Praedestinatum Em Busca Do Sonho.
10 Clarice é uma dos praedestinatum_ Tom
Notas iniciais
Glossário:
Patrium in Terra: País da Terra.
Patrium Aqua: País da água.
Patrium Ventosa: País do vento.
Thronum: Trono.
Messor: Ceifeiro.
Exercitus: Exército.
Somnium Vastator: Destruidor de sonhos.
Elementorum Origo: Origem Elementar.
Interfectorem: Assassino.
Tutela: Protetor.
Videns: Vidente.
Praedestinatum: Predestinados
Capítulo 9: Clarice é uma dos praedestinatum_ Tom.
[Pov Tom]
Não poderia acreditar. Hoje mais cedo quando eu e Clarice achamos que havíamos ouvido a voz de Eduardo, rapidamente duvidamos de tal acontecimento. Afinal, Eduardo nunca se afastava do Líder da Terra, e o Líder da Terra jamais se afastava de Patrium in Terra.
Mas não, lá estava Marco Tierra. Em uma expressão que apesar de séria, havia algo que eu não conseguia entender, algo que eu nunca havia visto antes.
Clarice estava tão incrédula quanto eu pelo inesperado aparecimento dele.
O Líder da Terra nunca poderia sair de sua cidade, raramente saia até do palacete. Mas agora estava ele lá, em um território da divisa de Patrium in Terra, Patrium Aqua e Patrium Ventosa. E eu sabia que era para buscar sua filha, a Princesa da Terra, Clarice Tierra.
Eu e ela o seguimos, saímos do salão principal pela porta que o senhor Marco havia entrado posteriormente. Não ligamos para os olhares curiosos e espantados dos inscritos para a prova, afinal, não era todo dia que se via uma Elementorum Origo, principalmente uma da família fundamental e possível sucessora ao thronum. Pelo menos era isso que eles pensaram.
Mas naquele momento nada disso importava, apenas as consequências de nossos atos. Clarice, eu e até mesmo Thiago estávamos enrascados.
Seguimos por um corredor longo, estreito e silencioso. Conseguia até ouvir a respiração frenética de Clarice, ela parecia assustada.
Permanecemos em silêncio até entrarmos em uma ampla sala, parecia mais um escritório. Um local que eu e nem Clarice havíamos visto naquela enorme mansão. Parecia que era restrita apenas para o Messor a Equipe do Exercitus.
Na sala havia uma enorme mesa de pedra e suas paredes eram tampadas pelos enormes armários contendo inúmeros livros de diversos tamanhos, grossuras, texturas e cores.
Finalmente ou infelizmente, Marco voltou-se para nós. Encarando-nos com seriedade e ainda com aquele “algo” a mais que eu não sabia identificar.
– Eu simplesmente não posso acreditar. Não sei qual dos dois me desapontou mais. – Suas palavras eram ásperas e incrédulas. Eu e Clarice apenas ouvíamos de cabeças abaixadas e permanecemos quietos – Achei que havia feito uma ótima escolha quando o fiz à tutela de minha filha, Tom; mas você me desapontou ao permitir que... Clarice toma-se uma decisão destas. Pelo Mestre*! Esqueceres de suas obrigações! Ela precisa ficar sempre dentro do palacete. – Ele respirou fundo, dando um passo e parando na frente de Clarice – E... Você – Murmurou com desprezo, percebi um leve fraquejar, acho que ele não conseguia chamá-la naquele momento de filha. – Parece que tudo que lhe ensinei em toda a minha vida foi jogado aos ares. Esqueceis quem és? O que lhe fez pensar em poder fugir de sua casa, de sua cidade, de seu país; e vir parar aqui? Para se tornar uma interfectorem. Onde estava com a cabeça, Clarice!?
– O senhor não entende, papai. – Apesar do tom de voz não ter passado de um murmúrio, sua ousadia de dizer algo naquele momento surpreendeu tanto Marco quanto eu.
