Practical Magic
2 Capitulo 2
A pequena Regina estava sentada a mesa com um grande livro a sua frente. Era um livro com aspecto antigo, mas que continham os feitiços que eram passados de geração em geração.
A morena estava concentrada, leu o feitiço que estava no livro, fechou os olhos e assoprou a vela a sua frente fazendo-a acender sem nem precisar de fosforo ou algum tipo de acendedor.
— Muito bem, Regina – disse Viviane que estava na outra extremidade da mesa – você foi abençoada com um dom.
— Pera aí – disse Zelena meio indignada – e eu?
— Não estamos preocupadas com você, meu benzinho – disse Morgana carinhosamente – seu talento surgirá na hora certa.
As meninas sorriram, Zelena voltou sua atenção para sua boneca enquanto sua irmã comia seu morango com chocolate. Viviane estava mexendo em sua máquina de fios e Morgana estava em uma outra máquina.
Estava um silencio tranquilo, cada uma com seus afazeres e suas distrações, até que alguém bate na porta. Todas pararam o que faziam e se entreolharam.
— Regina fique aqui. Continue trabalhando nos seus feitiços. – disse Morgana já saindo do local junto com Viviane – continue com os feitiços.
Assim que as tias saíram Zelena e Regina se olharam. Sabiam que não devia ser algo bom, já que ninguém passava por perto o batia na casa delas e sempre que isso acontecia era porque precisavam de algum tipo de feitiço.
Ao chegarem na sala, Morgana e Viviane viram a moça que batia na porta e já sabiam o que viria a seguir.
— Pegue o pássaro – disse Viviane olhando para Morgana
— E o livro – Morgana falou diretamente para Viviane
Cada uma saiu para um lado. Enquanto Morgana pegava o pobre pássaro, Viviane pegou o livro, o abriu a porta e uma moça, desesperada, entrou.
— Eu o quero demais, não consigo pensar em mais nada – disse a moça sentada entre as duas mais velhas – eu não consigo dormir. Ele tem que deixar a esposa, ele precisa deixa-la agora. – terminou de falar quando Viviane deixou o livro aberto em uma página especifica.
— Você pode arranjar alguém mais adequado – Viviane disse enquanto verificava uma agulha.
— Não, eu não quero outro. Eu só penso nele – disse a moça num tom quase desesperado – porque mais eu viria aqui?
— Pegue o dinheiro, Viviane – disse Morgana com total indiferença
A moça colocou o dinheiro na mesa e Morgana virou o pobre pássaro para ela. Viviane entregou a agulha, a moça pegou e virou de frente para o pássaro.
— Quero que ele me deseje tanto que não suporte ficar sem mim – assim espetou o pássaro.
As meninas que apareceram e sentaram na escada para observar estavam assustadas. Regina era mais sensível e na hora que a moça esperou o pobre pássaro, a morena abraçou a irmã e escondeu o rosto em seu peito enquanto Zelena fechava os olhos.
— Cuidado com aquilo que deseja – Viviane falou enquanto pegava a agulha e a observava. A moça sorriu satisfeita e, sem dar ouvidos ao que a mais velha falava, beijou a foto do homem a quem queria desesperadamente.
— Espero nunca me apaixonar – Regina disse baixinho e repetiu várias vezes.
— Eu estou louca para me apaixonar – disse Zelena que olhava fixamente para cena a sua frente enquanto acariciava os cabelos de sua irmã.
Naquela noite Regina estava na estufa. Um pequeno caderno estava em cima da mesa aberto em um feitiço simples.
— Ouvirá o meu chamado na distância – a menina olhou para o caderno e leu a próxima frase – Assoviará minha canção favorita. Saberá montar um pônei ao contrario..
— O que está fazendo? – sua irmã perguntou assim que adentrou ao local.
— Invocando um feitiço de amor verdadeiro chamado Amas Verita. – respondeu sem olha-la enquanto pegava pétalas das flores. – Consegue virar panquecas no ar. Será incrivelmente gentil. Sua forma favorita – a morena pensou um pouquinho — é a de uma estrela. E terá um olho verde e outro azul. – terminou pegando a última pétala de flor branca.
— Pensei que nunca quisesse se apaixonar – a pequena ruiva disse confusa.
— Mas é isso – a garotinha disse como se fosse obvio – a pessoa dos meus sonhos não existe... e se não existe, nunca morrerei de tristeza.
A morena foi até a sacada da pequena estufa com uma vasilha de madeira nas mãos e as pétalas ali dentro tendo sua irmã logo atrás de si. Regina olhava fixamente para o conteúdo em suas mãos e enquanto mentalizava as pétalas começavam a se mexer e formar um pequeno rodamoinho levantava e ganhava vida a luz da lua.
Enquanto via as pétalas se afastarem, Regina mentalizava sua última fala. “Se não existe, nunca morrerei de tristeza”.
[...]
Alguns anos depois
As meninas cresceram e se tornaram lindas jovens. Zelena sempre teve seu espirito mais livre e sempre sonhou em sair daquela pequena cidade no interior do Maine. Com aqueles olhos infinitamente azuis e seu jeito desinibido, ela fazia o que queria com os homens, ela trocava de namorado como trocava de roupa. Já Regina sempre fora a mais tímida, sua magia desenvolveu mais cedo também, mas era difícil a menina usa-la, na verdade, depois daquela fatídica noite, a meninas tinha o desejo de ser “normal” como as outras pessoas daquela pequena cidade de Storybrooke.
— Regina... abre a porta – a jovem Zelena falou baixo enquanto se aproximava da porta que separava o quarto da sacada.
A jovem Regina, que observava a lua, virou-se ao escutar a voz de sua irmã que se aproximava com uma mochila nas costas, abriu a porta e assim que a irmã passou ela fechou. Quando chegou na sacada, a ruiva jogou a bolsa para o rapaz que a esperava lá embaixo a sua espera.
— Uau – Regina exclamou assustada pela coragem da irmã
— Gina... você não tem ideia – disse virando-se para a irmã. Desde novas elas sempre tiveram uma ligação muito forte, não precisavam falar para a outra saber o que a pensavam.
— Você ama esse cara tanto assim a ponto de se casar? – a morena perguntou a ruiva
— Ah, Regina, como assim... – a ruiva disse enquanto passava pela estrutura de madeira – eu odeio isso aqui. Eu quero ir para um lugar onde ninguém nunca ouviu falar de nós.
— Parece que eu nunca mais verei você – a voz de Regina saiu um pouco triste
— Claro que vai me ver de novo – Zelena exclamou sorrindo – vamos envelhecer juntas. Seremos você e eu morando numa casa grande, duas velhas tagarelas com um bando de gatos e aposto que vamos morrer no mesmo dia.
— Jura? – a mais nova perguntou sorrindo
— Meu bem, preciso do meu canivete – Zelena pediu virando para o rapaz que prontamente tirou do bolso e jogo para ela – Aqui... meu sangue – fez um corte na palma da própria mão — seu sangue — depois na mão de Regina – o nosso sangue.
— O nosso sangue – Regina repetiu logo depois da irmã e então as duas se abraçaram – Eu amo você, sis.
— Eu sei, também amo você – se despediram novamente e Zelena desceu pela sacada, foi de encontro ao namorado e os dois saíram dali e da cidade também.
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