tom. Tivemos sorte que dessa vez apenas um time de quatro pessoas vieram atrás de mim. Mas virão mais, se um sabe a minha localização, não demorará em outros também descobrirem. Nossa!Como eu fui egoísta! Trazendo-no aqui não estou apenas arriscando a minha vida, estou arriscando a sua também!

– Sou sua tutela. Fui treinado apenas para protegê-la. Não importa as consequências disto.

– Pelo o que?! Porque morrer por alguém que você mal conhece!

– Eu te conheço.

– Agora. Mas e antes? Você é um humano tanto quanto eu. Porque arriscar a sua vida por mim?

– É o meu trabalho, Clarice. Fui treinado apenas para proteger alguém, no meu caso, você.

– Se arriscar por mim? Pode morrer por isso, numa situação que eu nos coloquei.

– Minha morte não é tão significante quanto a sua.

– Como pode dizer isso! – Me afastei bruscamente dele. Encarando seus olhos verdes com indignação.

– Clarice, quando irá entender?! Não percebe!? Sua morte pode gerar uma guerra. Uma verdadeira guerra. Nada comparado com os pequenos conflitos atuais. Uma guerra da Patriam in Terra entre Somnium Vastator. Isso se não causar também um conflito contra Patriam Aqua. Pode imaginar quantas vidas seriam perdidas apenas pela sua morte?

Suas palavras me abalaram, como eu poderia ser tão egoísta? O que estava fazendo naquela prova? Meu objetivo era tão significante comparado com as consequências deles.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Estava envergonhada. Naquele lugar eu não arriscava apenas a minha vida, arriscava a de Tom e de muitos inocentes.

Tom se aproximou novamente, voltando a me abraçar.

– Desculpe... – Murmurei entre os soluços esganiçados do choro. Tom começou a massagear minha cabeça, passando suas mãos gentilmente sobre meus cabelos. Apoiei meu rosto em seu peito. Muito envergonhada. – Fui tão inconsequente. Não deveríamos ter vindo para cá.

– Não, não deveríamos. – Respondeu sério de mais. Fazendo-me perceber o tão idiota eu havia sido. Intensifiquei o choro – Mas estamos, e agora não tem como voltar atrás. Pare de chorar, Clarice. Não precisa disto.

– Desculpe...

– Tudo bem. Conheço seus motivos de querer se tornar uma interfectorem e os compreendo. Então pare de chorar, por favor.

– Não quero que se arrisque por mim, você é o meu melhor amigo. Não quero perder minha tutela.

Ele permaneceu em silêncio, talvez surpreso por minhas palavras.

Eu continuei com a minha cabeça encostada em seu peito, chorando silenciosamente. Depois de alguns minutos, Tom finalmente disse:

– Pare de chorar, por favor. Eu cuido de tudo, sempre. Agora relaxe e durma. Não há nada para você se preocupar porque eu não vou permitir que nem eu ou você saiamos machucados nessa história. Está bem? Agora vá dormir. É o que nós dois realmente precisamos.

– Mas Tom...

– Sem “mas”. Agora vamos apenas dormir.

Voltamos a nos deitar na cama. Mas agora estava acordada e triste de mais. Tudo aquilo era minha culpa.

– Pare de pensar, Clarice. Apenas durma – Murmurou Tom ao meu lado. Como se soubesse o que eu pensava.

Admito que demorei um pouco para dormir. Não tive sonhos nem pesadelos, estava cansada de mais até mesmo para isso.

Quando acordei, percebi que Tom não estava na cama. Ergui-me atordoada.

– Tudo bem? – Ele perguntou.

Olhei-me para a minha direita e lá estava ele. Sentado na confortável poltrona lendo um grosso livro.

– Sim. – Murmurei sonolenta, passei as mãos em meus cabelos – Quanto tempo eu dormi?

– Umas quinze horas.

– Nossa. – Foi tudo que consegui dizer. Levante-me e fui direto para o banheiro, tomar um banho e fazer minha higiene matinal.

Desta vez tomei um relaxante banho na banheira. Agora, descansada. Sentia-me tão confortável que parecia que estava em casa.

Enquanto estava deitada na banheira, relaxando. Alguém invadiu minha mente, a presença me assustou em princípio, mas prestei atenção em suas palavras.

