Pra que mudar?
16 Capítulo 15: Decepção
Notas iniciais
Aquilo parecia tão bizarro que devia estar sonhando. Rodrigo está tão assombrado quanto eu com aquela cena, nem sequer se move. Diego está simplesmente beijando Felícia. A amiga nojenta e intrometida da irmãzinha dele.
Agora entendo o assombro de Rodrigo, nós estávamos sofrendo tanto com essa cobra burra durante os ensaios que era difícil imaginar que alguém teria saco para ficar com ela. Mas claro que tinha que sobrar para mim ser a chifruda e perder para um tipinho desses.
Respiro fundo e parto pra cima deles, quando alguém me puxa para trás. Vejo a mão segurando meu braço com força, viro-me e dou de cara com Gustavo ali. Nos encaramos por um breve momento e sinto meus olhos começarem a arder.
Diego a essa altura já havia notado seu público ali. Ele se desvencilhou de Felícia e deu um passo em minha direção.
Essa não, chorar ali seria o cúmulo da humilhação, me desvencilho de Gustavo e corro na direção contrária. Lágrimas já caindo sobre meu rosto, abaixo a cabeça e vou embora.
*******************************************************
— Alexia, pode por favor abrir essa porta? – Diego berrava.
— Não. – Roberta respondia por mim.
Ela realmente gostava de mim, quando cheguei ao quarto chorando, ela ficou desesperada e agora estava me defendendo feito leoa dos visitantes indesejados, que foram muitos aliás. Ana, Gustavo, Rodrigo e agora Diego. Como ele tinha a audácia de aparecer aqui. Eu estava triste, arrasada mas sabia também que em breve estaria com um ódio mortal e planejando uma vingança perfeita.
Estou deitada em minha cama, embrulhada dos pés à cabeça. Não estou chorando mais, mas também não sinto vontade de fazer nada.
Fiquei em meu quarto pelo resto da semana, fiz um drama para a enfermeira do colégio e ela ficou com tanta pena de mim, que me liberou. Roberta trazia as matérias e comida para mim. Ela era a única pessoa que parecia se importar comigo de verdade e me senti aliviada por tê-la ali comigo.
— Alexia? – Minha amiga me chamou. – Escutou o que eu disse?
— Não, o que foi? – Pergunto. Minha cabeça andava a mil, sentia uma dificuldade extrema em me concentrar.
— Domingo, meu almoço de aniversário. – ela responde e fiquei surpresa com o assunto.
— Como você sabe sobre isso? Era pra ser uma surpresa! – Retruco.
— Gustavo quebrou o sigilo, estamos preocupados com você. – ela responde. Sinto a aflição em sua voz e faço minha próxima pergunta cuidadosamente.
— Ele vai estar lá? – Pergunto referindo-me a Diego.
— Claro que não, já o desconvidei. Mas ele está esperando somente você pisar fora desse quarto para falar com você, pego ele aqui na porta direto. – Ela responde.
— Não se preocupe comigo, estou bem o suficiente para lidar com Diego. – digo tentando tranquiliza-la.
— Ótimo, se serve de consolo, acho que foi apenas um deslize. Ele e Felícia não estão juntos, pelo que tenho visto ele parece sentir nojo da ridícula. – Roberta diz tentando me fazer rir.
— Não me importo mais. Estou pensando no teatro de segunda já. Pode pedir para Gustavo vir aqui me passar o que perdi nos ensaios desta semana? – pergunto mudando repentinamente de assunto.
— Ok, vou mandar uma mensagem para ele. Eu vou ensaiar agora com meu grupo. Quer que eu mande algum recado para mais alguém? – Roberta pergunta, sei que ela era fã de mim e Diego, mas está começando a me irritar.
— Não precisa. Só me informe quando ele morrer por favor. Vou fazer uma festinha. – Respondo mórbida.
— Credo. – Roberta retruca assustada. Caímos na gargalhada pela primeira vez depois dos meus chifres serem colocados.
*******************************************************
Gustavo aparece mais tarde, pelo visto não perdi muita coisa. Já que seria figurante e não teria muito pra falar. Depois de me atualizar, ele me encara sério. Não consigo olhar em seus olhos, ele me viu chorar, algo que poucas pessoas já viram.
Sentia vergonha por ele ter me visto em um momento de fraqueza e mais vergonha por ele estar preocupado comigo.
— Então, você está melhor? – Gustavo pergunta.
— Sim. – Respondo.
— Já está na hora de sair desse quarto ou não? – Ele pergunta.
— Vou sair à partir de domingo, afinal temos um almoço para preparar. Aliás, obrigado por estragar a surpresa! — Respondo indignada.
— Desculpe, mas você preferiria dar de cara com Diego por lá? – Gustavo pergunta. Realmente ele evitou uma situação complicada e sentia-me aliviada por isso.
— Obrigada, não sei o que seria de mim sem você e sua namorada. – Respondo, dando um beijinho em sua bochecha.
— Pode contar conosco sempre. Sinto muito por tudo isso, mas acho que alguma coisa aconteceu, Diego nem gosta da Felícia. A única coisa que peço é que escute o que ele tem pra te dizer, sério. – Gustavo fala e fico surpresa, ele não era de se meter em nenhum assunto sobre meu relacionamento.
— Virou defensor do Diego agora? – Pergunto cheia de ironia.
— O mundo dá voltas e ele anda arrasado, nem está conseguindo treinar direito. – Gustavo responde e bem lá no fundo fico contente por isso, contente por não estar sofrendo sozinha.
— Ok, prometo somente socar a cara dele, depois de escutá-lo. – Digo com a mão direita sobre o peito. Gustavo sorri e sabe que estou falando a verdade.
— Vou indo então, nós vemos domingo. – Ele diz levantando-se.
— Ok, Obrigada. – Retruco.
Pode parecer loucura, mas me pego pensando que se tivesse escolhido Gustavo não estaria passando por toda essa complicação. Infelizmente a amizade de Gustavo não se compara ao que sinto por Diego. Apesar de não ter dito, eu amo muito aquele trouxa.
*******************************************************
O aniversário de Roberta chegou e resolvo trazer café da manhã na cama para a aniversariante. Levanto-me cedo e vou correndo para o refeitório. Está vazio, domingo quase todos vão para suas casas. Pego uma bandeja e coloco tudo que minha amiga gosta de comer e levo uma porção a mais para mim.
Com o peso da bandeja, decido usar o elevador de serviços para subir de volta aos dormitórios. Entro e com muita dificuldade aperto o botão para subir.
Antes que a porta se feche porém, um braço se estende impedindo. Com uma calça de moletom, camiseta e com os cabelos pingando de suor, vislumbro Diego e prendo automaticamente a respiração.
— Agora você vai ter que me ouvir. – Ele diz entrando no elevador e deixando que a porta se feche atrás de si.
Fale com o autor