— A mais de 200 anos as Mills são acusadas por tudo que acontece de ruim nessa cidade

— Por isso nos odeiam tanto, tia Morgana?

— Eles não nos odeiam, meu bem – Viviane respondeu — é que nós os deixamos meio nervosos.

— Convenhamos, Viviane, nós Mills sempre provocamos agitação. – Morgana comentou com um certo tom de sarcasmo.

A fama das Mills começou a muito tempo quando existia a crença que bruxas eram pessoas de má índole e que faziam de tudo para causar o mal as pessoas.

Tudo começou com sua antepassada Maria. Ela era uma bruxa, a primeira na família. Uma moça muito bonita, seus cabelos negros um pouco ondulados, seu tom de pele era branco e seus olhos castanhos davam um ar de mistério a jovem Mills. Não foi só o fato de ter aptidão para fazer feitiços que fez com que quisessem enforca-la. Maria também era meio namoradeira e isso não a ajudou muito, tão pouco o fato de todos os seus amantes terem esposas do comitê de enforcamento.

As mulheres da família Mills sempre acreditaram que não foi tal fato que levou a condenação. Maria tinha um dom, esse que foi passado de geração em geração até chegar nas duas mais novas. Zelena e Regina Mills. Maria as deixou de herança o dom da magia. E foi esse mesmo dom que a salvou naquele dia e que deixou, a todos, assustados.

Sendo assim, Maria foi banida para uma ilha perto da cidade. Com o bebe que carregava em seu ventre ela esperou que seu amor fosse busca-la, mas ele nunca apareceu. Ninguém chegou.

Em um momento de desespero, ela colocou um feitiço em si mesma. Ela nunca mais sentiria a agonia do amor! Mas à medida que sua mágoa aumentava... o feitiço virou maldição. Uma maldição para qualquer homem que ousasse amar uma Mills.

— Foi por isso que o papai morreu? – a pequena Regina perguntou as tias – por causa da maldição?

Flashback

Regina e Zelena corriam brincando pela praia enquanto seus pais, Henry e Cora, estavam sentados sobre a toalha vermelha que fora estendida na areia. Eram felizes e isso era nítido.

Regina, que corria a frente da irmã, se jogou no colo do pai e enquanto os dois riam Zelena pulou nas costas dele. Cora olhava a cena com um lindo sorriso no rosto, mas este não durou muito.

No meio do dia, Cora começou a escutar um barulho estranho aos seus ouvidos, mas que gritava em sua mente. Ela já sabia o que era... só não podia ser. Ela não queria acreditar. Olhou para baixo a procura do pequeno animal e não o achou, buscava em todo o canto enquanto suas filhas e o marido estavam alheios e brincando.

Foi tudo muito rápido, em um momento Cora procurava pelo maldito besouro enquanto Henry nadava com as filhas. No outro, as meninas estavam gritando enquanto o salva vidas tentava tirar Henry da agua, mas parecia que algo o segurava. Quando o salva vidas conseguiu retira-lo nada mais poderia ser feito, ele estava morto!

A morte de Henry foi notícia na cidade, todos ficaram assustados já que ele era um nadador experiente e conhecia muito bem aquela praia.

Os meses que seguiram foram os piores para as meninas. Cora entrou em depressão, não saia mais de casa, vivia trancada no quarto, quase não via as filhas. Cora definhava, até que seu corpo não aguentou mais.

Fim do flashback

— Sim, minha queria – Morgana a respondeu – sua mãe sabia. Ela escutou o besouro anunciando a morte de seu pai o dia inteiro. Ela saiba que quando escutamos o som do besouro da morte o homem que amamos irá morrer.

— E foi assim que vieram morar conosco – Viviane falou ternamente – Nós as acolhemos em nossas vidas e as criamos da melhor forma que sabíamos.

Flashback

Estava um dia bonito, o sol brilhava no céu azul e totalmente limpo daquele pequeno lugar. Zelena e Regina estavam brincando no quintal. Estavam correndo, como sempre, adoravam brincar de pegar uma a outra.

Dessa vez Regina estava tentando pegar a irmã, as duas estavam rindo quando perceberam uma movimentação do outro lado da cerca. Chegaram perto e viram que tinha outras crianças ali.

— Oi. Quer brincar? – Zelena perguntou se aproximando da cerca enquanto Regina estava mais atrás.

— Sua bruxa! – uma das crianças gritou e tacou algo que acertou o rosto da pequena ruiva que caiu no gramado.

— Bruxas, bruxas. Vocês são bruxas – as crianças cantavam enquanto tacavam pedras para o outro lado.

Regina, mesmo assustada e sem saber o que fazer correu para perto de sua irmã, abaixou e começou a passar a mão sobre o local onde a pedra pegou no rosto de Zelena.

Fim do flashback

— Não é que odeiem vocês. É que bem... somos diferentes – Viviane disse por fim.

Um silencio se instalou. As meninas ainda estavam tristes por perderem os pais e não terem amigos para pode brincar.

— Zel... Gina... – Viviane chamou e as duas meninas olharam – sabem, a única maldição nesta família...está sentada na cabeceira da mesa. Sua tia Morgana – terminou de falar se ajeitando na cadeira enquanto as duas meninas riam.

— Ora Viviane, você tem que admitir que qualquer homem que se envolva com uma Mills acaba com sete palmos de terra por cima – Morgana respondeu bebendo seu chá.

— Poupe-me dessa conversa. – falou Viviane sem dar muita atenção

— E o meu pobre Arthur? – Morgana falou diretamente a Viviane

— Foi um acidente – Viviane respondeu virada para as meninas

— Foi destino – Morgana disse convicta

Ali as duas travaram uma batalha entre “foi acidente” e “foi destino” enquanto as meninas as olhavam achando graça das suas velhas tias discutindo sobre um fato passado.

— A mamãe morreu de tristeza, não foi? – Regina disse quebrando a pequena discussão das duas mais velhas.

— Foi, querida menina, foi sim – Morgana falou ternamente para Regina

Um novo silencio aconteceu e dessa vez só se ouvia o barulho o pequeno filhote de gato que estava em cima da mesa bebendo seu leite.

— Ei minha bruxinha – Viviane chamou a menina morena – vamos entrar e fazer alguns feitiços? – concluiu tirando um sorriso da pequena.

Viviane era sempre a mais calma e demonstrava mais ternura com as mais novas. Não que Morgana não as amasse, mas ela tinha a postura mais severa, embora fosse tão carinhosa quanto Viviane.

— E o meu dever de casa? – perguntou a morena sorridente

— Ora, que besteira – as meninas riam enquanto a tia Morgana falava – aqui vocês aprendem o que nunca aprenderão na escola. Vamos, andem.. andem... andem.