Daqui a meia hora apresente-se ao salão principal. Se iniciará as orientações e então a terceira fase da prova. Não se atrase.

E da mesma maneira que apareceu a presença daquela voz em minha cabeça, ela desapareceu tão rápida quanto.

Logo ouvi batidas na porta do banheiro.

– Recebeu a mensagem também? – Perguntou Tom, que permanecia do outro lado da porta.

– Sim. Por um momento aquela voz não te lembrou a do...

– Eduardo. – Ele completou rapidamente.

– Também achei. Não poderia ser possível, não é?

– Pouco provável. Ele nunca sai do lado do seu pai.

Sabia que Tom estava certo. Saí da banheira e me vesti no banheiro. Logo eu e Tom saímos do quarto e fomos até o salão ordenado. Quando chegamos lá ele já estava bem lotado. Não demorou muito para nos encontrar com Lucas e Fernando.

– O que será desta vez? – Perguntou Fernando.

Quando o Messor entrou com uma enorme equipe do exercitus o salão ficou imediatamente em silêncio, sem as necessárias palavras do Messor para isto. E do jeito que eu conheço Thiago, sei que isso encheu o seu ego, sentindo-se mais importante do que já é.

– Quero que todos fiquem na frente dessa fita amarela, olhando para aquela parede. – Ordenou o Messor.

Havia uma fita no chão, que se expandia por toda a horizontal da sala. Todos realizaram a ordem, demorou um pouco, olhei ao nosso redor e existiam ainda muitos concorrentes, diria que tinha cerca de 70 a 80 pessoas estavam naquele salão. Pelo visto mais que a metade foi desclassificada pela fase anterior. E como uma vez Lucas comentou, parecia que eu era a única mulher da prova naquele ano.

– Certo. Agora prestem atenção, antes de dar as coordenadas para a terceira fase quero que todos os participantes ergam os braços para frente. Castro – Indicou com a cabeça o homem: baixo, gordo e careca. Aquele que sempre acompanha Thiago — Tocará na mão de todos e entregará um número para cada pessoa.

E assim começou, Castro, tocava cada integrante, depois escrevia algo em uma folha, fazendo algumas anotações.

Ele mal tocou direito a do Fernando e já escreveu algo na folha, já Lucas deve ter sido o inscrito que Castro mais demorou de largar a mão e encarar o rosto de seu analisado. O loirinho até que parecia bem desconfortável, mas depois da demora, finalmente Castro se afastou e anotou algo; depois ele tocou a mão de Tom, também demorou bastante nele, mas não tanto quanto Lucas; já eu, ele foi tão rápido quanto Fernando e me entregou meu número, que era 49. Então o de Fernando era 46, Lucas 47 e Tom 48.

Castro, antes de se afastar, sussurrou para mim:

– Eu se fosse você se preparava.

Fiquei confusa com tais palavras. Tom, que estava ao meu lado, ficou tão confuso quanto eu. Castro continuou a sua analise, sem retornar nenhum olha sobre mim.

Tom ainda me perguntou sobre o que aquele homem falava, eu disse que não sabia. O que é verdade.

Depois de vinte minutos, Castro havia terminado de fazer toda a análise e se juntou a Thiago, que exclamou algo como “Finalmente”.

– Castro, é um Messor, assim como eu. Ele acaba de analisar cada um de vocês; Nessa analise ele tinha apenas um objetivo: descobrir o que cada inscrito teme. Então, agora eu explico como será a terceira fase. Nela, vocês enfrentaram seu maior medo, apenas passará, aqueles que os superarem.

Muitos inscritos começam a comentar, murmúrios vinham de todos os cantos. Afinal, primeiramente como seria desenvolvida esta prova? E depois, todos temiam enfrentar seus maiores medos.

– Não estou gostando desta prova – Murmurou Lucas. Eu concordava com ele.

– Todos vocês! Quietos! Pelo visto o bom comportamento acabou!!! Irei explicar mais detalhadamente como serão os procedimentos da prova mais tarde. Agora, eu tenho apenas uma notícia. O inscrito com o número 49 foi desclassificado, por favor, tal número me acompanhe.