– Não entendo? Diga-me Clarice! O que eu não entendo! Afinal, sou eu que não entendo que o Líder da Somnium Vastator quer destruir todos os Elementorum Origo dos dois países existentes, e que você, sendo filha de um dos Líderes Elementares, é uma prioridade! Há! Também não entendo como quer se tornar uma interfectorem. – Dizia com pura ironia cada palavra — Você tem idéia o que teria que fazer ao se tornar uma? Você trabalhando no exercitus? Onde está o seu juízo!? Agora me diga, o que eu não entendo! Porque realmente espero que tenha uma boa explicação!
Clarice permaneceu em silêncio por um momento, ergueu o rosto e pela primeira vez, não vi nos olhos dela tristeza ou vergonha. Apenas desapontamento, como se não fosse reconhecida por algo... Tinha alguma coisa que eu não conseguia identificar. Algum motivo que eu não nunca consegui entender nela, algo que a fez querer participar naquela prova. O mesmo “algo” que ela tinha no olhar quando tentou fugir de casa e eu a descobri, a mesa determinação que a fez chegar até lá e me convencer a ajudá-la.
– Quando você era mais novo do que eu, também desobedeceu às ordens do vovô. – Informou de uma maneira tranquila que surpreendia Marco e eu cada vez mais.
– Eram situações, objetivos e tempos diferentes! – Vociferou rapidamente Marco, fazendo com que Clarice recuasse assustada.
– Quando irá perceber, papai? – Disse com o tom de voz normal, sendo assim, gentil. Não havia assombro, mesmo sabendo o quanto ela deveria estar assustada. Tinha certeza que ela jamais havia visto Marco tão aborrecido e desapontado com ela, e pela primeira vez percebi levemente uma presença de onipotência que tantas vezes seu pai sempre apresentava. – Quando irá perceber que as coisas não estão tão diferentes quanto há alguns anos atrás? Estão tornando-se parecidas. Se quiser realmente me proteger, então me deixe tomar minhas decisões e arcas com as minhas consequências. Deixe-me viver.
Ele suspirou, passando nervosamente as mãos nos cabelos. Eu, que o conhecia um pouco mais de um ano, nunca havia visto tão aflito. Mas sabia que aquilo apenas acontecia quando era por causa de um de seus filhos.
– Não aja como uma adolescente impulsiva...
– Papai! Isso não tem nada a ver com idade! Não quero fazer com que você se preocupe comigo! Não é uma ceninha de chamar a sua atenção! Pela primeira vez na minha vida não estou fazendo algo pelo senhor! Não entende!? Isso é para mim.
– Por que está fazendo isto!? Sua vida é perfeita!
– Este é o problema! Ela é tão perfeita que eu sei que não é real. O senhor realmente acha que eu não sei?! – Não foi o tom de petulância dela que fez com que o onipotente Líder da Terra desse passos trêmulos para trás, e sim, os motivos de sua fala.
– O que quer dizer com isso?
– Eu sei a verdade.
Marco ergueu a sobrancelha e com cautela perguntou:
– Que verdade?
– Sei que os tempos em que cresceu não eram fáceis. Por ser um Elementorum Origo perseguido pelo antigo regime, viveu fugindo. Mas em algum momento, você reconheceu seu destino, parou de fugir e começou a lutar. Foi lá que conheceu o Mestre, Adélio, Fabiano e até mesmo Rodrigo. – Naquele dia Clarice não parava de surpreender a mim e a seu pai.
– Como sabe sobre isto? – Rapidamente Marco perguntou preocupado.
– Eu sempre soube. O mundo está em crise novamente, sei que irá deixar seu lugar para meu irmão mais novo e não quer me preocupar com assuntos de política. Mas papai, não pode me esconder às verdades, porque elas também me interferem, também estão relacionadas a mim! Eu sei quem é o Líder da Somnium Vastator.
