Pra que Decidir?
4 Curiosidade.
Notas iniciais
Havia visto coisas demais, tanto que a adrenalina que corria por seu peito ainda não estava completamente dissipada.
Era irrelevante afirmar que estava com fome, afinal não comera nada durante todo o dia, entretanto, mesmo com suas vísceras pedindo alimentos para serem digeridos o ruivo não sentia vontade de comer.
Abriu um belo sorriso acenando para Abel que sumia em meio a casas, varandas e luzes do pôr-do-sol.
Entrou em casa sentindo-se realizado, o que vira, tinha quase certeza de que um número ínfimo de pessoas havia visto. Estava certo. Vira como os livros poderiam ser úteis e como eles quase sempre guardavam coisas que sempre achava que estariam em outro local. Informações importantes.
Só precisava saber procurar.
Vira também pessoalmente um frasco do elixir carmim-dourado. O elixir da longa vida que ele receberia se optasse por ser alquimista.
Vira a pedra vermelha como sangue nomeada como filosofal, aquela que transformava qualquer metal em ouro. Agora por exemplo carregava um anel dourado no dedo mínimo da mão esquerda, Abel chamara de presente, mas para Diogo significava muito mais, talvez um possível e insensata aliança... O que saberia depois seria tão terrível –na visão de um mortal- que podia colocar em risco toda a aliança do ruivo com alquimistas.
Jogou a mochila sobre o grande sofá e suspirou, ignorando empregados e possíveis pais que chegariam de viagem.
Subiu as escadas ainda ostentando o sorriso aberto. Foi das escadas até o banheiro, passando pouco mais de duas horas sob a água gelada, relaxando, adquirindo uma possível gripe. Em seguida vestiu o roupão branco e jogou-se em sua cama que estava arrumada.
Dormiu, mas dormiu como um anjo, até cedo, estava bastante cansado no fim das contas.
Acordou com as galinhas, ou melhor dizendo, exatamente as cinco horas da manhã, os pássaros sequer haviam começado a cantar ainda. As noites ainda estavam mais longas que os dias.
Ficou quieto prestando atenção a qualquer barulho que pudesse denunciar uma outra presença naquele quarto limpo.
Sim, estranhamente Diogo era dono de um quarto impecavelmente limpo. Bem, não tão estranhamente, afinal empregados eram pagos para isso.
Agora sim seria bom usar a palavra ‘estranhamente’, pois estranhamente o ruivo não conseguia ouvir nada, nada a não ser os pássaros mais dispostos que aqueciam suas vozes, ou piadas.
Sentou-se na cama até um tanto preocupado, temia que tudo o que acontecera fosse somente um sonho bom, temia que estivesse mesmo com câncer e que não houvesse uma cura, ou uma forma de viver.
Fitou os lençóis, vendo-os manchados com aquele mesmo vermelho de todo dia. O vermelho de seus cabelos e o vermelho de suas notas. O vermelho de seu sangue que insistia em escorrer a cada ataque de tosse do rapaz.
Como ainda era bastante cedo, foi até o banheiro carregando travesseiros e roupas de cama sujas de sangue. Encheu a banheira esbranquiçada que tinha ali e jogou os tecidos lá dentro para poupar o trabalho gigantesco de tirar o sangue seco dos lençóis.
Daquela forma sabia que seria mais fácil de lavar.
Falando em lavar, foi escovar os dentes, desesperando-se ao ouvir um barulho metálico semelhante ao de uma moeda vir do chão recoberto por cerâmica. Olhou por instinto, abrindo mais um sorriso gigantesco ao fitar o pequeno anel que escorregara de seu dedo mínimo. Seu ânimo voltou, sabia que tinha uma chance de permanecer existindo –não necessariamente vivendo.
