Pra que mudar?
15 Capítulo 14: Volta às aulas
Notas iniciais
Depois de um feriado incrível desses, voltar para o colégio me parecia como um banho de água fria. A melhor coisa era poder ver Roberta e a pior era ver Ana. Depois que minha sogra declarou guerra, sua filhinha também tinha criado asinhas e estava obstinada em me destruir.
Professor de história tagarelava sobre revolução industrial e eu não estava nem um pouco interessada. Comecei a observar as pessoas em minha volta e me surpreendi com uma situação em especial.
Roberta estava sorrindo feito boba para Gustavo, isso era normal, o que era estranho era que Gustavo olhava de volta para ela e sorria também. Pareciam estar trocando mensagens pelo celular também.
Ao perceber que estava sendo observada por mim, Roberta dá uma piscadela em minha direção e sei que mais tarde ela me contara as novidades.
Quando o sinal toca, arrumo lentamente minhas coisas. Diego se aproxima de mim com uma expressão confusa.
— Qual é a deles? – Ele pergunta apontando para Gustavo e Roberta que agora saem de mãos dadas para o corredor. Sorrio automaticamente ao ver a cena.
— Acho que o feriado também foi bom pra eles, só não foi melhor que o nosso. – Respondo maliciosa.
— Isso nunca. – Diego retruca e me dá um beijo quente.
Conosco bastava uma faísca para se iniciar um incêndio, e depois de nossa primeira vez, a necessidade de um pelo outro havia aumentando muito. Quando nos separamos estamos ambos sem fôlego.
Sorrimos e caminhamos em direção a próxima aula.
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— Bom, eu escolhi as equipes e coloquei os nomes no quadro ao fundo da sala. Esse trabalho vale um terço da nota do semestre, então se esforcem bastante.
A professora de literatura disse ao final da aula. Teríamos que interpretar um clássico de Shakespeare, o único problema era que ela havia escolhido os grupos, e como eu era azarada para esse tipo de coisa já imaginava o desfecho.
Quando a multidão se afastou do quadro, eu fui verificar em qual grupo havia ficado.
Alexia, Ana, Gustavo, Rodrigo e Felícia. Era meu grupo, óbvio que tinha que ficar com a víbora e sua amiguinha.
— Que azar hein. – Roberta cochichou em meu ouvido.
— Eu sei. Qual seu grupo? – Perguntei derrotada.
— Fiquei com o Diego e o resto das víboras amigas da Ana. – Roberta respondeu solidária.
— Pena que você ficou com meu namorado e eu com o seu. – comento irônica.
— Namorado? – Roberta finge de desentendida.
— Quando vai me contar as novidades? – Pergunto exigente.
— Agora no almoço. Vamos? – Ela pergunta estendendo seu braço. Eu o seguro e vamos juntas para o refeitório.
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O dia se arrastou, quando cheguei em meu quarto mal podia acreditar que tinha acabado.
Ana havia se nomeado líder do nosso grupo e decidido que o primeiro ensaio ainda esta noite, mesmo com todos protestando. Iriamos fazer a cena final de Romeu e Julieta. Ana seria a Julieta e Gustavo seria Romeu. Quando Roberta soubesse disso teria um infarto.
Tomei um banho rápido e coloquei uma camiseta branca e um jeans confortável. Caminhei sozinha em direção ao ginásio. Ana e Felícia já estavam lá, mas nem sinal dos garotos. Pensei em voltar e fazer uma hora até um dos garotos chegarem, mas Ana me convocou.
— Não seja tímida cunhadinha. Vamos esquecer nossas diferenças e nos concentrar e tirar uma boa nota nesse trabalho. – ela disse em um tom amigável. Olhei em seu rosto e pela risadinha de sua amiga conclui que estava sendo falsa como sempre. — Eu e Felícia estávamos conversando e decidimos o seguinte. Rodrigo pode ser o narrador e você e Felícia serão as figurantes. – ela falou com cautela, observando minha expressão.
— Ok. – Foi só o que respondi. Não estava mesmo querendo participar disso, decorar falas era muito chato e sem falar que teria que beijar Gustavo, o que seria extremamente esquisito.
Os meninos finalmente chegaram e separamos as falas, discutimos sobre o cenário e os figurinos. Já era quase meia noite quando fomos liberados. As próximas duas semanas seriam de muito ensaio.
Não conseguia entender o súbito interesse de Ana por literatura, talvez ela só precisasse melhorar sua nota ou devia estar aprontando algo. A segunda opção para mim, fazia mais sentido.
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A próxima semana passou, sem grandes incidentes. O campeonato de futebol se aproximava juntamente com as provas finais. Quase não havia visto Diego e estava começando a ficar aborrecida com toda essa situação.
Eu sentia que ele estava estranho nos últimos dias, mas como nem sequer havíamos discutido, não tinha culpa de nada dessa vez.
— Alexia, você está me ouvindo? – Gustavo perguntou irritado. Ele estava me obrigando a ensaiar suas falas com ele e eu nem sequer conseguia me manter concentrada.
— Pra ser sincera não. – respondo. Gustavo bufa irritado e deita-se no gramado.
— O que está acontecendo? Hoje você está no mundo da lua. – Gustavo comenta.
— Estou preocupada com Diego, ele anda estranho. – Respondo com sinceridade.
— É o campeonato, ele entra mesmo no papel de capitão do time e tenta dar o exemplo. Todo semestre é a mesma coisa. Assim que terminarem os jogos ele volta a ser o imbecil de sempre. – Gustavo retruca.
— Imbecil? – pergunto irônica. Eu e Gustavo trocamos um olhar sério e logo em seguida começamos a rir.
— Ao invés de se preocupar com ele, deveria me ajudar a escolher um presente para o aniversário da Roberta. – Ele retruca agora, sério.
— Nem eu sei o que vou dar ainda. – Digo. O aniversário da Roberta seria no domingo e faríamos um almoço para ela, o diretor já havia nos autorizado e seria uma grande surpresa para minha amiga.
— Você é melhor amiga, tem obrigação de saber do que ela gosta. – Gustavo diz irônico.
— Você é namorado, também tem obrigação. – Respondo a altura.
— Esquece! Impossível falar com você de TPM. – Gustavo diz, levanta-se impaciente e vai embora me deixando ali sozinha.
Parece que não sou só eu que estou de TPM. Gustavo queria dar o presente perfeito, ele e Roberta namoram há pouco tempo e eu pisei na bola, deveria ter me oferecido para ir com ele escolher alguma coisa. Engulo todo meu orgulho e corro atrás do meu amigo.
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Gustavo já havia sumido para dentro do prédio, ele andava bem depressa quando estava irritado. Resolvo quebrar as regras e invado o dormitório masculino indo em direção ao seu quarto.
Quando faço a curva para entrar em seu corredor, bato nas costas de alguém que está parado ali como um poste.
— Ei, qual o seu problema? – pergunto para o garoto, que percebo em seguida ser Rodrigo, meu colega do grupo de literatura. Ele continua olhando para frente e eu espio por cima de seu ombro.
A cena que assisto me deixa mais que magoada, me deixa enojada.
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