Tal revelação surpreendeu tanto Marco que ele procurou apoio na mesa de pedra, colocou a mão no peito, como se algo doesse, talvez, realmente sentisse a dor. Rapidamente a respiração dele ficou ofegante. Clarice ficou preocupada.
– Papai...? – Deu um passo em sua direção, mas parou quando foi interrompida.
– C-como você sabe disto!?
– Não importa. Só sei que eu te amo e que em nenhum momento quis envergonhá-lo ou preocupá-lo. Mas eu preciso amadurecer, conhecer o mundo como ele realmente é e não aquele que você criou para mim. Sei que jamais permitiria que eu fizesse isso, não por maldade, apenas quer me proteger. Mas, por favor, não se esqueça que sou sua filha. Do mesmo jeito que um dia você teve que desobedecer ao vovô; hoje eu tenho que o desobedecer. Deixe-me ir.
Marco demorou a responder. Ele deu a volta na mesa, sentando-se em uma confortável cadeira escura. Encarou-nos ainda com seu semblante sério, mas para a ansiedade de Clarice, finalmente comentou:
– Clarice, saia da sala.
Incrédula por tal resposta – se aquilo realmente fosse uma – Clarice encarava decepcionada seu pai. Então vi tristeza em seus olhos.
– Apesar de saber que não estaria a favor. Achei que pelo menos você me entenderia – Ela tristemente sorriu, dando uma leve risada irônica – Nunca imaginei estar tão enganada.
Sem se despedir, ela apenas partiu, marchando até a porta e a fechando com força, causando um som brusco. Era óbvio que ela não estava apenas magoada, ela também estava decepcionada.
Após a saída dela, a sala ficou silenciosa. Apenas interrompida por uns suspiros profundos e longos de Marco, que encostou a cabeça na cadeira, deixando-na levemente suspensa para trás.
– O que aconteceu com a minha pequena, frágil e doce menininha? – Sabia que aquela era uma pergunta retórica, mas não pude suprimir tentar respondê-la.
– Se cansou de viver em um conto de fadas. – Sei que meu atrevimento não agradaria Marco, mas ele não me repreendeu, apenas me fitou.
– Não tem nada de ruim se ela continuasse lá.
– Se me permite, senhor, ela se cansou de viver uma fantasia e quer saber como é a realidade.
– Ela não está pronta para isto.
– Para o senhor ela nunca estará, com certeza. Mas apenas ela tem essa resposta e apenas descobrira quando tiver a necessidade de superá-la.
Levemente me curvei, sabia que minhas palavras eram audaciosas, mesmo sendo ditas de maneira mais educada que conseguia. Eu, sendo a tutela, não deveria me meter naqueles assuntos.
– Fiquei desesperado quando percebi que ela havia desaparecido – Ele comentava em murmúrios, fiquei espantado com aquilo, fiquei em dúvida se ele dizia aquilo para mim ou apenas para si mesmo – E quando vi que você também estava desaparecido pensei o pior. Achei que ela poderia ter sido capturada pela Somnium Vastator e que você havia sido o único a perceber isto, por isso desapareceu. Quase fiz uma besteira, se não fosse Adélio a me tranquilizar – Sempre achei estranho Marco chamar com tanta tranquilidade o Líder da Água pelo primeiro nome – Talvez uma guerra tivesse acontecido, mesmo eu ainda não sabendo qual é a atual localização do grupo rebelde. Eu faria de tudo para achar minha filha.
– Como nos localizou?
– Thiago ficou sabendo da confusão e teve que se entregar. Dizendo que foi ele que deu a idéia a ela e a trouxe para cá.– Ficamos em silêncio por um instante, pois tudo que ele dizia era verdade e ele sabia disto – Porque não a impediu?
–Eu tentei, senhor – E o pior que é verdade – Mas ela teve uma determinação que eu nunca havia percebido que ela tinha.