Vestiu a farda tranquilamente, saindo de casa com a mochila nas costas. Estranhou o fato de Dante ainda não ter aparecido mas ignorou isso por enquanto. Seguiu o mesmo caminho que seguira com Abel na manhã anterior. O dia que se passava estava nublado, não tinha comparação com o anterior, na verdade parecia que Abel com sua alegria e afetividade toda deixava o mundo um lugar melhor.
Seus pensamentos foram interrompidos por uma gargalhada bastante alta.
Sentiu um vento frio percorrer seu corpo e um arrepio inundou sua espinha dorsal, era a voz de Dante, mas esta ficara muito mais assustadora por estarem ambos numa rua que a essa hora se encontrava vazia.
Virou-se e viu o rapaz de longos cabelos negros. Ele usava roupas completamente negras com poucos detalhes carmesins tal qual seus olhos. As marcas que vira anteriormente em suas bochechas e que brilhavam no escuro não estavam mais lá, o vampiro projetava risadas quase que insanas, aproximando-se do ruivo.
“—Que pensamentos tão doces, meu caro indeciso...” – Bradou com voz de escárnio, quase que desfilando pela rua vazia.
“—Odeio quando faz isso.”
“—É inevitável.” – Passou as mãos pelos cabelos ruivos do que era um pouco menor. “—E seus pensamentos são muito divertidos, eu não deveria ter subestimado a fala daquela menininha.”
“—Não chame Abel assim.”
“—Mas ele é! Ah... Deixe-me explicar-lhe algo...” – Sorria enquanto guiava Diogo para um caminho distinto do da escola. “—Bastante simples, entretanto o alquimista deve ter-lhe ocultado este detalhezinho...”
Os dois tomaram um longo caminho por uma rua de classe alta. Nesta não se podia ouvir sequer os barulhos de cantos de pássaros. No máximo suas passadas contra o chão perfeitamente reto.
Dante segurara o pulso do ruivo e agora lhe guiava até um enorme carro preto de vidros escuros. Ambos entraram ali. A porta foi fechada com um estrondo e instruções não precisavam ser ditas, o motorista sabia o caminho de cor e salteado.
“—Sabe, Diogo... Quando você vira alquimista passa por uma metamorfose. E não, eles não ganham asinhas e poderes mágicos.” – Lera novamente os pensamentos do rapaz. “—Sem pensamentos idiotas, ruivo. A metamorfose, consiste na conclusão do ensino, inicialmente se perde todos os pelos e dentes, você vira um monstro sem identidade, sexo ou raça definida, em se-“
Calou-se ao ver do lado de fora um prédio enorme. Diferente da rua de que saíram, esta parecia pertencer a pessoas de classe média baixa, casas com pinturas descascando, cachorros latindo desesperadamente, gatos brigando e pessoas murmurando fofocas e suposições sobre a origem do carro negro como ônix.
“—Vamos falar com um especialista no assunto, ele se chama Mett. Comporte-se Diogo.” – Falou com um ar risonho, saindo do carro e indo em direção ao prédio de coloração amarelada.
Aquela pintura era originalmente branca, mas tanto tempo depois, adquirira além de falhas uma cor encardida. O ruivo não teve outra alternativa a não ser sair do carro e adentrar no prédio seguindo o vampiro. Subiram inúmeros lances de escada. O elevador estava quebrado.
No terceiro andar Diogo já estava ofegando, além de tossir um pouco pela poeira, sangrando mais uma vez. Dante subia cada degrau como se fosse o primeiro, não mostrava nenhum sinal de suor ou cansaço, estava como sempre, altivo, calmo, carregando uma certa arrogância unida a um orgulho com razão.
No décimo andar, Diogo precisou sentar naqueles degraus. Estava exausto, não conseguia dar sequer mais um passo. Dante irritou-se e bufou de insatisfação. Pegou o rapaz nos braços e começou a subir as escadas com ele, reclamando a cada andar.
Depois de mais uns oito andares, o ruivo desistiu de contar e só deixou ser levado.
Demoraram um bom tempo até chegarem num corredor iluminado e com plantas artificiais a cada metro.