Incrédula, olhei novamente meu papel com o número. Repensei sobre o que ele falou, olhei novamente para o número do papel. Como aquilo era possível, porque?

Dei um passo para frete, tremulo. Por que? Por que eu havia sido desclassificada?!

Observando meu único passo, o primeiro a reparar foi Fernando, que disse:

– Que critérios foram usados para essa desclassificação!? – Vociferou Fernando.

Ao perceber que eu era a desclassificada, Tom ficou atordoado de mais para tomar uma atitude. Porque o choque nele foi tão grande quanto em mim.

– Isso não é da sua conta. – Sibilou Thiago. Que me encarou em um olhar sério, esperando-me. Mas eu não fui até ele.

– Eu mereço saber o motivo de minha desclassificação! – Exclamei, tentando fazer a pose mais onipotente que conseguia; apesar de sentir cada parte de meu corpo tremulo pelo choque, que duvidei se conseguiria continuar em pé.

Como poderiam me desclassificar sem motivos?! Depois de tudo que eu passei!!!

– São ordens superiores. – Argumentou Thiago, encarando-me de uma forma diferente, séria, mais ainda diferente.

– Ah não...– Murmurei em um novo choque.

Ele havia descoberto. Agora, não seria apenas eu que estaria em problemas, Tom também, por permitir que eu esteja lá; e pelo olhar de Thiago, ele também estava encrencado, pelo fato de me auxiliar na inscrição e me levar até o lugar da prova. Estávamos nós três ferrados.

– De que superior?! Precisa mesmo assim de um motivo para a desclassificação! – Fernando, leigo de tudo que acontecia. Não entendia, como poderia?

Nada mais poderia ser feito, eu havia sido descoberta. Agora, meu objetivo de me tornar uma interfectorem havia acabado.

Tudo que eu passei para chegar até aqui havia sido jogado aos ares.

Ele havia descoberto, ele havia me encontrado. Agora eu tinha que arcar com as consequência.

Achei que não poderia piorar, estava enganada. Pois meu corpo gelou, quando vi que a porta que a equipe do exercitus sairá voltou-se a abrir.

E nela, surgir à imagem de um homem alto, de cabelos grisalhos misturados com a tonalidade escura mais escorrida do cabelo, presos em um longo rabo de cavalo. Os olhos de um verde tão claro quanto o meu e um olhar fixo em sua presa, em mim.

Agora eu entendia as palavras de Castro: “ Eu se fosse você se preparava.” Ele já sabia sobre a presença dele.

Ele entrou no cômodo com suas roupas elegantes e de porte fino. Seu casaco longo de pele da cor âmbar, para aguentar as baixas temperaturas de nossa terra. Sua expressão séria, onde eu que o conhecia, sabia muito bem que estava extremamente irritado ao me encarar sem piscar. Sempre com sua imagem onipotente, aquela que tantas vezes tentei imitar e que jamais consegui. Sendo seguido por Eduardo, seu braço direito e videns. Sabia que a voz que nos chamava na reunião no salão principal era de Eduardo.

– Eu, Marco Tierra, o Líder da Terra, responsável pela Patrium in Terra e poder máximo do Exercitus. Não permito que ela continue na prova. – Cada palavra fria e aborrecida ditada por ele fez meu corpo inteiro estremecer ainda mais, se possível. Minha respiração ficar afoita e meu coração bater tão forte que parecia que atravessaria meu peito.

Tudo que consegui fazer foi murmurar:

– Pai...

– O que!? –Exclamaram Lucas e Fernando juntos, enquanto meu pai dava passos firmes em minha direção.

– Me acompanhe agora, Clarice Tierra. Você também, Tom Barden Vargas.

Continue...

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Notas finais
imagem: clarice.
Proximo capitulo é narrado pelo Tom.
Bem, a Clarice esta enrrascada. Vamos ver como esta conversa com o pai dela vai sair; porque entre os 4 Líderes Elementares, Marco e Rodrigo sempre foram os mais temperamentaais.
Dica: Masco já apareceu nessa fic, no prólogo.
Ha! sem esquecer que ainda temos a terceira fase para desenvolver.
oBRIGADA POR TODOS OS REVIWES E ESPERANDO POR MAIS! se possivel recomendações tbm;
bjs nessa