– Eu também não... Não até agora – Comentou como se fosse um desabafo e eu permaneci em silêncio. – Como ela sabe sobre aquelas coisas? – Eu sabia que ele se referia às informações que deixaram nós dois surpresos – Foi você que contou?
– Não, senhor. – Rapidamente respondi. Marco não parecia perguntar aquilo como se me condenasse se eu contasse, mas sabia que algo o incomodava.
– Será que ela sabe sobre mais?
– Talvez sim ou talvez não. Mas duvido que saiba tudo. – Adiantei, na verdade poucas pessoas sabem tudo, nem eu sei, apenas os quatro Líderes Elementares, melhor, os três Líderes Elementares, logo que o do Ar, Fabiano Ventosa, está morto.
– Ela não precisa saber de tudo para que seu mundo fantasioso que criei feito de cristal se quebre – Informou com pesar e colocando as mãos no rosto. – Preciso levá-la de volta para o palacete, apenas lá ela estará em segurança. Apenas perto de mim eu ficarei tranquilo.
Talvez até ontem eu concordaria sem pensar duas vezes nas palavras dele, mas hoje, as palavras do Líder da Terra me entristeceram. Ouvindo hoje os objetivos de Clarice, de querer realmente amadurecer, me lembrou de cenas do futuro que já vi. E que não havia nenhum momento melhor do que aquele para finalmente dizer:
– O senhor está errado. – Eu disse firmemente, Marco ergueu o meu rosto levemente abaixado e me fitou irritado, agora sim eu estava sendo audacioso de mais, mas dessa vez eu não ia parar –Talvez Eduardo, seu videns, já tenha lhe dito algo sobre o futuro de Clarice ou do terrível erro que está cometendo.
O semblante antes sério e levemente irritado mudou-se completamente para o preocupado.
– Do que está falando?
Por um momento não sabia se ele testava até onde eu sabia ou se ele realmente não sabia de nada.
– Clarice é uma dos praedestinatum – Vi que tal revelação fez com que o rosto já extremamente claro dele ficasse ainda mais pálido, os lábios trêmulos, onde ele mordeu nervosamente o inferior, ou os olhos arregalados e a respiração ofegante onde por alguns momentos ele parecia parar de respirar.
– O... O q-que? – Ele fraquejou e gaguejou surpreso e abalado de mais. Então eu entendi, ele nunca soube de nada. Eduardo nunca havia tido ou contado uma visão do futuro de Clarice – Não... Não é p-possível. Não a minha Clarice – O desespero dele era tanto que percebi um estranho brilho em seus olhos, talvez, marejados. – Deve haver algum engano! – E rapidamente ele ficou imperativo – Como sabe disto?! Como foi a visão!? Diga-me alguma coisa Tom! Como que aconteceu ISTO COM A MINHA FILHA?! – Ele dizia rápido e ofegante de mais. Mal deixando tempo para responder.
– A visão foi curta e atualmente mal consigo me lembrar dela – Normalmente quando tenho visões relacionadas ao futuro, quanto mais tempo se passa desde que eu a vi, menos coisas eu lembro. Isto não acontece apenas comigo e sim com qualquer vidente. Apenas os mais poderosos e que possuem um melhor treinamento mental é que conseguem controlar e administrar as memórias por um tempo mais prolongado, como se as visões que tivessem pertencessem a eles. – Mas o fato de saber que Clarice se tornaria uma praedestinatum eu nunca esqueci, mesmo não sabendo direito o que isto significa.
– Até onde você sabe? – Perguntou rápido de mais o preocupado pai de Clarice.
Abri e fechei a boca diversas vezes, naquele momento, eu mal sabia o que aquela palavra significava e muito menos porque eu a mencionei ao Líder da Terra. A única conclusão que pude chegar era que meu inconsciente me avisava que tinha que contar aquilo para ele.
– Eu não sei... – Murmurei confuso, talvez, quando eu tive a visão, lembrasse de mais coisas. Mas agora, pouco eu me lembro da explicação, das cenas ou dos fatos.