O ruivo foi posto no chão e ouviu uma melodia familiar, se bem lembrava, era a voz bela e rouca de Cássia Eller, cantora brasileira. A melodia era envolvente, até um tanto... Romântica!
Tinha certeza que conhecia a música, o nome era Primeiro de julho, bela melodia, bela voz, belíssima música.
O garoto caminhava ao lado de Dante, já recuperado não mais tossia nem colocava sangue para fora pelo nariz. Pararam ambos em frente a uma porta esverdeada, nesta, havia um número gravado em fonte destacada porém visivelmente prateada. Número 633, última porta do longo corredor. Todo ele cheirava a hospital, um cheiro limpo por obrigação e nada aconchegante.
Dante bateu na porta um pouco abaixo dos números, Diogo conseguiu ouvir uma voz agradável acompanhando a melodia, era realmente uma voz bonita.
“—Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher!” – Arregalou os olhos demasiadamente envergonhado.
O garoto que abrira a porta para Diogo e Dante, usava somente um short negro que por pouco não chegava a seus próprios joelhos. Seu nome era Kanon e ele a pouco fizera dezesseis anos. Ele corou rapidamente e abriu a porta, saindo do caminho dos dois, indo até o som e desligando-o.
“—Mett... É o seu amigo, ele veio...” – Murmurou com uma voz vergonhosa mas que Diogo reconheceu com sendo a que cantava a dita música.
“—Um rango legal, é o que procuramos...” – Cantou uma voz grave de dentro de um aposento daquele apartamento.
“Três vezes ao dia, é o que precisamos!” – O rapaz de longos cabelos negros respondeu cantando.
“—Dante, carinha!!!” – Exclamou um rapaz de longos cabelos loiros, entretanto estes fios eram bastante lisos.
Não era possível ver os olhos deste loiro, afinal ele usava óculos de grau cujas lentes eram bastante grossas, o máximo que poderia ver, eram os reflexos desta. Mett, como fora chamado pelo garoto de cabelos acastanhados, era ainda mais alto que Dante. Os cabelos bastante lisos estavam soltos, ele caminhou até os dois visitantes e fez estes sentarem no sofá junto a Kanon.
A sala era bastante simples, uma televisão, um vídeo-game, um aparelho de DVD, sofá e tapetes, e para todos os cantos tinham almofadas.
Parecia um apartamento comum dividido por bons amigos.
Bem, tirando o fato de Mett ter sentado ao lado de Kanon e beijado seus lábios finos. O ruivo arregalou os olhos, assustado com a naturalidade do ‘casal’ e desviou o olhar. Não entendera o porque de ter sido levado até ali mas preferiu ficar em silêncio, cedo ou tarde ele deveria entender.
“—O que o traz aqui, meu amigo?” – Mett, o loiro perguntou, abraçando Kanon que ficou ainda mais corado.
“—Como você sabe muito sobre alquimistas, gostaria que falasse com o ruivo aqui, explicasse cada um dos passos e das transformações de um alquimista.”
“—Dante...” – Ponderou as palavras, levantando e caminhando em direção a um outro cômodo, uma cozinha talvez. Carregava um semblante sério.
O vampiro de cabelos negros arqueou uma das sobrancelhas e seguiu o maior. Não imaginava o que acontecera com o loiro, ele não parecia muito a vontade com Diogo ali em sua sala de estar.
Os dois foram realmente até a cozinha, esta mais parecia um laboratório, várias vidrarias estavam distribuídas em inúmeros balcões, em vidros alternados haviam líquidos coloridos e borbulhantes, tudo aquilo era parte do estudo alquímico de Kanon e também a magia que Mett poderia usar.
Nem todos os vampiros eram dotados de magia, para isso deveriam procurar um mestre que lhes instruísse, lhes mostrasse a arte da magia, nada muito difícil de fazer.
