Practical Magic
3 Capitulo 3
Depois daquela noite em que sua irmã foi embora, Regina e Zelena não se viram mais. A morena sempre recebia notícias de sua irmã através de cartas que ela enviava contando sobre os lugares que conhecia e de algum novo namorado.
Regina ainda morava com as tias na mesma casa branca de dois andares, com um grande quintal, um pouco afastada da cidade e não tinha namorado. A morena morria de medo de se apaixonar, mas toda vez que ia a cidade encontrava com um certo rapaz que fazia seu coração acelerar.
Já tinha se passado quase um ano que Zelena tinha ido embora, o dia tinha nascido lindo com o sol brilhando e como sempre, desde que a irmã se fora, Regina estava na cidade com Viviane e Morgana, as três foram buscar a correspondência.
— Bom dia – saudou Morgana ao passar pelos senhores na saída do Correio
— Olá rapazes – saudou Viviane com seu tom bondoso.
— Charlie – disse Morgana para o senhor que andava distraído em sua direção – está bonito – disse fazendo o senhor se assustar e sair de sua frente. – Oh meu Deus, o que eu estou pensando. – exclamou ao se tocar de como as pessoas ainda as tratavam e riu seguindo seu caminho com Regina logo atrás de si.
— Oh Morgana, esqueça isso – Viviane disse enquanto olhava suas correspondências e achando um postal de sua sobrinha Zelena. – Minha nossa, Zelena está em Orlando. — disse feliz ao saber notícias da ruiva. — Ela está em Orlando. – repetiu virando-se para a sobrinha e entregando-lhe o postal.
— O encanador deve ter virado história – Morgana disse rindo lembrando do possível ex namorado da sobrinha, já que a cada novo postal ela estava numa nova cidade e com um novo namorado.
— De acordo com o cartão.... ele virou – Viviane disse sem surpresa nenhuma em seu tom de voz.
— Isso é loucura – Regina disse assustada e um pouco indignada com o que irmã fazia. – A cada hora ela está com um cara diferente.
— Espero que um dia ela encontre um que não fique com ela – Morgana disse indiferente e continuou a andar.
As três seguiam para casa e sempre que passavam por alguém a pessoa mudava de rota ou fechava os olhos e virava o rosto enquanto esperava elas passarem. Isso era normal em suas rotinas.
— Viviane, desista – Morgana falou para a irmã que, inutilmente, tentava falar com as pessoas na rua.
— Nunca – respondeu a outra no mesmo tom
— Ai que saudade dela – Regina suspirou depois de guardar a carta de sua irmã.
Assim que passaram embaixo de uma árvore para em seguida atravessar a rua, os galhos balançaram e folhas voaram, mas só Viviane pareceu perceber.
— Eu só quero uma vida normal – Regina exclamou cansada dos olhares que recebiam na rua.
— Meu bem, quando vai entender que ser normal não necessariamente é uma qualidade – Morgana falava para a sobrinha enquanto andavam – Demonstra falta de coragem.
— Mas é exatamente isso que eu quero – a menina respondeu e sentiu sua outra tia lhe abraçar de lado.
— Minha menina – Viviane disse chamando atenção da mais nova – Está vendo aquele casal ali? – apontou e Regina assentiu – Ele está tendo um caso com a babá e ela come meio quilo de bolo em menos de um minuto.
Regina não conseguiu prestar atenção nas palavras da tia, pois algo lhe chamou a atenção, aliás, algo não, alguém. E esse alguém tinha nome e sobrenome. Daniel Colter. O rapaz era novo na cidade, tinha ido para lá para ajudar o tio, que estava doente e não tinha parentes. Daniel vendia legumes e verduras, que seu tio produzia, na feira da cidade.
Daniel era um rapaz tímido, seu tio sempre dizia para não se aproximar da jovem Mills, mas ele não conseguia entender porque as pessoas tratavam tão mal a linda moça e suas simpáticas tias. Outra coisa que ele não entendia era o fato de toda vez que Regina passava seus olhos se conectavam e eles não conseguiam desviar e naquele dia não foi diferente, porém dessa vez Viviane percebeu. Ela e Morgana já tinham percebido os olhares de Regina e dessa vez puderam sentir muito mais do que uma simples conexão entre os dois.
[...]
No final da tarde, Regina estava cuidando da horta, mexer na terra era um de seus passatempos, enquanto Morgana e Viviane estavam sentadas em uma das mesinhas da varanda. As horas passavam devagar, mas a morena não parecia se tocar na impaciência que isso estava causando em sua tia Viviane.
— Que horas são? – Viviane estava agoniada, não se concentrava no jogo que sua irmã tentava jogar com ela.
— Já está mais do que na hora – Morgana disse sem ao menos olhar Viviane enquanto jogava os dados tentando seguir com seu jogo.
Não demorou muito para escutaram as badaladas do sino, as duas se olharam como se esperassem algo que não tardou a acontecer. Regina parou de mexer na terra e virou-se para o portão, seu coração batia acelerado junto com o sino que ainda tocava. A jovem se levantou e saiu dali praticamente correndo com um sorriso que começava a aparecer em seu rosto. Parecia enfeitiçada? Talvez. Suas tias até tentaram falar algo, mas a jovem não escutou ou simplesmente não deu ouvidos e assim como a jovem, as tias também estavam sorrindo.
— Excelente – Viviane comemorou ao ver a mais nova saindo em direção a cidade.
[...]
Na cidade o jovem Daniel estava guardando as poucas coisas que sobraram para poder voltar para a casa do seu tio, mas ao escutar o som das badaladas de um sino e parou o que estava fazendo, olhou em volta, mas parecia que só ele havia escutado, não se importou e voltou a guardar suas coisas. Porém não demorou muito e ele escutou o sino novamente, mas dessa vez sentiu um arrepio em seu corpo e seu coração bater mais rápido. Parou o que estava fazendo e se virou para a esquina onde ficava a pequena igreja da cidade e andou até o meio da rua. Sorriu ao perceber que alguém se aproximava e ele já sabia quem era, seu coração dizia que era ela.
Regina apareceu em seu campo de visão. A menina estava correndo, a única coisa que ela pensava naquele momento era o quanto queria estar nos braços de Daniel, ela não pensou no que poderia acontecer de mal e se, de fato acontecesse, como iria reagir.
Daniel estava parado com seus braços abertos, a morena não pensou duas vezes ao se jogar nos braços dele. O beijo aconteceu por iniciativa de Regina. Um beijo intenso e transbordando de amor que só acabou devido à falta de ar gerado pelo mesmo. Por fim os dois se olhavam intensamente, as duas orbes castanhas conectadas e a sensação de inexistência do mundo ao redor. Ali estavam dois destinos selados virando um só!
Fale com o autor