– Porque você não me disse sobre esta sua visão antes?! – Exclamou aflito, encarou inquieto e voltou para a mesa, encostou-se nela e estralou o dedo das mãos nervosamente.
– Eu a tive logo depois que partimos de Patrium in Terra. Desculpe, senhor. Mas não lembro de muitas coisas para reportar agora. Eu nem sei porque eu lhe contei isso – Coloquei imediatamente as mãos na cabeça, sentindo uma forte pontada. Agora, vendo o estado que Marco Tierra ficou ao ouvir o que eu falei em algo de minhas visões percebi que o assunto era sério, mais do que um dia eu poderia ter imaginado.
– Preciso levá-la de volta para casa, imediatamente. Preciso deixá-la segura.
– Se me permite, senhor – Eu sabia que não deveria dizer aquelas coisas, mas meu sexto sentido me incentivava a dizer, alguma coisa muito séria ia acontecer daqui alguns anos e Clarice teria que estar presente. – Sabe mais do que ninguém, que não se pode mudar o destino de ninguém, de um modo ou de outro algo predestinado sempre acontece. Se o senhor realmente ama sua filha, deixe-a ir. Não estou dizendo para entendê-la, apenas permitir que ela faça o que é certo.
– Está querendo dizer o que com isso?
– Não a leve para o palacete. Deixe que eu cuido dela, obedeça pela primeira vez uma ordem dela e não que ela obedeça a sua.
Ele cobriu o rosto com as mãos, murmurou coisas que eu não conseguia entender. Apenas depois de alguns momentos em silêncio, onde com certeza ele deveria fazer uma discussão inteira, ele comentou:
– Como Líder da Terra e responsável pelo Patrium in Terra e o Exercitus, eu concordo com você. Mas como pai, não. Percebe como isso é impossível para eu escolher!?
– Ela já escolheu para o senhor, mesmo não sabendo o que seu destino traçou.
Nos fitamos em silêncio e acho que finalmente ele entendeu.
– Cuide dela Tom.
– Sou a tutela, sempre cuidarei.
Para a nossa surpresa, ouvimos um bater na porta. Depois da autorização da entrada do Líder da Terra, Thiago, o Messor, entrou na sala cautelosamente. Tinha certeza que ele já se preparava para ouvir a maior bronca de toda a sua vida, e na pior das hipóteses, perder seu cargo no exercitus e ser castigado.
– Acabei de dar as instruções da terceira fase, então vim para cá imediatamente. Disseram que o senhor queria falar comigo.
Marco suspirou, com o corpo apoiado na enorme mesa de pedra e com os braços cruzados ele encarou Thiago, que por nenhum momento fraquejou.
– Apenas me responda uma pergunta, Thiago. Por que a trouxe para cá?
– Durante a última reunião que tivemos no palacete, enquanto treinava orientado pelas ordens de meu mestre, percebi um enorme nível de fluxo elementar que durou em pouquíssimo tempo. No princípio, achei que era seu, mas depois, percebi que não...
– Era de Clarice – Murmurou Marco suspirando preocupado, que completou as palavras do Messor.
– Ela é sua filha. Talvez, torna-se tão poderosa quanto você. Ela só precisa de uma chance, não tire isso dela, senhor. Não gostaria que tirassem essa oportunidade de você. – Comentou sabiamente Thiago.
O conflito interno de Marco era tão presente em suas expressões e em seu suor frio, que eu entendi que ele amava tanto a sua filha que faria de tudo para sempre deixá-la segura. Mas agora, naquele momento onde ter que deixá-la dar seus passos sozinha era tão incomodo que ele não sabia definir se era ou não a decisão certa.
– Estou te deixando um dos meus tesouros mais preciosos de minha vida, Tom. Por favor, não deixe que nada aconteça com minha filha; e se precisar de qualquer auxílio, mesmo mínimo, pelo amor ao Mestre*! Não evite em me chamar.