Voltando a falar sobre a disputa das raças, cada uma delas tinha uma certa habilidade especial. Os alquimistas se destacavam por sua sabedoria e riqueza, afinal, nenhum alquimista era menos do que milionário.
Os vampiros destacavam-se por sua sensualidade e lábia, por este motivo, estes quase sempre ganhavam as disputas.
Era uma espécie de jogo que consistia no seguinte.
Uma pessoa que tivesse algo de especial e cuja existência estivesse ameaçada tanto por um acontecimento fatídico quanto por alguma doença mortal era escolhida e para esta eram mandados dois mensageiros.
Sob as camadas da terra, onde era tudo mais quente, sob mares, sal e petróleo havia uma enorme galeria. Esta era quente, entretanto aconchegante, nada que fosse desagradável.
Ali dentro moravam treze juízes. Eles não eram aparentemente agradáveis, mas cada um era sábio em determinadas situações e matérias.
Não tinham nome, eram representados por signos, havia o juiz de Áries, o de Touro e mais dez deles. O décimo terceiro entretanto era mais conhecido como Caos.
Caos era o juiz líder de todos os outros, só votava se houvesse empate e sua vontade prevalecia sobre as demais. Estes permaneceram por milênios escolhendo as raças que disputariam pela vida em risco na terra.
De acordo com minhas pesquisas eles estão lá até hoje.
Estes juízes só poderiam escolher raças que pudessem realmente salvas as vidas daqui da terra. Por exemplo, se uma garota vai morrer após um parto complicado, as únicas espécies que poderiam salvá-la, seriam vampiros e lobisomens, pois ambas as raças oferecem uma resistência muito grande ao corpo. Como já fora dito antes, todos só teriam duas escolhas, com nenhuma outra raça a dita garota conseguiria sobreviver.
E tudo isso era a guerra entre as raças, pois a cada ‘vida’ que o representante de seu povo conseguisse salvar, a dita espécie ganharia um ponto.
Os vampiros estavam disparados na frente, tinham muitos adeptos vivos que dariam qualquer coisa para se tornarem vampiros, além disso era uma espécie altamente conhecida e difundida, sua fama ajudava. Sem falar que em quase todos os casos, ser vampiro era uma escolha.
“—Você viu o dedo mínimo dele?” – Mett perguntou, fitando o vampiro de cabelos negros através da grossa lente transparente.
“—Sim, eu vi.” – Dante sentia-se intimidado, além disso estava com muita raiva por em um dia somente, Abel já ter entregue um aliança alquímica para o ruivo.
“—Como você pôde deixá-lo fazer isso? O primeiro dia era seu.”
“—Eu perdi uma aposta.”
“—Idiota! Trate de consertar o que fez!”
“—Cale-se!” – Bradou Dante alterado. Para ele não importava se o outro fosse um vampiro primordial, Mett –outrora vampiro Juiz de Libra- abandonara a colônia vampírica para viver com um humano aspirante a alquimista, aquilo era inadmissível!
Enquanto essa discussão acontecia –e vale frisar que não era possível ouvir nada da sala de estar- Diogo olhava um pouco desconfiado para Kanon, que mantinha o rosto baixo.
Eles passaram muito tempo desta forma, nenhum deles citara nada até que foi possível sentir um cheiro estranho. Era um cheiro curioso, familiar talvez... Semelhante ao odor que se forma quando alguém coloca fogo num pouco de perfume e este começa a evaporar. O ruivo procurou por fogo, entretanto nada viu, visou apenas uma espécie de vapor saindo do corpo do outro rapaz. Kanon.
Este vapor escapava de suas canelas e de seu rosto, assim como seus antebraços pareciam estar evaporando, sumindo, talvez.
Diogo afastou-se com os olhos arregalados, fitando o garoto que não parecia sequer ter dado conta de que estava derretendo.
Kanon era um menino especial, sempre teve a opinião muito forte.
Anos atrás apareceram-lhe duas criaturas, duas pessoas por assim dizer.
Um deles, chamava-se Nicholas Ryouji, mas isto somente de onde viera. De onde viera também era conhecido como Juiz de Libra, o único dos vampiros dentre os juízes. Nicholas era o mesmo desde sempre, não mudara absolutamente nada. O outro jovem que apareceu para Kanon chamava-se Shirou Takada, ele era um lobisomem primordial.
Os duas raças escolhidas mandaram seus representantes mais fortes pelo fato de Kanon ser muito valioso, ele tinha um potencial mágico e intelectual acima de todos os demais jovens de sua geração, foi uma bagunça no juri para escolher quais as duas raças seriam mandadas para Kanon.
“—V-Você está derretendo!” – Exclamou Diogo assustado, levantando e apontando para as pernas e ante-braços do garoto.
Sua mente pregou-lhe algumas peças, ele via ossos onde haviam próteses de metal, ele via os ossos e via carne e via sangue no chão onde não tinha nada.
A mente humana sempre foi algo surpreendente.
Também foi possível ver no peito do garoto um objeto metálico em forma de coração onde deveria haver o coração.
Kanon sorria um pouco envergonhado enquanto levantava.
A descrição dele pela visão de Diogo seria a seguinte.
Era assustador, eu podia ver, jurava que via seu sangue descendo e que ele estava apoiado somente nos ossos! Parecia um zumbi!!! Seu coração estava saltado para fora, veias deste caíam por seu corpo, deuses, preciso sair daqui!
Engraçado, não acha? Na verdade Kanon era mais ou menos assim:
O garoto tinha aparentemente quinze anos ou menos, a metade esquerda de seu rosto era coberta por uma placa de ferro que também tomava parte de trás de sua cabeça.
Os antebraços eram feitos de uma prótese metálica barata, apenas uma espécie de cano e na ponta deste –logicamente em cada braço tinha um- uma mão feita de ferro, sem nenhuma articulação. A mesma coisa acontecia com suas pernas. Uma espécie de cálice plástico ligava o cano fino e oco de ferro ao que ainda sobrava de suas pernas. Do joelho para cima tinha-as perfeitamente.
Sobre o mamilo esquerdo, preso com algumas suturas no corpo magro, estava um marca-passo, objeto que permitia a Kanon continuar a viver, o marca-passo tinha formato de coração metálico, deste, saíam três fios que entravam por seu umbigo e se espalhavam por toda sua circulação, em filamentos mínimos, para garantir que seu sangue não coagulasse. O equipamento, funcionava a partir de eletricidade e disparava pequenos choques para fazer o sangue continuar em movimento.
Agora que a magia se dissipara, também era possível ver três mangueiras entrando na lateral de seu corpo, do lado esquerdo, estas –também com fundamentos e filamentos elétricos- faziam seus rins e intestinos funcionarem. Do lado oposto, mais uma barra de ferro na altura das costelas. Fora uma fratura sem conserto.
“—Não estou derretendo... A magia está acabando, fique calmo, não é nada de mais...”
E era incrível como aquele garoto conseguia ser bonito apesar de todas as deformidades de seu corpo. E o mais incrível, ele conseguia sorrir apesar de tudo!
Kanon sentou-se novamente, dando um suspiro longo. Neste momento seu cabelo afastou-se um pouco de seu pescoço e ali o ruivo pode ver um catete como os que se colocam toda vez que alguém vai tomar soro no hospital. Um catete no pescoço... Nunca havia visto um desses.
“—Agora por favor sente-se, parece que quer saber sobre mim.”
Kanon, o garoto de somente um olho evidente estava corretíssimo. Agora só restava para ele saber mais sobre aquele menino tão... interessante!
Notas finais
Espero que sim... Eu sei que um autor não deve selecionar personagens como seus favoritos, mas eu amo o Kanon.
Comentem, seus comentários me inspiram então comentem.
Ah, vestibulares chegando, torçam por mim. ;///;
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