– Então Clarice não está desclassificada da prova?! – Perguntou eufórico Thiago e por um momento tive a mesma esperança que ele.
– Eu já a desclassifiquei e não posso voltar a minha palavra, seria injusto com os outros participantes. – Disse com o seu semblante costumeiramente sério. Confusos, eu e Thiago não entendíamos então qual era o rumo que Clarice ia seguir. – Mas permitirei que ela continue a acompanhar a prova, a observá-la. Ela não é mais uma inscrita, mas você é Tom; então faça com que ela vivencie como se fosse uma inscrita.
– Então ela pode acompanhar toda a prova? – Perguntou Thiago recebendo uma aprovação de Marco.
– E depois da prova? – Perguntei, mas o Líder da Terra hesitou.
– Faça o que achar que é certo, e o que ela achar que também é certo. Deixarei que ela siga seu destino.
Tudo que pude fazer em agradecimento foi sorrir. Mas antes que o Líder da Terra finalmente nos dispensasse, Thiago comentou se aproximando do Líder erguendo um pequeno pedaço de papel entregando-o a Marco:
– Este é o maior medo de sua filha, senhor.
Marco percorreu rapidamente os olhos na folha de papel, lendo atenciosamente as palavras misteriosas. Até que ele, o grande e onipotente Líder, mas também pai atencioso, comentou com os olhos marejados e com uma singela lágrima escorrendo no rosto pálido.
– Então se ela tivesse que passar de fase teria passado. Há poucos minutos atrás, ela acabou de superar seu maior medo. – Apesar de melancólico pelas palavras ele também parecia levemente orgulhoso, tenho certeza que ele deveria estar mais do que apresentava.
Depois que saí da sala do Líder da Terra. Andei nos corredores da mansão atrás de Clarice, pois no quarto ela não estava. Comecei a ficar preocupado.
Depois de quase uma hora, eu finalmente a achei. Estava no segundo andar, perto de um enorme salão de conviniências que levava a uma varanda.
Clarice estava de pé, encostada com os braços e o corpo no parapeito, com o rosto levemente abaixando. Vi que não estava sozinha, ao me aproximar mais, percebi que Fernando estava ao seu lado, também no parapeito só que de costas, encarando-na tão de perto, que parecia que ela sussurrava coisas em segredo a ele.
Surpreendi-me que Lucas não estava lá. Admito que era estranho os ver sozinhos.
Aproximei-me cautelosamente da porta que ia a varanda, querendo descobrir o que eles falavam, no começo eram apenas murmúrios inaudíveis, mas quanto mais me aproximava, mais eu escutava melhor.
– Não chore, por favor. – Murmurou Fernando, tirando uma mecha de cabelo que estava na frente do rosto para trás da orelha.
Clarice ergueu o rosto, encarando o início de entardecer e tentou secar as lágrimas do rosto. Ela estava de costas para mim, então a cena não conseguia visualizar direito, apenas as movimentações de seus braços.
Fernando encarava tão preocupado que nem notava a minha presença, apenas permanecia com o rosto virado em direção de Clarice.
– Então o que vai acontecer com você?
– Eu não sei, Fernando. – Disse em um murmúrio frágil e rouco. Eu não sei há quanto tempo, mas parecia que Clarice já deveria ter chorado a horas. – Mas acredito que pouco tempo, papai só veio aqui para me desclassificar e me levar de volta a minha casa. Quando ele terminar os seus assuntos sobre o Exercitus eu devo ir.
– Isso é injusto! Se você quer ficar, deveria ficar! É a sua decisão!
Ouvi uma singela risada de Clarice, que depois de um tempo respondeu para Fernando que parecia confuso:
– Fomos criados de modos diferentes, Fernando. Você sempre teve que tomar suas decisões; comigo nunca foi assim.
– Não sei como você aguenta isto.
– Nem sempre foi ruim, mas agora é; mas isso acontece mesmo, porque eu não sei como seriam as minhas outras opções.
Fernando acariciou o rosto de Clarice, percebendo nas expressões dela e na tonalidade de voz, que ela se segurava a não chorar ainda mais. Assim como eu também percebia.
Clarice encarava o por do sol, enquanto Fernando o rosto dela. Ele fez um sorriso singelo depois de alguns minutos em silêncio e finalmente perguntou:
– O que está te incomodando, Clarice?
– Eu estava pensando em algo que conversamos há muito tempo atrás. Foi no segundo dia da prova da segunda fase.
– Que seria...? – Ambos se encararam, Fernando curioso e Clarice insegura.
– Você, Fernando, tinha me perguntado porque eu queria me tornar uma interfectorem; hoje eu sei a resposta. – Ela corada o encarou, e também com uma expressão que parecia que se sentia culpada – Queria mudar o meu destino.
– Não a nada de errado com isso, Clarice. – Disse em um tom de voz tão sério que não era nem um pouco costumeiro dele. Por isso, eu sabia que Fernando estava sendo verdadeiro o máximo possível em suas palavras – Você não é a única, eu também quero mudar o destino...
– Por algo que lutou para adquirir –Clarice completou.
– É, isso mesmo. – Fernando sorriu em compartilhar tal pensamento; talvez ele temesse que isso fosse um pensamento muito infantil e ingênuo; talvez os dois temessem a mesma coisa e se envergonhariam em admitir. Mas agora ele sabia, não era o único em busca da mesma coisa.
Com a troca de olhares cúmplices de Clarice e Fernando, eu entendi, talvez fosse de lá que começasse um enorme ciclo de entrosamento. Não pude me esquecer da visão que um dia eu vi entre eles, e sabia como aquela história terminaria. E aparentemente, não era apenar um coração despedaçado.
Querendo interromper o momento de troca de olhares próximos de mais, eu finalmente disse algo, só assim parecia que eles notariam a minha presença:
– Você Clarice, não vai voltar para casa.
Primeiramente ambos pareceram atordoados e surpresos por me verem lá, depois era compreendendo o que eu havia dito.
– Como assim? – Perguntou confusa Clarice.
– Eu e Thiago tentamos persuadi-lo, o Líder da Terra chegou na conclusão que realmente será desclassifica, mas poderá continuar a acompanhar a prova, só não participará. – Ela continuava confusa de mais com minhas palavras.
– Assistir não é a mesma coisa que participar, mas pelo menos não vai voltar para casa – Comentou Fernando.
Clarice continuou muito atordoada encarou a nós dois, ainda muito confusa, até que finalmente correu em minha direção e me surpreendeu me abraçando fortemente. O impacto foi tão forte que tive que dar passos para trás e tentar me equilibrar, quase me choquei na porta.
– Obrigada, Tom! Obrigada! – Exclamava perto de mais de meu ouvido, me incomodando. Mas fazer o que? A abracei também, aquela era a pequena Clarice, sempre contente e gentil que eu conhecia.
Olhei para frente e vi Fernando nos encarando sério, sério até de mais. E meu pressentimento dizia que havia alguma coisa estranha naquilo.
Continua...
Notas finais
bem, apesar de tr acontecido poucas coisas e o capitulo não saiu muito grande, achei que ele ficou muito bom.
mostrei as caracteristicas de Marco, o grande onipotente Líder da Terra, e ainda expliquei um pouco usando a Narração algumas caracteriscas do funcionamento deste mundo e muitas coisas que ainda serão melhores explicadas sobre os Líderes Elementares e seus passado.
Mostrei também uma Clarice que se tornou mais madura, dando pequenos passos de cada vez, mas que para o Pai, foi uma aposta de corrida.
Achei o final bem bunitinho, e muito ainda contarei sobre Tom- Clarice - Fenando.
Espero que tenham gostado :D
bjs nessa e esperando aqueles reviwes enormes que eu amo! e se possivel recomendações
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